Rolling Girl

2 Capítulo II - O Castigo


Notas iniciais
Eu sei que eu demorei bastante, mas isso foi em parte pela escola e em parte de que eu me esquecia mesmo. Toda vez que eu lembrava eu ja estava fazendo outra coisa (estava na escola, no curso, no carro, etc) e quando eu ficava livre eu me esquecia. O destino sempre fica contra mim nessas horas. Eu peço minhas sinceras desculpas por causa dessa minha falha. Enfim, aproveitem o capítulo. PS: Caso houver algum erro de digitação/gramática, por favor, me avisem para eu arrumar.

[ Miku’s PVO ]

O som de meus passos ecoava pela rua quase deserta naquela tarde. As aulas haviam acabado e estava na hora de retornar para casa. IA andava ao meu lado com o olhar preocupado. Ela sabia que tinha algo de errado, eu estava quieta de mais. O céu era pintado por um laranja melancólico e as nuvens, antes brancas, estavam escurecidas em um amarelo desbotado.

– Saímos muito tarde. – IA quebrou o silêncio.

– Desculpa, não era minha intenção faltar dois períodos depois do intervalo. – Suspirei ao término da frase e voltei a contemplar o céu. Muitos achariam o cenário lindo, típico de um filme de romance, mas eu o achava triste e angustiado.

– A professora ficou com muita raiva, quem diria que te deixaria de castigo. – A rosada tornou a olhar para a rua deserta.

– Não era obrigada a me esperar. – Murmuro, fitando o lado oposto de Lia.

– Não fale assim, idiota. – Falou rispidamente. – Sou sua amiga.

Silêncio. E assim permaneceu até eu chegar em casa e ser recebida com uma bronca bem estruturada da albina. Haku parecia ter escrito aquele sermão e o decorado de ponta à ponta, tudo para, quando eu finalmente voltasse, ela desabasse tudo em meus ouvidos.

– Já pedi desculpas! – Grunhi.

– Mas Miku, o que te fez faltar a DOIS períodos? Sabe o quanto isso é grave? – Perguntou-me séria, com os olhos vermelhos faiscando de tão furiosos que estavam, porém lá eu conseguia ver algumas centelhas de preocupação.

– Não aconteceu nada. – Menti já subindo as escadas. – Apenas não me deu vontade de assistir as aulas! Vou tomar banho.

Haku murmurou mais algumas coisas que não chegaram aos meus ouvidos, pois eu havia me trancado no quarto. Fechei a porta e encostei minhas costas na mesma, soltei um longo suspiro e deixei-me escorregar pela madeira branca e cair sentada no chão. Abracei meus joelhos em um ato infantil.

Levanto o olhar para o lustre preso ao teto de cor branca, fechando os olhos depois de um tempo de encarar a luz. Solto um pesado suspiro antes de acordar de meus pensamentos.

– Não adianta ficar assim, Miku. – Repreendi-me.

Levanto rapidamente e vou em direção ao banheiro com meu pijama curto. Retirei meu uniforme e desprendi meus cabelos e senti-os cair pelas minhas costas e pinicar minhas cochas. Adentrei no box e liguei a ducha em uma temperatura amena.

=/=

Após o banho eu saio do banheiro, já vestida e com a toalha enrolando meus cabelos. Ouvi Haku gritar do andar de baixo avisando que logo o jantar estaria pronto.

Com o canto do olho avisto o notebook que ganhei de meus pais no ano passado de aniversário. Era da Samsung, rv415, a parte de baixo preta e a parte superior de um azul semelhante as minhas madeixas azuis petróleo.

“Yuronoro” A voz infantil da menina invade meus pensamentos.

– Miku! O jantar está pronto. – Ouvi Haku.

Balancei minha cabeça para os lados tentando retomar a concentração do que estava acontecendo a minha volta. Retiro a toalha de minha cabeça e prendo meus cabelos em um coque. Saio do meu quarto e desço para a cozinha onde Haku me esperava com um delicioso espaguete já servido em meu prato. Sento-me a mesa e avisto os olhos cor de sangue me fitando.

– Não vai dizer nada?

– Itadakimasu! – Pego os hachi ao lado do prato de porcelana esbranquiçada. Ouso a albina suspirar e finalmente desistir de tentar me dar uma bronca no meio do jantar.

– A diretora me ligou para falarmos de uma penalização adequada. – O tom de sua voz saiu quase como um sussurro. Senti os pelos de minha nuca se eriçarem. Odeio a palavra “penalização”, nunca é coisa boa, ou pelo menos algo que não seja tão ruim.

Vermelho faiscante e azul teal chocaram-se em um olhar intenso, quase como se uma conversa estivesse sendo feita.

Não iria ser coisa boa. Minha voz saiu quase mórbida ao perguntar.

– O que decidiram?

Um novo silêncio se instalou na cozinha. Era imprescindível que Haku estava decidindo qual a melhor maneira de me contar a verdade. Seus olhos faiscantes olhavam, ora para a direita, ora para a esquerda. Até que finalmente me fitou novamente.

– Você não irá participar do clube de música esse ano.

Meu coração falhou uma batida. Meus olhos voltaram a arder e já os sentia lacrimejados. Minha respiração ficara pesada e tudo que consegui pronunciar, com a voz rouca, foi:

– O que? – Olhei desesperada para a albina. – Diga que é mentira. – Meus lábios tremeram.

– Sinto muito, Miku. – Haku sussurrou em tristeza.

Deixo os hachis caírem ao lado do prato. Levanto-me e me apoio com as duas mãos na mesa. Fito meus próprios pés, com os olhos arregalados até que, pela segunda vez no mesmo dia, sinto a gota quente de uma lágrima fugindo apressadamente de meus olhos.

Dou as costas para os olhos preocupados de Haku e saio em disparada para meu quarto. Fecho a porta com força e não deixo de passar a chave pela tranca. Eu já estava aos prantos. Caio na cama em um baque, prenso o travesseiro em meu rosto e, como se fosse uma necessidade, grito. Grito com todas as minhas forças, porém meus berros foram abafados pelo material do travesseiro.

Eu consigo apenas rolar. Rolar e rolar em meus desejos e graças a isso estou longe de completar meus sonhos. Isso é tão... detestável.

Já com a garganta áspera de tanto gritar, xingar e praguejar eu finalmente pauso para respirar. Noto que o tecido branco estava encharcado de lágrimas. Atiro-o para a borda da cama com raiva. Logo depois cubro o meu rosto com as mãos, criando uma pressão contra o mesmo.

“Isso não pode estar acontecendo” Eu penso para mim mesma.

– Não pode. – Murmuro com mais lágrimas rolando pelas minhas bochechas. Solto alguns soluços.

Olho para um canto de meu quarto e fito minha guitarra colocada, graciosamente, em cima de um banco.

Solto um longo soluço.

– Ainda não acabou. – Falei com a voz um pouco embargada e, talvez, com falsa esperança.

Pego meu notebook como quem não tem nada mais interessante para fazer. Com minha voz rouca e minha garganta doendo não adiantaria de nada tentar praticar alguma música e, também, não estava em meu estado mais sã para isso.

Ouso a droga da musica do Windows iniciando-se e contemplo o wallpaper que tomava a tela inicial do aparelho. Nada mais que uma foto de mim e meu irmão quando crianças.

Ele estava fazendo faculdade no outro lado do país, por isso fazia tempo que não nos víamos, sentia saudades e não é como se em todos os feriados ele pudesse me visitar, mas sempre que podíamos, nós fazíamos uma festa particular entre eu, ele e Haku.

Acesso o Google e, quase que automaticamente, digito na barra de buscas “Yuronoro.chat” e então teclo “Enter”. Após a busca terminar rapidamente eu acesso a primeira página da lista e o nome “Yuronoro.chat” aparece no topo da página com as cores de um roxo vibrante. Havia até mesmo uma mascote. Uma cobrinha amarela que se enroscava no “Y” do nome da página.

Havia para escolher “Logar” e mais abaixo “Inscrever-se”.

Sem ao menos hesitar eu clico para me cadastrar.

Nome:

Senha:

Senha:

– Só isso? – Perguntei-me. – Bom... – Penso por alguns instantes. Levo meus dedos ao teclado e digito “Rolling Girl”. Solto uma risada falha e então volto-me para a senha. – Pois bem... que tal essa? – Digito agora “alhoporo123”, dou outra risada e confirmo a senha.

Apareceu o símbolo de “carregando” e meu perfil apareceu. Abaixo de meu nome havia “0 conversas” e mais abaixo “0 amigos”. Suspiro.

– Vamos ver no que isso vai dar. – Clico no ícone de “iniciar conversa com alguém” e logo depois aparece na tela “procurando alguém interessado”. Fico parada, esperando, por aproximadamente 5 minutos. – Arg Miku, o que você está fazendo? – Quando vou fechar a página aparece “Mine-Kun quer iniciar uma conversa com você, deseja aceitar?”.

Faço o mouse rodear rapidamente o ícone que dizia “sim” até que finalmente eu clico.

Mine-kun: Yoo!

Clico no balãozinho para digitar minhas falas.

Rolling Girl: Olá!

.

Mine-Kun: Você é menina, certo?

Rolling Girl: O QUE QUER DIZER COM ISSO?! É LÓGICO QUE SOU MENINA!

Mine-Kun: Hahahahaha, sinto muito, é que há muitos estranhos em um site como esse.

Rolling Girl: Quem fingiria ser uma menina?

Mine-Kun: Acredite, muitos.

Rolling Girl: Hm. E você?

Mine-Kun: Sou menino...

Rolling Girl: Okay.

Mine-Kun: Mas então, quantos anos você tem?

.

Rolling Girl: Não acho que seja uma boa ideia falar coisas tão pessoais com estranhos.

Mine-Kun: Certo, certo. Mas pelo menos você é maior de 13?

Rolling Girl: Sim, e você? Quantos anos tem?

Mine-Kun: Só digo se você dizer.

Rolling Girl: Nada disso.

Mine-Kun: Okay, mas sou maior de 13 também. Acredito que não vai me contar seu nome verdadeiro também, não é?

Rolling Girl: Claro que não vou!

Mine-Kun: Tudo bem, mas eu não vou dizer o meu então.

Rolling Girl: Justo!

.

Mine-Kun: Diga-me, você acabou de se cadastrar?

Rolling Girl: Sim, como você soube?

Mine-Kun: Dei uma olhada no seu perfil: 0 amigos, 1 conversa. Hahahahaha

Rolling Girl: Para de rir!

Mine-Kun: Okay, Okay, me adiciona?

Rolling Girl: Unf... tudo bem.

[ Mine-Kun lhe enviou um pedido de amizade, deseja aceitar? ]

[ Sim ] [ Não ]

Seleciono para aceitar e o estranho volta a falar.

Após algum tempo continuamos a conversar como se fôssemos dois retardados sem nada melhor para se fazer. Ele tentava me deixar envergonhada falando coisas um tanto quanto maliciosas, mas eu apenas falava para ele calar a boca e depois continuávamos conversando.

Era engraçado como na internet tudo era mais fácil. Conversar com pessoas na vida real parecia algo tão difícil quanto criar a letra de uma música. Ambas as ações precisam de planejamento e você tem que ter alguma ideia de que palavras você vai usar primeiro e saber com que rumo irá levar a conversa ou a letra da música.

Mas mesmo com tudo isso, ali, em frente a tela do computador as palavras eram digitadas com destreza, podendo ignorar o semblante da pessoa que estava lendo do outro lado. Era tudo mais fácil.

Mine-Kun: Desculpa Rolling, estou meio cansado e queria ir dormir.

Rolling Girl: Tudo bem, boa noite!

Mine-Kun: Igualmente!

Sorri involuntariamente para a tela do notebook. Parecia ser um site interessante. Fiquei pensando em meu novo “amigo” e comecei a cogitar a ideia de quem seria. Quem quer que fosse, havia ganhado minha atenção e interesse, talvez eu voltasse a falar com ele.

[ CrazyTop quer iniciar uma conversa com você, deseja aceitar? ]

Sorrio e aceito.

=/=

Hoje seria o dia de eu decidir para qual clube entrar, já havia falado para IA do ocorrido e ela disse que ia ficar tudo bem e, se eu quisesse, ela iria para o clube junto comigo. Falei que não era preciso, porque ela tinha decidido que entraria para o clube de teatro e eu não mudaria sua decisão.

– Hatsune Miku! – Ouso a voz da professora Lily chamando-me a frente da sala. – Poderia explicar essa equação, por favor? – Pergunta irônica.

– Eu... heerm... – Olho confusa para todos os símbolos químicos que haviam no quadro. Alguns alunos a minha volta começam a rir e então sinto minhas bochechas esquentarem de vergonha.

– Hatsune Miku – O silêncio se instalou nos alunos que a um segundo atrás estavam rindo. – Então Hatsune-san, o que acontece quando juntamos Ba + Na²?

– Banana? – Isso foi a gota d’água para que toda a sala irrompesse em altas gargalhadas que podiam, provavelmente, serem ouvidas do corredor e talvez até mesmo das salas ao lado.

– CALADOS! – A voz da professora cortou os risos que tiveram que ser comprimidos entre os lábios dos estudantes ali presentes. Comecei a corar que nem um pimentão de tão vermelha que estava. Lily me olhou com seus olhos vibrantes. – Quero ter uma palavrinha com você depois da aula, Hatsune-san.

– S-sim! – Droga assim não terá tempo para eu escolher um clube.

=/=

O sinal havia tocado pelos corredores e a professora Lily dava “tchau” para os alunos, alguns até paravam na minha mesa para fazer algumas brincadeirinhas idiotas. Olhei para IA que parecia dizer “te esperarei do lado de fora”.

Levanto-me da cadeira e vou a frente da professora que olhava-me com reprovação.

– Desculpe-me pelo o que aconteceu, Lily-sensei, juro que falei sem pensar, mas, por favor, não conte nada para a diretora!

Lily suspirou e prensou a base do nariz entre os dedos em uma atitude cansada. Ela se sentou à mesa e fitou-me com seus olhos azul-piscina.

– Sabe Miku, eu sei que você tem dificuldade em química, mas nesse ano as coisas serão mais complicadas. – Ela fitou alguns papéis na mesa e depois voltou seu olhar para mim. – Vou achar um professor particular para você, tudo bem?

– Particular?

– Sim, um aluno. Nem que seja de outra turma. Tem muitos habilidosos em química por ai. Daqui a dois dias quero que me encontre aqui para conhecer seu professor. No fim das aulas, tudo bem?

– Sim, professora.

– Agora vá.

– Sim Lily-sensei!

Saí correndo pelos corredores. Passei por alguns estudantes que conversavam despreocupadamente.

Paro a frente do quadro exposto no corredor principal, não tinha quase ninguém lá, apenas IA que me esperava com seus olhos azuis e preocupados.

– IA! Conseguiu entrar para o clube de teatro? – A rosada assentiu. – Ótimo, agora vamos ver as vagas sobrando.

– Esse é o problema, Miku, só há uma. E é no clube de teatro. – Disse a garota.

Notas finais
Então, o que vocês acharam? Eu estou precisando de dicas para melhorar minhas descrições. Eu acredito que eu não consigo transpassar de maneira adequada os sentimentos dos personagens, por isso gostaria que vocês dessem sua opinião quanto ao meu jeito de escrever. Obrigada por lerem até aqui >w< PS: Vocês estão conseguindo visualizar a capa do capítulo???? Ou o nyah continua com esses bugs????