JEON JUNGKOOK

Eu estava definitivamente cansado, sem vontade de pensar em nada além da minha cama quentinha e aconchegante. Só de pensar que eu não poderia dormir quando chegasse já me sentia em completo desânimo, mas ao mesmo tempo era bom saber que minha irmãzinha estaria toda animada e iria querer conversar comigo por um longo tempo.

Meus pais infelizmente faleceram quando minha irmã mais nova tinha nove anos e eu tinha dezessete. Como eu já estava quase nos dezoito eu fiquei com a guarda dela e com o que ficou de dinheiro dos nossos pais nós nos sustentamos, mas não demorou para que eu começasse a trabalhar. Eu fazia tudo pela minha pequena, que hoje tem seus quinze anos, porém que continua sendo o meu bebê.

E bom, hoje eu estava exausto, o dia havia sido cansativo, e eu ainda sei que vou precisar lidar com o fato de que minha irmã mais nova está tendo aulas particulares com algum senhorzinho que talvez estivesse trabalhando apenas como uma distração.

Assim que adentrei a casa ouvi o som alto de uma música eletrônica soar pela sala, sorri automaticamente quando as risadas da minha irmã ecoaram junto ao som, mesmo que eu achasse que ela estaria estudando agora e não ouvindo música naquela altura. Se eu não tivesse Jiwoo ao meu lado, certamente já teria enlouquecido. Minha maninha pode até ser oito anos mais nova que eu, mas ela cuida tanto de mim quanto eu cuido dela. Jiwoo é meu anjinho da sorte, definitivamente.

— Ji! Cheguei! — Anunciei mesmo sabendo que seria ignorado devido ao barulho alto que tinha ali.

Larguei minha mochila no balcão perto da porta e fui até a cozinha, ouvindo as risadas cada vez mais altas. A casa estava impecável em quesito arrumação, minha irmã tem certa cisma de que nosso lar jamais pode ficar bagunçado; ela arruma até o meu quarto quando o julga desajeitado e depois me xinga por eu ser tão desorganizado. Ela é tão a nossa mãe...

— Kookie! — Se grudou em minhas costas feito um coala, me fazendo rir.

Eu podia estar cansado e querendo dormir, mas era ver seu entusiasmo para meu dia melhorar em quinhentos por cento. A segurei pelas pernas e girei em meus calcanhares, colocando-a sentada sobre o balcão antes de virar-me novamente e abraçá-la. Senti suas mãos afagando meus cabelos daquela forma carinhosa que só ela fazia e tive a sensação de que poderia dormir ali em seus braços.

Soltei um suspiro e deixei um beijo em sua bochecha, ouvindo mais uma vez sua risada.

— Já terminou sua aula? — Questionei à ela, deixando um carinho em sua mão; ela adora.

— Não, mas sua irmã está tentando a todo custo fugir de mim. — Ouvi uma voz masculina, doce e sutil, ecoar pelo ambiente e virei-me.

Ok. Um minuto. Quem é esse ser humano loiro usando roupas de dança todo suado em minha frente? O professor particular da minha irmã por acaso é dançarino? Eu paguei por um professor ou um dançarino? Confesso que fiquei confuso por alguns instantes ao mesmo tempo em que estava petrificado com tamanha beleza vinda daquele ser que carregava um sorriso pequeno e de lado. Ele definitivamente era lindo, tinha uma boquinha com lábios gordinhos, bochechas que me deram uma intensa vontade de apertar, olhinhos pequenos que diminuíam conforme seu sorriso crescia, e o cabelo bagunçado e molhado pelo suor até que lhe dava uma aparência um tanto fofa. Ele era mesmo bonito. E estava com as bochechas ruborizadas? Por que ele corou?

— M-Meu nome é Park Jimin, eu sou o professor de dança da sua irmã. — Por que ele pareceu nervoso? E como assim professor de dança?

— Professor de dança? — Virei-me para Jiwoo, arqueando a sobrancelha. — Você disse que estava com dificuldade em matemática! Jiwoo!

Jiwoo fez aquela carinha de cachorrinho que caiu da mudança e eu apenas a olhei mais bravamente, mesmo que eu estivesse me segurando para não sorrir e abraçá-la e dizer que estava tudo bem. Algumas vezes eu precisava ser rígido com ela, mas me parecia tão difícil quando Jiwoo era uma menina tão fofa.

— Depois conversamos, mocinha. — Olhei-a por cima do ombro quando virei-me mais uma vez para o Park, esticando a mão para cumprimentá-lo de forma correta. — Prazer, Sr. Park, sou Jeon Jungkook.

Jimin sorriu mais largamente, me fazendo reprimir um suspiro. Nunca me atraí tão rapidamente por alguém, sendo bem honesto, e foi um choque perceber que tão repentinamente eu já me via pegando seu número e desejando muito poder conhecê-lo melhor. Talvez isso seja apenas cansaço, não é?

— O prazer é todo meu. — Tinha uma pitada de malícia em sua voz, mas sua feição era doce demais para deixar isso transparecer mais abertamente. — Jiwoo, você quer terminar a aula ou deixar para amanhã?

— Eu estou cansada! — Minha irmã fez um bico adorável. — Mas vamos terminar. E você vai descansar, Kookie!

Ela pulou em minhas costas mais uma vez, mas eu sabia que era apenas para ela conseguir descer do balcão. Minha pequena coala. Virei as costas para eles após dizer que iria para o meu quarto e fui em direção ao cômodo que dissera. Precisava de um banho quentinho e da minha cama, e então tudo ficaria deliciosamente bem.

~#~

— Maninho! — Ouvia sussurros que pareciam verdadeiramente longe de mim, e uma carícia bem agradável era feita em meus cabelos. — Kookie, eu fiz o jantar, você precisa comer.

— Ji, me deixa dormir. — Resmunguei, me virando para o outro lado. — Eu não quero comer, eu quero dormir. Tá tão quentinho aqui.

Foi então que outra risada além da dela ecoou pelo quarto e o sono automaticamente foi embora junto com toda a preguiça. Era a risada de Jimin, eu sabia que era, acabei decorando o som após aqueles dois meses inteirinhos que ele dava aulas de dança para minha irmã.

No fim das contas Jiwoo me explicou que teve medo da minha reação caso ela me pedisse dinheiro para ter aulas de dança considerando que eu já tinha gastos o suficiente. Mas, poxa, ela era minha irmãzinha e eu seria incapaz de negar algo que ela queria tanto e que fazia tão bem — confesso que adoro ver as aulas deles quando posso, porque os dois dançam muito bem e porque assim me sinto menos culpado de ficar observando tão despudoramente Park Jimin.

— Convidei o Minnie para jantar com a gente, ele me ajudou a cozinhar. — Ela riu baixinho no meu ouvido e eu a encarei no mesmo instante. — Vou esperar lá embaixo, não demora!

Ela saiu correndo e fechou a porta, esquecendo-se do fato de que seu professor ficou para trás. Por que Jimin ficou e ela não? Por que eu sinto que minha princesinha está aprontando para cima de mim?

— S-sua irmã criou essa teoria de que você está interessado em mim. — Comentou Jimin, me fazendo quase cair na cama da qual eu havia literalmente acabado de levantar. JIWOO É A PRINCESA MAIS PESTE DA MINHA VIDA!

— A minha irmã não tem trava na língua mesmo. — Coloquei a mão em minha testa, me sentindo verdadeiramente envergonhado pelos comentários que ela talvez pudesse fazer.

— Então... não é verdade? — Seu tom lembrava certo descontentamento, estaria ele decepcionado com minha resposta?

Tá, era mesmo verdade, eu estava sim interessado nele. Nesses dois meses de convivência diária (tirando os domingos), eu gostava de conversar com ele enquanto minha irmã ensaiava os passos ensinados por ele. Jimin tinha uma conversa envolvente e o assunto entre nós parecia nunca acabar, sempre encontrávamos mais coisas para falar, deixando claro o quanto queríamos continuar trocando palavras um com o outro.

E eu me via a cada dia mais viciado em seu olhar sorridente, na sua boca, na sua voz, no seu jeito, nele por completo — ou ao menos o completo que eu conhecia até então. E ele me fazia bem, me fazia rir, fazia com que eu me distraísse e esquecesse do quão estressante era meu emprego. Ele era como Jiwoo, mas um pouco diferente por não envolver a questão familiar, sabe?

Jimin me envolvia de formas diferentes, porque ele não é Jiwoo, ele só tem um jeito como o dela, mas ele não é meu irmão. E que bom que ele não é!

— Talvez seja. — Confessei com mais vergonha ainda me tomando. — Eu vou... lavar o rosto e... já volto.

Me tranquei no banheiro, respirando fundo. Eu tinha chegado do trabalho com muita dor de cabeça, minha irmã me deu um remédio, me obrigou a tomar um banho quentinho e depois me encheu de cobertas quando me deitei. Eu tinha até mesmo vindo mais cedo que o normal para casa por conta da dor.

Era emocional, era puro estresse, e agora eu já me sentia incrivelmente bem. Só precisava de descanso mesmo, e para minha sorte depois de segunda-feira eu já posso aproveitar meus vinte e cinco dias de férias. Ah, como eu esperei por isso.

Lavei meu rosto com calma, pensando com que cara iria olhar para Jimin agora. Eu tinha, mesmo que indiretamente, confessado a ele que de fato tinha interesse por ele. E óbvio que não era mentira, mas eu tinha muito medo de sua reação perante isso.

Tá, talvez ele possa também ter interesse em mim, mas eu não me relaciono com outra pessoa tem tanto tempo que acabo ficando receoso e cheio de nervosismo desnecessário.

Só tive um namoro — e vários rolos, eu diria — e foi o bastante para sair traído e traumatizado. Terminamos vai fazer um ano e desde então não consegui mais me envolver com alguém, porque eu me prendia muito ao que tinha acontecido.

Mas agora é diferente, e eu sinto que poderia facilmente me envolver com Jimin; poderia tranquilamente estar com ele, gostar dele, amar ele sem maiores preocupações. Apenas viver um dia de cada vez sem esperar por um final, torcendo para que o último dia não chegasse.

Quando adentrei de volta o quarto Jimin me olhou sorridente e se aproximou de mim bem devagar, mostrando que estava receoso, e me abraçou pelos ombros. Suas bochechas estavam vermelhas e ele não me olhava diretamente nos olhos, era adorável de se olhar.

Não me contive em apenas olhar para ele e segurei sua cintura, me parecia precipitado, mas conversávamos há dois meses e até que trocamos algumas indiretas ao longo dos dias. Pode ser que nós dois não tenhamos nada, que não tenhamos a química que eu penso que podemos ter e isso simplesmente acabe. Ainda poderemos ser amigos e ele definitivamente é uma pessoa incrível para se ter ao lado.

E me parecia algo corrido, apressado, mas ao mesmo tempo também me parecia muito certo. Jimin me parecia o certo. E eu sabia que não me arrependeria.

Deslizei a pontinha do meu nariz por sua bochecha, me achando ousado o bastante para tomar tal atitude. Ainda havia hesitação de minha parte enquanto acariciava sua cintura, mas ao mesmo tempo também havia alguma certeza.

— Não é apenas talvez. — Sussurrei com a boca muito próxima da sua, eu sentia sua respiração mesclando-se na minha e a sensação era muito boa. — Mas preciso saber se é mesmo recíproco, não quero me precipitar.

— Talvez. — Pareceu estar brincando, os olhos finalmente encontraram os meus, e ele mordeu o próprio lábio inferior rapidamente. — Não é apenas talvez.

E então eu fiz o que queria há tempos: joguei tudo para o alto e o beijei. Jimin não resistiu, ele apenas me beijou também, arranhando de leve minha nuca e puxando meus cabelos ali. Jimin logo começou a acariciar os meus cabelos e eu sua cintura, explorando lentamente sua boca, aprofundando bem devagar o beijo, sentindo sua língua na minha e engolindo todos os seus arfares e suspiros. Por que tão lindo e atraente?

Virei-me com ele e o prendi contra a parede, abraçando-o melhor enquanto afastava nossas bocas em busca de ar. Jimin me olhou, eu o olhei, e voltamos a nos beijar. Não pensei em mais nada, com seus lábios grudados aos meus eu simplesmente fugi de todo o resto do mundo. Nada mais importava.

A sensação não poderia ser descrita, não tinha como.

— Se vocês não vierem comer eu vou até aí separar as bocas de vocês. — O susto que eu levei com a voz da minha irmã ao lado de fora do quarto foi tão grande que quase mordi a boca de Jimin sem querer. — Andem logo!

Eu murmurei um pedido de desculpas e Jimin começou a rir de forma escandalosa, parecia feliz de verdade e isso me alegrou. Se eu fui o motivo de sua risada, me sinto bem. E quero fazê-lo rir mais vezes.

— Jimin... — Chamei ao que ele andou na direção da porta. — O que acha de sair comigo?

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No dia em que convidei Jimin para sair comigo eu já me senti nervoso, mas nem perto de como me encontro agora. Estou me arrumando para sair, mas já troquei de roupas tantas vezes que daqui a pouco estarei atrasado.

— Ji! — Resmunguei, vendo minha irmã sentada sobre minha cama sorrindo para mim do jeito que sempre me dava confiança. — Eu estou horrível, não estou?

— Você está é apaixonado, isso sim. — Rebateu, levantando e vindo até mim. — Essa sua calça te deixa irresistível, Kookie. Se tem uma coisa que eu tenho certeza, é do irmão gostoso que eu tenho.

— JEON JIWOO! — Ralhei com ela, a vendo rir como a verdadeira criança arteira que ela é. — Tá boa essa roupa ou não?

— Se Jimin não te pegar, ele é muito idiota. Pelo menos um beijo tem que sair de tudo isso! — Revirei os olhos. Quando foi que essa peste ficou tão atrevida? — Só que essa camisa está muito formal.

Jiwoo se aproximou mais e arrumou as mangas da camisa, ajeitando também a gola e abrindo os dois primeiros botões da peça. Coloquei meus calçados e mirei minha irmã uma vez mais.

— Nós já nos beijamos. — Confessei para ela, que começou a dar pulinhos pelo quarto enquanto ria toda feliz. — Você é mesmo muito louca.

Ela me mostrou a língua e eu ri mais uma vez, passando o meu perfume e já pegando a chave do carro, meu celular e os meus documentos. Me despedi de minha irmã e ainda aguentei ela dizendo que era para eu me proteger, apenas ri de sua audácia e depositei um beijo em sua testa.

Adentrei o carro e respirei fundo antes de começar a dirigir na direção da casa de Jimin. Eu e ele iríamos ao cinema, algo bem simples, mas que tinha sido ideia de nós dois. Eu falei que seria interessante ambos escolhermos, assim seria divertido para os dois.

O caminho não era longo, não demorou muito para eu estar estacionado em frente à sua casa. Desci do veículo e andei até a porta, tocando a campainha em seguida. Assim que a porta se abriu eu fiquei de boca aberta.

Jimin usava uma calça de couro na cor preta ainda mais colada que a minha, uma camisa na cor branca e uma jaqueta por cima. Ele usava coturnos assim como eu. Jimin estava tão... bonito. Lindo, melhor dizendo. Eu o olhava e só conseguia pensar na beleza dele, e no quão sortudo eu era por estar levando alguém como ele para sair comigo.

Minha irmã tem razão sempre que ela elogia Jimin, porque ele é absolutamente estonteante.

— Você está lindo. — Me obriguei a elogiar, afinal sinceridade sempre vem em primeiro lugar. Ele sorriu todo tímido e fechou a porta de sua casa, se aproximando mais de mim e me roubando um selinho.

— Você também está lindo, Jungkook.

Meu coração parecia querer saltar para fora do meu peito, me sentia inquieto até mesmo por sentir sua respiração batendo em meu rosto conforme eu me aproximava para mais um selinho, para um beijo, um abraço, qualquer contato que eu pudesse ter com ele.

Na volta para o carro eu abri a porta para Jimin, ganhando um sorriso tão lindo que foi impossível não sorrir junto. De fato, como minha própria irmã disse, eu estou me apaixonando. Mas... como não se apaixonar por Park Jimin?

— Eu estava tão nervoso que cheguei a pensar que você não viria. — Sua confissão veio em um tom baixinho, me deixando derretido de uma forma que só Jimin era capaz de fazer. — Mas não faria muito sentido, não é? Afinal, foi você quem convidou.

Ri contido, era verdade, não faria sentido algum eu desistir de ir sendo que eu havia o chamado em um primeiro instante. Jimin é um ser humano muito precioso, ele despertou em mim coisas até então desconhecidas por minha pessoa. Ele me fez ver o mundo de outra forma, com mais cor, com mais vida e mais vontade, me fez sentir coisas novas, me fez perceber coisas diferentes.

— Em nenhum momento tive dúvida sobre vir. Meu único problema foi escolher uma roupa que ficasse boa. — Agora eu já não me sentia mais nervoso, porque Jimin me deixava calmo apenas com sua presença. — Mas a minha irmã disse que estava bom assim.

— Ela estava certa. — Concordou com a cabeça, me fazendo rir. — Enfim, o que vamos assistir?

— Tem aquela comédia que você comentou e um filme de terror. Como sei que terror não te agrada, vamos na comédia. — Comentei enquanto já posicionava o carro na vaga do estacionamento. — E também eu apenas queria sair com você, não me importo do que vamos fazer.

Jimin sorriu e seu sorriso apenas aumentou quando entrelacei nossos dedos. Poderia ser como um primeiro encontro, entretanto eu sentia que já havíamos ultrapassado as primeiras barreiras presentes no começo de um relacionamento. Eu só queria pular para a parte em que nos beijamos a noite inteira, depois sorrimos um para o outro e dormimos abraçados.

Sério, sem malícia alguma, apenas queria ficar deitado ao lado dele, acariciando-o e lhe beijando, sorrindo para ele perceber o quanto estou gostando de verdade dele.

Entramos no cinema após comprarmos os ingressos e também a pipoca e refrigerante. Dividiríamos tudo, eu já até sentia que estava com meu namorado e não um... amigo? Ficante? Quase namorado? Não sei definir o que eu e Jimin somos, mas, apenas gosto muito de tê-lo comigo. Rótulos não são necessários.

— Vou ser julgado se eu te beijar agora? — Jimin irrompeu o silêncio. A sala escura demonstrava que poucas pessoas estavam ali em volta, e eu pouco me importava, o cinema poderia estar lotado que eu não me importaria. — Porque eu quero muito beijar você.

Segurar um sorriso não seria possível nem se eu quisesse muito. Virei o rosto para ele e aproximei mais minha boca da sua, roçando nossos lábios enquanto o encarava na quase nula claridade existente. Nossas bocas se chocaram de forma sutil, eu queria agarrá-lo com toda vontade existente, mas o fato de estarmos sentados em poltronas de cinema separadas dificultava um pouco — e o balde de pipocas em minhas mãos também atrapalhava e eu apenas me concentrava para não acabar derrubando.

Assim que Jimin fechou seus olhos acabei por também fechar os meus, inclinei um pouco para o lado a cabeça e aprofundei o beijo, já sentindo falta de ter sua boca grudada na minha desse jeito. Só havíamos nos beijado uma vez, mas já tinha sido o suficiente para meu vício por Jimin começar com força.

— Estou feliz por estar aqui com você. — Seu sussurro rente aos meus lábios fez com que eu abrisse os olhos, contemplando-o quase como se ele fosse uma obra de arte. — Sempre fui muito na minha, entende? Muito tímido, sem amigos, não queria me envolver com ninguém por temer sair magoado e... aish, isso é muito vergonhoso, mas eu só tinha beijado uma única pessoa antes de você e, bem, eu tinha quatorze anos.

— Você não beija ninguém desde seus quatorze anos? — Espantei-me, vendo-o assentir todo envergonhado. — Como eu agradeço por ninguém ter aparecido antes para você. Não por você ter ficado sozinho, não é isso, não me entenda errado. É só que... me deixa feliz saber que você é solteiro, porque assim eu tenho uma chance. Novamente digo, não queria ver você sozinho e infeliz, e...

Jimin me interrompeu ao me beijar mais uma vez. Meu nervosismo tinha passado dos limites, me fazendo falar besteiras que eu não deveria dizer.

Não havia sido proposital, eu só tinha ficado ansioso repentinamente. O que eu queria mesmo dizer, é que se Jimin fosse comprometido, eu não teria chance alguma com ele, e sua personalidade havia me chamado atenção desde que coloquei meus olhos nele.

— Eu entendi, Kookie. Não se preocupa. — Riu mais uma vez, baixinho novamente, me dando um último selinho. — E eu também fico feliz. Vários apareceram e tentaram, mas eu não gostei de nenhum até te conhecer.

— Namora comigo, Jimin. — Sussurrei, ignorando o filme que havia começado. — Quer dizer... você aceita namorar comigo? É repentino, eu sei, mas... eu gosto de você. Gosto mesmo de você.

— Não precisa se explicar, bebê. — Me senti corar pela forma que ele me chamou, mas não fiz muito além de sorrir em sua direção. — E eu aceito, porque eu acabaria pedindo caso você não o fizesse.

Eu o beijei mais uma vez, e de novo, e de novo, e mais uma vez. Não cansaria de beijá-lo, porque sentir sua pele contra a minha, sua mão entrelaçada na minha, sua boca encaixada na minha, era simplesmente maravilhoso. Uma sensação que eu não trocaria por nenhuma outra.

— Ah, aliás... o que sua irmã me disse por mensagem realmente se confirma. — O olhei estranhando, ouvindo sua risada novamente. — Você ficou muito gostoso com essa roupa.

Essa Jiwoo me mata de vergonha! Mas agradeço, porque ela deu um empurrão maravilhoso para que eu tomasse coragem de chegar em Jimin, de beijar ele e de o convidar para sair comigo.

— Além disso, ela sabe muito bem se virar sozinha em casa, e eu moro sozinho também. O que você acha de ir para a minha casa?

— Você quer dormir comigo, é? — Provoquei-o, não esperando receber um sorriso tão malicioso vindo dele.

— Bom, eu não estava necessariamente pensando em dormir. Tenho uma ideia melhor.




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