Roleta Russa

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
One-shot ridiculamente curta. Se quiserem trilha sonora, botem pra tocar Russian Roulette da Rihanna ou do Spica. Recomendo do Spica, foi a que eu usei de base pra essa one shot. Enjoy ^_^

A mesa redonda era coberta por uma fina camada de pó. As pernas das cadeiras pareciam levemente bambas. Os cinco se olhavam, o revolver desmontado com as seis balas soltas. O medo era quase palpável, a atmosfera pesada no porão escuro. Parecia uma sala de iniciação da máfia.

As mãos da garota ruiva de cabelos curtos pegaram o revolver.

-Alguém tem que começar. –A voz dela era confiante, uma grossa capa de falso destemor cobrindo cada palavra.

Ela colocou uma bala na câmara do revolver. Apenas uma bala, um buraco letal dentre seis. Um sexto de chance. Ela não iria morrer.

Mas de quem havia sido aquela ideia idiota mesmo?

Girou o tambor com o polegar firme, a unha pintada de vermelho. Uma, duas, três vezes. A bala não podia ser engatilhada, podia? Podia.

Apontou a arma para a própria cabeça, dando aos seus amigos um olhar de desprezo.

-Alguém quer me impedir de atirar?

-Vá em frente.

-Se eu morrer, por favor, não deixem pingar sangue no carpe da minha mãe. Ela ficaria doida. –Riu. Seu riso era forçado.

Contou até três mentalmente, arrastando os números. Seus pais eram divorciados e nenhum dos dois parecia ligar para alguma coisa dela. Seu boletim sangrava. Sua irmã a odiava. Ela não tinha nada a perder.

Puxou o gatilho.

O estalo fraco de uma câmara tentando expelir uma bala inexistente soou com tanta força na cabeça da ruiva que ela pensou que fosse ter um ataque cardíaco.

-Acho que hoje não era seu dia. –O menino loiro a direita tomou o revolver da mão da menina.

Abriu o tambor e girou-o mais algumas vezes. Ele não estava com medo, ele não tinha medo. O pai era policial, ele crescera cercado de armas. Aprendera a não ter medo delas. Não era um revólver que já fora prateado, hoje era algo muito mais próximo da cor de ferrugem, que iria matá-lo.

Apontou a arma para a própria cabeça, dando duas batidinhas com o cano no buraquinho do crânio que dava livre acesso da bala ao cérebro.

-Aposto com quem quiser que eu não vou morrer.

Puxou o gatilho.

-Um sexto é uma probabilidade muito baixa.

Passou o revólver para o garoto sentado a direita dele. O garoto pegou a arma na mão com espanto. Passou os dedos por cada nuance, cada detalhe da arma. Ali estava ele, com o instrumento que matara o pai em mãos. Desde a morte do pai, a mãe trabalhava na prefeitura com o combate ao armamento e o fizera prometer mais de um milhão de vezes que o menino jamais tocaria numa arma. Era a primeira vez que ele quebrava a promessa. Sentir o objeto que levara a vida do pai nas mãos o dava um misto de pavor e poder. A mãe provavelmente teria um chilique se descobrisse que agora, seu único filho estava apontando uma arma para a própria cabeça. Tentou não pensar na reação da mãe se o encontrasse morto com um buraco de bala na cabeça.

Puxou o gatilho.

-Seu covarde, você molhou todo o cabo da arma de suor. Dá aqui, vou limpar pra você, florzinha. –O menino loiro piscou para uma menina aterrorizada que encarava o revolver na mesa, depois de ele ter escapado de seus dedos. Ela duvidava que tivesse sido por causa do suor do jogador anterior.

Ela empurrou a arma com apenas um dedo em direção ao garoto. Por que ela havia aceitado fazer aquilo mesmo? Para impressionar seus novos amigos. Era nova na cidade e havia conhecido aquele grupo, aparentemente doido, com todas as personalidades possíveis. Eles disseram que ela era a peça faltando no quebra cabeça da amizade deles.

Dizer que ela estava aterrorizada era pouco.

-Aqui está. Cuidado para não se machucar, viu? –Todos riram com a piada. Era para ter sido engraçado? Ela não via graça nenhuma em brincar com a morte.

Levou a arma até a cabeça. Ela devia ter dito não. “Sem amigos, mas com vida” ela pensou quando adentrou o porão e viu a arma pousada na mesa poeirenta. Não podia mais voltar atrás. Era uma chance em seis, não? Ela não morreria. Seus pais nunca saberiam que ela havia feito algo tão ridículo e imprudente. Ela voltaria para casa e em vinte anos, riria disso com seu marido, riria de como ela fora estúpida em ter medo. Nada iria acontecer.

Puxou o gatilho.

Notas finais
Curto, falei. Pelo menos você leu rapidinho. Se gostou deixe review, se odiou também. Se gostou muito muito mesmo, acompanha o meu perfil que logo vou postar uma long-fic, tão macabra quanto essa se não for mais. Thank ya ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!