Tom Fletcher ainda ficou alguns segundos parado no batente da porta, olhando o cômodo com descrença. Checou mais uma vez a chave dourada em sua mão e o papel com o endereço que seus tios o passaram, constatando que, infelizmente, estava no lugar certo. Então era esse o apartamento onde teria que passar os próximos 3 meses? Não era possível. Antes tivesse ficado na casa de sua tia em Londres.
Suspirando derrotado, fechou a porta com o pé, se dirigindo até o pequeno sofá que ocupava aquela sala e deixando suas malas em cima do mesmo. Sentiu suas costas estralarem quando finalmente tirou aquele peso de cima delas. Espreguiçando-se, colocou as mãos na cintura e permitiu-se analisar aquele... apartamento mais uma vez.

Não era nem muito grande nem muito pequeno, o suficiente para duas pessoas, no máximo. A sala era bem ampla até, mas praticamente não tinha móveis, e os poucos que haviam ali estavam em um estado deplorável. A sua direita podia ver uma pequena cozinha, separada da sala por um pequeno balcão, que fazia par com três bancos à sua volta. Tinha uma geladeira, um fogão, um pequeno armário e uma pia. Tom não soube identificar se os azulejos tinham aquela cor original ou se estavam cinzas daquele jeito por causa da sujeira. Sentiu até um pouco de nojo ao pensar que havia comida naqueles armários.
Virou-se para encontrar um pequeno corredor com duas portas uma em frente a outra, e constatou ser o quarto e o banheiro. Três cômodos, tamanho suficiente.

Decidiu que daria uma geral ali, mas só depois que saísse do banho; precisava de um urgente. Suas roupas estavam um pouco molhadas por causa da pequena chuva que pegou do aeroporto até o hotel. Tirou uma toalha, uma camiseta e um shorts da mala, se dirigindo até o banheiro, fazendo uma careta desgostosa ao chegar lá. Com certeza, a água não tocava aquele box por, no mínimo, uns dois anos. Mas isso não o faria desistir de seu banho. Lentamente se despiu, deixando suas roupas em cima do vaso sanitário e ligou o chuveiro, soltando um gemido quando a água gelada bateu em suas costas. Ótimo, não tinha água quente. Bufando irritado, Tom decidiu tentar relaxar; daqui a pouco se acostumaria com a temperatura da água.

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Danny's POV

“É, eu percebi que seria o mesmo apartamento, mãe.”

Girei os olhos ao dar de cara com o tão conhecido cômodo. Larguei minhas malas com certa violência no chão, chutando a porta atrás de mim, que fez um estrondo quando fechou. Coloquei as mãos na cintura, fechando os olhos por um momento, pensando no que tinha feito de tão errado pra minha querida mãe fazer minha reserva neste maldito lugar. De novo. Involuntariamente soltei um palavrão, e minha mãe parou de falar no mesmo instante. Mordi o lábio.

“O que foi que disse, Daniel Jones?” seu tom reprovador me fez suspirar. Estava com os ouvidos doendo, ouvi seus sermões a viagem inteira, e eu realmente não estava afim de continuar ouvindo.

“Desculpe, mãe. Olha, eu preciso de um banho ok, depois a gente se fala.” passei afobado pela sala, coçando os olhos. Minha cabeça doía. “Tá, tá... Eu vou lembrar de comer...” fui tirando os sapatos, apoiando o celular no ombro e chegando até a porta do banheiro. “Certo, eu ligo. Também te amo.” assim que desafivelei meu cinto e entrei no banheiro, quase caí para trás com o que eu vi.

“AHHHH!”

Gritei. Foi a primeira reação que tive, ao ver aquele estranho tomando calmamente um banho no meu banheiro. Meus olhos se arregalaram e eu tropecei no tênis que estava atrás de mim. Bati a cabeça no batente da porta, soltando um gemido dolorido em consequência.

“AAAAH!” o outro gritou também, e quando abri os olhos de novo, ele já estava com uma toalha em frente ao corpo. Uh, ele estava nu. Vi suas bochechas, ou melhor, seu rosto todo adquirir um tom avermelhado, e ele foi se afastando até encostar na parede.

“QUEM É VOCÊ, QUEM É VOCÊ?” gritei em seguida, agarrando o batente da porta.

“NÃO, QUEM É VOCÊ?” ele gritou também, no mesmo tom.

“SOU O DANNY!” respondi prontamente, aquela situação ficando cada vez mais bizarra. “E VOCÊ?”

“SOU O TOM, O TOM!” ele respondeu, gritando, parecendo nervoso.

“Calma, não precisa gritar...” falei mais baixo. Aqueles gritos estavam fazendo minha cabeça explodir. Vi suas sobrancelhas se franzirem.

“Você invade meu banheiro e vem me dizer pra não gritar?” ele agora já não gritava, só falava em um tom mais alto que o normal. Graças a Deus... Espera. Este banheiro, assim como todo o apartamento, pertence à mim. Na verdade, pertence ao dono do edifício, mas, como eu estou hospedado aqui, isso faz de mim o seu dono, certo? Temporariamente.

“Este banheiro é meu!” apontei para ele, dando um passo à frente. Ele se encolheu mais ainda contra a parede.

“Eu vou chamar a polícia!” seus olhos se arregalaram novamente.

“Não! Calma, deve haver algum mal-entendido...”

“Com certeza deve ter algum mal-entendido!” ele me mediu de cima à baixo.

Só então parei para refletir a situação em que estávamos. Aquele estranho só de toalha em baixo do chuveiro, eu parado no batente da porta com as calças abertas e na metade das coxas, ambos gritando feito loucos. É, tinha algum mal-entendido.

“Ok, tudo bem. Não sou nenhum psicopata e não vim te assaltar.” ele rolou os olhos. “Faz assim... vou deixar você tomar seu banho e quando você terminar, conversamos. Certo?”

“Acho melhor fazermos isso.” ele me respondeu com cara de óbvio. Assenti meio tímido e saí de lá, fechando a porta atrás de mim.

Voltei para a sala meio desnorteado, tentando processar tudo o que estava acontecendo. Notei algumas malas em cima do sofá, abertas. Passei por aqui e nem as notei. Na certa, deviam ser de Tom. Aliás, o que este ser faz aqui, no meu apartamento? Além de ter que ficar aqui neste lugar vou ter que compartilhá-lo com alguém que nunca vi na vida? Só posso ter atirado pedra na cruz. 'Pera, não tenho que compartilhá-lo merda nenhuma! Este apartamento é meu, ele que tenha a decência de se retirar, oras. Ou então eu posso deixá-lo aqui mesmo e ir para um lugar mais decente, quem sabe. Mas se ele for inteligente, não irá perder essa oportunidade.
Deixei meu corpo cair no sofá, jogando minha cabeça para trás e fechando os olhos. Ainda podia ouvir o barulho exageradamente alto que o chuveiro fazia.

Afinal, o que diabos este cara faz no meu apartamento?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.