Roqueiros Também Sabem Amar
4 A Nanica
Notas iniciais
Quantos reviews!!!!! Fiquei tão animada!!!
No final de semana eu comecei a escrever pra valer. Minha redação estava praticamente pronta. As regras eram as seguintes: 1. Você não podia passar de mais de cinco páginas. 2. Precisava ser uma narração. 3. A narração deveria ter como tema: O que move as pessoas.
Eu sabia o que movia as pessoas.
Não sei dizer se gostava disso.
Mas enfim, escrever fora a minha salvação! Passei a semana toda me esquivando da Erza e do meu compromisso com o Gajeel. Eu não podia fugir para todo o sempre. Mas podia tentar.
E estava fazendo isso. Estava muito.
Só que Erza começou a aparecer até em meus sonhos. Ou melhor dizendo, pesadelos.
Fiquei assustada, naturalmente, e decidi parar de enrolar na segunda-feira.
Esperei Gajeel Redfox na porta da sala. Ele podia ser um astro, um monstro, uma princesa, não me importava. Só quero cumprir minha obrigação.
Ele chegou no horário, como sempre. As calças da escola eram um pouco largas nele (não entendo como), e seu uniforme sempre ficava com um botão sem fechar. Até que a roupa não ficava tão mal nele, dando destaque aos músculos.
Espera, por que reparei nisso?
Balancei a cabeça negativamente para afastar esse pensamento obscuro. Gajeel parou e sorriu para mim.
– Ei, nanica. – disse, e começou a bagunçar meu cabelo. Sem querer fiz biquinho. Ora, quem ele acha que é pra bagunçar meu cabelo e me chamar de nanica? Eu tenho uma altura razoável, tá? Razoavelmente baixa.
– Bom dia. – murmurei, de mal grado.
– Parece que alguém caiu da cama. – Gajeel mordeu a língua propositalmente. Que idiota.
– Isso não é importante. – falei. Gajeel deu de ombros. Ele concordava. Afinal, desde quando uma pessoa cair da cama é importante? – Eu preciso te mostrar a escola.
Gajeel olhou sobre o horizonte e começou a refletir sobre minhas palavras. Ele conseguia ser tão estranho...
– Por quê? – perguntou.
Suspirei.
– Longa história. – respondi.
– Eu tenho tempo. – retrucou.
Ele era a única pessoa que conseguia me dar tanta raiva.
– Então – prossegui. – Hoje no final da aula, eu vou te falar tudo o que precisa saber sobre a escola.
– Isso significa – Gajeel parou, escolhendo as palavras certas. – Que nós temos um encontro, nanica?
Corei e bufei. Grande idiota.
***
Sentei no banco, sozinha, na hora do almoço. Peguei meu sanduíche e o mordi, mastigando lentamente. Estava sentindo um frio na barriga. Qual o motivo?
Eu o vi chegar trazendo uma bandeja. Nela, pelo que consegui ver de longe, continha leite e biscoitos. Biscoitos e leite? Comecei a rir e engasguei com o sanduíche.
Gajeel colocou os fones de ouvido e ficou olhando para o horizonte. Agora, pensando nisso, parece que ele sempre está pensando sobre alguma coisa. Parece tão inalcançável.
Tão não ele.
Levantei e tirei a poeira da roupa. Comecei a andar na direção dele. Quando cheguei perto, umas garotas me empurraram e pediram autógrafos para ele.
– Você é o melhor, Gajeel-kun! – disse uma garota de cabelo rosa.
– Sim! Você arrasa! – gritou outra, de cabelo verde.
Gajeel deu os autógrafos e não falou nada. Não sorriu. Não foi falso como geralmente essas pessoas famosas são. Ele se virou.
– Se machucou nanica? – perguntou.
– Não. – murmurei. – Obrigada.
– Tome cuidado. É capaz de você diminuir mais. – Gajeel riu maliciosamente. Estirei a língua.
Antes que eu pudesse falar algo, Gajeel se levantou e saiu. Ele parou.
– Nanica – começou. – Eu preciso ir embora agora. Pode ir até minha casa no fim de semana para falarmos sobre qualquer merda que você queira?
Decidi não perguntar o que havia acontecido. Eu não era tão íntima.
– Não posso falar com você, amanhã? – perguntei.
Gajeel se virou. Lançou um olhar ameaçador. Senti meus pelos se eriçarem. O que havia acontecido com ele? Com o Gajeel pensativo e brincalhão.
– Não voltarei a frequentar a escola essa semana. – grunhiu.
Assenti.
Naquele momento eu percebi que Gajeel queria minha ajuda. E senti também que eu precisava ajudá-lo.
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