Roman Diaries

5 Capítulo 5 - Churros


Notas iniciais
Eu tenho uma amiga desenhista. O nome dela é Giovanna e ela é a criadora da Therony, personagem que faz parte dessa fanfic. Ás vezes ela faz desenhos sobre alguns momentos divertidos nos capítulos e eu vou começar a compartilhar aqui. Se ela fizer um desenho sobre uma situação que aconteceu no capítulo 1, por exemplo, eu posto o desenho no capítulo 2, pra não dar spoiler. Todos os créditos do desenho pertencem a ela e aproveitem e sigam ela nas redes sociais, o arroba dela é @giocmartins.

Não demorou mais do que vinte minutos para que o carro cheio de adolescentes romanos estacionasse na frente de um estabelecimento pouco tradicional. Era um prédio de quatro andares pintado inteiramente de preto e com vários detalhes em neon, assim como barras de luz o decorando. As luzes de San Francisco eram lindas, a vida noturna animada e uma fila de crianças e jovens estava na frente do Laser Tag. Eram um grupo bastante interessante, aqueles cinco. Não os mais bonitos, nem os mais ricos, só tinham... Uma aura diferente dos outros adolescentes. Uma aura divina, e isso era notável. Agora estavam todos encostados na parede do prédio, esperando a hora de entrar. Alguns adolescentes lá frente gritavam e faziam a baderna comum de adolescentes, mas aqueles eram adolescentes romanos. Não podiam ficar chamando muito a atenção alheia, por isso tinham que ser civilizados e conversar ao invés de gritarem um com outro. Triste, mas real.

— Não tô ansiosa pra escolher um vestido pra minha formatura — Elisabeth comentou com Rose e Therony, um pouco desanimada e abaixando o boné que usava o suficiente pra não ser possível que vissem seus olhos.

A formatura do Colégio de Nova Roma, a tão esperada formatura. O Acampamento Júpiter, como era berço de tantas crianças e adolescentes, tinha a obrigação de prover devidos estudos para seus soldados, assim como os cidadãos de Nova Roma também exigiam uma formação para filhos e filhas de veteranos que lá residiam, por isso que o Colégio de Nova Roma era tão frequentado. Para os soldados, era estudar durante a manhã e treinar de tarde, e por muitos anos essa foi a rotina de Elisabeth, Therony, Mark, Marshall e, recentemente, de Rose. A diferença era que Elisabeth, Mark e Marshall se formavam em breve, Therony e Rose esperariam um ou dois anos. As formaturas costumavam ser tão famosas entre os jovens quanto os festivais eram para os mais velhos, então não era incomum que fosse o assunto principal durante semanas e semanas.

— Não vai de vestido — Rose sugeriu.

— Não vai — Therony sugeriu.

— Ah, ela vai sim — Marshall apareceu entre as garotas e apertou Elisabeth em um abraço, fazendo questão de tirar o boné da romana e o colocar em si mesmo. O semideus deu um sorriso para as três — Todos nós vamos. Inclusive você — Apontou pra Therony. — E você — E apontou pra Rose também.

— Eu vou sem dúvidas. Tem doce na formatura — Foi a justificativa de Rose.

— Eu condeno interação humana — A loira explicou pra Marshall — Acredito que a necessidade dos humanos de estarem juntos, na antiguidade, era aceitável porque fazia boa parte da estratégia de sobrevivência deles, mas agora... Agora é só bobo.

Mark apareceu entre os quatro. Segurava um churros de chocolate, origem desconhecida.

— Formatura? Eu vou.

— Tá vendo? — Marshall deu dois tapinhas no ombro do amigo, orgulhoso. — Sejam como o Mark.

— Vocês não precisam usar vestidos — Elisabeth explicou o motivo da sua preocupação — E sabe, saltos.

— Você também não precisa, se liberta dos padrões de gênero, garota! — O italiano incentivou a amiga, devolvendo o boné dela. Aquela frase arrancou mais risadas do que era previsto. Já estavam chegando perto da entrada do Laser Tag. Elisabeth teve que parar de rir pra voltar a falar.

— Com quem vocês vão?

— Quer? — Mark perguntou.

Elisabeth sentiu as próprias bochechas esquentarem e ela olhou ao redor, confusa.

— O qu... Ah. Sei lá. Você quer? Se você não quiser, eu não quero.

Os outros três ao redor assistiam o diálogo como se fossem espectadores de um acidente de carro terrível. Mark franziu o cenho, confuso.

— Do que você tá falando?

— Do que você tá falando?! — Elisabeth devolveu a pergunta, estava nervosa e nem sabia porquê.

— Eu perguntei se você queria churros — Ergueu o churros. Elisabeth se sentiu estúpida e sentiu a intensa necessidade de esconder o rosto no chão. Deu um tapinha no ar e exibiu um sorriso falso, nem as suas covinhas eram capazes de distrair o mundo da expressão de vergonha que tinha no rosto. Estava em pânico, completo pânico. Deu um tapa no churros, que caiu no chão.

— Que churros?

Agora era Mark quem estava confuso. Olhou pro chão, frustrado. Só conseguiu murmurar, sem forças:

— Meu churros...

E mesmo encantados pela terrível situação, o acidente que acontecia na frente dos seus olhos, os outros três presentes se viram moralmente forçados a entrarem na conversa.

— Vou com Hitler — Rose se prontificou. Hitler era seu gato — Se deixarem ele entrar...

— Eu vou sozinha. — Therony apertou a mão da irmã pra dar apoio moral, mas não ajudou muito. A Bertolazzo ainda estava em choque pelo o que tinha acabado de acontecer, tanto que agora fingia que olhar para os seus tênis era mais interessante do que a conversa. Seu rosto vermelho a denunciava, no entanto.

— Eu vou com você, bobinha — Marshall olhou pra Elisabeth só pra se certificar de que a resposta era sim. Independentemente, iriam juntos. — Vai sozinho, Mark?

Mark ainda encarava o churro caído e refletia sobre a conversa estranha que tinha acontecido há poucos segundos.

— Ahn... — Olhou para as três garotas, piscando rápido pra se acordar — Provavelmente. Ah, não. Therony, quer ir comigo?

Aquilo pegou a loira de surpresa. A filha de Júpiter franziu as sobrancelhas por um breve momento.

— O que eu ganho com isso?

— Eu sei dançar.

Justo. Therony assentiu positivamente.

— Tá.

— Vou comprar outro churros — Mark se afastou de novo.

Todo mundo se olhou entre si, menos Elisabeth. Ainda olhava para os próprios tênis.

— O quê acont... — Marshall começou a perguntar.

— Eu não quero falar sobre isso e se alguém falar eu vou... Eu sou muito boa em lançamento de dardos. — Finalmente a garota se pronunciou.

Cada um dos três ergueu as mãos em rendição. É, tentar a sorte não estava na lista de afazeres diária de ninguém. Minutos depois, os cinco adolescentes estavam dentro da sala de recepção do Laser Tag. Era uma sala lotada de pessoas, mas grande, totalmente banhada por luz negra. Dava pra ouvir muitas conversas paralelas e na parede principal havia uma tela gigante com informações sobre o jogo que estava acontecendo. O mapa desenhado era gigante e se dividia em três níveis: três andares. O primeiro andar consistia em um labirinto, o segundo era uma arena de batalha grande com barriqueiras e barris com prêmios e o terceiro andar tinha dois QG’s, um de cada lado do mapa. No meio, muros os separavam. Era fácil se locomover entre os andares porquê haviam muitas escadas, e todo mundo começava nos QG’s, com o time escolhido.

Era um jogo bastante simples, aquele Laser Tag. Haviam dois times, o azul e o vermelho. Quem eliminasse o outro time primeiro, ganhava, e pra eliminar o outro time tinham que atirar com armas de laser. Metralhadoras, bombas, granadas, todas feitas pra funcionarem naquela arena e trazerem o máximo de dano a vítima. Cada um dos participantes usava, obrigatoriamente, uma armadura provida pela gerência: a armadura contabilizava a saúde do indivíduo no qual estava e, uma vez que a saúde acabasse (chegasse no zero, de cem) a pessoa estava eliminada. Cada tiro gerava na vítima um grau de dor diferente, e mesmo se a pessoa não pudesse sentir a dor, a armadura diminuía os pontos na armadura até que a pessoa fosse eliminada. Um tiro de metralhadora tirava um número de pontos diferente de um tiro de pistola, por exemplo, então a estratégia não era só sobre saber atirar, era também sobre com o quê atirar. O que podiam comprar na recepção era: metralhadora, pistola e um balde de granadas. O resto só podia ser adquirido no jogo.

Os cinco tinham acabado de comprar os ingressos, armaduras e armas iniciais. Como ainda não tinham escolhido times, o neon das suas armaduras não estava aceso em nenhuma cor e estavam parados olhando pra tela, vendo o jogo das pessoas que estavam lá dentro se desenrolar: era possível ver as bolinhas (azuis ou vermelhas) se movimentando e perdendo pontos. Vez ou outra, uma bolinha desaparecia. Pobres pessoas eliminadas.

— Finalmente — Therony comentou enquanto ajeitava a sua metralhadora no corpo, olhava para os números de pessoas se inscrevendo em ambos os times. Era importante escolher o quanto antes porque se não as vagas se esgotavam e eles precisavam esperar até a próxima partida. — Vou poder humilhar o Imperione até ele implorar pra eu parar.

Marshall olhou pra ela com uma careta, estava arrumando a própria armadura e o capacete estava em baixo do seu braço.

— Você vai pagar pelas suas palavras. — A garantiu. A luz negra deixava as coisas menos amistosas.

Elisabeth apareceu carregando um balde de esferas negras, já vestia armadura completa e seu rosto estava coberto pelo capacete igualmente negro. Pareciam um bando de Darth Vaders.

— Esgotaram — Comentou com os amigos, se referindo ao balde. Era caro, mas as pessoas pareciam muito interessadas em os obter. Elisabeth, Therony e Rose tinham rachado o dinheiro pra conseguirem comprar um. Mark amaldiçoou em latim.

— Me vende metade?

— Claro que não, bobinho — E deu um soquinho de brincadeira no peitoral dele. Exceto que não foi de brincadeira e o rapaz perdeu o ar. Mark olhou pra Marshall como se pedisse uma explicação para o modo que Elisabeth estava agindo, mas Marshall só deu de ombros, também não sabia.

Rose pegou o seu relógio do jogo. Era um objeto com superfície plana, que informava o tempo de duração do jogo, mostrava o mapa com só a sua bolinha e, no momento, dividia a tela com AZUL | VERMELHO. Rose apertou no azul, estava decidido.

— Vou chutar o traseiro de vocês — Cantarolou, em um tom perfeito.

Mark também apertou no seu relógio, time vermelho.

— Quero ver você conseguir — Também cantarolou, em um tom não perfeito.

Em seguida, cada um procedeu a escolher o próprio time. Therony azul, Marshall vermelho, Elisabeth azul.

Minutos depois, cada um dos grupos já se encontrava no próprio QG. A sirene declarando o início do jogo estava prestes a tocar e algumas pessoas estavam reunidas ao redor da mesa de reunião de estratégia, no QG do time azul. Elisabeth não conseguia passar muito tempo sem falar, ou sem tentar criar estratégias, então foi natural que estivesse no meio da mesa. Querendo ou não, ela, Therony e Rose levariam o time a vitória. Eram romanas, acostumadas com estrategismo e adolescentes que toda semana jogavam os jogos de guerra.

— A coisa mais importante no começo do jogo é pegar os prêmios no segundo andar. Lá estão as pistolas, snipers, as bombas... — Olhou pra Therony, que tinha uma tendência a ser a garota das bombas em jogos como aquele. — Peguem o máximo que puderem, porque obter eles é prejudicar o outro time e nos deixar mais forte. Mas nós também temos que ir pro labirinto. Muita gente se esconde lá durante o jogo pra no final fazerem um ataque surpresa, então... Já sabem, né? Dividir e conquistar.

— Bem romano — Um garoto do time comentou, se referia ao “dividir e conquistar” e arrancou risadas. Therony olhou pra ele, o seu capacete brilhava com a luz azul.

— Você nem imagina o quanto.

No QG do time vermelho, o time também se reunia pra conversar. Marshall conversava com um grupo de pessoas mais promissoras no canto.

— A nossa estratégia vai ser: esconder pra nós termos um fator surpresa no final. Se eles acreditarem que estão ganhando, vão abaixar a guarda e é aí que a gente ataca. Conseguir as coisas no segundo andar é importante, mas no final tudo se resume a quem tem mais participantes vivos. Sejam discretos, andem nas sombras, sejam inteligentes.

E o jogo começou.

Notas finais
Espero que gostem, aguardo reviews 'u'