Rolling Girl
11 Capítulo XI - Meiko
Notas iniciais

— Rei, porque você acha isso? — a garota teal perguntou, voltando-se para o moreno de olhos dourados, que apenas introduziu suas mãos no bolso do casaco que constituía seu uniforme escolar.
— Você quer mesmo ficar tão mansa perto dele só por causa de algumas poucas palavras mais dóceis? — ele questionou com estranha calmaria em sua voz, seu olhar âmbar ainda pintado com indiferença. — Se você acha que ele se importa mais agora, não duvido que aconteça algo que te faria se arrepender mais tarde.
Miku e IA se entreolharam, cada uma percebendo o olhar de dúvida da outra. A rosada tinha que concordar com Rei, pois ela sabia o porquê de Miku ter ficado tão passiva com tudo isso. Não era todo dia que seu amor do fundamental te dava tanta atenção. Mas também não podia negar que Miku ainda não se sentia tão confortável em volta do loiro.
Por sua vez, a garota de madeixas azul-petróleo balançou a cabeça negativamente com um sorriso reconfortante estampado em seus lábios.
— Está tudo bem, Rei. Obrigada por se preocupar comigo, mas o Kagamine precisa fazer muito mais para que, ao menos, eu o considere um colega, ou um amigo, tanto faz. — disse a menina, porém lá no fundo, bem lá no fundo, ela sabia que contara mais uma mentira.
Esta foi a vez dos olhares do moreno e da rosada se entrecruzarem. Lya não sabia dizer o que se passava dentro da mente nublada do rapaz, mas ele poderia ler a dela e sabia que a garota ainda se encontrava preocupada com a situação.
— Bom, é melhor nós irmos indo. Se eu me atrasar de novo para a aula de educação física é capaz do Akaito-sensei me fazer correr 20 vezes em volta da quadra. — Miku tremeu.
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Lá estavam Miku e IA no vestiário, trocando seu uniforme pela roupa de ginástica que, particularmente, nenhuma das duas gostava muito. Esta era constituída por uma bloomer* azul marinho, própria para a ocasião, e uma camiseta branca folgada com detalhes num azul da mesma tonalidade que a outra peça. Também usavam as adoráveis meias três quartos e um par de tênis.
— Ainda não entendo porque não podemos usar bermudas que nem os meninos... — Miku disse, ajustando um pouco suas meias.
— Ah, bom...
— Hey! Vocês duas, parem de moleza e vamos logo que o professor Akaito já está ficando impaciente. — uma garota de cabelos encaracolados de tonalidade rosa avermelhado intenso chamou. Ela se chamava Teto, uma garota que conseguia ser muito meiga e amável, mas devido a algo, que Miku achava ser bipolaridade, a garota de cabelos encaracolados se transformava em um dragão de sete cabeças quando se tornava irritada ou, pior ainda, competitiva.
— Foi mal, Teto-san. — IA pediu, puxando Miku pelo braço enquanto saíam do vestiário às pressas.
Chegando lá, elas viram que toda a turma já começara a fazer os exercícios de aquecimento com o professor de cabelos vermelhos intensos apitando descontroladamente aquele irritante objeto chamado de apito. Akaito sabia ser extremamente legal, mas somente quando não usava o uniforme, pois não há maneira ser alguém feliz quando se é aluno daquele sujeito.
— E-eu nã... não acredito que ele é o ir-irmão mais velho do...ngh, Kaito-senpai. — IA tentava falar em quanto lutava para tocar seus pés com a insistência do apito do professor.
— Ah... IA... acho que quebrei uma costela... — Miku avisou, soltando um suspiro de alívio quando o professor indicou que já podiam descansar.
— Tudo bem pessoal, está bom de aquecimento. Hoje quero que se separem em dois times para cada sexo, os garotos irão se enfrentar no basquete e as meninas irão para o futebol. Quem começa jogando serão as meninas, depois é o jogo dos garotos.
Alguns comemoraram animados, outros, como IA que era péssima no jogo, se lamuriavam derrotados e Miku se viu na obrigação de dar leves batidinhas nas costas de sua amiga rosada com o intuito de acalmá-la.
Um tempo se passou até que os murmúrios acabassem e cada um fosse para a quadra para que os times pudessem ser feitos. Miku já estava acostumada a ser uma das últimas a ser escolhida, lógico que ela não era tão boa nos esportes, mas não chegava a ser ruim. Se pudesse medir, ela estaria em um nível moderadamente médio.
Por sorte, Miku conseguiu ficar no time de IA e, com mais sorte ainda, as duas ficaram no mesmo time da garota de antes, Teto, que era um monstro nos esportes devido a sua intensa competitividade. Miku ficara no gol e IA como zagueira central, recebendo um “só defenda e fique aí” como dica das outras meninas. O que a rosada concordou muito animada.
O apito fora ouvido. Teto ficara como capitã e facilmente tirou a bola de Neru. Com isso o jogo finalmente começou. A garota teal no gol observava IA se encolher quando a bola fora tomada por uma garota do time adversário e agora vinha em direção ao gol. O rosto de IA se contorceu em um desespero cômico quando viu que a bola fora chutada com grande força em sua direção. Tudo o que conseguira fazer a tempo, devido aos seus reflexos, foi se abaixar encolhida no chão, com os braços protegendo sua cabeça. Vendo daquela distância Miku achou-a parecida com uma bola, tal posição lembrava a de uma criança e tinha até certa fofura.
Porém em quanto isso ocorria, a bola ainda vinha em sua direção, o que fez os alarmes de Miku soarem e a fazer correr em direção de onde supunha que a bola iria ir. Fora por pouco, mas conseguiu ampará-la a tempo.
Podia ouvir o som de alívio de Teto que logo depois já estava dando um rápido xingão na rosada medrosa que murmurava um baixo “desculpa”.
Miku deu de ombros e lançou a bola para perto de Miki que foi avante, com Gumi e Rin em seu encalço para pegar a bola. Vendo-se cercada, chutou a bola para Defoko que correra em disparada para a rede. Chegando pela lateral, ela passou a bola para Teto que estava mais atrás e, ao receber a bola, correu feito um leopardo, desviando de Rin e outra menina e logo depois chutando a bola em direção ao gol com sua força implacável e, assim, fracamente defendida por SeeU.
Passou-se um tempo e o jogo terminou de 2x1 para o time de Miku e IA. Quando Akaito soprou o apito o time vencedor comemorou alto e todas foram para as arquibancadas esperar os times dos garotos entrarem em campo. Isso era o oque elas mais gostavam no professor, ele deixava os jogos em tempos diferenciados para que os outros pudessem ver o desempenho de cada um. Mal ele sabia que a verdade é que as garotas queriam era ver um monte de playboys suados e sem camisa jogando basquete.
— Eu fui horrível... — IA choramingou.
— É, você foi... mas tudo bem, na próxima você melhora. — Miku insistiu, recendo um olhar cabisbaixo da amiga. — Hey, olha, o Rei entrou em campo. Parece que ele foi pra Ala, ou sei lá, não entendo nada de basquete. — IA moveu seu olhar azulado para a quadra a ponto de perceber o moreno na sua posição. Ele trajava o uniforme típico dos garotos, uma regata branca e uma bermuda azul marinha.
— O Yuuma é o capitão do time dele e... o do outro time é o Len. — IA observou.
— Rei contra Len? Isso vai ser divertido! — Miku pulou em animação.
Quanto o apito foi ouvido o jogo iniciou e Len trouxe a bola com ele, passando a mesma para Usee que disparou com tudo. Os ouvidos de Miku pareciam se contrair com a constante gritaria das meninas na arquibancada. Já seus olhos acompanhavam a bola que era constantemente passada de mão em mão. Os dois primeiros pontos foram do time de Len. Ele já tinha uma boa fama de jogador na escola. Provavelmente era o melhor de sua idade, ninguém conseguia tirar a bola quando esta estava em suas mãos. Destreza e rapidez faziam parte dele durante o jogo.
— Rápido... — IA sussurrou ao ver Len movimentando-se semelhante a um gato evasivo pelo campo.
O tempo foi passando rápido e o time de Yuuma conseguiu se levantar, ganhando mais alguns pontos, porém o adversário ainda estava na frente com aqueles malditos dois pontos e faltava muito pouco para o término da partida.
— Se o time do Rei fizer mais duas cestas eles ganham, já que cada cesta equivale a dois pontos. — Miku observou.
— Sim, mas isso se conseguirem passar da defesa do Piko, é tão estranho pensar que alguém tão pequeno seja tão forte em defender. Acho que eles não vão conseguir. — as pupilas de IA acompanhavam o movimento da bola em quanto falava.
Naquele momento, Len estava com a bola, que picava o chão segundo por segundo. Ele já estampava um sorriso vitorioso no rosto quando, de repente, uma sombra negra passou em uma velocidade quase desumana ao seu lado, tomando rapidamente a bola antes mesmo que ela picasse de volta para a mão do loiro. A única coisa que Len conseguiu ver foi um par de olhos dourados o fitando friamente antes que, com a mesma rapidez com que chegaram, fossem embora, quase como que evaporassem.
— VAI REI! — IA ouviu Miku gritar ao seu lado, animada.
Quase que por reflexo, Len se virou a ponto de ver Kagene Rei correr pela quadra, driblando Usee e Oliver, um depois do outro. A alguns metros de distância, um garoto albino com olhar heterocromático, Piko, esperava o moreno chegar. Só que ele não chegou. Antes mesmo de entrar na linha de três metros, Rei lançou a bola com grande altura e força moderada. Tanto IA, Miku, as meninas na arquibancada, o treinador e os rapazes que jogavam olhavam o objeto cair com perfeita simetria dentro da cesta. Uns segundos depois o treinador soou novamente o apito, indicando a vitória do time de Yuuma, pois uma cesta fora da linha de três equivalia a três pontos. O professor parabenizou os garotos que logo depois foram para o vestiário, assim como as meninas.
— Rei! — Miku chamou o moreno que girou nos calcanhares para fitar as duas garotas, já vestidas com o uniforme normal. — Aquilo foi incrível! Porque não nos contou que você era tão bom no basquete?
— Foi realmente muito impressionante. Você sempre foi bom com esportes? — IA perguntou docemente.
— Ahn... eu treinava com um pessoal da minha cidade.
Miku e IA piscaram curiosas. Até agora Rei não havia falado de onde ele realmente viera. Só disse que era Europeu. Elas também não queriam ficar insistindo, se ele não quisesse contar essa era opção dele, mas a garota teal estava cansada de esperar que ele tomasse iniciativa.
— Afinal, de onde você vem exatamente. Quero dizer, você nunca nos contou nem nada. — Miku sentiu um leve beliscão, depois se deu conta que era apenas IA.
— Não precisa contar se não quiser, Rei. — a rosada forçou um sorriso desconfortável antes de ser fitada pelo mesmo olhar dourado que a fazia se arrepiar sempre que o mesmo a mirava. O garoto soltou um suspiro pesado, fechando os olhos de leve.
— Oslo, Noruega.
...
— O QUÊ?! — as duas exclamaram.
— Isso é tão longe... o-oque você faz aqui? — IA perguntou com as íris azuis em espanto.
— Minha mãe foi para lá quando recebeu um emprego na empresa do meu pai. Quando se casaram decidiram ficar em Oslo, mas de uns tempos pra cá eles abriram uma sede maior por aqui, então decidiram que seria melhor nós ficarmos no Japão.
— Wow, e como é lá? Eu já li algo sobre, falaram que é uma cidade com alto IDH ou algo assim. — a rosada disse.
— A cidade é normal, só meio cara.
— Tá bom, tá bom, vocês dois. Vamos logo que as aulas ainda não acabaram. — Miku cortara a conversa, tomando a frente em direção ao prédio escolar.
Ela suspirou. Amanhã ainda teria de lidar com o Kagamine.
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Trajando um vestido branco que caía-lhe delicadamente até tornar-se negro na barra. No pescoço estava um delicado e fino tope preto. As escuras meias sete oitavos que pareciam se fundir com sapato estilo boneca de mesma cor. As duas caudas gêmeas em sua cabeça estavam firmemente presas por singelos laços.*
Era assim que Miku se encontrava na frente da casa do Kagamine. Ela não gostava da ideia de usar essas roupas, mas não tinha o que fazer contra, seu uniforme ainda estava secando depois da lavagem.
Seu pulso já doía de tanto bater naquela maldita porta e conseguia ouvir o alto barulho de música até mesmo do lado de fora. Quando já estava pronta para desistir e ir embora o loiro abre a porta com um semblante confuso. Ele trajava roupas simples, porém que lhe caíam muito bem, mas ela nunca admitiria. O visual constituía em uma camiseta branca com um símbolo em laranja e um detalhe da mesma cor na barra do decote. Por cima da mesma estava um casaco de um verde áqua enfeitado com alguns tipos de fivelas. Em volta do seu pescoço estavam os mesmos fones que pareciam já fazer parte do loiro e em seu pulso estava algo semelhante a uma faixa elástica. Suas calças jeans folgadas exibiam um cinto alaranjado levemente torto e, para concluir, ainda estava descalço.*
— Miku? O que você tá fazendo aqui? — ele perguntou com uma sobrancelha arqueada, fazendo uma gota escorrer pela cabeça de Miku.
— Como assim “o que estou fazendo aqui”? A gente ia estudar hoje. — com isso ela pode ver a íris do loiro se expandindo em choque e a boca abriu-se ligeiramente.
— Ah... eu meio que... me esqueci. — ele disse. — Acho que não vai dar, foi mal.
— Como assim “não vai dar”? É sábado de tarde, o que diabos você faz num sábado a tarde?
— É que...
— LEN, PARA DE FAZER NADA E ARRASTA ESSA BUNDA PRA CÁ E É MELHOR TRAZER ALGO PRA GENTE BEBER! — uma voz masculina se ouviu. Miku reconheceu logo como Usee.
— Espera, quem tá aí? — ela perguntou com um arrepio repentino subindo sua coluna.
— Minha irmã, as amigas e o pessoal do basquete. — ele disse um pouco sem jeito por ter se esquecido completamente da aula.
— Tá bom, eu já vou indo. — a garota teal disse, dando as costas tão rápido que parecia ser a jato. Quando ia sair pelo portão de entrada ela esbarrou em alguém, fazendo-a recuar alguns passos. Quando levantou a cabeça, para ver quem era, notou ter batido de frente com um cara alto de ombros largos e rosto gentil, seu cabelo em um tom peculiar de azul se destacava. Sim, era Kaito. Ao seu lado estava uma linda garota alta, com um belo corpo, olhos avelã e com curtos e repicados cabelos castanhos.
Nesse exato momento, Miku empalideceu e sentiu uma imensa tontura.
— Ahn? Ah, hey, você é aquela garota... Miku, certo? — Kaito observou. — Você fica bem diferente sem o uniforme do colégio, quero dizer, não que isso seja ruim, um diferente do tipo bom, tipo...
— Cala a boca, Kaito. — a garota do seu lado disse, impaciente. — Meu nome é Meiko, sou de outra escola, prazer. — ela sorriu.
— E-eu, eu, euu... — Miku tentava falar, mas seu cérebro só estava pensando em uma rota de fuga.
— Kaito, Meiko, chegaram atrasados... de novo! — a voz de Len foi ouvida atrás de si. — Não liguem pra ela. A Miku já estava indo embora, a gente se confundiu um pouco com as datas, mas ela já estava indo, certo Miku?
— Certo! — ela disse rapidamente, tentando, em vão, chegar a calçada.
— Espera Len, ela veio até aqui! Ela podia ficar um pouquinho. — Meiko disse, puxando a garota pelo pulso. — Vamos, você vai se divertir. — a mais velha foi empurrando Miku para a porta da casa, em quanto esta se debatia. Com tanta proximidade, a mais nova sentiu um cheiro forte de álcool.
“Espera, essa garota está embriagada?” ela pensou, ainda sendo envolvida pela mais velha.
— Meiko-san, n-não é uma boa ideia!
— Eu concordo! — Len interviu.
— Cala a boca você também Kagamine. — Meiko disse.
O sangue de Miku pareceu parar de circular por suas veias assim que fora cruelmente forçada a pisar naquela casa. Foi quando se deu por conta que se encontrava em frente de vários e vários pares de olhos que a fitavam em total confusão.
— E aí pessoal? — Meiko disse ao sorrir. Rin levantou-se da almofada onde se encontrava.
— O que ela está fazendo aqui?
Era hoje que seria devorada por um monte de lobos famintos.
~Leia as notas finais
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