Rolling Girl

18 Capítulo XVIII - Sentimento corrosivo


Notas iniciais
OOOOOE, vim hoje postar no horário certo dessa vez (uma vez que atualizo sempre no fim de semana). Minhas aulas começam segunda, o que me desanimou e isso contribuiu para a demora da atualização, pq eu só posto quando já tenho o próximo cap (nesse caso o 19) pronto e ele não está pronto, mas como sou uma autora legal vim aqui auhsuashuhsua. Outra coisas, chegamos aos 100 comentários ~pula mais que uma gazela~ e, olha, a pessoa a qual nos agraciou com o 100º comentário de Rolling Girl é uma leitora nova. Bem-vinda Lunista Crowler. Anyway, quero agradecer a todo o apoio de vocês. Tanto no Social, quanto no Nyah. Sério, os comentários são lindos e isso me motiva muito. Agradeço a todos vocês de coração, eu nunca chegaria até aqui sem vocês e espero que eu consiga terminar a minha fic (o meu extenso histórico de fic's abandonadas me condena). Kissus e bom capítulo

Um dia havia se passado desde que Miku conhecera Yohio e, desde então, eles estavam conversando e ficando mais próximos via mensagem de texto durante o dia, mesmo em horário de aula. A garota até estranhara no início, pois até então nunca recebera tamanha simpatia de um estranho qualquer, mas o loiro de sorriso maroto pareceu quebrar esse tabu assim que aparecera.

Miku, no exato momento, estava sem sua cama, fazendo os últimos rituais antes de finalmente tentar cair no sono. Mandara uma última mensagem para Yohio, se despedindo com um “boa noite” e então pegara seu costumeiro notebook, digitando logo em seguida o site que mais acessara nesses últimos tempos. Dois meses, para ser mais exata, e Miku estava sedenta para as férias de verão em julho.

Demorou pouco para achar o contato com o qual mais conversara desde que entrara no site. Por mais estranho que estivessem as coisas entre eles, manter contato era importante.

Rolling Girl: Yooo!

...

Mine-Kun: Ah, oi.

Rolling Girl: Aconteceu alguma coisa?

Branco. Essa fora a resposta dele. Ou seja, nada! Nesse exato momento, Miku soube que, ou ele estava de mau humor, ou ela perguntou algo realmente estúpido ou ele estava confuso mesmo depois de tanto tempo do ocorrido. Ou simplesmente todos juntos.

Rolling Girl: Eu vou entender caso prefira esquecer o que aconteceu.

Decidiu não insistir no assunto, saindo logo em seguida, mas, lá no fundo, ela sabia que, na verdade, estava com medo da resposta. Ela gostava de Len, claro que não chegava a passar de uma “quedinha” de colégio, mas ainda gostava tanto que as vezes chegava a doer. No momento em que ele a beijou pela primeira vez, não podia se sentir melhor, mas depois de sair de sua casa, lembrou-se de que ele já fez o mesmo com Gumi, SeeU, Luka, Neru, Teto e mais várias outras garotas.

Aquilo doía, doía muito mais que a ferida já curada de Tei. Dessa vez seu coração estava se quebrando aos poucos, sem nem mesmo Len perceber, ou ter a intenção de fazê-lo.

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“Eu vou entender caso prefira esquecer o que aconteceu”.

Não, ele não queria esquecer aquilo. O que ele realmente queria era apagar de sua memória o loiro estranho que vira com Miku no fim da tarde de ontem. Pelo amor de Deus, o que houve com ele? Logicamente ele não era nenhum idiota quando o assunto era sentimentos, sabia que estava se corroendo de ciúmes, mas não sabia o porquê. Já tivera a oportunidade de ficar com dezenas de garotas — e até fazer coisas mais maliciosas que beijos — mas não sabia o porquê de Miku ser diferente.

Ele ainda estava com SeeU, não fixamente, óbvio, mas tinha medo de imaginar o que aconteceria se ele simplesmente a dispensasse. Além do mais, ainda teria que lidar com Tei e sabe-se lá o que se passava na mente conturbada da albina.

Len deixou-se fechar os olhos em quanto se revirava na cama ao procurar uma posição mais confortável.

Ainda teria que enfrentar os olhos de Miku no dia seguinte.

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IA estava com problemas. Dessa vez, Miku já partira para ter as aulas com o loiro e, agora, era a rosada que estava voltando para casa sozinha. Tudo estava bem, até que, por um milagre, conseguira a façanha de dar de frente com o grupo que mais deveria evitar. Só de olhar para o trio, um arrepio cruzava sua espinha.

— Tei-san, Mayu-san, Oliver-san... Ahn, bom dia? — o cumprimento de IA pareceu entoar-se mais com uma pergunta. Sentiu o olhar âmbar de Mayu ficar tão afiado que quase podia sentir os cortes surgindo em sua pele.

— Você é a amiga da Miku, certo IA? Sempre vemos vocês juntas pela escola. — Tei disse com uma voz sussurrante. IA iria responder, mas foi abordada antes de isso acontecer.

— E do Rei também, não é? — Mayu perguntou, levemente mais interessada.

— E-eu, bem... sim? Eu acho.

O corpo de IA endureceu, esta tentou imitar o olhar intimidador que estava recebendo, porém três versus um — principalmente esse um sendo alguém como IA, que não conseguia se quer assustar um coelho — não parecia ser muito justo.

— A Miku me contou o que você fez, Tei. — disse em um surto de coragem, recebendo um sorriso torto da albina.

— Entendi. Então você quer receber o mesmo tratamento?

IA estremeceu com essas palavras, se preparando mentalmente para o pior que se seguiria. Porém Mayu tomou o centro das atenções com um semblante de descrença em quanto analisava IA dos pés a cabeça.

— Assim como eu não entendo a importância que o Len deu para Miku, eu não entendo o que o Rei viu em vocês duas. Valia muito mais a pena ele ter investido na Gumi, porque ela só faltava se jogar nele, mas, diferente da SeeU e da Tei, ela desiste fácil de mais. Mas eu até entendo, afinal, ao contrário de vocês, ninguém aqui é deslocado feito você e a garota do show de talentos. — a menor do grupo, Mayu, terminara com um pequeno sorriso torto.

IA sentiu a hesitação em suas próprias ações, mas não queria fraquejar muito, ainda mais na frente daquele grupo. Não agora, pelo menos. Principalmente após perceber o interesse excessivo de Mayu por Rei, todavia ainda queria sair inteira.

— Pelo menos ela segue em frente e não fica se revirando de ciúmes que nem vocês duas. — a rosada mordeu o lábio inferior, impedindo outras palavras. Maldito seja essa onda repentina de coragem, arrependeu-se assim que as duas garotas a fuzilaram com o olhar. Atrás delas, Oliver parecia trancar uma risada.

Tei tomou um passo a frente, seguida do recuo de IA, que notou o estranho vazio no corredor, o que já era de se esperar, uma vez que todos eram muito apressados para voltarem para casa.

— IA, você ainda está na escola? — uma voz soou atrás de si, fazendo-a girar a cabeça para se encontrar com um dourado cintilante.

Ao verem a pessoa que acabou de chegar, o trio voltou alguns passos para trás, se distanciando de IA, ao mesmo tempo em que o moreno avançava para ela. Ele notou o olhar suplicante da garota em questão, o que só o fez aumentar o passo e se por ao lado dela, depositando uma única mão no ombro fino da garota. Seu olhar estava cheio de convicção.

— Quer que eu te leve para casa? — perguntou, logo depois fitando o grupo com um brilho estranhamente amedrontador nos olhos. Eles se afastaram e rapidamente deram meia-volta, deixando, por fim, os dois sozinhos.

— Obrigada! — a rosada disse em um sussurro de alívio, com as maçãs do rosto levemente coradas e as pernas ainda tremendo devido ao susto anterior. Um pouco mais e, provavelmente, levaria muito mais do que uns cortes na bochecha.

— Não há de que, mas eu estava falando sério. Quer que eu te acompanhe até sua casa? — IA fraquejou perante a pergunta do moreno.

Ela queria sua companhia até então, mas nunca chegara a levar um colega para sua casa. Não exatamente porque não queria, mas mais principalmente devido a ocupação de seus pais.

— Eu quero, mas... Nunca cheguei a levar um amigo lá em casa.

Rei piscou.

— Se preferir, eu posso seguir caminho com você, alguma hora teremos de pegar ruas diferentes, certo?

IA sorriu.

— Certo!

=/=

A ponta do lápis de Miku batia constantemente na bancada, produzindo um som que já começara a irritar o loiro atrás de si. Ele já teve de aguentar o silêncio constrangedor que se instalara desde que começaram a caminhar juntos em direção a casa dos Kagamine.

A garota teal, por sua vez, já conseguia resolver as questões atuais muito mais rapidamente e suas notas tem se mostrado ainda mais satisfatórias, tanto que Lily disse, uma vez que Miku continuasse mostrando resultados positivos, ela já estaria liberada das aulas particulares nas férias de verão. Len pareceu gostar da ideia inicialmente, afinal, não precisaria mais “lecionar” e sim aproveitar sua tarde de Quinta-Feira, mas, assim como a garota, ficara se perguntando se voltariam a se tratar como fantasmas.

— Len, terminei esse aqui. — Miku disse ao afastar o caderno rabiscado com incontáveis fórmulas, cálculos e rascunhos. O garoto desviou seu olhar da tela do celular até as anotações para conferir as respostas.

— Parabéns, você está dominando esse conteúdo também. Já quer passar para o próximo ou prefere uma pausa?

— Uma pausa. — ela respondeu sem ao menos pestanejar, jogando o lápis para o outro lado da bancada como estava acostumada a fazer.

Miku hesitou em girar a cadeira para encará-lo, decidiu não o fazer. Len estava estranhamente mais frio e distante que o comum e aquela gentileza toda que já recebera conseguiu a deixar muito mal acostumada, especialmente agora com essa indiferença toda que ele estava exercendo sobre ela.

Um som rompeu o silêncio, mostrando ser o celular de Miku que indicava ter recebido uma nova mensagem.

— Quem é? — Len perguntou, com os olhos levemente semicerrados, mas Miku não chegara a ver, pois estava de costas.

Ela agarrou seu celular, constatando ter recebido uma resposta da mensagem que enviara anteriormente a Yohio.

— Um amigo.

Os olhos de Len voltaram a ter aquele mesmo brilho perigoso do dia anterior quando avistara a garota turquesa com o rapaz do parque.

— O loiro do parque? — perguntou com a voz seca.

Ele observou o corpo da garota enrijecendo-se na cadeira.

— Como você sabia? — perguntou surpresa.

— Eu moro perto do parque, se esqueceu? Eu vou lá de vez em quando. —disse, não conseguindo esconder a indignação em sua voz. — Quem é ele?

— Porque você se importa? — a voz de Miku já demonstrava indignação assim que ela, finalmente, girou a cadeira para enfrenta-lo. Logo que ela cruzou seu olhar com o cerúleo dele, levou um susto, parecia ter voltado no tempo em que ele ainda a odiava. Seus olhos semicerrados e seus lábios contraídos mandavam uma corrente elétrica assustadora pela sua coluna.

Len se aproximou, inclinando-se sobre Miku e se apoiando com as mãos na bancada atrás da garota, trancando-a entre ele e a cadeira.

— Não importa, eu só não quero te ver novamente com alguém como ele.

— Espera aí! O que? Por quê?

— Você já, se quer, olhou pra ele? Cabelo loiro platinado, corte desigual e já troca telefone logo na primeira conversa? Esse cara só quer te pegar. — Len nem notou o quanto sua voz aumentava o tom, faltava pouco para se encontrar gritando.

— Você nem conhece ele. Além de que, você não pode falar nem metade do que disse, ou acha que eu não sei que você vive fugindo nos intervalos com uma garota alheia, há boatos até de coisas piores no armário de limpeza. Mas eu não falei nada até agora, então porque eu tenho que me importar se você quer ou não que eu fale com o Yohio?

Len franziu de leve o cenho e nem se apercebeu, mas já se encontrava com os dentes trincados.

— Eu não estou falando de mim, mas sim de você! Desde quando você se importa com esse tipo de pessoa?

— Desde que eu queria ter mais amigos! Foi você quem disse que eu deveria me aproximar mais das pessoas, não me diga que agora prefere que eu continue deslocada? Se fosse isso era melhor nunca ter dito aquilo, não é? — sua pergunta retórica foi seguida de uma voz um tanto chorosa. — Não sei se você já percebeu, mas nem todo garoto no mundo é como você.

O loiro engoliu em seco, fechando os olhos para se acalmar assim que percebeu que estava se exaltando ao excesso. Temia passar da linha dessa vez. Ele se abaixou um pouco em direção a ela, chegou tão perto e podia ver o sangue de Miku indo para as bochechas.

Com esse sinal ele deixou-se roçar os lábios nos dela, sentido os mesmos se contraindo em hesitação. Foi aí que ele prensou-os contra os dele próprio. Seu coração palpitou forte, instigando-o a aprofundar o beijo.

Len usou uma das mãos que o apoiavam na bancada e levou-a até a nuca de Miku, fazendo-a inclinar a cabeça de leve. Quando suas línguas se encontraram pela segunda vez, tentara fazer os movimentos calmos, uma vez que sabia a atual capacidade da garota em coisas do tipo.

Ela, por sua vez, sentiu a mesma sensação em seu estômago, assim como a leveza e a constante evaporação de qualquer pensamento que se atrevesse a tomar sua mente. O rapaz se afastou com os olhos ainda fechados para deixa-la tomar fôlego, porém a voz da mesma o fez abri-los.

— Len, o que eu realmente sou para você? — sua voz saiu tímida e levemente arfada, mas tinha algo mais, julgara ser, talvez, uma pitada de medo da resposta que se seguiria.

Esta foi o silêncio, uma resposta que nunca viria. Pelo menos não agora. As íris de Len se dilataram em surpresa, talvez procurando uma resposta que ainda não descobrira. Não sabia o que Miku era para ele, mas apenas isso não justificaria o ataque de ciúmes que tivera a pouco. A garota estava assustada e Len não queria machuca-la pela milésima vez.

Miku cansou de esperar uma resposta digna. Empurrando Len para longe, foi em direção a porta logo depois de pegar suas coisas para se retirar da casa de uma vez. No entanto ela parou um pouco antes.

— Não vou ser sua putinha particular, Len. — ao terminar ela deixou o quarto sem ao menos olhar para saber que semblante o loiro sustentava no olhar, assim saindo sem receber uma resposta definitiva.

Notas finais
Gostaram do capítulo? Eu, particularmente gostei, achei tretoso. Não sei o que vocês consideram tretoso, mas eu costumo tentar deixar a treta a níveis dignos de realidade, claro. Anyway, gostaram dos momentos de casais (embora eu tenha meio que quebrado Lenku ao meio?). Aproveitem e até semana que vem seus lindos Kissus >w< PS: Avisem caso venha a ter erros ortográficos e concordância ok? ~Tenho a sensação de que esqueci de falar algo importante aqui, anyway.