Rolling Girl

28 Capítulo XXVIII - Algo errado


Notas iniciais
Yooo, sim, eu demorei pacas. Culpa? Assumo tudo sauhsauhsusa, minhas férias estão acabando e nada foi postado, sooo, não tenho como me defender. Pelo menos fiz esse capítulo um pouco maior suahsauusa (oq não sou acostumada, mas tinha mta coisa pra ser colocada). Esse cap foi cheio de "quebra de tempo" ;u; odeio isso

IA retirou o uniforme levemente amassado do fundo do armário, preparando-se mentalmente para voltar a rotina de estudante. Em quanto se vestia, um belo sorriso iluminava seu rosto, afinal, voltaria a ver Miku e... Rei. Sentiu sua face tornando-se levemente rubra ao pensar no moreno, pensando em quanto tempo demoraria a se acostumar com o fato de estar em um relacionamento com este. Seus pais vibraram quando souberam da novidade e ansiosos para conhecerem o jovem de olhos dourados.

Todavia, Miku ainda não sabia o que estava acontecendo e não via a hora de conta-la. Por conta da viagem de férias da amiga, não teve o prazer de marcar nada com a mesma no tempo de recesso escolar, mas planejava falar assim que a visse quando fosse passar em sua casa. Além de que, estava ansiosa para saber como foram as férias da garota.

Mika se olhou no espelho, contemplando os longos cabelos rosados que caíam-lhe um pouco desproporcionais, com algumas pontas espetadas aqui e ali. Tomou-lhe duas mechas e fez as costumeiras trancinhas que contornavam seu rosto e, assim que terminou o que estava fazendo, correu para ir de encontro de Miku, dando um último “até logo” para seus pais.

O sorriso em seu rosto crescia mais animado quanto mais chegava perto da casa da colega e, ao avistá-la de longe, tomara um passo apreçado.

Ao chegar no portão metálico, apertou a campainha e, mesmo ali fora, pode ouvir o som que ela produzira dentro da casa e, em menos de um minuto, Miku saíra porta a fora trajando o uniforme que provavelmente esteve socado dentro do armário durante as férias inteiras. Um sorriso se expandiu nos lábios da garota turquesa quando avistou a amiga, logo pulando na mesma, envolvendo-a em um abraço terrivelmente sufocante.

A rosada conteve a risada quando finalmente notou o semblante de Miku, que apresentava leves olheiras abaixo dos olhos que não possuíam o mesmo brilho que estava acostumada a ver. Sentiu que algo estava errado, e logo uma expressão preocupada tomou seu rosto.

A garota parou a sua frente, disfarçando o olhar com um sorriso mais animado.

— IA, que bom vê-la. — disse, aumentando o sorriso, talvez um pouco forçadamente.

— Igualmente, Miku. Hm... Tá tudo bem? — perguntou quando já estavam andando em direção a escola.

A rosada percebeu que a outra hesitou, pelo o que pareceu menos de um segundo, antes de desviar o olhar ao seu encontro.

— T-tá tudo bem. Eu só fiquei acordada até tarde trabalhando na letra da música que eu vou cantar no show e acho que fiquei um pouco acostumada de mais em acordar às onze da manhã. Só devo estar um pouco cansada.

IA franziu o cenho levemente quando Miku desviou rapidamente o olhar para frente. Um leve pressentimento de que algo estava sendo escondido passou pela sua mente, mas não sabia se era a hora certa de perguntar alguma coisa.

— Então IA, o que me conta das suas férias? Aconteceu algo de bom? — Hatsune perguntou, com a esperança de mudar de assunto.

Essa foi a vez da outra hesitar e, ainda por cima, corar. Como contaria tudo para a amiga?

— Pela sua cara, aconteceu. Me conta! — perguntou, recebendo um pouco mais de animação na voz.

IA olhou para a garota ao seu lado, que a observava com um novo brilho no olhar, provavelmente já sabendo sobre o que se tratava, talvez só soubesse por causa do vermelho que tomara conta da sua face.

—B-bem... — e assim as duas passaram todo o trajeto até chegarem a escola, sendo que a azulada não abriu a boca se quer uma vez para interromper o relato da outra.

— Espera! — Miku surtou, causando um susto na amiga que tentava guardar seus sapatos dentro do armário para trocá-los pelos que usava em ambiente escolar. — Quer dizer que vocês agora estão... Sabe... Namorando?

— Bem, não houve pedido nem nada, mas meus pais sabem e nós até já marcamos um jantar pra eles se conhecerem. E nós dois saímos juntos algumas vezes durante as férias...

— Eh? Quer dizer... Vocês dois? Juntos e sozinhos? — o brilho no olhar turquesa apenas aumentou a medida que IA contava. — E por acaso rolou alguma coisa mais... Quente nesses encontros?

— Miku! — IA pediu, fechando a porta do armarinho com força. — Esses tipos de pergunta são embaraçosos.

A outra apenas riu.

— Mas como foram as suas férias? Pensei que você ia ficar na mesma praia que o Len.

“Len”

Bastou essa palavra para toda a animação de Miku murchasse automaticamente. Lembranças da última tarde ainda permaneciam pregadas em sua mente, com as ameaças de Sukone Tei rondando como eco em seus ouvidos.

Porque as coisas tinham que ser assim com ela? Porque suas relações não poderiam ser como as de IA, que, simplesmente, gostava do mesmo garoto que gostava dela e nada ruim querendo separá-los? Era pedir de mais?

Talvez.

— Aconteceu alguma coisa entre vocês dois? — Miku desviou o olhar para os olhos cristalinos de IA, que estavam banhados com preocupação. — Miku, se aconteceu alguma coisa, você pode me contar.

— Ãhn... Tá tudo bem! Não aconteceu nada que você precise se preocupar tanto. — disse balançando as mãos em frente ao rosto. — Mas fico feliz por você e o Rei e... mais uma coisa...

— O que?

— Eu quero ser madrinha do casamento.

— Miku!

A rosada chamou em quanto observava a amiga indo em meio aos risos em direção a sala de aula.

A teal deixou-se solta um suspiro de alívio quando finalmente fugiu do assunto. Não saberia se o correto era mesmo contar a IA o que estava acontecendo.

E, o pior de tudo...

...Não sabia como lidar com Len.

Sentiu uma mão puxar seu ombro e deu de cara com os olhos azuis de sua amiga.

— Miku, tem alguma coisa de errado, por favor, me conte! — implorou com a preocupação parecendo pingar em sua voz.

É, talvez ela contasse, no final das contas.

=/=

Os períodos passaram lentos e vagarosos, as aulas mortalmente monótonas, mas o pior de tudo foi ouvir o sino indicando que o intervalo chegara.

Na verdade, Miku não sabia dizer ao certo qual foi a pior sensação até agora. Se era realmente a chatice das aulas ou a sensação de que certo loiro estava a algumas carteiras de distância a observando. Tudo somada à imensa ironia de todo o temor que sentiu quando anunciaram o intervalo, o qual era saudado por muitos alunos. Ela o saudaria também, se não estivesse na atual situação.

Sabia que ele iria em direção a ela, mas não soube que a adrenalina a faria levantar num raio e, na mesma velocidade, sumir pelos corredores em direção ao banheiro feminino mais próximo.

Talvez deixar Len plantado na sala de aula não fosse uma ideia muito sensata, mas bastou ver seu próprio reflexo no espelho do local para se lembrar das intimações de Tei e do que teria que fazer com o rapaz.

Miku não queria fazer aquilo. O sentimento que passara tanto tempo cultivando, escondendo, finalmente desabrochou e germinou em seu peito, aflorando sua alma e cada pequeno pedacinho de seu coração. Se o que sentia era amor, se realmente amava Len, então o sofrimento viria em dobro, afinal, estava a ponto de matar toda a vida que veio com esse sentimento.

A mente vagou para sua casa, onde pai, mãe e irmão estavam e, em seguida, viajou para mais longe ainda, onde Haku estava. Eles eram sua família, ela os amava e faria de tudo para protegê-los como pudesse e, talvez, fazer isso que ela iria fazer não parecesse tão errado quando parava para pensar nessas pessoas que lhes eram tão importantes para si.

Foi em direção à saída do banheiro.

Não iria chorar.

Seguiu um caminho um tanto vazio, em direção ao corredor das salas de aula do quinto andar, onde se lecionavam as matérias “recreativas”, como artes, música, entre outras. Nenhum aluno passava por ali nesse horário, talvez porque preferissem ficar onde estava todo mundo em vez de subir cinco malditos andares inteiros.

Ficou de frente para uma enorme janela que dava vista para o pátio principal, onde havia inúmeros estudantes aproveitando o horário vago. Queria estar lá em baixo no momento, despreocupada e irritando um pouco sua amiga e o novo namorado.

Mas nem tudo era perfeito.

Fora afastada de seus devaneios quando sentiu um par de braços enlaçarem sua cintura e algo se apoiar no topo de sua cabeça.

— Len. — chamou, como se quisesse confirmação de que era ele, embora o incomparável perfume de canela e o calor que a envolvesse rapidamente denunciavam sua presença.

— Sentiu minha falta? — a voz do loiro ecoou em seus ouvidos e, no mesmo instante soube que ele estava sorrindo.

Algo no fundo de seu peito pareceu trincar, abrindo uma pequena rachadura.

O silêncio foi como uma confissão de que algo estava errado e tudo o que o rapaz fez foi tomar uma expressão de confusão e se afastar para que Miku pudesse encará-lo frente a frente, mas ela não o fez, continuara de costas para ele.

— Eu queria falar com você. — disse finalmente, chamando a atenção do maior.

— Eu também. — anunciou. — Sabe, eu estava pensando naquilo que você disse pra mim na praia, de que não queria precisar fingir que nada estivesse acontecendo, quando, na verdade, é óbvio que está. Até minha irmã já tem alguma noção, mas...

— Não vai precisar falar nada. — a garota o interrompeu, causando-lhe um pequeno choque.

— O-o que? Por quê? — perguntou confuso. — Tem alguma ideia melhor?

Poucos segundos de silêncio se alongaram no ambiente e a pequena rachadura pareceu se multiplicar como quando um relâmpago cruza o céu.

— Não é isso. É só que... —sua própria voz vacilou, se contendo para não sair embargada. — É melhor... É melhor pararmos com tudo isso.

A garota não viu os olhos de Len se arregalarem em terror e o mesmo parecer virar pedra no lugar onde estava.

— O que? E-eu não estou entendendo a piada, Miku.

A garota trincou os dentes.

— Não tem piada Len. Eu não posso ficar com você, nem você comigo, e-eu... — sentiu sua voz morrer mais uma vez na garganta assim que seus olhos começaram a arder e se encherem de lágrimas ardidas. Forçou para a voz sair sem parecer chorosa. — Apenas vamos esquecer tudo o que aconteceu nesses últimos meses. Você tem a sua vida e eu a minha e nada a mais.

Ao terminar fez o que mais sabia fazer. Correu.

Correu andar a baixo, pois não sabia o que o outro faria.

Levou dois segundos para que o loiro terminasse de processar tudo que aconteceu nos últimos minutos e, logo após terminar, não demorou nem um segundo para que seu corpo respondesse. Ele correu atrás.

— MIKU! ESPERA AÍ! — chamara, em quanto descia as escadas, pulando de três a quatro degraus de uma vez. — MIKU! —o pânico apenas crescendo em sua voz.

Como ela correu na frente, decidiu usar o pouco tempo de vantagem para adentrar em uma sala de limpeza aleatória perto das escadas e se fechar nessa com o maior silêncio que conseguia. E lá ficou até o intervalo acabar.

E o coração, já cheio de rachaduras, finalmente veio a quebrar mais uma vez.

Quando o sino finalmente soou para o recomeço das aulas, Miku esperou bons cinco minutos e, em vez de prosseguir para a classe, seguiu para a enfermaria, onde encenaria dizendo que passou mal no recreio e, com sorte, a mandariam para casa.

Talvez ficasse um ou dois dias de cama depois de tudo isso.

=/=

Len não fora o único preocupado quando Miku não retornou para a sala de aula. Pouco se importou para o que o professor estava falando, tão pouco sabia direito qual era o assunto. Tudo no que conseguia pensar foi o que lhe foi dito pela garota a algumas horas.

Perguntou-se se fez algo de errado, que pudesse tê-la deixada chateada ou com raiva, mas nada que lhe viesse a cabeça. Pensou qual seria a probabilidade de Yohio estar metido no meio da confusão, afinal não gostava nem um pouco do loiro e ele poderia ter uma boa lábia para fazer com que Miku pensasse alguma coisa errada.

Quanto mais os minutos se passavam, mais se tornava inquieto e logo chegou a uma conclusão. IA era amiga de Miku, ela saberia responder a suas perguntas e talvez o ajudasse.

Teria de falar com ela quando as aulas acabassem. Ele iria saber o que estava de errado.

Bastou pensar nisso para que o tempo zombasse da sua cara e começar a passar as horas dez vezes mais lerdas, pelo menos no seu ponto de vista. Seu pé batia constantemente no chão e não chegou a se importar caso estivesse tirando a paciência de algum de seus colegas.

Ele prometeu que, quando chegasse em casa, a primeira coisa que faria seria destruir o relógio do seu quarto.

=/=

IA caminhava pelos corredores vazios com pressa. Miku havia ido embora e ela já sabia o porquê. Rezou para não encontrar com Tei, pois não sabia o que aconteceria se isso acontecesse. Estava a ponto de querer matar a garota, mesmo esta sendo maior, mais velha e terrivelmente mais assustadora.

Ainda assim a raiva ainda estava lá. Miku estava jogando tudo pelo o que lutara pela janela por causa da garota e, no interior, rogava para que Len não fosse ingênuo e cego o suficiente para achar que a azulada tivesse feito o que fez porque quis. Aquilo não era um caminho sem volta, acreditava nisso.

Quando pudesse, contaria tudo a Rei, pois acreditava que ele saberia lidar com a situação com a cabeça mais fria que ela, que já estava prestes a entrar em combustão.

E, falando no moreno, onde ele estava? Bastou as aulas acabarem e ele desapareceu nos corredores. Não se preocupou muito com isso, ele sempre voltava no final, mas queria logo contar tudo para ele, não queria ter de aguentar tudo sozinha.

Foi então que ouviu um conjunto de passos apressados vindo em sua direção e, ao se virar, viu quem menos queria ver no momento.

— Len-san. — disse, observando o rapaz tentando recuperar o fôlego da corrida que acabara de fazer. Quando ele tomou de volta sua compostura habitual, ainda um pouco ofegante, começou a falar.

— IA, sem rodeios, me conta o que está acontecendo, por favor. —ele pediu, seus olhos azuis cerúleos queimando com inúmeros sentimentos que IA não conseguia dizer quais eram.

— S-sinto muito, Len-san, eu não sei do que você está falando. — sem perceber, gaguejou. Para evitar que falasse algo que não pudesse ser falado, decidiu dar as costas e continuar seu caminho, mas Len a prendera no pulso com força.

— Não se atreva a ir sem me contar o que está acontecendo! Eu sei que você sabe, mentir não é muito a sua cara e está nervosa de mais. — disse, segurando pulso da garota mais alto, para impedi-la de puxá-lo. — Diga-me.

IA permanecera quieta, tentando liberar-se, fazendo apenas com que o loiro aumentasse o aperto, que já estava começando a ficar dolorido de verdade.

— IA, por favor, eu te deixo ir, mas antes eu te imploro que conte o que está de errado.

A rosada fitou os olhos azuis cerúleos do rapaz, percebendo que estavam carregados de dor, talvez ele não fosse acostumado com rompimentos indesejados, mas não podia culpa-lo em tudo.

— E-eu... não posso. — sussurrou, fechando os olhos antes de sentir o outro apertar ainda mais o seu pulso, provavelmente não queria machuca-la, mas aquilo era apenas sua frustração.

Foi então que ela sentiu alguém puxando o loiro brutalmente para longe de si, abrindo rapidamente seus olhos para se deparar com Rei segurando o Kagamine pelo colarinho da camiseta e prensando-o contra parede em quanto este segurava com força a mão depositada na região do pescoço, a fim de afastá-la.

Len tornou a encarar o olhar dourado com a mesma ferocidade que estes lhe fitavam.

Notas finais
Se vocês acharem algum erro, please, em contem aí. Se gostaram, deizem o comentário aí dizendo oq curtiram, o que não curtiram, pq opinião é mto boa e eu to precisando disso sauhsauas, opiniões construtivas para uma melhor estrutura p/ fic. Kissus >w