Rolling Girl
30 Capítulo XXX - Culpa
Notas iniciais

Len estava muito entediado enquanto permanecia sentado na sala de espera da psicóloga escolar. O loiro de vez em quando olhava para o moreno ao seu lado que permanecia entretido com uma revista qualquer que encontrara na sala praticamente vazia, exceto por eles dois.
Rei havia pensado que seria melhor tentarem uma conversa com Clara, a psicóloga, naquele horário, uma vez que as meninas estavam no clube de teatro. Ao que parece, IA tomara um dos papeis secundários e Miku se conteve apenas a uma simples ajudante de palco, uma vez que já tinha que decorar uma música inteira para o show que ela participaria na frente da escola. Faltava ainda um mês e alguns quebrados para o tão esperado dia e a garota de cabelos turquesa, pelo o que Rei e IA lhe falaram, já estava tendo espasmos de nervosismo. Len queria poder conforta-la, mas isso parecia impossível quando se analisava a situação, Miku estava o evitando de todas as maneiras possíveis desde que as férias terminaram... E isso já fazia duas semanas.
Ele se pegou mordiscando a pele do lábio inferior e soube que deixaria alguma ferida temporária por lá. Odiava aquela espera e queria dar logo um fim a tudo isso, principalmente a certa garota de cabelos acinzentados e olhos de intenso carmim.
Um clique fora ouvido e a porta se abriu, revelando uma adolescente de cabelos roxos presos a duas maria chiquinhas e olhos de mesma cor. Ela trajava o uniforme escolar do ensino secundário e, mesmo sendo de outro setor, Len a reconheceu como Tone, pois ainda que seja nova ela ia a algumas festas do círculo de amigos do Kagamine. Nunca dera muita atenção à menina, mas não sabia que ela tinha problemas que necessitassem de uma psicóloga.
Ela olhou para os dois e arregalou os olhos ao mesmo tempo em que corava.
— Clara disse que vocês podem entrar... — disse apontando para a porta atrás de si com o polegar e indo em direção à saída ainda com o vermelho salpicado em suas bochechas. Len imaginou que fizera isso porque o mesmo era meio famoso entre as meninas, mas quando a mais nova botou um pé para fora da sala de espera, ouvi-a sussurrar para si mesma. — Será que saíram do armário? Meus instintos fujoshi estão tilintando...
Len congelou no assento e logo em seguida Tone fechou a porta, provavelmente pensando que nenhum dos dois conseguiu ouvir o que ela tinha dito. O loiro provavelmente estava pálido feito papel e com uma expressão de desgosto, olhou para o lado e viu o mesmo semblante de repugnância no rosto de Rei até que este se virou e encarou os olhos azuis com intensidade mortífera, fazendo com que o Len recuasse até a ponta do sofá.
— Nem. Uma. Palavra. Sobre. Isso... Nunca. — o moreno disse com a voz sombria e em pequenas pausas, o loiro apenas concordou. — Vamos acabar logo com isso. — ele fechou a revista com força desnecessária e levantou-se a passos pesados em direção a porta. Abriu-a com uma calma assustadora e entrou junto ao loiro.
Len observou a mulher sentada atrás de uma mesa de carvalho. Seus olhos castanhos a observar os dois rapazes se sentando nas duas poltronas a sua frente. Ela era semelhante a Meiko, mas sua pele era mais bronzeada, trajava uma camiseta vermelha solta e por cima havia um colete negro. Usava também um short da mesma cor que o colete e que ia um pouco abaixo da metade das cochas, seguindo o mesmo padrão, uma meia sete oitavos de um tom escuro de marrom e, em seus pés, uma bota cano longo de montaria. Perdido em meio a seus cabelos da cor de cacau, havia um óculos escuro.
— Hm... — ela murmurou, acariciando o próprio queixo, pensativa. — É a primeira vez de vocês aqui. — não era bem uma pergunta, então ambos preferiram permanecer quietos. — Entretanto eu os conheço. Você... — ela apontou para Len. — [...] é o garoto brilhante da escola e você... — indicou Rei. — [...] é o estrangeiro que veio esse ano. Bom, o que me dá o prazer de ver dois garotos como vocês na minha sala nessa tarde? — a mulher perguntou, arqueando uma sobrancelha.
— Um problema. — Len respondera no ímpeto, ele notou o olhar confuso de Clara e aí que percebeu o quão ridícula sua resposta foi. Poxa, pelo o que mais as pessoas iam a um psicólogo? — Mas não é com a gente, na verdade é uma amiga nossa. O nome dela é Miku.
— Ah! A Hatsune-chan. — Clara exclamou.
— Você a conhece? — a voz de Rei rompeu a sala, chamando a atenção da psicóloga para si.
— Sim. Ela sempre veio constantemente aqui, mas suas visitas foram diminuindo esse ano, me pergunto o porquê. — a mulher soltou com um sorriso enigmático em direção aos meninos, Len pensou que, na verdade, ela já sabia de tudo. Já ouviu um boato qualquer sobre a psicóloga da sua escola saber de tudo sobre todos. — De qualquer maneira, não posso falar sobre ela com vocês, ela é minha paciente, seria antiprofissional da minha parte.
— Não queremos saber o que vocês conversavam. — Len estalou sem paciência. Já sabia as coisas que Miku conversava com a psicóloga, ou tinha uma ideia vaga sobre os assuntos. — Queremos saber se ela já poderia estar curada do caso de depressão que ela foi diagnosticada.
Clara fez uma careta e olhou com descrença para o loiro.
— Como você sabia disso? Quem te contou sobre o antigo estado psicológico da Hatsune-chan? — a mais velha disparou as perguntas sem pausa, olhando de Len para Rei, esperando uma resposta de algum deles. Essa proveio do moreno.
— Nós ficamos sabendo por uma amiga dela na verdade. Mas, inconvenientemente, essa informação chegou a mãos alheias e isso dará um grande problema para Miku se continuar do jeito que está. Pensamos então que seria uma boa ideia se a senhora pudesse diagnosticar a Miku como curada, de preferência o mais rápido possível.
A psicóloga estava cabisbaixa com a situação. Se informações sobre seus pacientes estavam vazando, então o problema era dela, porém imaginou que tais dados poderiam não ter saído do seu escritório. Ela sabia que sempre fora bem cuidadosa com tudo referente a seu trabalho e tomava cautela necessária para não cometer nenhum erro.
Ela estalou a língua.
— Temo que eu não possa fazer isso rapazes. Mesmo que a Hatsune-chan pareça bem melhor do que antes, não creio que ela esteja completamente curada de seu caso anterior. Não consigo achar motivos que digam o contrário. — ela suspirou derrotada.
— Não tem motivos suficientes? — a voz do loiro rompeu sua linha de pensamento. — Pois eu tenho. Eu sei que você sabe que eu tive que dar aulas para aquela garota e, por vezes, ela parecia uma cabeça de vento, eu admito. Mas depois de um tempo eu vi que ela sabia rir também, assim como soube fazer amigos na hora certa. Luka, Kaito e Meiko ficaram falando dela sem parar por semanas e eu juro que achei que ia morrer, depois disso até mesmo a minha irmã parou de ficar enchendo o saco da garota, mesmo que eu ainda ache que a Rin não gosta muito dela. E eu não acabei. Porque desde muito tempo a Miku tem fugido de tudo e todos e desde há alguns meses atrás eu sei que ela está tirando todo mundo do sério de tão nervosa que está porque finalmente decidiu dar mais uma chance a si mesma naquele concurso idiota que ela sempre quis participar.
Len teve que dar uma pausa para respirar e tentar se acalmar, pois estava ofegante. Com o canto do olho viu o moreno o encarando um pouco surpreso e, a sua frente, a psicóloga parecia chocada. Sua face atônita logo desfez-se e ela apoiou o queixo em uma das mãos parecendo pensar em alguma coisa.
Os dois garotos ficavam a observa-la em qualquer mínimo movimento. Aquele silêncio estava os deixando nervosos e isso não era nada confortável.
Clara pigarreou, atraindo as atenções para si.
— Bom, tendo isso em vista, eu posso fazer uma pesquisa sobre a atual... Circunstância da minha paciente. Mas uma última pergunta. Quero saber o porquê de vocês estarem tão preocupados com a ficha dela.
Tanto Len quanto Rei petrificaram no assento, eles voltaram-se um para o outro se encarando com preocupação. Inicialmente não planejavam contar detalhes sobre a história, mas agora, se quisessem tirar alguma coisa da mulher, precisariam arriscar. Certo?
Len engoliu em seco e começou a contar a história.
=/=
— Isso é tão fofo. — Clara murmurou, fazendo o loiro corar cinco tons de vermelho. Ela sorriu com isso. — Muito bem, vou ver o que posso fazer, mas não prometo nada. Por agora, acho melhor você não tentar ter muito contato com a Hatsune-chan, mas prometo que até amanhã vou lhe dar uma resposta. Ora, seria muito triste não fazer nada para juntar um jovem casal.
O vermelho se aprofundou em sua face, entretanto concordou em silêncio e se retirou da sala ao lado do moreno, que assistia aquilo tudo com seu caráter indiferente, até que decidiu quebrar o silêncio.
— Você realmente gosta dela, não é? — a pergunta pegou o loiro desprevenido. Tudo o que este fez foi abaixar o olhar em direção aos azulejos do corredor, deixando a franja bagunçada pinicar-lhe perto dos olhos.
— Claro que sim. — disse perto de um sussurro.
— É melhor mesmo, porque eu também achava isso quando vim parar aqui. — as palavras do moreno fizeram Len parar onde estava, Rei virou-se para o outro e viu as orbes azuis encarando-o com descrença.
— Você gostava da Mi...
— Eu achava ela bonitinha e... Diferente? Não sei, mas isso se foi tão rápido quanto veio. Na verdade, acho que acabou depois que eu conheci a IA um pouco melhor. — falou, se perdendo em algumas lembranças até que algo piscou em sua mente, deixando-o um tanto quanto apavorado. — Nunca diga isso a ela, okay?
Len riu fracamente.
— Certo, certo. Fico aliviado por isso, não ia gostar de mais um cara em cima da Miku. Já tenho preocupações de mais com aquele tal de Yohio, embora faça um bom tempo que não o vejo. Com sorte ele já desistiu porque, sinceramente, mais uma e eu mandava ele pra sete palmos abaixo dos pés. — afirmou arrancando uma risada breve do moreno.
— Rei! — ouviram IA os chamando no final do corredor junto de Miku. As pessoas a sua volta olharam rapidamente, mas logo voltaram a fazer o que estavam fazendo anteriormente.
Mesmo ao longe Len observou a garota possuidora dos longos cabelos turquesa e sua face torceu-se em uma expressão de angústia.
— Acho melhor eu ir indo, dê um olá pra elas por mim. — deu as costas para o grupo antes que as garotas chegassem e sumiu ao descer as escadas que levavam pra o pátio principal.
Quando a rosada chegou, bicou a bochecha do moreno, provocando leves tons de vermelho nas bochechas de ambos os rostos.
— Não namorem no meio do corredor... É estranho. — Miku chegou, observando os dois amigos que riram e entrelaçaram as mãos em resposta.
“Isso era tão injusto.”
Miku pensou
Ela os invejava. A garota notou quando Len deixou o local e como ele a olhou como se estivesse recebendo um golpe de punhal direto no peito. E isso era culpa dela
Totalmente dela.
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