Roots

3 Capítulo 2 - "Pity Party"


Notas iniciais
Oinhe! Gente, eu sou muito sem noção. Eu, depois de já ter escrito todo o capítulo e publicado eu percebo que esqueci de colocar o pessoal queimando oferendas na hora do almoço... Mas enfim... Contem como se eles tivessem feito. Como já sabem: Hoje tem captura a bandeira (que no caso é o meu sonho que aconteça no evento de PJ aqui na minha cidade :3 ) e festa no chalé de Dionísio, então, vai ser lecau :v Espero que estejam gostando da história. Boa leitura. E até as notas finais. ❤ ~Uma Viking Anônima

─ Nossa amiga, vocês duas são tão shippaveis! ─ Kevin exclamava depois de eu ter contado o que tinha acontecido ontem (por livre e espontânea pressão, porque né, estamos falando do Kevin. Ele é perverso. Usa seus poderes de persuasão para o mal. Querem um conselho? Tomem cuidado com ele.) ─ Mas sabe o que eu acho o mais estranho?

─ Hm? ─Pergunto, arrumando minha armadura enquanto caminhávamos em direção ao arsenal de armas.

─ Bem, o Sebastian leva tudo isso numa boa, e bem, o esperado é que ele ficasse com ciúmes e tudo mais. Aliás, qual é o seu problema com os filhos de Atena hein?

─ Sério, se eu ganhasse uma dracma cada vez que ouço isso já teria dinheiro o suficiente para comprar o Olimpo! Mas enfim, respondendo sua pergunta: Eu e Sebastian somos maduros, okay? O nosso namoro acabou e cada um seguiu sua vida, sem birra. É completamente normal.

─ Analisando desse ponto... Talvez, mas enfim. Vamos tratar de assuntos que interessem a minha pessoa. ─ Lá vem. Pensei. ─ O seu amigo, Elliot, sabe se ele está solteiro?

─ Eu lá vou saber? Por que não pergunta para ele? ─Chegamos no arsenal, e eu logo pego uma aljava cheia de flechas.

─ Amiga... Entenda: Não é assim que funciona o amor. Até porque, se eu for lá e perguntar diretamente posso pagar papel de trouxa.

─ Muito obrigada pela parte que me toca.

─ Enfim, poderia fazer um favor para a pessoa mais incrível que já conheceu na sua vida?

─ E eu lá tenho escolha? ─Pego algumas das flechas e começo a afiá-las. ─ Falaê, o que é?

─ Poderia descobrir para mim se ele está ou não solteiro. ─ Dou de ombros.

─ Okay. Pega aquela espada ali por favor.

Aponto para uma espada média de bronze celestial.

─ Certo... ─ Ele foi até a espada e a levou até mim com um nítido esforço em seu rosto. ─ Como aguenta isso aqui?

— Alguns anos de treino. — Pego a espada e a analiso. — Obrigada.

— Por que precisa de tantas armas dessa vez? — Ele me observa pegar uma adaga, encostado no batente da entrada.

— Bem, primeiro que eu vou ser vigia da bandeira, e segundo porque não quero que aconteça o mesmo da última vez. Os cortes do meu braço demoraram uma semana para se curarem. Nenhum outro monstro vai me pegar desprevenida dessa vez.

Por último, pego um escudo de ouro imperial e coloco meu elmo de plumas azuis.

O som da trombeta de caramujo foi ouvido ao longe. Instintivamente, eu e Kevin olhamos na direção do Pavilhão.

—O dever nos chama. —Sorrio, ajeitando o arco em meu tronco.

Eu e Kevin fomos correndo para o refeitório. Lá, todos os campistas estavam reunidos, divididos por equipes. Os chalés que não iriam participar haviam escolhido um lado, e formavam a maior equipe de torcida de semideuses vista em séculos.

Novamente, o som das trombetas de caramujo é ouvido, e de cada lado do refeitório entram três campistas carregando uma bandeira.

De um lado, Holly e Laurel Victor, além de mais um garoto do chalé de Nice levavam vitoriosas a bandeira com asas estampadas, símbolo de sua mãe. De outro, três campistas do chalé de Ares, com Clarice La Rue como líder, levavam a bandeira com a lança e escudo do deus estampados.

Quíron se pronunciou, ditando as regras do jogo. Em poucos segundos os chalés haviam se organizado: Hermes, Apolo e Atena na equipe de Nice e Deméter, Hefesto e Dionísio na equipe de Ares.

Eu e Melissa corremos para a beira do riacho. Fomos designadas a proteger a bandeira da nossa equipe.

— Obrigada por ter me levado até o chalé ontem. Arriscou levar uma detenção das harpias só para não me acordar...

— Ah, não foi nada. Fiquei com dó de te acor... —Ela coloca o dedo indicador nos lábios, havia ouvido algo.

Desembainhei a espada, pronta para atacar. Melissa se posicionou atrás de mim, também com sua espada desembainhada.

As folhas de um arbusto tremularam, e dois filhos de Ares surgiram gritando como bárbaros, nos atacando.

Era uma luta difícil, eles eram consideravelmente maiores que nós duas, praticamente o dobro do nosso tamanho, mas tentei me aproveitar disso.

A luta estava indo relativamente bem, estávamos conseguindo mantê-los longe da bandeira, porém, por um segundo de distração, o garoto que lutava com Melissa conseguiu uma vantagem e a derrubou no riacho.

Ela tentou levantar, mas para seu azar tinha prendido o pé numa raiz.

— Mel!— Chamei quando consegui uma brecha. Joguei minha adaga na beira do riacho, então ela a pegou e começou a cortar a raiz que a prendia.

Me afastei do meu oponente. Desisti da espada e peguei o arco, atirando para cima.

— Errou feio hein? — Ele zombou. Sua cara de bulldog se contorcendo em um sorriso feio.

— Eu acho que não... — Ele teve tempo apenas para olhar para cima, antes do grande galho cair em sua cabeça, fazendo-o desmaiar.

Vi um vulto segurando uma bandeira passar correndo. Era Elliot, ele havia conseguido pegar a bandeira de Ares.

Alguns segundos depois o som das trombetas foi ouvido. A equipe azul havia ganhado, e nossa bandeira continuava intacta.

— Yes! Vencemos! —Uma Melissa encharcada de água comemorava ao meu lado.

Beijo sua testa e olho para sua blusa laranja toda molhada.

— Você tem que tomar um banho quente logo, antes que fique resfriada.

*

Era a noite, estávamos todos no chalé de Dionísio, que é bem maior do que aparentava. A música tocava alta e haviam luzes piscando, porém, uma tênue luz arroxeada iluminava as paredes do chalé.

— Que festa incrível! — Eu conversava com Vanessa, filha de Dionísio, e quem organizara tudo.

— Obrigada! Estávamos planejando-a à três meses. — Ela bebeu um gole de ponche do copo que segurava. — Fique à vontade.

E saiu no meio da multidão.

Sai à procura de amigos e algo para beber. A festa estava cheia, mas não o suficiente para deixar a passagem livre, então não precisei me espremer entre as pessoas para conseguir passar. Achei a mesa do ponche, e fui pegar um pouco da bebida para mim.

Enquanto me servia, alguém me cutucou. Me virei, era Sebastian. Ele apontou o dedo para Kevin, e foi traçando uma linha invisível pelo ar, que parou em Elliot.

Entendi o recado, e fui até Kevin.

— Hey!

— Oi gata!

— Olha quem está sozinho ali, sem companhia para beber. — Kevin sorri. — Toma, bebam juntos. — Entrego meu copo intocado de ponche.

— Obrigado. — Ele vai até Elliot.

Os dois começam a conversar, e eu imagino o roteiro na minha cabeça:

"Cara, você foi incrível lá hoje." Kevin fala.

"Eu sei" Elliot ri. "Obrigado" e agradece com um sorriso no rosto.

"Acho que você merecia muito mais que uma coroa de louros." Kevin começa a bajulação.

Eu sinto alguém se aproximar. Era Melissa. Nós entrelaçamos nossas mãos e eu aponto com a mão livre para os dois garotos. Ela encosta a cabeça no meu ombro e nós voltamos a observar os dois.

Agora, cada um estava com um copo vermelho de ponche. Kevin se aproxima e coloca a mão no ombro de Elliot.

Os dois continuam conversando, porém com uma maior intimidade. Elliot olhava profundamente para os olhos de Kevin, enquanto o olhar do mesmo transita entre a boca e os olhos de Elliot.

— Os dois formam um casal tão fofo. — Mel comenta e eu concordo.

Finalmente, eles se beijam. Elliot se surpreende no começo, porém retribui.

Eu e Mel sorrimos e fomos aproveitar a festa, deixando-os sozinhos.

Passamos por um grupo de filhos de Dionísio que obrigava uma pobre vítima a virar um copo cheio de whisky. Ele batiam na mesa enlouquecidos, e o coitado quase chorava. Até deu vontade de ajudar, mas iria atrapalhar a diversão.

Tocava "Got Well Soon", do Breton. Não era minha música favorita, mas mesmo assim, dava para aproveitar.

Todos curtiamos a festa, tirávamos selfies , cantávamos e dançávamos nossas músicas favoritas. Houve porém uma hora que eu senti que tinha algo estranho com Melissa. Fomos até o banheiro. Eu coloquei os lábios em sua testa para medir sua temperatura, estava queimando.

— Você precisa sair daqui. Está queimando de febre.

— Mas...

— Nada de "mas", anda, vamos.

Levo Mel até o chalé de Atena, que estava vazio. Mandei ela tomar um banho morno, e se acontecesse algo era só gritar.

Fiquei lá, ouvindo a água do chuveiro cair. Passou-se um tempo, Melissa desligou o chuveiro e se vestiu.

— Você vai ficar bem, provavelmente ficou resfriada por ter caído na água gelada, porém, amanhã ou depois já vai estar melhor. — Eu dizia a ela, que estava deitada em sua cama, cheia de cobertas.

— Obrigada, eu não sei o que seria sem você. — Ela sorri.

— Você faria o mesmo por mim. — Beijo sua testa. — Eu te amo. Vou buscar um chá para você. Fique aqui.

Ela concorda com a cabeça, e eu a deixo sozinha no chalé. Estavam todos no chalé de Dionísio, e o resto do acampamento estava vazio. Indo em direção ao Pavilhão, percebo uma movimentação perto da fogueira.

Me aproximo devagar, e percebo que era Elliot sentado, encarando o fogo. Seu olhar estava longe, comecei a ficar preocupada.

— Hm... Elliot? — Ele deu um pulinho de susto.

— Ah, oi Ceci. Não ouvi você chegando...

— Está tudo bem? — Coloco a mão em seu ombro, tentando consolá-lo.

— Sim, só estou pensando...

— Está tudo bem entre você e o Kevin?

— Como...? Ah, é. Acho que sim.

— Com licença, vocês viram o Quíron? — Outra pessoa falou, era uma voz feminina. Viramos para trás, e eu fiquei paralizada.

Havia um grande grupo de garotas atrás de nós, todas com arcos no corpo acompanhadas de lobos brancos como a neve. Eram lideradas por uma garota de treze anos. Seu cabelo preso em uma trança, com um enfeite de lua na ponta. Ela transmitia magia por seu corpo, e, por mais nova que aparentasse, ainda dava medo.

— Á-Ártemis? — Foi a única coisa que consegui dizer.

Notas finais
Hi garera! Eu sei que havia prometido publicar esse capítulo ontem, mas passei o dia fora, então acabei atrasando, desculpem-me. Músicas: Pity Party - Melanie Martinez Capa: Got Well Soon - Breton Até o próximo capítulo. Kisses ♥