Romance em Nova York
5 When the Darkness Come
Notas iniciais
“Você é uma má ideia, e todos os dias tento ignorar isso”.
Não posso dizer que meus sentimentos são reais, porque não sei. Nunca estive tão confusa em toda a minha vida. Lembro de quando era criança, me preocupava que lápis de cor ia usar, qual desenho animado assistir, se queria uma boneca ou uma Barbie de presente de aniversário, mas agora as coisas se tornaram mais complexas e estou em um mar de decisões incertas.
– Posso saber exatamente o que estamos fazendo? – Perguntei para Isaac enquanto empurrava seu peito para que seus lábios se afastassem dos meus.
– Eu acho que você sabe o que estamos fazendo. Não terei que explicar o que significa quando um homem e uma mulher se tocam nos lábios. – Isaac respondeu com um sorriso maroto nos lábios.
Ele não havia saído de cima de mim, pelo contrário, a única parte dos nossos corpos que não se tocavam eram as mãos e os braços.
Isaac estava com os cotovelos apoiados na cama tentando evitar que seu peso ficasse todo sobre o meu corpo. Seus olhos fixos nos meus, nos lábios um sorriso. Então ele ergueu uma sobrancelha e com a mão direito acariciou minha bochecha.
– Concordo que sei o que significa duas pessoas se tocando nos lábios, mas... – Hesitei sem saber como perguntar porque estávamos fazendo isso.
Foi quando percebi que não queria um “mas”, não queria estragar aquele momento com um “mas” que não importava, e que não tinha nada a ver com Isaac. Apenas queria que ele aquilo durasse, mas tinha uma parte de mim que queria sair correndo, uma parte que se perguntava por que eu estava com ele. Empurrei fora esses pensamentos e apenas sorri. Em seguida puxei Isaac pela gola da camisa e o beijei novamente.
– Você não disse o que vem depois do “mas”. – Isaac falou depois de me beijar.
Suspirei enquanto fechava os olhos. Isaac, sem que eu pedisse, saiu de cima de mim e se sentou na minha frente. Fiz o mesmo enquanto fechava o primeiro botão da minha camisa aberta. Em seguida olhei para ele. Seu cabelo estava todo bagunçado, mas mesmo assim continuava lindo. Seu tamanho e seus músculos faziam sua posição parecer bizarra. Ele estava sentado com os braços cruzados e as pernas como de índios.
– Não quero que tenha um “mas”, é esse o problema. – Respondi o encarando.
– Significa que tem alguma coisa que te impede que aconteça alguma coisa com a gente, eu vejo isso nos seus olhos, mas não sei exatamente o que é. – Isaac falou se sentando na beira da cama e começando a calçar seus sapatos.
– Eu... Eu gosto muito de você, Isaac... Você tem sido um ótimo amigo, mas...
– É esse problema não é? Isso é o máximo que você enxerga, mas eu estou aqui há tanto tempo e nesse tempo foi apenas isso que você viu? Ema, eu nunca deixei de pensar em você... – Ele disse com um suspiro no final.
Ficamos nos encarando por um tempo. Não sabia o que responder, pois aquilo era em partes verdade. Mas eu estava ali, estava querendo tentar, queria que aquele olhar de antes voltasse aos seus olhos, mas eu sabia que teria que provar. Provar alguma coisa que poderia não ser real.
Então com um último olhar, Isaac se levantou, pegou seu casado no chão e se dirigiu a porta. Abaixei os olhos, olhando para minhas próprias mãos, depois para a cama bagunçada. Sentia seus olhos em mim, e sem pensar duas vezes, me levantei e corri até ele. Passei meus braços pelo seu pescoço, e afundei minha cabeça no seu pescoço. Tive que ficar nas pontas do pé, já que ele era mais alto, mas mesmo assim aquela parecia a posição mais confortável. Senti seus braços musculosos por todo o meu corpo, sua mão direita acariciando cada centímetro do meu corpo.
– É seu amigo. – Ele disse ao meu ouvido.
Soltei meus braços me afastando para encará-lo.
– O que?
– Benjamim. Vi como olha para ele, Ema.
Não sabia o que dizer. Ele podia conhecer Benjamim há pouco tempo, mas me conhecia tão bem quanto Aurora, e poderia perceber isso facilmente.
– Você precisa se decidir. Eu não sei porque me beijou daquele jeito lá embaixo, e eu não quero que me dê alguma esperança e depois acabe com tudo.
– Amélia é namorada de Benjamim, e bem... Ela não pode saber que fui a casa dele ontem, por isso...
– Por isso me beijou? Para me calar? – Isaac perguntou incrédulo, tirando meus braços do seu pescoço e se afastando.
– No começo foi, mas quando senti seus lábios nos meus, não queria me afastar, não queria que tudo aquilo acabasse – Falei apontando para a cama – Não queria que você se afastasse, e muito menos que me olhasse como está fazendo agora.
– E como gostaria que eu olhasse? – Isaac perguntou, mas foi como aquelas perguntas que não precisavam de uma respostas – Ema eu não sei nem quanto tempo faz que estou aqui, e eu sempre imaginei como seria quando te contasse, mas agora é diferente, porque eu finalmente achei que você poderia ser minha, e você vem me dizer que...
– Não ouse dizer que não...
– Que não o que? Que não me ama? – Ele perguntou já que eu não consegui dizer.
– Amor é uma palavra muito forte, não acha?
– Sim, eu acho. Então se descida, veja quem merece ouvir essas palavras. – Isaac disse. Com um último olhar, ele virou as costas, e saiu batendo a porta.
(...)
Depois que Isaac saiu, não consegui me conter. Chorei como no dia em que soube que não tinha conseguido passar na faculdade. Mas dessa vez era diferente, minha carreira não estava em jogo, e sim meus sentimentos pessoais por ele.
Quando me acalmei um pouco, resolvi tomar um banho.
Coloquei um short jeans, uma camisa de manga curta azul céu e sapatilhas pretas. Sequei meu cabelo, e depois desci para ver se Aurora estava em casa.
– O que aconteceu lá em cima? – Ela perguntou assim que cheguei na cozinha.
Pelo o que parecia, Aurora estava cozinhando alguma coisa de cheiro doce.
Contei-lhe toda a história. Quando cheguei na casa de Bem, sobre a frase no livro, o filme, o tema da capa, a noite, Amélia chegando, a discussão com Isaac, e a decepção no seu olhar antes de sair do meu quarto.
– Ele saiu daqui arrasado. Achou até melhor cancelar nosso programa de hoje à noite. – Aurora disse em resposta.
– Que programa? – Perguntei enquanto me sentava em uma cadeira em frente ao balcão.
– Não acredito que esqueceu! Ema, ele te mandou a mensagem ontem de manhã... Ele tem razão sabia?
– Razão? No quê exatamente?
– Benjamim. Ele mexe muito com você Ema. – Ela respondeu com um certo lamento na voz – Não a culpo, mas você precisa se decidir. Isaac sempre esteve presente, desde sempre ele te amou, mas parece que você não sente o mesmo não é?
Aquilo me feriu como o seu olhar no meu quarto.
Isaac.
Como eu nunca percebi isso? Como pude ser tão cega ao ponto de deixá-lo passar?
– Não posso gostar de Benjamim. Não posso sentir nada, nada que não queira. Então por que isso me machuca cada vez que penso? Por que não consigo olhar para ele sem me imaginar ao seu lado?
– Porque você o deve amar... Mas isso te machuca, assim como você machuca Isaac a cada encontro. – Aurora falou se apoiando do outro lado do balcão.
– É possível? – Perguntei de supetão.
– O que é possível?
– Amar duas pessoas? Duas pessoas completamente diferentes?
Aurora sorriu em sinal de lamento. Ela não sabia, assim como eu. Mas eu precisava descobrir, só não sabia como.
(...)
Depois da conversa, comi um sanduíche, já que não estava com vontade de almoçar, e fui começar meu trabalho naquela capa.
O tema seria Valentine’sDays.
Tinha conseguido imaginar o titulo, as imagens, e o conteúdo que a capa teria, mas parecia que faltava alguma coisa.
– Esses dias nós estaremos esperando cerca de 200 milhões de visitantes a cidade, já que... – A âncora do jornal da tarde dizia.
Foi aí que me dei conta do que ela estava falando.
Paris.
Poderíamos usar a cidade do amor mais famosa do mundo como nossa capa.
Fotografaríamos nossos modelos embaixo da torre mais famosa.
(...)
– Por que está com essa cara? – Aurora perguntou enquanto se sentava ao meu lado no sofá.
– Eu tive uma boa ideia sobre aquela bendita capa... Estou tentando ligar pro Benjamim, mas ele não atende o celular.
A morena fez cara de reprovação, e depois disse:
– Acho que alguma coisa está acontecendo.
– Como assim? – Perguntei a encarando.
– Amélia ligou minutos antes nos convidando para um programa.
– E isso é um problema?
– Não, mas Bem não atender suas ligações, sim.
– Então não acha melhor me ajudar? – Perguntei ironicamente enquanto me levantava.
– E se ela suspeitou de alguma coisa? Pensa bem, Bem tentou conversar com ela para saber se vocês podiam se encontrar depois do trabalho para resolver isso, mas ela negou. Depois Amélia chega no apartamento do namorado e encontra tudo fora do lugar e desconfia quando ele nega um beijo...
– Na verdade não foi um beijo, foi...
– Já sei, foi isso que quis dizer! – Ela me interrompeu rapidamente antes que dissesse aquela palavra.
Comecei a rir.
– Continuando... Aí você chega aqui em casa hoje de manhã dando a desculpa que dormiu na casa dos seus pais, e por fim Isaac quase entrega tudo. Ema, Amélia não é idiota. E se ela está fazendo isso como um teste? E se esse programa de hoje à noite for uma armadilha? – Aurora perguntou com o cenho franzido.
– Espera! Está dizendo que mesmo tendo essas hipóteses você aceitou sair com eles?
– Se dissesse não poderia ficar pior. – Ela respondeu se levantando também.
Estava preocupada. Isso não podia acontecer. Que pessoa má eu seria por estragar o namoro dos dois. Ou ainda, perder minha amiga.
– Mas e se ela não estiver desconfiando de nada? Se for apenas um grupo de amigos saindo para se divertir? – Sugeri me negando a pensar no pior.
– Então nós vamos agir normalmente e vamos nos divertir. – Ela respondeu com um sorriso.
Dei de ombros, mas no fundo estava muito preocupada. Aurora percebeu minha tensão, mas não disse nada. Acho que ela finalmente pesava que eu tinha que resolver isso sozinha.
A tarde passou rapidamente, sem nenhum sinal de Benjamim ou Isaac. Tinha que admitir, pela primeira vez me sentia mais sozinha do que nunca. Senti a necessidade de concertar as coisas, principalmente porque a noite chegou tão de supetão como o sol surge de manhã e agora eu não tinha mais escolha. Teria de encarar Benjamim e Amélia.
(...)
Vesti um short branco com detalhes em azul Royal, junto com uma camisa branca de renda. Nos pés coloquei scarpin nude de couro, deixei o cabelo solto, e peguei minha bolsa de lado da mesma cor dos sapatos e com alguns pequenos brilhos na parte da frente.
– Tem uma visita pra você lá embaixo. – Aurora estava no meu quarto, me observando enquanto terminava de colocar meus brincos. Estava tão distraída que nem a tinha visto entrar. Me virei para encará-la e percebi que estava linda com um vestido cor esmeralda e com seus saltos pretos.
– Quem é? – Perguntei com alguma esperança na voz. Não sei por que, mas quando ouvi sua voz dizendo que alguém estava me esperando, meus pensamentos me levaram até Benjamim. Mas essa ideia logo foi jogada para escanteio quando um celular tocou no andar debaixo e uma voz feminina atendeu.
– É a Mia.
Concordei com a cabeça, meus ombros ficando tenso e Aurora percebendo minha decepção. Andei para fora do meu quarto, e desci as escadas lentamente. Quando cheguei na sala, Mia estava sentada no sofá, e ainda conversava ao telefone. Parecia radiante, toda vestida para mais uma noite de festas e bebidas.
– Tenho que desligar o.k.? Te ligo mais tarde. – Ela falou e depois guardou seu celular na bolsa.
– Oi. – Disse tentando sorrir.
– Olá! – Ela devolveu da maneira mais falsa possível.
– Então... Aurora disse que estava aqui e fiquei pensando se alguma coisa teria acontecido.
– Não, que isso Ema! Eu só vim aqui para ver se está precisando de alguma ajuda na capa. – Mia respondeu com um sorriso.
Devo confessar que meu coração parou. Meu sangue subiu a cabeça e minhas mãos se cerraram ao lado do meu corpo. Como ela ousava entrar na minha casa, dar uma de sínica depois do que ela tinha feito.
– Olha Mia, acho melhor você ir embora. – Respondi tentando controlar minha voz.
– Ora, por quê?
– Só saia daqui!
– Ema minha querida, não fique estressada, sei que está passando por muitas coisas esses dias. – Mia continuou dessa vez se aproximando de mim. Percebia no seu pequeno sorriso no rosto que se divertia com a situação, e mais, parecia que estava torcendo para que finalmente saísse do sério.
– Não me chame de minha querida! – Devolvi a encarando.
– Como assim Ema Collins? Acha que ele vai voltar? – Ela disse, mas dessa vez soou diferente, ela estava séria, seus olhos malignos na minha direção.
– Olha aqui Mia, não venha na minha casa me provocar com assuntos que só dizem respeito a mim!
– Não minha querida, digo isso porque tenho informações legitimas e porque Benjamim é meu primo, então isso também diz respeito a mim. – Ela parecia cuspir as palavras.
Foi quando não agüentei mais e finalmente explodi depois de anos engolindo tudo isso.
– Não venha querer dizer sobre Benjamim e eu. Somos apenas amigos. Você pode ser prima dele, mas isso não diz nada, não diz que você tem o direito de entrar na minha casa e me acusar como está fazendo!
– Não é isso que rola nos corredores. – Ela continuou com um sorriso malicioso.
– Ta bom, Oliver espalhou e chegou ao ouvido de todo mundo, nem por isso tem que acreditar.
– Oh minha querida, eu vi isso por mim mesma, e digamos... Que Bem me contou. – Mia acrescentou com grande satisfação.
– O quê? – Perguntei com a voz fraca.
– Isso já não é mais da minha conta, deveria falar com ele hoje, querida.
– NÃO ME CHAME DE QUERIDA! E AGORA SAIA DA MINHA CASA! – Gritei enquanto todo o meu rosto ficava vermelho e quente.
Não dava para acreditar. Como Benjamim podia ter feito uma coisa assim? Meus olhos se encheram de lágrimas, e elas queriam sair, mas não podia deixar isso acontecer, não até Mia sair.
Ela me encarou uma última vez, sorriu prazerosamente e então deu as costas e saiu, deixando apenas seu rastro de perfume para confirmar que ela estivera mesmo ali.
(...)
– Você tem certeza que vai conversar com Benjamim sobre isso? – Aurora perguntou enquanto dirigia até nosso bar favorito para nosso programa da noite.
– Eu preciso. Ele tem me evitado hoje, depois Mia aparece lá em casa me acusando e dizendo que Bem disse várias dessas coisas.
– É, você está certa, mas tome cuidado com Amélia. Não deixe transparecer seus sentimentos por ele.
– Mas...
– Não, por favor, não faça isso com você e nem comigo. Nós duas já sabemos que o pior aconteceu. – Ela me interrompeu.
– Pior? – Perguntei com o cenho franzido. – Isso não pode ser ruim assim. Vou dar um jeito de esquecê-lo, e tudo ficará bem.
– Não é assim que funciona, Ema. Quanto mais você quer tirá-lo da sua cabeça, mais apaixonada você fica. Então isso é ruim.
Aquilo só podia ter deixado minha noite pior.
Quando chegamos, Benjamim e Amélia já estavam lá. O gerente nos mostrou a mesa reservada e depois saiu. Os dois pareciam felizes, depois de muito tempo. Então comecei a pensar na conversa que tinha tido com Bem. Será mesmo que ele conseguia disfarçar tão bem que não sentia mais aquele sentimento por ela, ou havia sido apenas um momento onde ele viu necessidade de dizer aquilo?
– Aurora! Ema! – Amélia exclamou com um sorriso.
Eles se levantaram, nos cumprimentamos e depois nos sentamos novamente.
– E então, Benjamim estava me contando que você passou no apartamento dele hoje de manhã. – A morena disse me encarando.
Então poderia ser verdade, toda a desconfiança para aquela noite.
– É... Isso, eu tinha que ver com ele umas coisas do trabalho. – Respondi enquanto buscava os olhares de Benjamim, mas ele parecia bem distraído com o cabelo de Amélia.
– Ah, não se preocupe, querida, compreendo como deve estar sendo difícil pra vocês essa capa.
Sorri na esperança de melhorar minha afeição.
Aurora resolveu mudar de assunto, e quando vi Amélia estava totalmente concentrada sobre a nova revista de moda que havia saído. Não disse nada, apenas olhava de vez em quando para Benjamim, mas como sempre, ele estava me evitando. Aquilo me deixou péssima. O que eu poderia ter feito?
– Vou pegar uma bebida mais forte, com licença! – Disse me levantando e indo até o balcão pegar alguma coisa forte o bastante para que me fizesse melhorar.
Não estava mais suportando ficar ali tentando chamar a atenção de uma pessoa que se quiser atendeu minhas ligações.
– Por favor, uma dose de tequila com limão. – Falei para o cara atrás do balcão.
Ele assentiu e segundos depois ele voltou com o meu copo.
– Afogando as mágoas? – Alguém disse atrás de mim assim que tomei um pouco da bebida.
Olhei e vi que era Bem.
– Acho que isso não importa pra você.
– Como assim? – Ele perguntou enquanto ficava ao meu lado.
– Bom, eu te liguei e você não atendeu. – Respondi secamente.
– Eu sei, me desculpe.
– Ah, e vejamos; Mia apareceu na minha casa dizendo coisas sobre você; Amélia descobre que fui até sua casa, mas apenas pela metade, e tudo isso porque você resolveu falar demais!
– Ema, o que está havendo com você? – Benjamim perguntou se virando para me encarar.
– Eu é que te pergunto. O que houve apenas essa tarde? Resolveu ter uma conversa com a priminha?
– Ela foi à minha casa, mas eu não disse nada... Eu a deixei conversando com a Amélia. Não te atendi porque fiquei preocupado de alguém poder ouvir nossa conversa, e disse que você foi à minha casa porque achei que devia explicar apenas uma parte da verdade a Amélia, ela é minha namorada.
Ela é minha namorada. Aquilo poderia ter doido mais do que um tapa, se não fosse a expressão que estava no seu rosto. Bem me olhava como se não me reconhecesse mais, e aquilo doeu.
– Eu só queria conversar sobre a capa, você diz isso como se me atender fosse um crime, já que você tem uma namorada.
– Estou preocupado sim. Amélia é muito ciumenta, alguma coisa poderia acontecer.
– Pare de agir como se alguma existisse entre a gente! – Exclamei de cenho franzido.
Benjamim não disse nada, apenas parecia pensar, até que então alguma coisa saiu.
– Mas eu nunca agi como se alguma coisa existisse entre a gente.
Meu estado de choque durou por vários minutos, até eu perceber que meu copo estava vazio, e eu o apertava com tanta força que meus dedos estavam brancos. Benjamim parecia pensar no que havia acabado de dizer, e quando ele viu que eu não ia dizer mais nada, sua expressão se suavizou e depois todos os seus sentimentos desmoronaram junto com o meu.
– Acho melhor eu ir embora. – Falei enquanto abria a bolsa, pegava um dinheiro e deixava no balcão.
Antes de começar a andar, olhei novamente para o moreno a minha frente. Ele ainda me encarava como se quisesse fazer qualquer coisa, mas por algum motivo não podia. Virei às costas e comecei a andar. Uma parte de mim queria que ele segurasse meu braço e pedisse que eu ficasse mais um pouco, mas ele não o fez.
Talvez eu havia descoberto realmente porque ele era uma má ideia. Ele tinha uma namorada.
Mais do que nunca sabia pra onde ir, pra onde poderia realmente me sentir bem, para aquela pessoa que eu poderia dizer que amava.
Peguei um táxi e menos de meia hora já tinha chegado.
Subi as escadas correndo e apertei a campainha da porta número 185.
Um loiro atendeu e como se um botão tivesse sido ligado novamente, toda a mágoa sumiu e eu consegui sorrir ainda naquela noite.
– Espero que o nosso programa ainda esteja de pé. – Disse enquanto me aproximava.
Isaac sorriu e depois disso eu o beijei.
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