Notas iniciais
Agradeço pela espera! Boa leitura

Paulo ao pegar o celular e ver aquela notificação ficou extasiado, sem reação, não acreditava no que estava acontecendo, não sentia aquele calor no coração a muitos anos. Ele aceitou a solicitação e antes de mandar uma mensagem, foi ver algumas fotos para confirmar se era realmente ela. Cara, era ela, ele não sabia como, mas estava mais linda do que a última vez que a viu. Seus cabelos continuavam cacheados, porém um pouco maiores e apesar de continuar pequena seu corpo estava mais modelado do que nunca, seu sorriso parecia daquelas propagandas de pasta dentária. Mas o seu olhar, aquele olhar, continuava penetrante na alma, só de ver as fotos sentiu um aperto em seu coração, sentiu uma saudade tão grande, capaz de deixá-lo sem fôlego. Depois de tantos anos ainda continua apaixonado por ela.
Paulo ao ver aquelas fotos se lembra de uma frase de um livro que ele gostava muito, " Amor é fogo que arde sem se ver ". Era incrível como mesmo longe, ele sentia que Ana estava tão perto, ligados por esse sentimento que havia se escondido por anos pela decepção da separação. E agora com esse reencontro por celular reaparece como a fênix no deserto. Ali mesmo a noite na praça Paulo mandou uma mensagem, pensou muito antes de mandar, pois aquela mensagem iria mudar todo o contexto que estava vivendo. Mandou um simples " Oi, lembra de mim?". Suas mãos estavam geladas, transpirava bastante e sua respiração estava ofegante, um milhão e meio de pensamentos infernizavam sua cabeça naquele momento, até que enfim Ana respondeu a mensagem, "Depois de tanto tempo esperava mais que um simples oi ". E por aí a conversa foi se estendendo, foram se atualizando sobre tudo.
Mais uma vez encontrava-se naquela similar situação, não tão esperançoso como da vez passada, jurou a si mesmo que não iria criar expectativas nesse elo amoroso que tinha com Ana, para evitar descontentamentos futuros. Mas quem jura mente, Paulo mal sabia que estava compondo outra fase amorosa na sua vida. E suas promessas de não criar expectativas já estavam desmoronadas.
Trocavam mensagens todos os dias, principalmente as madrugadas, ele demonstrava estar bem, demonstrava não estar desconfortável com toda a situação que havia acontecido, Paulo estava se passando por uma outra pessoa, por que dentro do seu coração um sentimento de angústia e medo dominava seu coração. Mas Paulo também não entendia como aquela situação estava acontecendo, pois mesmo com medo ele mandava mensagem, está entrando de cabeça novamente nesse relacionamento. Acontece que Ana Carolina sentia o mesmo que Paulo, os dois ainda estavam interligados por almas, mesmo após tantos anos sem se ver e conversar e ele sabia disso, por isso estava sem receio de dar tudo de si novamente.
Dias foram se passando, conversas cotidianas, compartilhavam os melhores momentos de seus dias, o dia não era normal se não trocassem mensagens ou uma foto, algumas figurinhas e gifs já faziam parte de seu dia a dia. Paulo gostava muito de compor alguns versos, não chegava a ser músicas completas, mas era um modo que ele encontrou para acalmar seu coração atribulado. Faziam ligações de vídeos sempre que dava, Paulo mostrava seus versos para Ana, até mesmo cantava para ela. Não importava a hora ou lugar, o pensamento de Paulo e Ana era sempre o mesmo, pensavam um no outro o dia inteiro, torcendo para que o horário de trabalho acabasse logo para poderem ligar e se falar.
Ana Carolina havia se formado em veterinária, pois gostava muito de animais e compartilhava com Paulo seus bichinhos, sua casa na Espanha era quase um zoológico. Ela dividia a casa com uma amiga de trabalho, pois já tinha deixado a casa de seus pais, assim como Paulo. Ela mora na cidade de Vigo, uma cidade com lindas praias como o Rio de Janeiro.
Tanto Paulo como Ana nunca se interessaram em festas, sair de casa em geral, então ficar a noite inteira em casa conversando era só um detalhe. Ana sempre recusava os convites de suas amigas para as festas que aconteciam no centro de Vigo, e olha que eram ótimas festas, onde ela poderia se envolver com caras muito interessantes, talvez até mais que Paulo, mas era inevitável aquele sentimento que ela tinha por ele, não trocaria uma noite com ele por nada. Paulo já não tinha tantos amigos mesmo para se relacionar então as noites de ligações eram mais que perfeitas com Ana.
Era tão angelical como as conversas fluíam entre os dois, todos os dias era um assunto diferente, não cessavam as ideias que os dois tinham. Era ruim apenas por um fato, a distância. Ah como essa pequena palavra acabava com os dois, separados por quilômetros de oceano, mas ligados em milhões de sentimentos, que nem mesmo essa distância atrapalhava o que sentiam. Noites e mais noites foram passando, mas uma noite em especial, em ligação fizeram promessas um para o outro:
— Eu te prometo que isso tudo vai passar, essa distância vai acabar e vamos nos encontrar novamente. — Disse Paulo.

— Ai Paulo, tomara viu, tomara mesmo, eu queria tanto te ver, te abraçar, ai como era bom seus abraços. E também te dar aquele beijo que a gente nunca teve né?! — falou Ana.

— Então sobre isso, pode deixar, não vai faltar quando estivermos juntinhos, esse beijo que nunca te dei , prometo que ainda vou te dar. — Declarou ele.

Essa noite ficou marcada para os dois como a Noite das Promessas, promessas que os dois de qualquer maneira iriam cumprir, nem que sejam a última coisa que façam . A necessidade de estarem juntos somava igualmente na balança junto com a vontade, já não aguentavam mais aquela saudade. Aquele relacionamento só de mensagens e ligações não estava sendo o suficiente, por mais que tudo que sentiam era forte, um relacionamento exige contato, calor, toques, situações que eram impossíveis de se ter a longa distância. Em uma das ligações que sempre tinham Ana disse para Paulo:
— Eu não aguento mais, quero te ver, quero sentir seu coração, te demonstrar todo esse amor que tenho por ti. — Disse chorando.

— Eu também queria muito, queria eu poder te fazer cafuné nesse momento, me enrolar nas cobertas com você, assistir um filme clichê, se eu conseguisse né?! Por que prefiro admirar sua beleza. — Responde com o semblante triste.

Se perguntavam por que motivo o mundo tinha os separado, por que a vida desprega dois corações que batiam igualmente em amor. A vida as vezes é assim, te separa de quem você mais ama, para testar se essa paixão é verdadeiramente real, é ruim, mas necessário. A confiança entre os dois era extremamente vasta, pois estando separados e havendo um certo relacionamento entre os dois era excepcionalmente a convicção de ambas as partes. E tendo essa característica no relacionamento os deixava cada vez mais próximos, já não havia medo da decepção, não tinham medo de terem seus corações partidos novamente. E fica a seguinte pergunta, o que poderia acontecer de tão ruim que poderia causar maior dor do que a própria distância?
Sonhos eram sentidos com mais intensidade, ele tinha sonhos tão intensos com sua amada que acordava no meio da noite ofegante e sorrisos bobos eram dados nas madrugadas. Já de Ana nem se fala, aquele tal beijo que ainda não havia dado em Paulo era constantemente vivido em seus sonhos, quando acordava logo já mandava mensagem para ele. Eles combinavam como iria ser, como iriam fazer, era simplesmente incrível.
Sabe aquele motivo que te move todos os dias, aquele objetivo, aquela meta de vida, pois então, o motivo deles era somente um beijo. Os dois pássaros que não sabiam mais oque era sentir um brisa suave em suas asas, finalmente voltaram a voar. Quando a saudade apertava muito para Ana, infelizmente ela só tinha as fotos e lembranças dele. Diferente dela, Paulo tinha logicamente as fotos e lembranças, mas o principal somente ele tinha, que era o local onde conheceu aquela moça de pele escura, sorriso brilhante e cabelos cacheados. Visitava constantemente aquela praça, queria viver novamente aquele momento, os episódios que aconteceram, aquelas imagens foram surgindo em slow na sua mente, queria que esse momento nunca acabasse, aproveitava cada segundo daquela recordação.
Por mais que a memória não fosse tudo, por mais que aquela ação de visitar a praça não iria trazer Ana de volta, ir para aquele local o fazia alimentar a esperança de que um dia finalmente iria reencontrar ela em algum por do sol.

Notas finais
Espero que tenha gostado
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.