Roommates
1 U: and omg, they were roommates
Notas iniciais
No primeiro ano, Dean se sentou ao lado de um garoto loiro e sorridente na mesa da Grifinória do Salão Principal, logo depois de ser selecionado para a casa rubra e dourada, sem muitas pretensões, mas o garoto riu quando ele contou uma piada sobre os fantasmas que ultrapassavam as mesas e Dean ficou feliz. Gostava quando as pessoas riam de suas bobagens, e logo percebeu que o menino com o forte sotaque irlandês, às vezes difícil de entender, tinha o mesmo senso de humor que o seu.
O garoto alto e de pele escura ao lado de Seamus arregalou os olhos e deixou a língua pender para fora da boca quando a comida apareceu magicamente na mesa naquela primeira noite, e o menino riu e perguntou mais sobre os costumes trouxas do colega, que tagarelou sobre sua vida antes de Hogwarts sem parar, feliz em poder compartilhar um pedaço do que ele tinha antes com alguém que realmente estava interessado.
Os dois viraram melhores amigos rapidamente, algo improvável apesar de inevitável. Dean se dobrava de rir toda vez que Seamus explodia seu caldeirão na aula de poções e perdia pontos com Snape, e nas tardes desocupadas tentava ensinar ao amigo como fazer feitiços sem que as penas entrassem em combustão. Seamus arrastava Dean até os jogos de quadribol e explicava para o garoto que aquele esporte era muito mais interessante que qualquer um que existisse no mundo trouxa, já que eles usavam vassouras, várias bolas e seis arcos.
No segundo ano, Seamus perguntou ao seu agora melhor amigo o que era aquele pôster estranho pendurado em cima de sua cama. Dean desenhou um campo de futebol em um pedaço de pergaminho e explicou tudo sobre cartões, escanteios, tiros de meta e pênaltis com muita empolgação, além de deixar claro que o Manchester United era obviamente o melhor time do mundo.
O irlandês não via muita graça num jogo onde eles não podiam voar, mas sempre que o time da Grifinória ia treinar no campo ele pedia para Harry deixar uma goles para trás para que Dean pudesse ensiná-lo como driblar alguém ou chutar a bola ao gol, e os dois riam e corriam pelo gramado até o sol se pôr, e Seamus descobriu rapidamente que não precisava de mágica para ter as melhores tardes com seu melhor amigo.
No terceiro ano, mesmo que a maioria dos alunos estivesse tentando arranjar um par para ir a um encontro na Madame Puddifoot em Hogsmeade, os dois concordaram que aquilo era uma grande bobagem e foram juntos, como melhores amigos que se acompanham em todos os lugares. Construíram bonecos de neve, fizeram guerras de bola de neve com Neville, Lavender e Parvati, além de terem passado muito tempo na Dedos-de-Mel provando os doces mais absurdos do mundo e rindo quando o outro pegava um feijãozinho com sabor de meleca ou cera de ouvido. Foi o melhor dia da vida deles até ali.
Foi naquele mesmo ano que, entre as melhores aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas do incrível professor Lupin, Dean descobriu que o maior medo de Seamus era uma banshee. Eles se sentaram juntos na cama do irlandês enquanto ele contava para o amigo sobre monstros irlandeses e, naquela noite, os dois acabaram compartilhando medos mais profundos do que o de monstros. Eles acabaram adormecendo juntos na mesma cama e não falaram sobre isso no dia seguinte.
No quarto ano, Seamus convidou Dean para passar o final do verão na sua casa e conhecer seus pais, que estavam ansiosos para conhecer o tão falado melhor amigo de seu filho. Dean tentou, mas não lhe permitiram recusar o convite de ir para a Copa Mundial de Quadribol com os Finnigan, e ele se lembrou de Seamus lhe ensinando as regras do esporte no primeiro ano e se sentiu extremamente grato pela presença do garoto em sua vida.
Os dois morriam de rir juntos pelos corredores enquanto observavam Harry tropeçando em suas palavras e em seus pés na frente de Cho, sendo completamente patético. Ambos se perguntavam se o outro gostava de alguém, mas nenhum dos dois teve coragem de perguntar, por alguma razão. Seamus foi com Lavender para o Baile de Inverno, no entanto a ignorou a noite inteira ao comer e dançar com Dean, que não tinha conseguido um par; então era claro que ele precisava ficar ao lado do amigo, não podia deixá-lo sozinho. Dean nunca teria o deixado sozinho.
No quinto ano, Dean e Seamus brigaram pela primeira vez. Seamus acreditava piamente que Harry não passava de um mentiroso de primeira, mas Dean não tinha tanta certeza. Ele era nascido trouxa e tinha medo. Eles discutiram feio no dia que Dean decidiu entrar na Armada de Dumbledore, com seu amigo lhe dizendo que ele estava sendo estúpido além da conta. Os dois passaram semanas sem se falar e Dean se aproximou de Ginny Weasley, que era bonita e engraçada como Seamus, mas não era ele.
Depois que Seamus leu a entrevista de Harry com Rita Skeeter, ele finalmente deu o braço a torcer e aceitou que o colega não estava mentindo. Pediu desculpas para Dean pelas palavras ditas, e perguntou com uma expressão marrenta se o amigo podia levá-lo às reuniões da A.D. depois das férias de Natal. Dean riu, bagunçou os cabelos loiros do garoto e disse que era óbvio que ele o levaria. Durante uma das reuniões, eles conseguiram conjurar patronos corpóreos; o de Seamus era uma raposa, e o de Dean um cão de caça. Hermione observou, curiosa, enquanto os dois animais dançavam juntos no ar, mas não disse nada aos garotos.
No fim do ano, depois da loucura dos N.O.M.s, da invasão de seus colegas ao Ministério da Magia e da feliz saída de Umbridge da escola, Dean, que tinha virado bastante amigo de Ginny na primeira metade do ano, começou a namorar a ruiva. Ele não contou para muitas pessoas, a pedido da menina, apenas para seu melhor amigo, que forçou um sorriso, disse que ele tinha se dado bem, e repetiu para si mesmo durante todo o verão que ele não estava com ciúmes. Não tinha por que ele ter ciúmes. Certo?
No sexto ano, Seamus ainda negava que estivesse com ciúmes, mas certamente se divertia muito observando as brigas do casal. Não dizia nada para o amigo, apenas deixava ele se resolver sozinho; ele que quis ter uma namorada em primeiro lugar! Os dois fizeram, juntos, o teste para entrar no time de quadribol da Grifinória, e Seamus ficou com raiva quando nenhum dos dois entrou, porém ficou com mais raiva ainda quando Katie Bell se machucou e Dean foi chamado para substituí-la. Mais uma vez não quis aceitar que estava com ciúmes; Dean tinha uma namorada e agora estava no time sem ele. Sentia que estavam se afastando e não gostava nada daquilo.
Dean e Ginny terminaram o namoro antes que sequer completassem um ano. Ele ficou extremamente chateado, não apenas por terem terminado por um motivo completamente bobo, mas porque logo depois ela estava com a língua de Harry enfiada em sua garganta na frente de todos na Sala Comunal da Grifinória. Não estava com raiva de nenhum dos dois, sabia que o seu namoro com a garota não estava dando certo há muito tempo (algo simplesmente não parecia certo), contudo não pôde deixar de se sentir humilhado pela cena. Mas Seamus colocou a mão em seu ombro, sorriu com carinho e ele se sentiu melhor. Seamus sempre o fazia se sentir melhor.
No sétimo ano, Dean teve que fugir. Ele era nascido trouxa e não poderia de jeito nenhum voltar para Hogwarts. Ele encontrou Ted Tonks no meio do caminho e outros fugitivos, que o ajudaram a não perder a esperança ou o ânimo, e ele realmente achou que fosse morrer quando foi capturado e jogado numa cela na Mansão Malfoy. O tempo todo ele pensava em Seamus. O que ele estava fazendo na escola? Será que ele estava arranjando problemas? Tinha se machucado? Estava seguro? Quando ele, Luna e os outros presos conseguiram fugir para o Chalé das Conchas, ele só conseguia pensar em ficar mais forte e mais habilidoso com a varinha para que pudesse ajudar se houvesse alguma batalha. Ajudar Seamus.
Em Hogwarts, Seamus só conseguia pensar em Dean, e toda vez que o fazia seu coração apertava em seu peito. Ele não recebia notícias do melhor amigo há meses, haviam boatos de pessoas mortas o tempo todo, e ele não aceitava a ideia de viver num mundo sem Dean Thomas. Então ele ajudou a reorganizar a Armada de Dumbledore e os encontros secretos dos alunos que resistiam às torturas dos irmãos Carrow. Seamus deixou que lhe batessem e jogassem maldições imperdoáveis contra ele, mas, como um bom irlandês, xingava qualquer um que ousasse tocar no nome de Dean.
Então Dean voltou. Ele saiu pelo buraco na parede, seus olhos preocupados e sua pele maltratada pelo tempo. Seamus, com o rosto tão machucado que estava irreconhecível, sorriu e sentiu as lágrimas vindo em seus olhos. Quando ele falou, o inconfundível sotaque irlandês fez com que Dean virasse para ele e abrisse um sorriso enorme. Os dois correram e se abraçaram; eles estavam vivos e estavam bem. Havia uma guerra prestes a acontecer do lado de fora, mas eles estavam bem.
Voldemort morreu. Quando as coisas estavam mais calmas e eles estavam sentados no pátio tomando um chocolate quente, Seamus olhou para Dean e observou seu rosto. Sua pele cor de ébano, seus grandes e gentis olhos de chocolate, seus lábios cheios, seus cachos bagunçados. O garoto sentiu o olhar do amigo tão próximo de si e o encarou de volta. Os cabelos cor de areia, a pele de leite com sardas pintadas aqui e ali, os olhos azuis apertados. Eles tinham sentido tanta falta um do outro. Seamus, impulsivo como sempre, agarrou o rosto de Dean com as mãos e o beijou, fazendo o garoto derrubar todo o seu chocolate quente no chão. Os dois riram, os corações batendo forte, e ficaram de mãos dadas nas pedras quebradas do castelo.
Os anos se passaram; Dean foi atrás de uma carreira artística no mundo bruxo e abriu uma galeria em Hogsmeade, para poder ficar perto de Seamus, que tinha herdado o Cabeça de Javali do velho Aberforth. Os dois se casaram na Irlanda e reformaram o pub e a hospedaria do andar de cima, pendurando várias obras de Dean nos corredores e nos quartos, e tornando o ambiente um lugar agradável. Eles adotaram um garotinho, negro e irlandês, deram-lhe seus dois sobrenomes, e moravam numa parte isolada da hospedaria.
A parte favorita de Dean e Seamus sobre morar em Hogsmeade era que bastavam eles olharem para fora da janela que conseguiam avistar Hogwarts, em toda a sua imponência e beleza. Dean sempre dizia que nunca conseguiria morar em qualquer lugar que fosse sem Seamus; estivera ao lado dele desde os onze anos, naquela escola que virara seu lar. Seu marido ria, o abraçava e concordava, dizendo que não sabia o que teria feito da vida se o irlandês não tivesse sido seu colega de quarto. Os dois observavam o castelo, juntos, como deveria ser, e tinham certeza que sua história de amor iria se estender por muitos e muitos anos, além dos dormitórios da escola.
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