Rolling Girl
5 Capítulo V - A primeira Aula
Notas iniciais

[ Normal’s PVO’s On ]
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— Brigando de novo com aquela garota Len? – riu Usee quando o Kagamine havia terminado de contar sobre a discussão que teve com a garota teal.
— Está parecendo um retardado rindo assim Usee...
— Ele tem razão, Len, é engraçado que Miku consiga te deixar tão irritado. — riu Gakupo.
— Ele não tem culpa se ela tem que ser tããão idiota. Hatsune acha que é diferente e isso a torna especial, mas ela não passa de mais uma. — disse a esverdeada, Gumi, recebendo um incentivo de Rin e SeeU.
— E ela realmente tem a mentalidade de uma criança. — SeeU concordou.
— Além de que, não é nossa culpa que ela fique irritada tão facilmente. — Rin interviu, rindo um pouco das lembranças.
Alguns do grupo também soltaram uma leve risada, concordando com as falas das meninas, mas nada disso fez de Len um garoto menos irritado.
— Talvez, se vocês não tivessem feito aquilo no ano retrasado e parassem de importuna-la, as coisas não sairiam assim. — a fala atraiu os outros olhares, fazendo Rin arquear as sobrancelhas.
— Ora, vamos Luka, não fique assim. Não se faça que, se não me engano, você também deu muita risada naquele dia. — desafiou a loira, chocando seu olhar azul-cerúleo contra o celeste de Luka.
— Quando foi a última vez que você teve uma conversa normal com a Hatsune, Rin? — perguntou a rosada secamente. — Nunca! Ou, se tivemos, eu não lembro. Sejamos sinceros e vamos admitir que NÓS só começamos a “falar” com aquela garota depois do show de talentos do ano passado e, depois disso, falamos com ela apenas para discutir ou fazer alguma piadinha infantil. — a voz de Luka soou séria, silenciando os demais que olhavam tudo aquilo com certo espanto. — Se, algum dia, você ir falar da maneira certa com ela, talvez até pedir desculpas, tenho certeza que ela pararia de ser tão venenosa quanto nós.
A mais velha não deixou eles se quer responderem. Tomou um passo a frente e levantou-se da mesa onde estavam todos reunidos, deixando-os para trás, com olhares atônitos. Luka tinha uma língua afiada e sabia usa-la, principalmente quando os outros cometiam coisas erradas e forçavam-na a conviver com esse peso desde muito tempo.
A rosada não percebera o efeito que suas palavras surtiram em Len.
☼
Agora lá estavam eles, com o céu ainda no tom de azul fraco, este quase cedendo ao laranja do fim de tarde que se seguiria. Eram aproximadamente quatro horas quando Len e Miku se encontraram nos portões da escola para tomar caminho à casa do loiro. Ambos estavam calados, apenas observando o piso de concreto ou os carros que passavam pela rua.
O rapaz andava a frente da menina que, obviamente, estava descontente com a situação, ora girando um cacho de cabelos com o dedo indicador e ora mordendo o lábio inferior. Frequentemente desviava seu olhar da calçada ou da rua para Len, que continuava com seus passos desleixados. O rapaz por sua vez, por mais que não notasse a inquietação da menina às suas costas, tentava demonstrar estar sob controle e sem estresse perante a situação que julgava ser drástica.
Por mais que as palavras de Luka tenham causado um aperto na consciência de Len, o mesmo não conseguia admitir que estivesse errado. Miku era Miku afinal. A garota que nunca seria levado a sério. Não havia como fazer isso. Não bastava simplesmente tentar mudar sua visão sobre a menina. Ela sempre seria Miku, a garota que virara piada da escola com suas atitudes merecedoras de pena.
“Patético!” Pensou-o, tentando calar a voz aguda no interior de sua mente que insistia em dizer que ele estava agindo de forma errada pela primeira vez na vida. Ele chutou esses pensamentos o mais longe que pode, afinal, ele era Len e sempre seria, não podia ficar se revirando por uma garota como ela.
— Chegamos. — avisou o loiro, parando em frente a uma casa branca. Miku fitou o lugar e notou que não era muito diferente das outras casas de estilo japonesa que se encontravam nas cidades. A casa de dois andares era rodeada por um muro branco que a separava das outras demais, a sua frente tinha um pequeno jardim, provavelmente somente para dizer que tinha um jardim, porém a casa em si era consideravelmente grande, ou média. A porta da frente era feita de madeira e bem espaçosa, no piso térreo havia duas janelas viradas para a rua e no segundo piso em torno de três. Na lateral da casa havia uma camionete, de aparência cara, estacionada a frente da garagem.*
— Seus pais estão em casa? — perguntou Miku fitando o carro estacionado.
— Acho que não, normalmente eles não chegam nesse horário, devem ter ido com o outro carro para o serviço. — disse de forma neutra. “Dois carros...” pensou Miku boquiaberta com a situação. — O que foi?
— Na-Nada. — gaguejou a azulada, recebendo um olhar duvidoso do loiro antes que o mesmo passasse a chave pela tranca da porta de madeira e a abrisse, de tal forma que a visitante pudera ver o interior da casa.
Era limpa e organizada, cheirava a perfume de lavanda e um leve, muito leve, frescor de banana e laranja, provavelmente estes últimos sendo o cheiro natural. Deixou-se que o aroma doce da casa impregnasse em si, sentindo-se mais leve do que o normal.
Viu Len atirando sua mochila em um dos sofás brancos da sala de estar cor amarelo pastel. Aquela sem dúvida era a casa dos gêmeos. O garoto entrou por um arco, que Miku presumiu rapidamente que levava à cozinha, e trouxe consigo duas latas de refrigerante, uma das quais fora oferecida à visitante que aceitara, dando um baixo “obrigada” em resposta.
— Então, prefere estudar lá em cima ou aqui na sala? — Len perguntou depois de tomar um primeiro gole do refrigerante de laranja, o preferido de sua irmã (ela o mataria mais tarde, mas preferia não lembrar-se disso agora).
— Tanto faz. — respondeu, dando de ombros para o rapaz, que simplesmente arqueou uma sobrancelha para Miku que desviou o olhar para o chão.
—Vamos lá pra cima. — disse ele dando um sinal para que o seguisse. — É melhor para nós dois se formos estudar na minha bancada.
Miku assentiu nada animada com a palavra “estudar”, não que ela tivesse a esperança que fossem fazer outra coisa, na verdade, ela nunca queria estar ali para primeiro de conversa. “Maldita seja a química”, pensou, deixando-se levar pelo rapaz de rabo de cavalo.
Ambos subiram as escadas de madeira polida que levava a um corredor com quatro portas. Aparentemente, uma era dos pais, as outras duas de Rin e Len e a quarta um banheiro. Len entrou na segunda porta.
Quando Miku entrou, se deparou com um quarto que, acreditem ou não, era incrivelmente organizado. Sem roupas por todos os lados, ou papéis que deveriam ser jogados no lixo ou materiais escolares jogados pelos cantos, como era de se esperar de um quarto de um menino desleixado como Len. Miku chegou a piscar repetidas vezes para ter certeza de que o que estava vendo era realmente verdade. Observou a janela entreaberta que dava vista para o quintal e para a piscina da casa.
Também notou que o cheiro de banana parecia estar mais forte assim que entrou no recinto. Soube imediatamente que, realmente, o cheiro era vindo de Len. Talvez ele gostasse mesmo de banana.
— Vamos começar. — Len falou, gesticulando para a cadeira de plástico vermelha que se localizava em frente a sua bancada de estudos. Miku piscou algumas vezes sem entender até que o famoso ‘click’ acendesse em sua mente e, ainda com o olhar de descrença que carregava desde manhã, sentou-se na cadeira oferecida por ele. — Muito bem... — continuou o loiro, pegando material de química de um armariozinho onde estavam todos os materiais escolares (muito bem organizados por sinal), nunca tirando o olhar entediado do rosto. — [...] vamos começar por onde você tem dúvidas.
Miku olhou para o caderno cheio de anotações, passando por algumas páginas cheias de rabiscos e contas cuja sua cabeça sofria para assimilar ao pouco conhecimento que tinha sobre o assunto. Foi folheando página por página até que chegou na aula mais recente e parou, em seguida olhou para o garoto que esperava, pacientemente, a resposta.
— Não me diga que... — ele começou sem acreditar. Miku, já sabendo o que ele iria falar, não tardou a corar de vergonha. — [...] Você não sabe nada... — uma gota escorreu pela lateral da cabeça de Len, o mesmo estava com uma expressão engraçada no rosto.
Estava prestes a xingar mais uma vez a garota até que desviou seu olhar para ela. Miku estava sentada ereta, com as mãos unidas sobre a saia do uniforme e olhando para as mesmas com um intenso tom de vermelho pintando suas bochechas. Por mais que muitas vezes Len sentisse certo desprezo pela menina em questão, não conseguiu soltar uma palavra com objetivo de feri-la. No momento.
— Tudo bem... vamos começar dando uma revisada no conteúdo do ano passado. — suspirou de maneira paciente. Miku levantou o olhar e fitou-o, ainda corada. Os olhares de ambos se encontraram quase que pela primeira vez naquele dia.
☼
— Ah, por favor, vamos dar uma pausa! Estou cansada e minha cabeça está começando a doer de tanto olhar para essa tabela. — reclamou a garota teal, atirando uma pequena tabela periódica para o outro lado do balcão. Len suspirou, derrotado.
— Tudo bem, vamos dar uma pausa.
— Yey!
— Mas não se acostume! O ideal é que você se acostume em estudar, não a ter ‘pausas’. — repreendeu o loiro. Tal comentário iniciou um silêncio pesado no quarto, o que causou certo desconforto pela parte do Kagamine.
Miku ficou estática por um momento e Len cogitou a ideia de ter falado algo errado, até que notou que ela estava tremendo. No início pensou que ela estava chorando, o que o deixou meio preocupado, pois não teve a intenção de fazê-la chorar. Porém suas hipóteses foram quebradas quando se aproximou um pouco mais e viu que a menina estava rindo! Isso mesmo. “Rindo!” Pensou. Ele sentiu-se sem graça pela primeira vez em tempos.
— Por- Por que você tá rindo? — exigiu com olhar cabisbaixo.
— Por- Porquê... — tentou responder, mas não conseguia conter os risos que escapavam de seus lábios. As madeixas azul-petróleo acompanhavam o movimento da risada, caindo sobre os ombros da garota e escorrendo pelo seu peito. Ela se acalmou e respirou fundo, soltando rápidas risadas depois de ver a expressão de seu “professor”, porém logo retomou a compostura. — Eu nunca imaginei que você seria assim, depois de tudo. — disse-a, ainda dando indícios de que iria rir novamente.
— O que você quer dizer com isso? — Len perguntou rispidamente, com o mesmo olhar frio que usava várias vezes com ela, mas dessa vez não deu tão certo.
— Quero dizer, eu sempre achei que você fosse do tipo desleixado que daria um dedo para não pegar os cadernos ou levantar da cama de manhã cedo.
— Sabe, você também não dá uma das melhores impressões no mundo. — respondeu sarcasticamente. Novamente o comentário maldoso não surtiu o efeito desejado, pois a menina sorriu de leve, talvez até um sorriso triste.
— Eu sei. — a garota de cabelos azulados falou simplesmente, com resquícios do que há alguns segundos fora uma risada.
☼
Rolling Girl: Hoje foi um dia MUITO exaustivo!
Mine-kun: Nem me diga, sei exatamente
o que está sentindo.
Miku estava deitada na cama com o notebook sobre o colo e uma toalha enrolada em seus cabelos molhados. Trajava uma calça de pijama verde com pequenos desenhos de rosas e a parte de cima, de outro conjunto, era uma regata azul marinho com detalhes em rendas negras. Miku não era do tipo que se importava com conjuntos de pijamas. Agora estava mais interessada em se deitar e ficar os últimos minutos da noite conversando com o “desconhecido”.
Mine-kun: De qualquer maneira, hoje eu vou
desabar na cama e acordar só
quando faltar 10 minutos
para o terceiro período.
Rolling Girl: Tá sei, como se você fosse
mesmo fazer isso
Mine-kun: Duvida de mim, menina séria?
Rolling Girl: Não acho que você seria
tão convencido.
Mine-kun: A, qual é, um dos períodos
é química!
Eu vou super bem nessa matéria!
Vou bem em todas!
Rolling Girl: Talvez você seja só um nerd...
Mine-kun: E você uma menina burra...
...
Rolling Girl: suahusahuashauhsua
Mine-kun: kkkkkkkkkkkkkkkk
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