Romance Mortal
5 Encontro acidental...
Notas iniciais
-Sonho on-
Uma mão gelada acariciou o rosto dela, fazendo-a acordar aos poucos e sorrir com o carinho.
A garota de olhos estranhos olhou para o lado e deparou-se com ninguém menos que o albino, observando-a com um pequeno sorriso nos lábios.
- Não queria lhe acordar... – disse ele. – Você é tão bela quando dorme – continuou.
Ela mexeu-se um pouco na cama e percebeu que o rapaz trajava apenas uma cueca Box por debaixo do fino lençol de seda azul marinho, enquanto ela usava apenas uma calcinha que fazia par com seu sutiã azul céu.
- O que eu fiz? – perguntou-se a azulada. sentando-se na cama rapidamente. A garota colocou as mãos sobre o rosto e tentou lembrar-se do que acabara de acontecer, mas nada vinha a sua mente a não ser, é claro, o fato de que quando ela adormeceu, estava em seu quarto.
Quando retirou a mão do rosto e levantou a cabeça, percebeu que agora ela estava de pé trajando roupas negras e, a sua frente, estava ninguém menos que o albino, todo machucado, a beira da morte.
- E-eu pensei q-que v-você me a-amasse – disse o garoto, afogando-se no próprio sangue que invadia seus pulmões com certa rapidez. Logo ele fechou os olhos e lágrimas cristalinas começaram a escorrer pelo rosto da azulada.
- Por que estou chorando? – perguntou-se em um sussurro. Ela olhou para suas mãos e viu que, na esquerda, repousava uma pistola calibre trinta e dois e, na direita, estava uma adaga ensangüentada. Os olhos da garota se arregalaram. Logo ela cai de joelhos. chorando ainda mais.
- Você nos traiu – disse uma voz atrás da azulada e, quando esta virou-se, preparando-se para matar quem quer que fosse, um tiro foi desferido em sua testa, fazendo o seu corpo ir para tras e logo encontrar-se com o chão, criando uma poça de sangue que misturou-se com o do garoto.
-Sonho off-
A azulada abriu os olhos rapidamente e encarou o teto de seu quarto.
- Mais um pesadelo – comentou consigo mesma.
- O que você se tornou, minha filha? – perguntou novamente aquela voz na cabeça da garota.
- Um monstro... – respondeu, jogando o lençol azul celeste de lado e se levantando.
O albino acordou, ou melhor, foi acordado naquela manhã por Elesis, que ficou o tempo todo dizendo que ele acabaria se atrasando para o colégio e também se gabando por ser de maior e não precisar ir para o colégio.
- Vamos, meu filho, eu não tenho o dia inteiro, sabia? – Resmungou a ruiva, pegando as chaves de seu volvo preto com detalhes de fogo grafitado dos lados.
- Não vou de carro com você, eu quero chegar vivo ao colégio – disse da forma mais indiferente. – Vou na minha moto que é melhor – continuou, já pegando as chaves da sua moto kawasaki preta, mais conhecida como ‘moto ninja’, importada diretamente do Japão.
Lass vai em seu quarto pegar sua jaqueta de couro preta e logo desce, tomando rumo da garagem. Antes de subir na moto, o garoto olha a hora em seu relógio de pulso.
- Tenho dez minutos – um sorriso convencido brota em seus lábios. – Tempo demais pra mim – disse, montando na moto, acelerando ao máximo e partindo rumo ao colégio.
- Ele tá morto – gritou a azulada assim que terminou de ler o bilhete que havia sido deixado por Sieghart naquela manhã. Ela pegou sua bolsa, onde seu notebook estava, colocou uma pistola e um pente de balas dentro e, por fim, foi andando em passos pesados até a porta de entrada de sua casa. – Droga, vou chegar atrasada – comentou assim que trancou a porta. Ela virou-se e foi correndo em direção a parada de ônibus – Maldita semana em que o carro daquele vagabundo foi pro conserto – resmungou mentalmente.
Ela chegou ao ponto de ônibus, mas nenhum transporte vinha.
- Essa não – logo a azulada escutou o barulho de uma moto se aproximando, até que esta para ao lado dela.
- Hey, você é a novata da minha sala, né? Mari, não é mesmo? – perguntou o garoto de cabelos brancos.
- É, e você é... Lass, certo? – perguntou meio em dúvida.
- Certo... – o albino não sabia porque, mas ele sentia que devia dar uma carona para ela. – Sobe aí, eu te levo pro colégio.
A azulada estranhou o que ele disse, mas já que ela estava atrasada, iria ignorar o fato de que estava subindo na moto de um garoto que acabou de conhecer. Ela andou até o lado da moto e montou nesta, colocando a bolsa entre ela e o albino.
- Segura firme – avisou ele, entregando um capacete para ela. A garota pegou-o e colocou na cabeça para logo depois o abraçar devagar. Mas, assim que a moto deu a partida, ela apertou o abraço e fechou os olhos, corando um pouco.
Passou-se apenas alguns minutos e logo os dois chegaram ao colégio. O albino parou a moto perto do pátio e a azulada desceu desta, logo retirando o capacete, revelando sua curta cabeleira azul.
- Obrigada... – disse, pegando sua bolsa. – Você quer que eu te espere ou...
- Não precisa... – cortou antes que ela terminasse de falar.
- Então obrigada de novo e até depois – a azulada saiu de perto do albino e foi para sua sala.
Ela adentrou na classe e seguiu para o local onde sentara no dia anterior. Abriu a bolsa e colocou o notebook sobre a carteira. Ligou-o e começou a tratar dos seus assuntos via internet.
O albino havia parado perto do pátio do colégio para que a azulada descesse. Assim que esta o fez, ela lhe entregou o capacete e perguntou se ele queria que ela esperasse, mas este negou e a viu seguir rumo a sala. Lass estacionou a moto atrás do colégio. Assim que ele desceu do veícul,o seguiu rumo a sua sala, mas antes parou e colocou os capacetes no armário.
Lass adentrou na classe pouco se importando sobre o olhar reprovador que o professor lhe dava.
- Atrasado – Gritou o homem de meia idade, voltando a ficar de frente para a louza e escrever sabe-se lá o que.
O albino ignorou o que o professor disse e foi rumo a cadeira que estava ao lado da azulada. Ele jogou sua mochila no chão e logo em seguida sentou-se na cadeira, já pegando seu celular, colocando os fones no ouvido e ligando a música no último volume.
O rapaz pendeu a cabeça para trás, sem ao menos tentar disfarçar os fones no ouvido, e fechou os olhos. Mas logo os abriu ao sentir alguém colocar algo em sua mão.
- Sinto se acabei fazendo-o atrasar-se – leu em pensamento o recado que havia no pequeno papel colocado em sua palma pela azulada. "Não tem problema, eu não queria vir para a aula mesmo" escreveu ele como resposta e devolveu o bilhetinho para a azulada.
Logo o papel retornou. "Provavelmente ninguém nesta sala gostaria de estar aqui também" respondeu a garota. O rapaz escreveu algo em resposta e entregou o papel a ela, mas antes mesmo que retornasse as mãos do albino, o professor interfere na ‘conversa particular’ dos dois adolescentes.
- Eu não esperava isso de uma novata... – falou ele, indo em direção a Mari e percebendo que, ao invés de um caderno, um notebook repousava sobre a mesa da azulada. – Saia da sala agora.
- Eu ou ela? – perguntou o albino, já se levantando.
- Os dois – resmungou o homem. – Estão suspensos das minhas aulas até o fim do mês.
O albino levantou-se e a azulada fez o mesmo. Os dois pegaram seu material e foram em direção a porta, mas antes mesmo de sair, a azulada virou-se e falou.
- Foi até bom ser suspensa, não sei por quanto tempo mais eu agüentaria seus erros... ah, e... – Ela caminhou ate a louza e apagou um número. – O corpo humano não tem número exato de músculos professor, é aproximadamente seiscentos e cinquenta... – a garota de olhos estranhos virou-se para encarar o homem, que estava vermelho de raiva. – Na próxima vez que for fazer algo sem olhar pelo livro, estude antes – um sorriso brotou na face da garota ao ver o professor quebrar o giz de tanta raiva.
O albino apenas observava tudo do lado de fora da sala, um sorriso de sarcasmo brotando em seus lábios logo após ver a azulada rir-se.
- Vamos, Mari, eu te dou uma carona – falou ele alto o suficiente para que muitas garotas na sala quase gritassem "O quê?".
A azulada retirou-se da sala seguindo o albino. Eles foram em direção a moto do rapaz, pouco se importando se perderiam as próximas aulas.
- Quer ir para algum lugar? – perguntou ele, já subindo no veículo e ligando-o.
- Podemos ir a qualquer lugar que você queira, se eu não for incomodar estando junto de você – disse ela, montando na moto sem dar pela falta de capacete.
- Vamos para a praia então – respondeu ele, acelerando.
- Não acho que tenho roupas apropriadas para nadar... – disse a garota. – Mas foda-se isso — continuou, e viu o albino abrir um sorriso de canto.
Logo a moto partiu com os dois adolescentes em cima.
Eles esperavam uma manha tranquila e, talvez, uma tarde também, mas a realidade é que estavam totalmente errados sobre aquele dia ensolarado. Nuvens nebulosas rondavam a cabeça dos dois adolescentes, aparentemente despreocupados.
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