Rolling Girl
26 Capítulo XXVI - Íntimos
Notas iniciais
— Oe, quem é você? — Len perguntou para um rapaz consideravelmente mais alto e mais velho que ele, o qual encontrara andando pela praia no meio da tarde.
Já fazia três dias que Miku o havia visitado e ainda esperava pela garota durante toda tarde naquela estrutura rochosa desde então. Estranhou o fato dela não ter aparecido, o que o chateou de certa maneira. Mas ver aquele garoto estranho andando pela praia meio deserta no meio da tarde o deixou inseguro.
— Só um turista. — o desconhecido disse, levantando a mão em um cumprimento. — Você não? — perguntara em um timbre mais alto para que Len pudesse o ouvir de onde estava.
— Pode-se dizer que sim. — o loiro respondeu. O que ele disse era verdade, pois não se considerava mais um turista, tendo em vista que sua família visitava aquela praia todo ano durante as férias.
Len decidiu descer para olhar o rapaz mais de perto. Este tinha cabelos curtos e repicados, da cor estranhamente similar ao de Miku. De alguma maneira, o Kagamine pode jurar que já o tinha visto em qualquer lugar.
— Qual o seu nome? — perguntou, uma vez que já estava postado na frente do indivíduo.
—Mikuo. Hatsune Mikuo... — foi como se uma lâmpada tivesse ascendido no interior da memória do loiro. Logo se lembrara daquele rosto fotografado em um dos quadros presos na parede da casa de Miku. — Você é o Len, não é?
As íris de Len tremeram levemente de surpresa.
— Como eu sei? — o mais velho arrancara a pergunta de Len. — Booom... Um bom irmão tem métodos de saber da vida da sua irmãzinha. — sorriu, coçando atrás de seu pescoço.
Len esperava um monte de coisas. Desde um olhar intimidador de um irmão mais velho, até uma ameaça verbal ou até mesmo física, mas não um sorriso genuíno como aquele, que tanto lembrava o da própria Miku.
— Aconteceu alguma coisa com ela? — o loiro perguntou, imaginando o motivo pelo qual Mikuo apareceu ali.
— Hm... Meio que aconteceu. Na verdade, ela pediu pra eu te pedir desculpas por ela. Veja, nosso pai é meio ciumento quando se trata da filhinha dele. — Mikuo respondeu, fazendo uma breve encenação de algo que poderia ser seu pai mimando a filha. — E desde que eu contei a ele que a Miku estava se encontrando com um cara da escola ele ficou levemente alterado e não deixou ela vir aqui.
— O quê?! Por que você contou então? — o menor exigiu, com um ligeiro desespero em sua voz, recebendo uma risada amena do outro a sua frente.
—Porque eu sabia que o pai iria surtar, mas não imaginei que ele não ia deixar ela sair mais. Então eu vim aqui pra dizer isso e, também, te convidar pra ir lá em casa. Talvez, se o meu pai te conhecer, ele possa mudar de ideia... Heim? — Mikuo disse, ignorando o pânico que Len estava sentindo. — Ou você e a Miku nem vão se encontrar nesses próximos dias...
Bastou isso para que o loiro corresse em direção a sua casa para pegar um par de chinelos e uma camiseta antes de partir com Mikuo.
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O local que Mikuo o levou era semelhante a um chalé praiano. Tinha apenas um andar, mas era amplo e parecia que seu interior era mais vasto ainda. O jardim não era tão decorado quanto o seu e logo na varanda de entrada podia-se ver um enfeite de conchas que tilintavam quando o vento lhes batia.
Mikuo abriu a porta.
— Cheguei! — disse com um sorriso.
Sentada em uma mesa diante deles, jogando algo no notebook, estava Miku, cujo olhar se iluminou quando cruzou com o do loiro que chegara.
— Len! — exclamou, levantando-se rapidamente da cadeira onde estava. Mikuo só teve tempo de sair da frente antes de ver sua irmã se jogando no abraço do garoto. — Eu sinto muito não ter ido te visitar é que...
— Tá tudo bem, o seu irmão já falou o que aconteceu. — disse, sorrindo de leve e acariciando o topo da cabeça da menor, que apenas corou com o gesto.
Então uma voz surgiu as suas costas, fazendo o corpo inteiro de Len endurecer e seus olhos se arregalarem. Soltando Miku quase que instantaneamente.
— Hey, quem é você? E o que está fazendo abraçado com a minha filha?
Len se virou meio roboticamente em direção à voz. Parado de frente para eles, com ambos os braços cruzados, estava um homem alto com cabelos loiros esbranquiçados lisos, que caíam repicados em seus olhos, os quais eram de uma cor muito semelhante dos de Miku e Mikuo, um verde azulado vibrante, mas que agora estavam semicerrados. O homem trajava uma camiseta social lilás, calças de jeans claro e, já que estava em casa, andava de pés descalços.
— Oi pai! — Mikuo cumprimentou, sorrindo abertamente. — Len, esse é Hatsune Leon, nosso pai e, pai, esse é o garoto que falei que estava saindo com a Miku, Len.
A vontade de Len naquele momento era socar Mikuo até que aquele sorriso fosse arrancado para fora do seu rosto. Será verdade que este não compreendia a seriedade da situação? Naquele exato momento o rapaz de olhos azuis deveria estar mais pálido que Miku devido ao olhar amedrontador do homem.
— É um prazer conhece-lo, ahn... Senhor Hatsune-san. — tentou ser o máximo cordial possível, embora a frieza do outro não facilitasse as coisas.
Atrás de Leon havia um corredor com algumas portas. Uma delas se abriu, revelando uma mulher de porte médio com cabelos curtos e negros, com algumas mexas acinzentada. Esta também trajava uma saída de banho e um par de rasteiras. Seus olhos lembravam um par de ametistas polidas, seu brilho demonstrava experiência.
— Ah! Temos visitas. — a mulher sorriu. — Eu ouvi a conversa, essas paredes não são tão sólidas. — a mulher enganchou seus braços em volta do pescoço de Leon, que permanecia parado na mesma posição. — Leon, você tem que parar de ser tão ríspido com os visitantes, depois reclama que a nossa filha não traz nenhum amigo pra casa. — disse com um muxoxo, fazendo um beicinho logo em seguida. — Bom, eu e as crianças vamos pra praia. Você disse que tinha que sair, não é? Então vai, vai. — a mulher empurrou seu marido em direção da porta, este protestava contra as ações da mulher. Ele só teve tempo de calçar os sapatos antes de ser colocado pra fora de casa.
Uma vez que Leon havia desistido completamente, a mulher de cabelos negros bateu as mãos, como se indicasse “trabalho feito” e então dirigiu seu olhar para Len.
— Meu nome é Lola. Sou a mãe da Miku e do Mikuo e esposa daquele birrento. — disse ela apontando para a porta pela qual Leon saiu. — Não precisa ficar com medo dele, o meu marido só é um pouco teimoso às vezes...
Len ficou quieto, observando a mulher falar sobre a teimosia do homem assustador. Uma vez que ela terminou o discurso, virou-se para os filhos.
— Então, vamos logo antes que o sol se esconda de nós.
Lola animou-se assim que saiu em direção a praia, sendo seguida de Mikuo que acompanhava sua mãe calmamente. Uma vez que estavam apenas Len e Miku na sala, ele resolveu se pronunciar.
— Sua família é um pouco...
— Estranha? É. Eu sei. — ela murmurou, tombando a cabeça para frente em um suspiro, recebendo uma risada do rapaz ao seu lado.
— Com exceção do seu pai, é divertida. — falou, tomando a mão de Miku e entrelaçando seus dedos com os dela. — Vamos, eu também quero ir à praia.
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Aos poucos Len fora conhecendo a família da garota. Os dias se passavam e as férias estavam quase por acabar. Miku, quanto mais o dia de voltar se aproximava, mais reclamava de ter de voltar a estudar, acordar cedo e todo o resto, embora admitisse que quisesse voltar a falar com IA, parecia que a rosada tinha muito o que contar.
Len, por sua vez, admitiu ter gostado de conhecer a família da garota. Sua mãe era praticamente uma Miku mais velha. Descobriu que ela pintava seus cabelos e, na verdade, a cor natural destes era o turquesa que ele tanto amava em Miku. Quando a mulher se animava os olhos brilhavam com a mesma intensidade que os da filha e agia com certa imaturidade as vezes, embora soubesse ser séria. Imaginou se Miku, quando fosse adulta, continuaria tendo os ataques infantis que ele tanto achava divertido.
Mikuo também era legal. O rapaz dividia um laço muito forte com a irmã e, nas poucas vezes que conversavam sobre a vida dele na universidade, parecia que ele odiava ter de deixar a irmã no outro lado do país. O universitário era inteligente e descontraído, sabia bem como divertir os outros com piadas inteligentes e, provavelmente devido à faculdade de direito, ele gostava de discutir sobre assuntos variados.
Já com Leon, foi raras as vezes que Len pode ver o lado “normal” do homem. Mas estas raras vezes ele viu o sorriso praticamente idêntico do dos seus filhos. Mas, com ou sem sorriso, Leon ainda não ia com a cara do loiro.
Agora lá estavam, Miku e Len, no último dia de férias, vendo o sol tornar o céu levemente alaranjado.
A garota teal deixou-se boiar no mar que se tornara calmo, sem um resquício de ondas e Len segurava-a estilo noiva por baixo da água. Os cabelos dela tomavam conta do lugar a sua volta por causa de seu comprimento absurdo.
A garota se aninhou em seus braços, chamando a atenção do outro.
— O que foi? — perguntou, desviando seu olhar do céu para a garota.
— Não quero que as férias acabem ainda, não quero voltar pra escola.
— Tem algo te incomodando, não é?
O silêncio foi a confirmação.
— Me conta o que é. — ele pediu manhoso, puxando a garota em seus braços mais para cima, fazendo com que seus rostos se aproximassem perigosamente.
Tudo o que ela fez foi corar e desviar o olhar.
— Quando as férias terminarem vai ser questão de semanas até o festival cultural e, bem... Eu vou ter que cantar. Não sei se estou pronta pra isso, ainda pode acontecer outra tragédia. Ninguém pode dizer que não vai ser que ne-....
A garota fora calada por um beijo casto que o loiro depositara em seus lábios, fazendo-a corar tão leve que quase passara imperceptível pelo olhar do outro.
— Tudo vai ficar bem. Sua voz é linda e, dessa vez, não vou deixar ninguém rir de você. — ele confirmou suas palavras apertando-a contra si.
— É fácil dizer, mas você não pode controlar centenas de pessoas, Len. — Miku riu.
— Isso é o que vamos ver. — ele respondeu com a voz pingando de convencimento. — Mas tem mais alguma coisa te incomodando, não é?
A garota bufou, cruzando os braços e inflando uma das bochechas.
— Para de tentar ler a minha mente. —disse, ouvindo a risada masculina depois que terminou de falar.
Então ele a fez sentar em seus braços, deixando-a quase na mesma altura que si. Ele abaixou sua cabeça até o pescoço da garota e, quando ele tornou a falar, Miku pode sentir o sangue fluindo para suas bochechas ao sentir o hálito quente dele, batendo em seu pescoço.
— Vamos lá, pode falar pra mim. — ao terminar, deslizou seus lábios do pescoço até a clavícula, sentindo-a estremecer.
— B-bem... É que nós vamos, ahn... Continuar fingindo que... Bem... Que nada nunca aconteceu até quando? —perguntou sem jeito.
Len tornou a olhar para Miku, endireitando-se adequadamente para isso. Ela havia desviado o seu olhar para a água, entretida em ver as pequenas ondulações quase impercebíveis.
O loiro soltou um dos braços que apoiava as pernas de Miku, fazendo-a ficar em pé a sua frente, porém ainda mantinha um braço enlaçando sua fina cintura. Com a mão livre, acariciou-a no rosto e a fez desviar o olhar para ele. Esta se assustou com o olhar incrivelmente sério de Len.
— Você não quer mais precisar fingir? — a voz dele saiu como um sussurro delicado, não queria que sua voz rompesse o cenário de calmaria.
Miku fechou os olhos em deleito das carícias.
— Não. — disse com um fio de voz.
Bastou isso para que Len conecta-se seus lábios novamente. Dessa vez o beijo foi mais profundo e Miku não demorou para sentir a urgência do rapaz em adentrar a sua boca assim que ela viajou suas mãos para os fios dourados do garoto, que decidira solta o cabelo aquela tarde.
A garota nunca ia deixar de temer fazer algo errado no meio de um beijo, pois nunca conseguia se concentrar no que fazia, bastava um toque mais íntimo de Len que todos os seus pensamentos evaporavam. Já ele tentava não ser agressivo em meio ao ato, embora se segurar era realmente torturante.
A roupa de banho não ajudava em tudo. Poder tocar a pele da menor sem ter as roupas lhe incomodando era terrivelmente tentador. Não cansava de tocá-la, e senti-la se remexer com o contato de suas digitais em suas costas e cintura.
O beijo fora quebrado devido a falta de ar crescente, porém Len continuou a abraça-la com força, não queria que ela saísse dali, jamais.
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