Rolling Girl

21 Capítulo XXI - Preocupações


Notas iniciais
YEEEY, pois é, aqui estou eu. Sim, eu não tinha vindo no outro fim de semana por que eu meio que me desorganizei legal nos capítulos. Eu provavelmente vou escorregar bastante nesse ano pq, oh god, a escola vai me matar. Guardem minhas palavras, peço-lhes humildemente que não abandonem a fic por isso, sério, vocês me fazem muito feliz com esse apoio e é só por causa de vocês que não quero mandar essa fic pro esquecimento ;u; E muito obrigada a leitora Luuu (na verdade eu não conheço o perfil dela, só seu apelido) pelas fanarts super divásticas que ela mandou, sério, fiquei muito happy. Assim como agradeço a leitora ThisIsSoKawaii por me apresentar a ela. Vocês fizeram muitos dos meus dias aussuhsau Espero que gostem do capítulo,

Em um quarto alheio ao mundo afora, com as janelas trancadas e ainda com as cortinas fechadas, uma garota se encontrava sentada, com os olhos fixados ao nada e com os pensamentos longe de onde seu corpo se encontrava. A figura feminina tinha em suas mãos seu aparelho celular que acabara de receber uma mensagem que conseguira acabar com seu dia, o qual nem mesmo a informação de que faltava pouco para as provas trimestrais conseguira destruir.

Levantou-se de sua cama mal arrumada, se pôs em frente a armação de metal prateado que carregava um grande espelho e então deixou-se fitar seus próprios olhos da cor do sangue que fluía em suas veias.

Sukone Tei permanecera parada, olhando para seu reflexo com o olhar vidrado, este se deslizou para a tela de seu celular. A mensagem fora enviada por sua amiga, Mayu, a poucos minutos e nela havia apenas uma frase.

Avistei dois problemas juntos: Hatsune e Kagamine?

A garota de cabelo branco-acinzentado segurou o aparelho móvel tão forte nas mãos que por alguns instantes jurou que iria quebrá-lo. Sua cabeça começou a projetar cenas mirabolantes de mutilação que poderia utilizar com a garota que ousara chegar perto de mais de certo loiro. Para Tei, não importava se Len era mais novo ou não, o vira primeiro e vê-lo todos esses anos se esgueirando com garotas oferecidas fizeram-na perder a cabeça. Hatsune tivera o azar de ser a última gota d’água. Sukone estaria pronta para desabar toda a raiva na garota.

Uma nova mensagem chegara e, dessa vez, com Mayu contando todos os detalhes que vira naquela tarde onde pegara os dois juntos. Tei meio que estava agradecida pela menor estar sempre onde deveria estar, mas também lhe doeu saber disso, pois, em sua mente, as chances de Len querer algo com Hatsune era a beira do impossível.

Quando terminou de ler a mensagem, sentiu seu corpo formigar e um lapso de ódio insensato a fez arremessar o pobre eletrônico com toda força, atingindo em cheio a região da cabeça em seu reflexo. O estrondo do objeto sendo reduzido a rachaduras fora seguido de lascas voando em algumas direções. Em consequência da distância, Tei recebera alguns cortes devido aos cacos que lhe atingiram. Um filete de sangue escorreu na região a baixo de seu olho.

A garota ouviu o estampido de sua porta sendo aberta e se quer fez trabalho de ver quem era, pois já sabia que era seu irmão mais velho, Teiru, vindo conferir o que acontecera. Devido ao abalo, Tei nem se importou com as perguntas que o irmão fazia, só ficara observando o espelho quebrado. Suas rachaduras lembravam vagamente a uma teia de aranha. De uma aranha que esperaria pacientemente a presa cair em sua armadilha, para então mata-la lentamente, apenas para o prazer de ver a vida se esvaindo de seus olhos.

Naquele momento, Tei desejou ser essa aranha.

=/=

Miku batia com insistência no touchpad de seu notebook devido ao jogo que acabara de entreter-se com. Era isso que ela fazia em momentos como aquela tarde de domingo em que nada se havia para fazer. Ficava a jogar um ou outro jogo indie que encontrava ou algo bobo que estaria disponível. Talvez não seja o domingo mais interessante do mundo, mas graças a tarde passada sua cabeça permanecera nas nuvens. Ainda não tinha nada confirmado com Len, o que a deixava confusa e com medo, afinal, até agora ele não havia perguntado o que Miku queria ouvir e ela não tinha experiência o suficiente para jogar indiretas e ser discreta com seus desejos.

Lembrava-se do que ele lhe fez naquela tarde que fora envolta de conversas, provocações e até algumas carícias. A garota não sabia o que era namorar, ainda estava aprendendo, quase se sentia uma criança perto do rapaz. Sentia-se uma criança em tudo perto dele, não tinha como. Ela tinha noção do quanto era ingênua e não poderia negar tal realidade e seria difícil muda-la.

Um leve bater na porta fora ouvido e ouviu Haku dizendo que iria entrar.

A porta foi aberta, dando visão a mais velha que se escorou na lateral da entrada do quarto.

— Você tem uma visita. Um garoto aqui querendo falar com você. — Haku disse, soltando um sorriso insinuante. — E olha que ele não é nada mal.

O comentário fez a mais jovem ruborizar forte e se atrapalhar nas próprias palavras. Lembrou-se que Len lhe acompanhou até sua casa, em um momento de cavalheirismo que Miku já sabia ser raro na consciência do rapaz, mas, quando aparecia, era cativante ao seu modo.

— T-tá... Pode deixar ele entrar. — Haku soltou mais um sorriso que apenas fortaleceu o vermelho nas bochechas da mais nova.

A albina saiu, fechando a porta atrás de si e deixando Miku sozinha mais uma vez. Esta se quer se mexera, continuava na mesma posição despojada que se encontrara antes da mulher entrar. Talvez aquela não seria a melhor das maneiras de se dar um olá ao rapaz.

Foi quando se tocou de uma coisa muito importante...

Parecia que havia acabado de acordar, o que meio que poderia ser verdade.

Sentou-se na borda da cama, atirando o eletrônico para o outro lado da mesma, e fitou seu reflexo no espelho que ficava grudado na parede, percebendo que seu cabelo estava despenteado. Usava shorts de um tom rosa pastel semelhantes aos de ginástica e uma camiseta branca de mangas curtas. Okay, ela não estava muito exemplar para receber visitas, mas deveria de servir. Com o possível que conseguia ver de sua pele, a vibrante marca roxa permanecia no lugar onde fora posta e, só de pensar em como esta fora feita, sentia-se estremecer.

Ainda observando seu reflexo, sua linha de pensamento foi traçada para outro ponto totalmente divergente do que Miku pensava. Na imagem projetada pelo espelho, começou a notar seus próprios traços, percebendo que seu cabelo parecia longo de mais e com um corte desigual, sua pele era desconcertantemente pálida, o que destacava o rastro de olheiras que ela ganhou graças a noite mal dormida. Deslizou seu olhar para o busto... Essa parte não tinha nem de comentar. Tábua. Começou a se colocar ao lado de garotas realmente bonitas, como Gumi, Luka ou Seeu, com seus cabelos cortados de forma bela e cores vibrantes, corpo atraente e olhos brilhantes.

Talvez toda essa comparação se devia ao fato de estar entrando em uma espécie de relacionamento com alguém como Len e, talvez, sentir-se um pouco insegura em relação as outras garotas em volta do loiro era normal, mas isso não a fazia ficar menos inquieta.

Ouviu passos vindos da escada que ficava quase de frente para seu quarto e então o bater na porta.

— Entra. — sua voz saíra mais fina do que esperava que saísse, mas o rangido da porta se abrindo dissipou qualquer pensamento que estava lhe rondando.

Len estava normal naquela tarde, tão bonito quanto sempre estava com aquele maldito rabo de cavalo que lhe caía tão bem de uma maneira que a garota nunca iria entender. Ela o viu soltar uma pequena risada de seu estado.

— Então é assim que você fica num domingo de tarde?

— Hey! — protestou. Voltando-se para se inspecionar no espelho.

O loiro acompanhou o olhar da garota, observando-a se olhar para o espelho mais do que ele estava acostumado e resolveu sentar-se ao lado dela. Ficou observando o seu semblante mudar lentamente com seja lá o que ela estava vendo ali.

— Len.

— Que?

— Eu estou feia? — perguntou, sem desviar o olhar do reflexo.

— Eu estava brincando quando falei sobre seu estado atual. — ele disse com um muxoxo não recebendo nenhuma resposta da outra. — Tá, qual o problema?

Era notável ver que Miku parecia ponderar no que iria responder.

— Olha pra mim! Eu sou mais pálida do que o normal, meu corte de cabelo é desigual e ele tem uma cor estranha. Sou magra demais e meu físico é semelhante ao de uma garota do fundamental. — resmungou.

Um minuto de silêncio se passou depois da garota desabar tudo e, logo depois, tudo o que o loiro conseguiu fazer foi rir, atraindo um olhar de descrença através do reflexo da garota no espelho.

— He-hey!

— O que você quer que eu faça? — perguntou em meio a risada. — É muito engraçado ver você se preocupando com coisas como essas.

Miku bufou e deixou-se cair com a cabeça pousando em um de seus travesseiros. O rapaz olhou-a divertido, com um pequeno sorriso estampado nos lábios.

— Hey, você está estranha. — falou com a voz em tom suave, quase como se ronronasse feito um gato. Ele se esgueirou pela cama, apoiando sua cabeça em sua mão em quanto se deitava ao lado da garota, chamando sua atenção.

— É que eu sou só a Miku e, bem, você é o Len. — murmurou, esperando que aquilo fizesse tanto sentido para ele quanto fazia para ela.

Por sua vez, o loiro sorriu mais carinhosamente do que ela esperava e inclinou-se em sua direção, roçando a ponta de seu nariz e os lábios na região do pescoço.

— Olha Miku, ainda não vamos sair dizendo para todo mundo que temos algum relacionamento. Ainda tenho um pouco de medo do que aquelas garotas malucas podem fazer, então eu gostaria de esperar um pouco, pode ser?

— Mas...

— Eu prometo que não vou agir intimamente com outra garota que não seja você até lá.

Sua proposta soara tentadora, então tudo o que fez foi concordar com um aceno de cabeça. Não sabia exatamente se poderia ou não confiar no que ele dizia, vai ver ele falava aquilo para todas as suas ficantes, porém a vozinha ingênua em sua cabeça não a deixou discordar de suas palavras.

Ela rolou na cama e ficou de frente para o rapaz, que ainda a observava com aquela mesma expressão.

Com a mão livre, Len puxou-a para mais perto de si e deixou-se afundar em seu cabelo azul-petróleo e ela, inconscientemente, enroscou-se no pescoço do rapaz, sentindo mais uma vez aquele aroma ao qual já se acostumara.

=/=

Dois dias se passaram e IA ficara sabendo de tudo, obviamente. Afinal não havia nada que Miku não contaria a ela. A rosada ficara contente por sua amiga, em partes, obviamente. Ainda não conseguia confiar plenamente no Kagamine e, sabendo que não poderia compartilhar aquilo com a amiga, só havia uma outra fonte de conforto que ela poderia encontrar, pelo menos aquilo era o mais próximo que ela encontraria.

E foi por toda essa necessidade de desabafar que ela estava lá. Em um confortável e caro café, comendo várias guloseimas deliciosas e, dessa vez, ela tinha trazido dinheiro.

Era terça-feira pós-aula e, sim, a rosada estava mais uma vez no receptivo café Balsam Flavor.

— [...] O que você acha de tudo que está acontecendo? — ela perguntou para o moreno de olhos de um dourado exorbitante.

Pacientemente o rapaz ouvira tudo que incomodava IA e, antes de respondê-la, mexera o líquido fumegante dentro da xícara com a pequena colher para levá-lo aos lábios.

— Acho que nenhum de nós sabe realmente o que está acontecendo e o que estamos fazendo. Nem mesmo Len. — disse, depositando a xícara em seu pires. — Minha mãe diz que é normal nós não pensarmos em nossas ações devido a idade que temos e que isso é saudável. Não posso dizer que ele não irá ferir a Miku no caminho, nem vice-versa, mas, pessoalmente, acho que, se algum deles não quer ter nada com o outro, nem teriam começado tudo isso.

— Você acha? — ela perguntou, levemente aflita. — É que Len não se importa se tem ou não alguma coisa séria com alguém. Eu acho que ele pode estar apenas buscando diversão com alguém que ele nunca encostou antes.

Rei tentou refletir bem suas palavras.

— Entendo que você pense isso, tenho plena certeza de que Miku também e, provavelmente, Len sabe que pensamos isso. Acredito que o melhor será ver como as coisas vão fluir e, se algo vier a dar errado, como amiga de Miku, você deverá estar lá para ajuda-la. — ele sorriu. — Além do mais, ela gosta dele e até agora parece ser bem correspondida, acho que seria saudável deixa-la aproveitar esse tipo de atenção vinda dele.

— Eu sei, é só que... eu tenho medo que ela possa vir a se machucar. A pior maneira de se machucar alguém é através de alguém que ela goste. — sua voz saíra em tom baixo, quase como se falasse aquilo para si.

Rei piscou, confuso.

— Você conhece esse tipo de dor? — resolvera perguntar.

— Está perguntando isso para uma garota que viveu até os cinco anos em um orfanato, sem saber quase nada dos pais biológicos. É meio lógico que eu saiba o que é esse tipo sentimento. — soara desinteressada naquele assunto, e, em quanto explicava, brincava com o garfo e a torta de morangos em seu prato.

— Sinto muito se fui indelicado.

Um alarme soou na cabeça de IA, fazendo-a endireitar-se na cadeira e tentar amenizar a situação.

— Está tudo bem, não foi nada! Não foi nada! — repetia, logo pondo um pedaço do doce na boca.

Um longo minuto de silêncio passou antes do rapaz finalmente perguntar.

— Algum dia você realmente gostaria de conhecer seus pais biológicos?

Notas finais
Yeeey, caso alguém tenha dúvidas, sim, as férias de verão dos Japa são entre julho e agosto, por aí. E não, as férias que separam o início do ano letivo são a da primavera. E, até onde minhas pesquisas chegaram, lá é trimestre também (corrijam-me se estiver errado). Bom, não vou entrar em detalhes quanto as provas deles, então é provável que as férias de verão comecem no próximo capítulo e elas não vão durar mais que 3 capítulos (contando com o cap de Ria). Acho que é isso. Kissus >w