Roots
10 Capítulo 9 - "Cage Of Bones"
Notas iniciais
Aviso de conteúdo explícito.
Os textos a seguir podem chocar, ofender e incomodar algumas pessoas.
Continue por sua própria conta e risco.
***
"O que você está fazendo aqui?" Kevin pergunta assustado. "Quíron foi claro quando disse que era para se afastar de mim"
"Quem liga para o que aquele cavalo idiota fala?" Elliot responde. "Vim matar as saudades. Não sentiu minha falta, amor?" ele dá ênfase na última palavra.
"Não ouse avançar mais um passo!" o filho de Afrodite tenta persuadí-lo com suas palavras, mas sua voz falha de medo.
"Ou o que?" ele ri com desdém. "Seu charme não me afeta mais querido."
Kevin recua, até sentir o tronco de uma árvore em suas costas. O outro então, percebendo, coloca os dois braços ao lado do corpo esguio do mesmo, deixando-o sem saída.
"Não tenha medo de mim amor, vamos apenas nos divertir um pouco" um brilho verde passa pelos seus olhos de uma forma assustadora.
"Elliot, por fav..." ele avança em seus lábios, cortando sua fala.
O menor tenta o afastar, mesmo sabendo que a sua força era muito menor comparada com a dele, o que só piora a sua situação, pois tem seus pulsos presos contra a árvore e uma perna entre as suas, impedindo qualquer movimento.
"Se tentar fugir será pior." ele dá uma forte mordida nos lábios de Kevin, até seus dentes se mancharem de sangue e ouvir um gemido de dor dele.
Uma lágrima escorre de seus olhos quando tem o pescoço mordido sem piedade, onde ficaria uma grande marca por dias.
Suas roupas são rasgadas com pressa e fúria.
Tudo acontece muito rápido, antes que ele pudesse se dar conta.
Durante toda aquela noite, que parecia que nunca iria acabar, os gritos de desespero de Kevin ecoaram por toda floresta, muito longe de qualquer um que pudesse ajudar.
Ele clamava aos deuses por ajuda, as lágrimas correndo sem controle pelo seu rosto.
É impossível saber quantas vezes perdera a consciência. Depois de um certo tempo, já não tinha mais ideia de onde estava, como chegara ali, ou se iria sobreviver.
Acordou com os raios de sol esquentando sua pele. Já sozinho, se perguntando por que não havia morrido.
Assim que foi capaz de reunir o mínimo de forças para se colocar sentado, vomitou até aquilo que não tinha comido, apenas para desmaiar novamente.
***
Quando percebemos que tinha poção do amor no vinho, já estávamos nos beijando.
Foi de repente, foi recíproco. Foi, naquele momento, necessário.
Necessário para colocar alguns pensamentos e sentimentos no lugar.
E sim, nós sabíamos o que estávamos fazendo. Não éramos tão fracos a ponto de apenas uma garrafa de vinho nos alterar daquela maneira.
Era só que aquele beijo, cheio de lembranças e assuntos inacabados, tinha que acontecer.
Separamos nossos lábios com um suspiro, seguido de um leve sorriso de canto de boca, para depois cairmos na gargalhada.
— Acho que não é bem esse tipo de recomeço que eu estava falando.
Ainda rindo, a única coisa que consigo dizer é:
— Ai Sebs, nem acredito que beijei um homem depois de tanto tempo. Isso é tão hétero!
— Tecnicamente homem, mas ok. — Ele sorri.
Quando consigo me recompor, sento novamente no sofá e volto a conversar como se nada tivesse acontecido:
— Sei lá, sabe? Na carta a Mel disse que queria me ver feliz acima de tudo, independente de onde fosse como fosse ou com quem fosse. E já fazem quase três meses. Acho que preciso me dar o direto de ser feliz novamente. Só tem um problema: eu simplesmente não consigo seguir em frente. Sempre que eu sinto alguma melhora algo acontece e eu tenho uma recaída.
Ele escuta paciente, enquanto brincava com os fios da minha calça jeans rasgada.
— Você está certa. Mais do que ninguém merece ser feliz. E por mais que eu seja um leigo nessa coisa de sentimentos, felicidade não se força. Ela vem com o tempo, com os momentos. Não é definitiva muito menos eterna. Está nas pequenas coisas. Você tem que saber aproveitar. — Sorrio em concordância. — E sabe, às vezes as oportunidades estão onde menos esperamos. Já notou como a Lana te olha?
Eu volto a rir, dessa vez da cara dele.
— Como assim? Ela não... — Ele me encara com uma sobrancelha erguida.
Paro, encarando o nada, refletindo. Não era possível que ela gostasse de mim. Eu era muito pouco para alguém como ela.
— Acho que você está vendo coisas. Ela nunca se apaixonaria por mim. — Sorrio.
— Por que não?
Batidas urgentes na porta do Q.G. chamam nossa atenção. Lana atravessa a porta, tropeçando nos próprios pés.
— Kevin, na enfermaria, agora. — É a única coisa que ela consegue falar.
***
— Onde ele está? — Arthur chega à enfermaria correndo, ofegando de cansaço. — Cadê o Kevin?
— Calma Arthur! — Levanto da cadeira da sala de espera e faço-o sentar. — Ele já está bem. Deram-no um calmante mais cedo e agora está dormindo. Relaxa.
— Sério isso Ceci? — Ele praticamente ri da minha cara. — Como quer que eu relaxe numa hora dessas? É o Kevin!
— Olha, quando ele acordar vocês poderão conversar, e aí você tira suas conclusões, pode ser? Mas o pior a se fazer agora é perder a cabeça. Não precisamos de mais problemas. O pior já passou, é isso que importa. Quíron enviou um grupo de busca para ir atrás do Elliot e o Kevin já está aqui, sob os melhores cuidados que o acampamento pode oferecer. Vai ficar tudo bem.
— Não, não vai ficar tudo bem. Você é uma das pessoas aqui que mais sabe disso. Mas tudo bem, eu entendo. Vou dar uma volta para espairecer um pouco. Quando ele acordar, por favor, avise que eu estive aqui. — Dito isso ele sai sem olhar para trás.
Suspiro para manter a calma e volto ao lugar que estava sentada antes.
Olho para os meus amigos, todos reunidos ali pela mesma razão. Tentei sorrir por estarmos todos juntos em um momento tão difícil, mas a minha preocupação era maior do que tudo.
Encosto a cabeça na parede e olho para o teto. Os últimos acontecimentos da minha vida passando por minha mente, criando uma grande confusão.
"Como eu vim parar aqui?" Penso.
As lembranças de quando eu era pequena eram muito vagas. Desde muito cedo meus verões sempre foram no acampamento. Entrei aqui quando tinha cinco anos. Minha mãe sempre soube que eu era uma semideusa, então toda a minha vida se resume em treinar para sobreviver. Anos e anos de aulas das mais diversas modalidades de luta. Mal tive tempo para ser criança. Enquanto a maioria das crianças brincavam por aí, tinham amigos e se divertiam, meus dias eram focados em estudar e treinar. E, mesmo assim, nunca pude reclamar, já que sabia o porquê de estar fazendo tudo aquilo. Pelo menos, hoje em dia consigo sobreviver à praticamente qualquer situação com apenas uma faca.
Mesmo que eu inveje aqueles que têm uma vida "normal", não mudaria nada do que aconteceu, pois foram todas essas experiências que me tornaram a Cecília de hoje. E eu gosto de quem eu sou. Gosto de toda a coragem que a vida me ensinou a ter depois de tanto medo, gosto dos amigos que fiz, pois eles também me fizeram mais forte, e por pior que seja a situação, sei que posso contar com eles, e gosto de poder retribuir essa confiança. São amizades para a vida toda, que surgiram a partir das piores circunstâncias. Então acho que, por pior que ela seja, nunca poderia querer uma vida melhor.
— Ele acordou — Ouço a voz de uma das minhas irmãs, que estava responsável pela enfermaria até que Will voltasse da missão.
Fomos todos em silêncio para o quarto.
E lá estava ele, sentado na maca. Com hematomas e arranhões por toda a pele. Me aproximei, seguida por Sebastian, depois Wendy, e todos os outros. Logo, Kevin estava sendo abraçado por uma quantidade de pessoas que nem caberiam num abraço de verdade, mas, naquele momento, ninguém ligava para isso, ou para qualquer outra coisa.
— Não chorem, por favor. Eu estou bem. — Ele pede com a voz fraca, o que não ajuda muito. — Preciso que me escutem.
Após um profundo suspiro, fala:
(coloquem Cage Of Bones para tocar, por favor)
— Não foi exatamente o Elliot. — Abrimos a boca para contestar, mas recebemos um olhar tão ameaçador como resposta que fez com que todos se calassem imediatamente. — Ele estava, de alguma forma, possuído. A sua voz não era a mesma. Era uma voz demoníaca, e tinha também uma névoa estranha... As mesmas daquele dia em que Ártemis desapareceu.
Naquele momento, perco o equilíbrio, e flashs começam a passar pela minha cabeça. Arthur correndo em direção à floresta, Elliot fugindo e gritando por ajuda, a névoa verde aparecendo, Arthur o alcançando. Sangue e mais gritos.
— Não... — Falo. — Não, não, não...
— O que houve Ceci? — Wendy pergunta, mas não respondo. Só consigo sair do quarto e começar a correr na direção da floresta. Não sabia por que estava indo para lá, só parecia à direção certa a seguir.
A cada passo que dava a temperatura parecia diminuir um pouco mais.
Quando me dei conta, já estava no meio da floresta.
Completamente perdida.
O medo começou a tomar conta de mim, pois Arthur poderia aparecer a qualquer momento, e poderia estar possuído, assim como Kevin descreveu o Elliot.
"Mantenha a calma. Você sabe o que fazer." Disse a mim mesma.
Quase que como resposta ao meu desespero, ouço um grito de Elliot.
Sem pensar duas vezes, sigo aquele som, como se a minha vida dependesse daquilo.
Mas é claro que, como o Universo sempre conspira contra mim, eu tropecei.
Antes que pudesse reagir, minha visão se escurece completamente.
A sensação que eu tive foi a de ser puxada em duas direções diferentes, como se uma hora fosse partir ao meio. Depois, uma forte tontura, até sentir meu corpo prensado contra uma espécie de parede, o que me fez voltar à realidade.
Sem perceber, comecei a brilhar, e então, com a fraca iluminação pude perceber que Lana estava ali, seja lá onde ali fosse.
Ela levou o dedo indicador aos lábios, pedindo que eu fizesse silêncio, e depois pediu com o tom de voz mais baixo possível que eu parasse de brilhar.
— Por favor, não faça isso. — Ouvimos a voz de Elliot perto. Muito perto.
— Você irá pagar pelo que fez. Nunca mais chegará perto do Kevin novamente. — Quem responde, porém, não é Arthur, ou, pelo menos, não era a voz dele.
— Eu não fiz nada! Foi aquele cara, estava controlando a minha mente!
— Ele não fez nada do que você não quisesse, apenas lhe deu coragem para fazer. Coisa que nitidamente te falta.
— E você? Tem coragem o suficiente para fazer isso? — Ele tenta soar desafiador, porém sua voz falha, o que deixa nítido seu medo.
Nenhuma resposta.
Aquele silêncio me dava arrepios.
Meu coração batia a mil por hora, assim como o de Lana.
Queria me mexer, queria fazer algo, mas não conseguia dar sequer um passo.
Um grito de dor foi a única coisa que ouvi. Como se fosse uma espada atravessou-me de forma dolorosa.
O desespero tomou conta de mim. Desespero por não poder fazer nada.
Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. Tive que me conter para não fazer nenhum mínimo som.
Lana me abraçou, e pude perceber por sua respiração que também estava chorando.
Recostei minha cabeça em seu colo, e ela passou os braços em volta da minha cintura.
Não sei quanto tempo demorou, mas aquela tortura parecia não ter fim.
Ouvimos os gritos de Elliot diminuírem até virarem palavras desconexas, carregadas de dor, que logo cessaram, para só restar uma respiração pesada e lenta, já quase sem vida.
Em passos calmos, Arthur se aproxima de onde nós estávamos. Era possível sentir a sua presença, mesmo sem conseguir vê-lo, como um lobo farejando suas presas.
— Eu avisei. Vocês preferiram não me ouvir, agora, sofram as consequências. — Disse a voz demoníaca. — Irei atrás de todos, um por um, até que não sobre mais ninguém. Até quando conseguirá se esconder filha de Apolo? Você tem vinte e nove dias.
Aquela mensagem, a mesma que eu ouvi na enfermaria aquele dia. A mesma voz. O mesmo cheiro tóxico que invadia meus pulmões.
"O seu tempo está se esgotando." Ele havia dito.
Que tempo? O que irá acontecer?
Os passos começam a se afastar, até não haver mais nenhum barulho, apenas das nossas respirações descompassadas.
Estávamos apavoradas de medo. Medo de sair dali. Medo de ver o corpo de Elliot. Medo de ver o sangue espalhado pelo chão.
Esperamos, até ter certeza de que ele tinha ido embora.
Já era noite. O calmo barulho dos grilos dava a impressão de que nada havia acontecido. A floresta estava calma, como em uma típica noite de verão.
— O que faremos? — Pergunto para Lana, ainda sussurrando.
— Fique aqui até eu voltar. — É a única coisa que ela diz, e então, sai dali por uma fresta livre.
Agora, um pouco mais calma, consigo perceber que o lugar que estávamos era nada mais que uma árvore oca, que convenientemente estava ali, logo ao lado de onde tudo acontecera.
— Ceci? — Ela chama, aparecendo novamente na fresta. — Olha, o corpo ainda está aqui, mas Arthur já foi embora. Se importa em sair aqui ou prefere que eu te leve até os chalés?
Parei para pensar. Claro que ver o corpo seria horrível, mas não iria deixar Lana sozinha naquela floresta, principalmente àquela hora da noite.
— Não, tudo bem. Eu posso sair. — Ela me estende a mão, e pego, tomando cuidado para não tropeçar.
Horrível era a única palavra que consegui encontrar para descrever o que vi.
O corpo estava lá, cheio de profundas facadas, acima de uma grande poça de sangue. As pegadas de Arthur, para piorar aquela visão, também eram de sangue.
Não consegui ter nenhuma reação de imediato, até sentir que poderia vomitar a qualquer momento.
Desviei meu olhar. Minhas pernas fraquejaram, e eu me apoiei na árvore para não cair.
Fecho os olhos, respirando fundo para tentar alcançar um oxigênio que não chegava até os meus pulmões. Estava tonta e completamente desnorteada.
Após contar até cinquenta mentalmente e conseguir tomar um pouco de ar, virei para Lana:
— Precisamos conseguir chamar a atenção de alguém no acampamento. Não dá para sair atrás de ajuda e deixa-lo aqui, e muito menos deixar uma de nós para trás sozinha na floresta. Irei subir nessa árvore para tentar descobrir o quão longe estamos e então poderemos decidir o que faremos. Fique aí, e qualquer coisa não hesite em gritar por mim.
— Certo. — Ela dá um sorriso de incentivo. — Boa sorte.
— Igualmente. — Dou uma última olhada em volta e, então, começo a subir.
Assim que chego ao topo, no galho mais alto que poderia aguentar meu peso, conseguir enxergar o acampamento. Não estava tão longe. Era próximo o suficiente para alguém perceber algum sinal.
Encosto no tronco da árvore para ter algum apoio e com as mãos trêmulas tento materializar um arco e uma flecha de luz. Quando consigo, volto à ponta do galho e concentro todas as minhas forças para que a flecha fosse o mais potente o possível.
Mas, assim que solto a flecha, de alguma forma tropeço e caio.
Nesse momento você deve estar pensando que eu sou muito azarada, ou que alguma força maior tem um problema comigo e está sempre querendo ferrar com a minha vida.
Para ambas as sugestões, meu palpite é sim.
A tempo de cair de costas na raiz da árvore e tivesse uma perigosa fratura na coluna, consigo me segurar em um galho mais baixo.
Lana vem correndo assim que me ouve caindo.
— Pode soltar, eu te seguro! — Ela grita, e eu olho para baixo.
Meus dedos se soltam, e eu aperto os olhos, com medo.
Sinto seus braços me segurarem, e, quando abro os olhos novamente, estamos caídas uma em cima da outra no chão, porém, sem nenhum machucado.
— Obrigada. — Sorrio. — Pelo menos a luz foi forte o suficiente para acordar alguém.
Ela me encara de maneira profunda. Meu brilho iluminando suas feições.
"Já notou como a Lana te olha?" Lembro-me do que Sebs havia dito.
Não, não é verdade.
Desvio o meu olhar, torcendo para que ela não percebesse que estava corada.
— Em outras circunstâncias isso seria romântico. — Brinca, me dando a mão para levantarmos, depois de sair de cima de mim. — Espero que alguém chegue logo. Não aguento mais esse cheiro de sangue!
— Me pergunto onde estão as ninfas da floresta quando precisamos delas.
— Devem ter fugido de medo.
Vou até o corpo e encaro seus olhos vidrados.
— Ninguém poderia imaginar que isso iria acontecer...
— Na verdade, acho que sim. — Ela diz atrás de mim. — Está claro que uma enorme crise está acontecendo aqui. As pessoas só estão se fazendo de cegas, surdas e mudas. E já faz tempo. Por que acha que o acampamento está sob essas regras ridículas de segurança onde ninguém pode questionar nada?
— E você ainda pergunta isso para mim? É claro que eu sei de tudo isso. É só que, na posição que estamos, é muito complicado tentar fazer algo. Muitas vidas estão correndo riscos. Vidas inocentes que não escolheram estar no meio disso. — Respondo, mesmo sem acreditar muito no meu próprio discurso.
— Então vamos lutar por essas vidas! Precisamos fazer algo! Não dá para ficar esperando alguém fazer algo, ou uma solução mágica cair do céu. Estamos cada dia mais próximos de uma destruição eminente. Se juntarmos nossas forças podemos vencer! Seja lá contra o que ou quem estamos lutando, por mais forte que eles sejam, temos que persistir. — Encaro-a, admirada. Antes, quem normalmente faria esse discurso era eu.
Então por que não fui eu dessa vez?
— Por favor, Cecília. Faça isso pelo bem do acampamento. Faça isso pelo Kevin, pelo Arthur, pelo Elliot, pelo Sebs. Faça isso pela Mel. Nós temos que fazer alguma coisa. — Olho novamente para o corpo de Elliot no chão.
"Faça isso pela Mel" Aquilo me atingiu de uma forma que ela não tinha noção.
— Tudo bem. Vamos traçar um plano para resolver isso de uma vez. Mas eu preciso ter certeza de que posso contar com você.
— Depois de tudo que aconteceu hoje você ainda duvida de mim?
Sorrio, e nós nos sentamos perto dali para esperar ajuda.
***
— Sebs! — Corro para abraçá-lo, assim que ele chega à floresta, junto a Quíron, Apolo, e um grupo de semideuses que vão e direção ao corpo para recolhê-lo.
Antes de ele me soltar, sussurro em seu ouvido:
— Precisamos conversar depois.
— Okay. — Ele sussurra de volta.
Quíron se aproxima me chama.
— Você e Lana estavam aqui quando tudo aconteceu certo?
— Sim. Estávamos escondidas dentro daquela árvore e ouvimos tudo.
— E pode contar como tudo aconteceu? Como vieram parar aqui?
— Bem, quando estava na enfermaria com Kevin tive uma visão e... — Começo a contar toda a história para ele, travando um pouco nas piores partes.
Depois que eu e Lana respondemos um longo questionário, ele pediu para que um dos semideuses nos levasse de volta para o acampamento.
Não falamos nada no caminho. Assim, tive oportunidade de observar a floresta.
A névoa verde já havia ido embora, porém ainda havia um clima estranho ali. A sensação era que as árvores acompanhavam meus passos e sussurravam coisas entre si.
— Está tudo bem? — Lana percebe meu desconforto. Eu apenas dou-lhe um vago aceno com a cabeça como resposta.
À medida que avançamos, a floresta vai ficando menos densa, e já é possível ver a luz das tochas que iluminam o acampamento através dos troncos e arbustos.
— Acho que nos despedimos aqui. — Lana diz, assim que chegamos à área dos chalés e o cara que estava conosco vai embora.
— É... Acho que sim... — Dou um sorriso fraco.
— Pensa no que eu te falei, okay? — Ela me abraça. — Não desiste. Por favor. Precisamos de você.
Retribuo o abraço, tentando transmitir ao máximo minha gratidão, mesmo estando fraca.
— Obrigada por confiar em mim. — Ela bagunça o meu cabelo e beija o topo da minha cabeça.
— Vê se cuida para não entrar em nenhuma confusão sozinha. — Ela ri da minha cara de revoltada por ter mexido no meu cabelo.
— Não me trate como se eu fosse uma criança, temos só dois anos de diferença. — Bufo.
Depois de mais um abraço, nos despedimos e fomos cada uma em direção ao seu próprio chalé.
Sozinha novamente, encarando o teto branco do chalé, volto a sentir medo.
Um medo que não sei exatamente explicar.
Aquele medo de sempre do futuro, por não ter certeza do que irá acontecer. Por não ter certeza se realmente estou segura. Por não ter certeza do que terei que fazer. Por não ter certeza de quantas vidas se perderão até que tudo isso se resolva.
Fecho os olhos, tentando me concentrar em coisas boas para afastar todo aquele medo que sentia.
"Vai dar tudo certo" Penso. "Logo as coisas voltarão ao normal."
***
(coloquem a versão Music Box de "Lost", do BTS, para tocar, por favor)
"Amor?" Ouço a voz de Melissa em meu sonho, mas tudo está escuro, e eu não consigo enxergá-la.
"Está aí?" Continua "Por favor, me responda.".
Começo a correr em direção ao som e chamo seu nome repetidas vezes.
"Consegue me ver? Eu estou bem aqui." Ela pergunta com a voz calma.
"Melissa!" Começo a entrar em desespero por não conseguir encontrá-la.
Sem conseguir mais correr, ajoelho no chão e levo as mãos até o rosto sentindo as lágrimas virem.
"Não chore meu amor. Eu estou aqui" Quando abro os olhos novamente, tudo está claro, e ela realmente está lá, porém é como se ela estivesse sumindo aos poucos. Seu rosto não está tão nítido quanto antes, e sua voz estava cada vez mais longe, como se eu estivesse me esquecendo de como ela era.
"Por favor, não vá embora. Preciso de você." Imploro.
"Seja forte como você sempre foi Cecília. Eu confio em você. Vai ficar tudo bem, você consegue.". Fecho os olhos para que seu rosto não desgrude da minha mente.
"Sinto tanto a sua falta." Ela passa a mão nos meus cabelos de uma forma que só ela fazia para me acalmar.
"Também sinto a sua. Um dia estaremos juntas novamente, prometo."
"Eu te amo. Te amo mais do que tudo Melissa." Digo, sentindo seus dedos secarem minhas lágrimas de forma delicada.
"Também te amo meu amor. Sempre irei te amar.".
Acordo, sua voz ainda ecoando em meu ouvido.
Quando percebo que tudo não passara de um sonho, abraço minhas pernas e volto a chorar.
O que está acontecendo comigo?
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