Romances Inacabados
9 Escolhas, erradas?
Notas iniciais
Você já pensou no seu futuro?
Sua vida com alguém, sua vida em cada detalhe, em cada aspecto, em cada momento?
Não?
Eu já.
E posso te dizer uma coisa, não pense no futuro com alguém, vive apenas o momento, não planeje nada com quem você ama porque você não sabe o dia de amanha. Você pode amar e ter certeza do que você quer para o seu futuro com quem você ama, mas quem você ama as vezes não pensa o mesmo.
Eu pensava tanto que me pegava sonhando e dando risadas com as coisas que planejava, com as coisas que eu sonhava, o quão bom eram.
— O que foi? — ele me perguntou uma vez ao me pegar rindo no meio da tarde ensolarada de um domingo calmo.
Olhei pra ele saindo de meus devaneios e sorri ao ver seus olhos cor do mar a me encarar com certa curiosidade.
— Te amo. — foi tudo o que falei e o abracei enchendo-o de beijos.
Parecíamos um casal perfeito apaixonados, mas na verdade somente eu estava apaixonada.
Sonhei tanto que não enxerguei a realidade e quando enxerguei já era tarde demais.
abro os olhos então e respiro fundo. Olho pra banheira transbordando na minha frente e sem tirar a roupa coloco primeiro pé entrando nela, fazendo com que a água deslize para fora molhando o piso branco.
A água esta quente e confortável. Coloco a segunda perna então pra dentro e vou me abaixando lentamente ate me sentar.
Eu não estou sendo dramática ao entrar de roupa e tudo numa banheira de um quarto de hotel longe da cidade em que nasci. Eu apenas não soube lhe dar com toda a situação que me aconteceu.
Ah sim... Então...
amassei alguns documentos de trabalhos que eu deveria ter assinado, mas que eu recusei para estar sempre com ele, e os joguei fora sem nenhum arrependimento.
A noite de outubro estava fresca e a brisa que entrava pela janela me fazia ficar arrepiada as vezes.
— Olá meu amor. — sua voz chegou ate mim como um beijo quente e me virei olhando pra porta na qual ele acabara de entrar.
Corri para seus braços e lhe beijei na face como sempre fazia quando ele chegava do trabalho. E como sempre ele sorria e me retribuía o beijo, porem dessa vez ele não fez.
Meu coração deu uma travada e isso doeu dentro de mim.
— Você está bem? — perguntei quando ele me soltou e foi em direção ao banheiro sem falar nada. — Ei?! — gritei ao entrar no banheiro e ele se virou tirando a camisa.
— Sim? — perguntou com seus olhos frios e distantes.
— Aconteceu alguma coisa? — minha voz quase sumiu com o desespero pairando dentro de mim. O medo me agarrando e me sacudindo de um lado para o outro e ele reparou nisso porque antes de falar algo ele pigarreou e veio a meu encontro dando-me um abraço.
— Desculpa. Só estresse no trabalho. — sussurrou em meu ouvido — Quer tomar banho comigo? — e então me olhou, mas seu olhar ainda era distante e sorriu fazendo meu coração parar e tudo foi esquecido, mas não por muito tempo.
Depois disso ele começou a me tratar diferente, sempre parecia mais distante e era como se eu nunca estivesse realmente ali.
Era como se ele estivesse saindo de nosso mundo e indo para um no qual eu não fazia parte.
Aconteceu numa manhã de terça-feira, o quarto estava claro, mas o tempo lá fora estava fechado e só de olhar pra janela afora me dava calafrios.
— Dia perfeito pra ficar na cama. — sorri e me virei para abraça-lo. Mas ao me virar fiquei surpresa de vê-lo já acordado e sentado olhando pro nada com aquele olhar distante.
Me sentei e peguei em sua mão e ao fazer isso tirei ele de seus pensamentos fazendo-o olhar pra mim.
— Te amo mais do que você poderia imaginar. — beijei seus lábios imóveis e franzia testa.
— Eu não te amo. — foi tudo o que precisei ouvir para estar onde estou nesse momento com os meus pensamentos suicidas e com o coração partido.
Se você um dia tiver que fazer uma escolha entre a sua carreira e ficar com quem você ama, escolha a sua carreira, pois sua carreira nunca vai acordar pela amanha e te dizer que não te ama mais.
.
O choro não sai.
Eu queria muito que saíssem as lagrimas, eu queria gritar, chorar até não ter mais ar, até meus olhos se fecharem e eu não conseguir abrir de tão inchados. Mas não. Ali estava eu deitada numa banheira olhando para o teto me lembrando de um passado recente.
A torneira da banheira continuava ligava no máximo e a água continuava sendo jogava para fora. Peguei a fina corda que eu havia amarrado uma ponta no ralo da banheira e envolvi em meu pescoço.
eu não conseguiria me afogar sozinha.
Mergulhei terminando de enrolar a fina corda em meu pescoço e o amarrando com dois nós bem fortes. Tirei de meu bolso uma algema de brinquedo e algemei meus pulsos.
Soltei o ar que eu havia segurado e fechei os olhos.
Se não fosse pelo monte de água, eu poderia sentir as lagrimas que tanto se recusaram em sair sendo libertadas agora.
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