Notas iniciais
Primeira fic gente :3 Enfim,espero que gostem! ♥

Capítulo um:Perdida

Cheguei.

Em casa.

Se é que eu ainda podia chamar esse lugar de “casa”. Tenho uma sensação estranha,como se não pertencesse mais á esse lugar.

Observei o céu estrelado. Sai do carro,com passos calmos. Acenei um tchau para o motorista da minha tia e vi o carro desaparecer na esquina.

Só então me virei. Papai e Mamãe estavam me esperando na porta da mansão. Seus rostos,totalmente inexpressivos.

Parei na frente deles. O grande choque de ter visto o rosto deles depois de tanto tempo,o rosto dessas pessoas que por longos três anos eu odiei com cada pedaço da minha alma me provocaram uma raiva descomunal.

As palavras “dela” ecoam na minha cabeça. Frases como “Menina idiota.”, “Você merece ser punida apenas por existir,criança imunda!”, “Você tem sorte de ter sido mandada para cá. Se eu fosse seus pais,você já teria parado num orfanato sujo e nojento á muito tempo.”

Sinto que a raiva dentro de mim está aumentando. Estou perdendo o controle. Tento não pensar em nada. Mas não sei o que fazer agora.

Os cumprimento? Passo reto? Abraçá-los está fora de cogitação. Prefiro optar pela segunda opção então simplesmente passo reto.

Entro na casa e encaro o enorme saguão. Não pude deixar que uma onda de memórias dolorosas me atingissem.

Memórias dolorosas. Memórias que tenho me forçado a esquecer. Parece que esses três anos não valeram de nada. De absolutamente nada.

Senti minhas mãos tremerem,e,antes que me desse conta,lágrimas violentas caiam do meu rosto e molhavam o piso.

Subi rapidamente as escadas ao meu quarto. Não ia dar aos meus pais o prazer de me ver chorar. Nunca. Aqueles animais...

Não consigo evitar a raiva descomunal dentro de mim. Abro a porta do meu quarto.

Lembranças mais dolorosas ainda me invadiram. Lembrança que me davam vontade de morrer.

Me agachei no chão e consegui me sentir deslizando. Escorregando. Caindo lentamente no abismo.

E então gritei. Gritei á plenos pulmões. Não sei por quanto tempo. Mas sei que gritei e berrei escandalosamente até perder a voz,chorando desesperadamente.

E depois,apaguei.

De alguma forma,aquilo me aliviou um pouco. No dia seguinte não tive a menor ideia do que aconteceu ,mas eu acordei na minha cama.Pensei que tivesse gritado e desmaiado no chão. Tanto faz.

Desci da cama,sentindo o choque térmico dos meus pés quentes com o chão frio. Era de dia. Desci as escadas em passos apressados. Esperava que ainda fosse cedo,para que eu pudesse sair de casa sem ter que vê-los.

Meus pais. Mas para a meu azar,eles estavam no saguão,provavelmente me esperando. Sentados em uma poltrona. Com a expressão de sempre. Os gritos. A dor. Ao ver o rosto deles,tudo voltou,e tão intenso... Dor. Meus olhos começam a ficar marejados,mas tento com todas as forças conter as lágrimas. Só então eu ouvi a voz da minha mãe.

-Rin,o que você estava fazendo ontem?

Embora eu soubesse que quando eu voltasse seria como se eu nunca estivesse ficado fora por três anos,que eles me tratariam como se nada tivesse acontecido,não consegui evitar o choque ao ver que as primeiras palavras da minha mãe para mim desde que eu voltei foram essas.

Ela não mudou nada.

E isso não é nada bom.

Não me dei ao trabalho de responder aquela pergunta idiota – era evidente que todos sabíamos que eu havia gritado e berrado em um estado de loucura – e que essa pergunta tinha apenas a finalidade de me deixar constrangido por ter que admitir.

Então só fiquei parada encarando ela.

-Você gritou tanto ontem que os vizinhos chamaram a polícia. Disse ela.

-Você já deveria ter aprendido á se controlar,não acha? Comentou meu pai,secamente.

Criança imunda. “Você não tem valor algum nesse mundo”.

As palavras “dela” começam a entrar na minha cabeça,e novamente,me sinto deslizando e caindo em um abismo de loucura.

Balanço a cabeça,tentando afastar os pensamentos de mim.

-Desculpa.

Murmurei,sem coragem de olhá-los na cara. E fui embora. Virei o saguão e entrei na varanda de trás.

Um sorriso de contentamento me invadiu ao perceber que ele estava intacto. A fonte escorrendo como sempre,as trepadeiras crescendo no portal que separava o saguão da varanda...Ele estava bonito,como estava antes da minha partida.

Sentei-me calmamente no banquinho branco do jardim e observei os pássaros sobrevoando as flores. Não sei por que — talvez pelo raro momento de paz — meus olhos se enchem de lágrimas. E sinto que os meus olhos começam á se perder,como olhando para um lugar sem foco.

E as memórias dos dias felizes que eu passei começaram a ir e vir na minha mente.

Eu apenas me deixo levar por esse estado de quase-transe,e não sei por quanto tempo assim permaneço. Até que de súbito desperto. E resolvo sair de casa,afinal não ia conseguir nada com eles além de constrangimento e tristeza.

Aquela casa estava me deixando nervosa. Passei pela sala e saí pela porta de trás. Queria evitar o saguão,pois sabia que eles estavam lá. Assim que saio da casa,consigo me sentir relaxando. “Dor”.

Por que esses pensamentos sempre voltam? Caminhei,olhando as pedrinhas no chão. O que eu ia fazer?

Continuar morta? Ou começar á viver?

Se eu resolver começar a viver,o que iria me fazer voltar á vida? E se eu resolver continuar morta,o que vão ser da minhas esperanças?

Observei o chão. Nas bordas que separavam a calçada da rua,cresciam plantinhas. Para onde eu estava indo? Para onde as minhas pernas estavam me levando? Por que os meus pensamentos estão tão desordenados?

Eu não conseguia nem ao menos sentir o meu coração...onde será que ele está? Continuo observando fixamente o chão. Sem saber para onde eu mesma estou me levando. Então,eu olho para frente. Cheguei á um parque. E eu mesma me surpreendo por ter chegado em um lugar sem ao menos ter tropeçado ou esbarrado em algo ou alguém. Olho em volta do parque. Árvores,bancos,e alguns balanços. Eu já vi essa cena....

”Rin,volte!”

que voz...é essa? Eu sinto meu corpo tremer e os meus pensamentos se desordenarem.

“Rin,volte!”

Ouço um murmuro. Se foi imaginário ou real,eu não sei. Mas eu sinto ele aumentando á medida que os segundos passam.

E esse murmuro se torna um grito. Um grito alto e estridente,clamando por ajuda. E conforme eu ouço o grito,eu vou reconhecendo ele. Sou eu.

Onde eu estou? Eu não sei. Só sinto o desejo de entrar em um estado de inconsciência,e então,simplesmente abandono o real,me deixando levar. E então,eu desmaio.

Notas finais
Tá curtinho por que é o primeiro capítulo,os outros vão ser maiores. Então? Gostaram,odiaram? Aceito sugestões :3 E não sejam fantasminhas,me façam feliz *u* Eu revisei a ortografia,então mil desculpas se tiver algum erro :c
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.