Roqueiros Também Sabem Amar
5 O Garoto Que Nunca Estudou Em Uma Escola
Você já acordou com vontade de matar uma loira oxigenada? Não? Vá se consultar! Talvez você não seja normal!
Gajeel, como disse, faltou toda a semana de aula. Eu não sabia qual a razão de uma pessoa ir para escola e depois faltar uma semana.
Uma semana!
Se eu fosse a diretora, no mínimo a pessoa seria expulsa. Isso se eu fosse boazinha. Ah, claro, loiras oxigenadas também seriam expulsas. Só pelo fato de serem loiras e insuportáveis. Deve existir suas exceções, mas conhecendo Lucy Heartfilia como eu bem conheço, duvido muito que as exceções sejam boas.
Agora imaginei se a própria Lucy seja uma exceção! O mundo estaria perdido.
Se algum dia formos dominados por loiras, não digam que eu não avisei.
De qualquer forma, eu fiquei possessa. Lucy, como era de se esperar, mostrou suas garras. Ela espalhara um boato pela a escola que eu estava usando “truques sujos e maquiavélicos” para “conquistar o grande astro e perfeição em pessoa da escola” para “conseguir tudo o que quer, inclusive convencê-lo a não participar do show de talentos das escolas de Magnólia, que ele irá ganhar para nós se a impedirem”.Só uma coisa: ridículo!
Eu não me envolvo com esse tipo de coisa. Isso é fato. Mas, o que eu ganharia prejudicando a escola? Tudo bem que eu duvidava muito que meu vizinho soubesse cantar, porém isso não quer dizer que eu queira danificar a escola ou coisa parecida.
Mas, Lucy Heartfilia tem um poder imenso sobre a mente das pessoas. Ela rapidamente fez com que todos acreditassem naquele boato absurdo.
O resultado disso foi que mandei a minha redação para o professor na sexta-feira. E também estirei a língua para Lucy na hora da saída. Devo admitir que não estava em um bom momento, isso justifica minha agressividade extrema.
Fui para casa emburrada. Até mesmo Jet e Droy haviam me largado depois de um longo discurso sobre eu não ter coração e sobre eu ter traído eles. Também me disseram que nunca deixariam de me amar apesar de todo o sofrimento que causei e de todas as coisas erradas que fiz.
Ah, fala sério, acho que nem Lucy Heartfilia mereça ouvir isso.
Ok, ela merece sim.
Cheguei em casa e joguei meus materiais no chão. Estava irritadíssima com tudo e com todos. Subi as escadas pisando duro e fechei a porta do meu quarto com um baque estrondoso.
Suspirei e me joguei na cama.
- Ui, tem alguém que está estressada por aqui, hein? – disse uma voz no meu quarto.
Gritei e pulei da cama. Lá estava ele. Os piercings continuavam iguais como antes, seu sorriso era malicioso e vestia roupas negras, como de usual. Ele parecia desconfortável em meu quarto, tendo em vista que era bem pequeno para alguém do tamanho dele.
Atirei um travesseiro em sua cara.
- O que você está fazendo aqui? – gritei.
Gajeel jogou o travesseiro no chão.
- Eu falei pra você ir a minha casa esse fim de semana, não falei? – Assenti. – Eu sabia que você não viria, então resolvi te esperar aqui.
Corei e desviei o olhar. Como ele sabia que eu não ia?
- Eu apenas achei melhor tratarmos de assuntos da escola na própria escola.
- Não venha com merda pra cima de mim. – respondeu ele. Gajeel jogou algumas balinhas pretas dentro da boca e começou a mastigar.
- Não é isso. – retruquei. – E quem te deixou entrar aqui?
- Ninguém. – respondeu enquanto mastigava.
- Como assim “ninguém”? – perguntei.
- Ninguém. – Ele jogou mais algumas balinhas na boca. – Eu cheguei hoje da viagem que fiz para apresentar o novo cd. – Mais balas. – E como vi que a janela estava aberta, eu simplesmente pulei.
- Você é louco? – gritei.
Gajeel sorriu.
- Não posso entrar no seu quarto por algum motivo especial? – perguntou.
- Não é isso. – Meu rosto estava quente. – Eu só queria que parasse de ser tão estúpido. Ninguém te chamou aqui.
Gajeel deu de ombros.
- Vou embora. – Ele se levantou e pisou na janela. Mordi os lábios. E se ela quebrasse?
- Seu idiota! Saia daí! – gritei. Gajeel começou a rir.
- Ei, nanica – Minha cabeça estava latejando de raiva. – Já que você não quer falar sobre aquelas coisas, eu não vou prestar atenção em nenhum outro dia, ok?
- É pra te ajudar. – argumentei. Eu sabia que ele nunca me escutaria. – Nós sabemos que você nunca frequentou uma escola normal.
Gajeel pulou para dentro do meu quarto.
- Como sabe disso? – perguntou.
- Seus pais avisaram. Eles... eles falaram que você só queria entrar na escola porque queria ser normal. – murmurei. Não me sentia bem mentindo. Na verdade os pais de Gajeel não falaram absolutamente nada. O que eu disse foi pura dedução. Eu sabia que ele sabia que não foi assim.
- Por que está mentindo? Meus pais nunca se importariam com coisas desse tipo. – Me calei. Eu sabia que ele iria me pegar. De novo ele subiu na janela. – Mas valeu, eu vou me virar.
Gajeel pulou e alcançou a sacada de seu quarto. Ele escalou e ficou me olhando da escada, com as sobrancelhas erguidas.
- Pelo menos desça pelas escadas como uma pessoa normal faria! – gritei. Gajeel sorriu e balançou a cabeça, como se não acreditasse no que eu havia falado.
Quem não estava acreditando em coisa alguma era eu.
Ele fez um sinal de respeito e deu as costas. Fechei a janela e a cortina. Ele sempre se superava na arte de me irritar.
Passei o fim de semana todo escutando rock contra a minha vontade. Pelo que deu a entender, eu o irritei também.
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