Romeo X Juliet
1 Capítulo único
Notas iniciais
\'\'Desde o inicio do ano, quando nos conhecemos pela primeira vez, eu achei que tinha gostado dele. Há, tenho suposições totalmente corretas. Caraca. Ok. Ele me adicionou no MSN e começamos a conversar, eu gostei do papo dele e ele gostou do meu. Tinhamos tanta coisa em comum...como o fato de gostar de Monsoon, do Tokio Hotel. Aaah, até a gente brincava que era a nossa música. Mas...eu descobri que estava loucamente apaixonada por ele. E chegou meu dia mais feliz. O dia mais feliz da minha vida, quando a gente começou a namorar. Durou até um tempo. Quando começaram algumas discussões. Todas por motivo de ciúme. E aí, a gente terminou. Faz um ano. E ainda não me recuperei. Sempre quando fecho meus olhos, eu lembro de tudo o que a gente passou até hoje. Poxa...o primeiro beijo, os olhos castanhos escuros dele me encarando, minha mão passeando pelos cabelos grandes e lisos...e castanhos ...POXA. Não consigo mesmo viver sem ele...\'\'
Sam, então, teve uma idéia. Foi até a cobertura do prédio onde morava e escreveu uma carta. A carta que nunca chegaria a Luke. Depois de escrita, ela jogou o papel, que levado pelo vento, tomou um destino incerto. Sam chorou. Ele não a amava mais. Há um ano não se falavam. E isso a deixava pior ainda. Deixou de viver. Não comia, não dormia, não ia às aulas, não fazia nada. Apenas chorava. E se punia, cortando a própria pele. ‘The pain is good’, escrevera à gilete no braço esquerdo. E refletindo por um tempo, resolveu acabar com isso. Fechou os olhos, dos quais lágrimas escorriam, sorriu e murmurou algo, que tal como a carta, foi levado pelo vento. Por fim, pulou lá de cima, abraçando o sossego que se escondia sob o fim de sua vida.
Luke estava em seu quarto, a algumas quadras de distancia, quando ouviu algo em sua janela. Um papel estava preso ali. Abriu um pouco e foi tomado pela brisa noturna de Frankfurt. Pegou o papel e reconheceu a letra que estava escrita. Leu e ficou em choque.
‘Luke, eu sei que você não quer me ver, mas por favor, leia isto, já que eu não vou conseguir falar para você pessoalmente. Desculpa mesmo. Por tudo o que eu fiz com você. Eu nunca quis te perder, mas o ciúme é grande demais. Como redimir algo que a gente sente sem querer? Acho que é impossível. Luke, Luke. Meu coração bate no ritmo de seu nome. Lu-ke, Lu-ke. Estou tão triste. Arrasada. Desculpe por isso. Provavelmente você nunca vá receber essa carta. Provavelmente não estarei aqui se você a ler. Estarei bem, não se preocupe. Em outro lugar, em outra dimensão. Adeus. E obrigada por ter me deixado te amar.
Eu te amo, desculpe mais uma vez.
Sam.’
O garoto pulou pela janela e correu até o prédio de Sam. Viu uma pequena multidão rodeando algo. ‘Não...’, pensou. Afastou algumas pessoas, abrindo caminho e caiu de joelhos, chorando e berrando. O corpo da garota que ele deixou ir estava ali. A garota que ele amou, mas deixou ir por um motivo fútil. Ele a matara. Um vento forte passou, e Luke escutou a voz de Sam sussurrando-lhe ‘Eu amo você’. A pegou nos braços e deu o último beijo em seus lábios frios. E viu como ela estava mais linda que nunca. ‘Sam...Sam...’, disse, em prantos. Gritou, libertando toda a sua tristeza. Seu canivete de estimação queimava em seu bolso. Era uma chance. Uma chance de viverem juntos para sempre. O pegou, abriu e, olhando para a menina, mais precisamente para o braço esquerdo, escreveu no seu direito ‘The pain of love is good’, e sorria. Sorriu também quando terminou, e viu seu sangue escorrendo, pingando o asfalto meio molhado. E sorria, quando lembrou de tudo o que acontecera até ali, e sua última lembrança foi o primeiro beijo que deu em Sam, quando a lâmina atravessou seu peito. Abraçou a garota e morreram juntos. Um Romeu e Julieta moderno. Um teatro vivo, nas ruas daquela cidade alemã, aos olhos de todos. Com o mesmo final trágico. Dois jovens perdendo sua vida pelo amor.
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