Notas iniciais
Espero que gostem...

Sabe aquelas histórias clichês, com todo um clímax meloso e romântico, que ninguém se importa ou gostas mais? Pois é, ele gostava disso.
Um jovem que iria viver todo esse enredo romântico com a pessoa perfeita. A vida lhe trouxe várias mulheres que ele pensou que seria o seu verdadeiro final feliz, mas acabava que sua vida amorosa foi resumida em " Se está dando certo de mais algo vai dar errado ". E sempre que as coisas estavam indo bem com a tal pessoa certa, algo dava errado, parecia que tudo conspirava para que no fim a decepção sempre predominasse.
Parecia que tudo dava certo para os outros menos para si mesmo. Com suas expectativas já não tão empolgantes, cansado dessa parte da vida, uma parte que influenciava para que todo o resto não tivesse mais sentido. Era engraçado para esse jovem porque toda vez que alguém saía de sua vida, parecia que as coisas melhoravam para ela, menos para si.
Se corrompendo sozinho, ao nível tão extremo que já não tinha mais lágrimas para derramar, no seu quarto apenas uma leve onda sonora saindo de seu fone de ouvido, uma música triste, lenta, que representava seu fracasso amoroso. A música trazia um conforto que os conselhos de seus " amigos" não podiam oferecer, pois estavam ocupados de mais.
Amor era tudo que tinha, mas o mundo conseguiu tirar demais de um jovem a esperança. Já sem esperanças e expectativas, algo estava prestes a acontecer.
Morava no Rio de Janeiro, sempre estava em uma praça que era seu refúgio. E foi lá mesmo que aconteceu, como em um filme de ação, uma luz no fim do túnel, inexplicavelmente, do nada surge uma rosa em meio ao deserto. Uma luz que era capaz de fazê-lo esquecer do passado apenas com um sorriso. Uma moça de pele escura, cabelos cacheados, sorriso tão brilhante quanto a mente de Stephen Hawking ou James Woods. Um sorriso de lado que derretia seu coração como um sorvete. Corpo escultural, curvas tão estreitas em que seus olhos derrapavam. Mas o que mais encantava nessa linda moça eram os olhos. Os olhos dela o deixava tão fixado que sentia que o mundo não girava mais, o tempo estava totalmente parado, o que importava naquele momento era somente apreciar a arte que nem Leonardo da Vinci ou até mesmo Cândido Portinari conseguiriam plagiar.


Ela não sabia, mas ele sentiu, naquele mesmo momento que seria ela a tal pessoa certa. Não tinha ideia de como iria fazer para conhecê-la, o medo de relacionamentos passados ainda o perseguia. Já era o fim daquela tarde, quando enfim tomou coragem e em poucas palavras, simples, mas com tanto sentimento e adrenalina, que ela conseguia perceber o seu nervosismo. Ele com suas mãos geladas, meio tenso, disse para a moça o quanto a achava bonita, estava com os nervos a flor da pele, já não suportando a agonia, perguntou se a moça gostaria de tomar um sorvete com ele. Ela abaixou a cabeça, passou a mão em uma mecha de cabelo meio sem jeito, deu um sorriso de lado e disse:
— Até quero, mas você nem perguntou meu nome.
— Nossa é mesmo, me desculpa, é que estou um pouco nervoso, qual o seu nome? — disse ele tremendo meio sem jeito.
— Meu nome é Ana Carolina, mas pode me chamar só de Ana e agora me responde, qual o seu nome? — Respondeu a moça dando um sorriso meio sem jeito e bobo.
— Meu nome é Paulo, mas pode me chamar de ..., de Paulo mesmo. — Respondeu o jovem.
Os dois se olharam com sorrisos meigos e bobos por um tempo, conversaram mais um pouco, tomaram soverte naquele por do sol, Paulo nunca apreciou tanto um sorvete como nesse dia, depois de tanta enrolação tomou coragem e pediu o número dela para conversarem mais e se conhecerem melhor. Quando foram se despedir não sabiam oque fazer, ele pensava será que um abraço? Ela pensava será que um aperto de mão? Acabou que nada aconteceu e antes que fossem embora ela disse algo para Paulo:
— Te achei muito fofo.
E logo em seguida foi embora dando leves olhadas para trás. Paulo foi embora quase que gritando para o mundo inteiro o quanto estava feliz, saltitando pelas ruas da cidade. Chegando em casa, mais do que de pressa pegou o celular e mandou mensagem para Ana, ela demorou um pouquinho para responder; quando respondeu Paulo quase caiu da cama de tanta euforia. Os dois trocaram mensagem a noite inteira; até a madrugada, ele descobriu que Ana iria estudar em sua escola, a madrugada não parava de melhorar, já fazia tempo que Paulo não criava expectativas tão boas para um dia melhor. Quando acordou, deu um leve sorriso, levantou como não levantava a dias, com vontade de viver.
Foi pra escola como nunca tinha ido antes, colocou seu melhor tênis, sua melhor roupa e usou seu melhor perfume. Chegando na escola, como se não tivesse mais ninguém nos corredores, seus olhos só conseguiam ver aqueles cabelos cacheados balançando como as ondas calmas do mar, sim era ela. Mas nem tudo é tão bom assim, os dois não estudavam na mesma sala. Ficavam ansiosos para os intervalos, nesse período das aulas, eles aproveitavam para se conhecerem mais, conhecerem os sonhos um do outro e sempre no final da aula Paulo a acompanhava para casa. Com o passar do tempo o sentimento foi ficando mais forte, as despedidas eram como a morte e os encontros como o nascimento de um novo ser. Dava para sentir o desejo quando olhavam um para o outro, os sentimentos pesavam igualmente na balança. As ideias tão diferentes, Ana preferia livros, Paulo já gostava mais de futebol, mas algo os ligava bem mais do que ideias, algo que vai além do que a física pode explicar; não era somente a atração de corpos... Era amor!
E os dias foram se passando, ele nunca tinha sido tão feliz na vida até aquele momento, Ana nunca tinha vivido algo tão forte assim até conhecer Paulo. Até que enfim chegou o dia, ele a chamou para sair pela primeira vez, Ana não pensou duas vezes antes de aceitar, então Paulo disse:
— No fim da tarde de hoje, perto do por do sol, na praça onde nos conhecemos, te espero lá.
Estava tudo marcado, seria tudo perfeito, tudo aos conformes, seria o pedido de namoro perfeito, seria em fim o seu feliz para sempre. Chegando na praça ao fim da tarde como combinado, ela estava lá toda linda, com um vestido branco, os seus cabelos soltos, era o poema que Paulo mais queria ler. Então foram se aproximando, ele deixou o anel e as flores escondidas para o momento certo, foi então quando Paulo ia começar a falar, Ana o interrompeu e disse:
— Paulo, eu nunca havia tido algo como tive com você, foi tudo especial; único, mas tenho que te contar algo, me dói muito você nem imagina o quanto, mas tenho que falar. Hoje, estou indo embora para a Espanha com meus pais, não vou conseguir ficar e você não imagina em quantos pedaços o meu coração está agora. Paulo eu te amo !
Paulo não conseguia dizer nada, não derramou uma lágrima, paralisou naquele momento. Ana estando atrasada para o voo despediu-se de Paulo com um abraço forte e quando estava indo embora, Paulo a puxou para perto de si, deu outro forte abraço e sussurrou em seu ouvido:
— Você sempre vai ser meu final feliz, eu te amo.
Paulo então deu um forte beijo na testa de Ana e a viu sair andando, indo embora e tendo certeza de que nunca mais iria vê-la . E foi nessa praça, onde tudo ocorreu, onde tudo se iniciou, também foi onde tudo acabou. Um romance vivido sem ter toques, sem beijos, mas um amor que foi vivido com o coração, sentido com o coração, não pensado em mente. Um amor que foi vivido e compartilhado entre duas almas. E incrível como que em um piscar de olhos tudo se desmoronou. Como em um estalo de dedos do Thanos com a sua manopla, tudo estava se tornando pó. Pó de sentimentos que naquele momento iriam vagar no universo sem destino.

Notas finais
O que será que vai acontecer na vida de Paulo depois de mais uma frustação amorasa. Aguardem o Capítulo 2