Rolling Girl

3 Vou parar sua respiração... Agora!


Notas iniciais
Bom, último capítulo. Leiam as notas finais plz

Por que esse cara tá fazendo isso? Que droga, mesmo com os óculos não enxergo nada aqui atrás. Tenho que ficar forçando a vista.

–Ei, cabeça de sorvete. – Disse cutucando Kaito.

–O que? – Ele se virou pra mim.

–Não ta dando, eu não to enxergando porcaria nenhuma. – Disse bufando.

–Hm, deixe-me ver... Len! – Kaito disse cutucando o garoto loiro que senta na frente dele.

–Oi? – O garoto se virou.

–Tem como você trocar de lugar com a Miku? Você não tem problemas para enxergar, né?

–Ah, claro, sem problemas. – Ele pegou seu material e se levantou. Kaito pegou o material da minha mesa e colocou na mesa da frente. Bufei e me levantei, sentando-me a frente de Kaito.

–Está melhor agora? – Kaito perguntou.

–É, está.

–Ainda bem. – Ele sorriu e eu me virei pra frente.

Eu simplesmente não consigo entender esse garoto. Do nada ele me impede de me matar, e começa a agir como se fosse meu amigo. Eu não acredito nele, não acho que ele seja meu amigo. Não, ninguém é meu amigo. Eu posso acabar confiando nesse cara, contando algum segredo que ele espalhe para outras pessoas.

–Ei, Miku. – Kaito disse me cutucando.

–O que? – Respondi sem me virar.

–Vamos voltar pra casa juntos hoje?

–Não.

–Por quê? – Ouvi Kaito bufar.

–Por que eu iria?

–Porque somos amigos, e fazemos o mesmo caminho pra casa.

–Não somos amigos! Quer que eu escreva isso na minha testa?!

–Escrevendo mentiras na sua testa? Que coisa feia, Hatsune. – Ele disse rindo e eu bufei. – Está decidido então, vamos voltar pra casa juntos.

–Não vamos não.

–Vamos sim, e pelo amor de Deus, pare de discutir comigo, garota teimosa.

–Sou teimosa mesmo. – Dei de ombros. – Principalmente quando um cara que fala comigo há um dia quer dar ordens em mim.

–Não estou te dando ordens. Só estou... Te obrigando a fazer uma coisa.

–Não é a mesma coisa, idiota?

–Talvez.

–Deixe de ser babaca. Vou voltar sozinha pra casa, como sempre, entendeu?

–Não. Eu vou junto.

–Não vai.

–Vou sim, e se reclamar mais, vou até sua casa.

–Você é insuportável, garoto.

Duas aulas se passaram, e teríamos a última aula vaga, logo seriamos liberados mais cedo.

Já estava arrumando minha bolsa para tentar sair da escola antes e despistar esse cara. Arrumei o mais rápido que pude, e enquanto Kaito conversava com Len, saí da classe com passos rápidos.

Já estava perto da saída, quando olhei para trás e vi três garotos me seguindo. Pensei que tinha me livrado deles o resto do dia, mas não.

Acelerei meus passos e segui em direção ao mesmo parque de sempre, com aqueles três quase me alcançando. Sem perceber, comecei a correr, até que tropecei e caí.

Senti meus cabelos serem puxados. Quando olhei pra cima, Gakupo me segurava enquanto os outros dois riam.

–Pensou que escaparia de nós, anã de jardim? – Gakupo disse enquanto puxava com mais força meus cabelos.

–M-Me deixem ir... Por favor...

Ouvi um grito vindo de longe, e reparei que os três caras olharam pra trás.

–Gakupo! Solta ela! – Consegui reconhecer a voz de Kaito correndo em minha direção junto com outras duas pessoas.

–Senão o que, pinguim? – Gakupo disse puxando mais meus cabelos.

–Você vai sofrer as consequências... – Kaito disse parando, e ao seu lado, Len e sua irmã Rin.

–Gakupo, se você não deixar a Miku-chan, serei seu pior pesadelo. – Rin disse com um sorriso maligno.

–Não tenho medo de uma criancinha. – Gakupo disse me soltando no chão. – Quem de vocês vai querer me encarar, hein?

–Eu. – Kaito se colocou um passo a frente.

–K-Kaito... – Tentava falar algo, mas minha voz falhava.

–Não se preocupe, Miku. Você não irá mais rolar. – Assim que Kaito disse isso, ele avançou dando um soco na cara de Gakupo.

–É muita ousadia... – Gakupo disse revidando com vários socos, enquanto Kaito se defendia e atacava também.

Não sei por quanto tempo eles ficaram nessa troca de socos, mas no final, ambos estavam machucados.

–Escuta aqui, seu inútil... – Gakupo dizia cambaleando um pouco. – Você pode ter conseguido proteger ela dessa vez, mas ela não terá a mesma sorte das outras vezes...

–Ela terá sim... – Kaito disse cuspindo um pouco de sangue.

–Gakupo, vamos embora, eles não valem a pena. – Luke dizia enquanto ele e Gumiya ajudavam Gakupo a andar.

–Kaito, você está bem? – Len disse.

–Sim, cuidem da Miku...

–Miku-chan... – Rin se aproximou de mim e se abaixou, me ajudando a me levantar. – Você está bem?

–E-Estou... Kaito...

–Eu estou bem. – Kaito disse se levantando.

–Por que...? Por que fez isso?

–Eu disse que ia te proteger, eu disse que você não iria mais rolar, não disse? – Kaito disse dando um pequeno sorriso. Meus olhos se encheram de lágrimas.

–Idiota... – Disse quase chorando.

Um tempo depois, Rin e Len foram embora, deixando eu e o Kaito no parque.

–Vamos pra casa, está tarde. – Kaito disse se levantando.

–Não precisa me acompanhar. Você já fez muito por mim hoje. – Disse me levantando e dando batidas na minha roupa, para tirar a sujeira.

–E você não agradeceu. Agradeça fazendo uma coisa que eu quero sem reclamar.

–Ok... – Disse bufando.

–Ótimo, então vamos comprar alguma coisa pra comer.

–Pensei que fosse me levar pra casa.

–É, mas eu estou com fome. – Kaito disse me puxando.

Fomos até uma lanchonete próxima dali, e compramos um hambúrguer pra cada.

–Sua mãe não vai se importar de você chegar tarde assim em casa? – Kaito perguntou dando uma mordida no hambúrguer.

–Não, eu acho. Ela só vai perguntar onde eu estava, é só eu dizer que fui dar uma passeada. – Respondi. – E os seus pais?

–Eles não ligam muito se eu demoro pra chegar, então estou tranquilo. – Kaito disse sem se preocupar.

–Ah, entendi...

“Inútil...”

Olhei para o lado, e vi dois amigos conversando.

–Cara, esse celular é inútil, olha só...

Suspirei, era só coisa da minha cabeça.

“Lixo...”

–Por favor, senhor, não deixe seu lixo na mesa. – Um atendente da lanchonete dizia para um cara.

“Vadia...”

–Amiga, aquela guria que tá ficando com seu irmão é uma vadia. – Duas garotas conversavam.

Comecei a tremer, não sei por que.

–Miku, tudo bem?

–Eu... Eu estou ouvindo...

–Ouvindo o que?

–As... As pessoas...

–Miku...

Me levantei e saí correndo em direção a minha casa, sem dar explicações para o Kaito. Quando fiquei cansada, me sentei no chão e encostei num muro. Coloquei meus braços em volta de minhas pernas, e minha cabeça entre elas.

Senti minha cabeça ser tocada. Levantei um pouco o olhar, e vi Kaito abaixado, do meu lado.

–Está bem?

–Tudo... Tudo na minha cabeça fica ecoando... Kaito...

–Tudo?

–As pessoas... Falando tudo que sempre falam de mim... – Disse levando minhas mãos a minha cabeça.

–Não tinha ninguém falando de você, Miku...

–MENTIRA! TINHA SIM, SEMPRE TEM! – Gritei arranhando minha cabeça.

–EI! – Kaito gritou segurando minhas mãos. – Para! Você vai se machucar!

–ME SOLTA, KAITO. – Disse puxando minhas mãos e escondendo meu rosto com elas.

–Miku... Está tudo bem... Ninguém está falando de você, está sem problemas...

–“Sem problemas” já são palavras perdidas, não existem mais pra mim!

–...

–Mais uma vez... Mais uma vez... Eu irei rolar mais e mais vezes...

–Como em um daqueles romances que você lê? Em que a garota sofria, mas depois ficou bem?

–Mas esse “romance” está demorando pra chegar a parte boa...

–E a parte boa seria...?

–Não é óbvio? Quando eu parar de rolar.

–É, tem razão.

–E eu acho que isso nunca vai acontecer.

–Pare de ser pessimista.

–Não sou pessimista, sou realista.

–Seu realismo é muito pessimista, Miku. – Kaito riu e me ajudou a me levantar.

–Kaito...

–O quê foi?

–...Obrigada... – Dei um pequeno sorriso.

–Pelo quê?

–Por tudo que está fazendo...

–Não precisa me agradecer, eu só quero te ajudar. – Kaito sorriu.

–Mas, sabe... Eu sofri... E muito...

–O que quer dizer com isso?

–Bom... – Disse olhando o chão, procurando algo. – Eu queria esquecer todo esse sofrimento e não passar por ele nunca mais... – Me abaixei e peguei um caco de vidro que achei no chão. – Vê? Isso pode ser o fim eterno do meu sofrimento. – Disse mostrando o caco.

–O fim do seu sofrimento criaria o meu sofrimento. Do Len e da Rin também...

–Vocês se esqueceriam de mim depois de um tempo.

–Não, eu não.

–Você sim, Kaito. Todos se esquecem dessas coisas. – Disse colocando a ponta do caco no meu pescoço. – Voltamos ao começo...

–Não! – Kaito me abraçou, fazendo-me soltar o caco, que ele segurou. – Eu não quero que você se vá, Miku!

–Eu... – Tentava dizer algo, ainda surpresa pelo abraço repentino.

–Você já rolou o suficiente... Não precisa mais sofrer, eu estou aqui, a Rin e o Len também, somos seus amigos, não somos?

–S-Sim, eu acho... Mas... Eu não queria mais lembrar de tudo...

–Você pode preencher sua memória com coisas novas, coisas que podemos fazer. Memórias boas de uma amizade boa.

–... – Não disse nada, apenas retribui o abraço daquela pessoa que me ajuda, que me trata bem, mesmo eu não merecendo. Eu devia isso a ele, não queria que ele ficasse mal por minha causa, nem a Rin e o Len, que me ajudaram hoje.

–Não vai dizer nada...?

–Eu... Só...

–Você irá renascer, Miku.

–R-Renascer?

–Sim. Essa pessoa que sempre sofreu, ela irá morrer agora. E em seu lugar, nascerá uma nova pessoa, que será feliz, e viverá alegre com os amigos. Entendeu?

–S-Sim...

–Está pronta?

–A-Acho que sim...

–Não, não pode achar! – Kaito apertou mais o abraço. – Tem que ter certeza, e desejar isso de coração.

–Bom... – Suspirei. – Estou pronta.

–Então... Vou parar sua respiração... Agora!

–...Obrigada...

Notas finais
Bom, antes que digam que não entenderam o final: O final vai de vocês, vocês decidem na mente de vocês o que aconteceu no final com ela. Se não conseguirem imaginar, comentem ae que eu falo a "minha visão" do final -q Valeu aí quem leu, até :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.