Notas iniciais
Primeiro capítulo da fanfic escrito por mim (Cacao). Eu ficarei encarregada da narração pelo ponto de vista do Dean e o Daniel pelo ponto de vista do Sam. Boa leitura!

Dean Winchester

Acordei com um pulo, devido aos sonhos ruins que me perturbaram durante as minhas três ou quatro horas de sono, no máximo. Tateei a cama do motel em que estava e percebi estar rodeado de livros velhos abertos e folhas espalhadas por todo o colchão. O notebook de Sam estava ao meu lado direito junto com uma garrafa de cerveja vazia e o diário de nosso pai. Pude perceber que havia dormido enquanto pesquisava acontecimentos estranhos nos arredores de onde estávamos.

Corri os olhos pela extensão do quarto medíocre que alugamos daquela vez e não encontrei Sammy.

– Sam? – Gritei com a voz ainda um pouco alterada devido ao sono enquanto esfregava os olhos, mas ninguém respondeu.

– Sam?!

Levantei e fui até o banheiro – talvez ele esteja fazendo algo que ninguém mais pode fazer por ele... – pensei. Mas estava tão vazio quanto o resto do quarto. Só eu estava ali. Resolvi procurar o celular e ligar para saber onde ele estava sem mim. Imagino que ele não sairia (ou não deveria sair) para uma caçada sem ao menos me avisar.

Peguei o celular e disquei rapidamente seu número, estava fora de área.

– Ótimo. – Fechei o celular, finalizando a chamada e avistei as chaves do Impala no balcão. — Pelo menos ele deixou o carro.

A porta abriu e lá estava ele. Com um pacote de hambúrguer na mão e na outra, café. Me decepcionei ao ver que não havia mais nada nas mãos de Sammy além disso.

– Cadê a torta? – Questionei em um tom magoado.

– Torta? – Ele perguntou em meio a uma gargalhada.

– É claro. Torta. Cadê a torta?

Nesse momento, uma mulher loira surgiu atrás dele. Fitei-a. Não vou mentir, ela era gostosa, um pouco marrenta, mas gostosa. Porém isso não justificava que meu irmãozinho tinha esquecido a torta. Não tem desculpa.

Sam percebeu que eu fitava a mulher quando resolveu nos apresentar.

– Dean, essa é a Ruby. – Disse ele em tom amigável enquanto dava passagem para a moça.

– Ruby? E o que é isso? Sua nova namorada para você estar apresentando formalmente desse jeito? – Brinquei, mas os olhos dela ficaram negros no mesmo instante. Pus a mão para trás no cós da calça para pegar a arma, mas Sam me segurou.

– Calma. Ela não vai nos fazer mal.

– Não vai? Sam, ela é um demônio! – Gritei, estupefato por Sam estar defendendo-a. — Eles querem nos matar e nós queremos matá-los, essa é a ordem natural!

– Calma aí gostosão, eu vim em paz. – Ela interrompeu se dirigindo a mim em uma voz sensual enquanto se aproximava. Assim ela até parecia que serviria para alguma coisa. Mas não. Ela era um demônio. Por que Sam não a matou antes?!

– Presta atenção, vadia. Eu não sei o que deu no meu irmão para confiar em um monstro como você, mas eu não vou confiar. Dê mais um passo e eu corto essa sua garganta. – Repreendi-a em tom ameaçador.

Ruby riu e Sam me soltou. Olhei para ele esperando alguma explicação.

– Qual é Dean, você sabe que não estamos em boa forma ultimamente, — Ele foi até a mesa onde colocou o pacote com os hambúrgueres e o café e continuou argumentando — precisávamos de um reforço e...

– Reforço? – Soltei uma gargalhada – Sam, nós acabamos de voltar de uma caçada de Wendigos e obviamente, não fomos nós que levamos a pior! – Observei com razão e Sam estalou os lábios.

– Não sabemos o que pode vir pela frente... É disso que eu estou falando. – Sammy sentou-se à mesa e abriu a embalagem de papel.

– O quê? Se você está se referindo ao portão do Inferno, tenho certeza de que podemos lidar com isso sozinhos! Não precisamos da ajuda de nenhum desses olhos negros! – Apontei com raiva para Ruby que continuava a poucos passos da porta.

– Vamos deixar uma coisa bem clara — Ela começou -, estou aqui por que o Sam me pediu, fiz negócio com ele e não com você. Vocês realmente não estão preparados para lidar com o que veio de dentro daquele portão e posso ajudá-los com alguma coisa já que foi de lá que também saí.

– Dean, precisamos de ajuda. Se não agora, iremos precisar. A Ruby será útil, confie em mim.

Não havia mais o que dizer ou retrucar, meu irmão não iria voltar atrás e talvez ele realmente tenha alguma carta na manga em relação a essa Ruby ou sei lá o quê. O que eu não queria é que essa “ajuda” tenha custado um preço muito alto, ou que venha a custar.

Durante a noite, Ruby não deu as caras no motel e Sam ficou o tempo todo pesquisando, sem nem trocar uma palavra sobre o ocorrido. Eu precisava saber algumas coisas. Como ele a havia encontrado, para começar, mas preferi não tocar no assunto, ele parecia muito convicto de que ela serviria, mas quem garante que isso não é uma armadilha? “Colocamos um demônio aparentemente fiel e útil no meio dos Winchesters, assim descobriremos o que eles estão tramando para nos derrotar e antes que consigam puff! Os dois viram pó”. Quem garante que não é isso?

Estou preocupado demais para ficar ali sentado só esperando a loirinha voltar com a gangue demônio dela e seja lá o que for. Pego as chaves do Impala com o intuito de procurá-la pela cidade. “Talvez eu encontre-a com a mão na massa e Sam vai me agradecer por ter salvado a vida dele.” – pensei, mas Sam interrompeu meus devaneios.

– Está indo atrás da Ruby? – Ele questionou sem tirar os olhos do livro onde pesquisava.

– Quem? Eu? Não... Vou só... é... – “Preciso pensar em alguma desculpa convincente...” – comprar cerveja. É, estou indo comprar cerveja. Quer alguma coisa? – Fiz-me de bobo e ele, obviamente, percebeu. Sou péssimo com mentiras.

– Ah, comprar cerveja... Você não acha que já tem cerveja demais na geladeira não? – Sam continuou com os olhos fixos no livro e apontou com a cabeça em direção a geladeira. Ele tinha razão, havíamos comprado assim que alugamos o quarto do motel e já não tinha espaço nem para mais uma garrafa.

– Droga!– falei baixo. – Mas nós nunca sabemos o que pode acontecer né, é melhor garantir. – Enquanto falava, colocava a minha jaqueta e saía pela porta, evitando que Sam me rebatesse de novo. Do lado de fora, espiei a janela por sobre o ombro e ele continuava com os olhos no livro.

Sentei ao volante, respirei fundo. Levei a mão até o rádio para ligá-lo e dei partida. Se ela estiver tramando algo vou descobrir mais cedo ou mais tarde.

Dirigi por toda a cidade umas duas ou três vezes, e nenhum sinal da Ruby. Uns quinze minutos depois que saí do motel, em uma parte mais afastada da cidade, passei por um bar movimentado, então, ao voltar da “ronda”, resolvi terminar a noite por alí mesmo. Se distrair um pouco é bom.

Parei o carro no pátio de terra batida que se estendia na frente do bar e percebi já não estar tão cheio como antes pelo número de carros ali. Tirei as chaves da ignição e chequei que a arma estava carregada e no lugar de costume. Passei pela porta ajeitando a gola da jaqueta e recebendo sorrisinhos de algumas garçonetes como saudação os quais retribuía em meio ao falatório do local.

Andei até o bar e procurei uma cadeira vaga e quando achei, era óbvio que eu era o mais jovem naquele lugar. Uma mulher de cabelos longos negros e encaracolados, tão jovem quanto eu, estava atrás do balcão atendendo um outro cara. Seu decote deixava à mostra seus belos seios enquanto ela limpava as mãos no avental antes de me ver e chegar até mim.

– Novo na cidade? – Perguntou enquanto colocava um copo na minha frente enchendo-o com uísque. – Não se preocupe, a primeira dose é de graça. – Sorriu com os lábios pintados de vermelho.

– Sou Dean — Sorri de volta -, e só estou de passagem.

– Seja bem-vindo Dean. Está a trabalho? – Ela me olhava esperando a resposta enquanto secava alguns copos.

– Na verdade a procura de um. Mas creio que logo apareça algo. – Respondi.

– Entendo, mas não acho que aqui seja um bom lugar para se arranjar. Cidade pequena, você sabe como é...

– Mas são nessas cidades que as melhores oportunidades aparecem. – Dei uma piscadela e sorri, talvez eu teria algo com o que me ocupar durante o restante da noite, se é que você me entende. Pelo sorriso de canto, ela entendeu.

– Meu nome é Lizzie e o meu expediente termina daqui a duas horas. Me espere na porta dos fundos se quiser “conversar” melhor. – Disse isso e se virou para atender um grupo de velhotes bêbados que gritavam há cinco minutos por mais uma rodada de cerveja. Virei o restante do uísque e andei até a porta ainda sentindo minha garganta queimar com o álcool.

Resolvi esperar por Lizzie dentro do carro e assim que abri a porta, Ruby esperava-me sentada no banco do carona. Devo admitir que me assustei, não esperava encontrá-la desse jeito.

– Esteve procurando por mim? – Perguntou enquanto saía do carro.

– Você é bem esperta para um demônio, sabe até arrombar a porta de um carro... – Desconversei em tom irônico e apoiei as mãos no teto do carro, fitando-a do lado oposto. Esperei que ela dissesse algo.

– Ora Dean, não perca seu tempo com coisas inúteis. – A loira respondeu em tom firme após alguns segundos de silêncio. – As notícias correm, você sabe. A rádio dos demônios nunca para. Às vezes coisas inesperadas acontecem e precisamos dar um jeito.

– Não me venha com essa de “coisas inesperadas”. – Rebati.

– Eu não sei se você sabe, mas você e seu irmãozinho Sammy são procurados por todos aqueles monstros que saíram lá de baixo e agora eu me juntei a vocês. Também querem minha cabeça. – Ela explicou como se fosse tudo muito simples.

– Ah, agora também existem demônios fora da lei? – Brinquei sem senso de humor – Vocês são realmente ridículos.

– Você não respondeu a minha pergunta. – Ruby cortou – Estava me procurando?

– Não me venha com joguinhos – comecei com a raiva transparecendo em minha voz -, quero saber exatamente o que você vai ganhar conosco. Qual foi o preço que Sam teve que pagar pela sua ajuda?

Ela revirou os olhos e me deu as costas. Antes que se afastasse demais de mim, consegui ouvir:

– Na hora certa você vai saber.

Por alguns segundos fiquei na mesma posição, olhando-a ir embora com passos firmes, até que uma voz de mulher me chamou.

– Ei, Dean! – Era Lizzie.

“Ela saiu mais cedo? Justo hoje?” – pensei antes de me virar para encará-la. Eu não estava com clima para mais nada depois da conversa com Ruby. Sam precisava me esclarecer algumas coisas e algumas dúvidas martelavam em minha cabeça.

– Liz, não vai ser dessa vez. Surgiu um imprevisto – menti –, preciso voltar.

A decepção era visível no rosto dela e eu não enrolei para entrar no carro e dar partida deixando-a em pé ali mesmo. No curto trajeto até o motel, planejava em minha cabeça a conversa com meu irmão. Qual seria a desculpa dada dessa vez para a pergunta que eu faria.

Ao entrar no estacionamento notei as luzes do quarto apagadas e estranhei. Sam não dorme cedo desse jeito, a não ser que esteja bêbado.

Destranquei a porta girando a chave devagar para que não o acordasse se talvez ele estivesse roncando largado na cama e ouvi vozes vindas do fundo do quarto. Ao entrar completamente no cômodo, percebi que as vozes vinham da televisão que Sam assistia sem piscar sentado em uma poltrona.

Acendi as luzes quando percebi se tratar de um programa adulto e ele se assustou, se virando para mim com os olhos arregalados.

– Sam — virei o rosto para um lado oposto a ele -, precisamos conversar. Mas antes, tire essa cena da minha cabeça. Não nasci para ver você fazendo isso. – Fiquei atônito, nunca pensei em flagrá-lo em um momento como aquele.

Ele se ajeitou e desligou rápido a TV. Foi até o banheiro e ficou lá por alguns minutos enquanto eu pegava uma cerveja e colocava o casaco e a chave do carro em cima da bancada. Permaneci em pé onde havia deixado as coisas, já que eu estava exatamente em frente a porta do banheiro. Assim que ele saísse, não teria como escapar da nossa conversa.

Dei um longo gole na cerveja quando vi a maçaneta da porta se mexer anunciando a saída de Sammy.

– Tudo bem, me desculpe por isso. – Ele enxugava as mãos molhadas na camisa azul que vestia enquanto ria – Creio que você vá precisar de uma lavagem cerebral.

Assenti com a cabeça e ele me fitou, esperando que eu prosseguisse com o assunto.

– Então... Precisamos conversar. – Fixei os olhos na garrafa em minhas mãos antes de continuar – É sobre a Ruby.

– O que tem ela?

– Acho que você me deve algumas explicações. – Concluí. O semblante no rosto de Sam mudou para um mais sombrio. Ele pareceu ofendido.

– E eu acho que você já saiba tudo o que tem que saber sobre ela. – Respondeu-me em tom seco.

– Olha, Sam. Só estou preocupado. Nós não sabemos qual é o interesse dela em nós. Ela pode muito bem nos ajudar hoje e nos passar a perna amanhã...

– Dean. – Ele me cortou, ríspido – Você precisa aprender a confiar mais em mim.

– Não é questão de confiança, Sammy. Os demônios mentem, eles não querem saber...

– Eu já te disse que ela vai nos ajudar. – Sam me interrompeu – Por quê você se importa tanto?

– Por que você é meu irmão. – As palavras saíram firmes e um silêncio se seguiu. Cheguei mais perto e continuei – É a única família que eu tenho. Preciso proteger o que ainda me resta.

– Não sou mais uma criança, Dean. – Ele se afastou, me dando as costas – Passei por muita coisa ao seu lado. Não acha que sou digno de sua confiança? – Suspirou — Eu sei que você foi atrás dela. Por quê mentiu?

– Sam...

– Já chega. – Seu tom era um misto de decisão e mágoa — Se você não quer trabalhar com a Ruby, tudo bem, mas EU não vou desperdiçar a chance de enfiar todos aqueles monstros no buraco de onde eles saíram. – Suas mãos se moviam rápido enquanto ele enfiava algumas coisas dentro de sua mochila. Eu o observava sem dizer nada. Sam já havia feito aquilo algumas vezes, ele ia entender o meu ponto de vista e ia voltar daqui a um dia ou dois, não restavam dúvidas.

– Mas se o SEU jeito não der certo – deu continuidade ao seu discurso -, não venha por a culpa em mim. Pelo menos estou tentando concertar a merda que fizemos.

A porta bateu depois que ele saiu, deixando só um eco dentro do quarto. Continuei imóvel onde estava, apenas observando a figura de Sammy se afastar. Minha vontade era de alcançá-lo, surrar aquela cara dele e fazê-lo admitir que eu estava certo, mas me contive. Em vez disso soltei algumas dúzias de palavrões enquanto terminava minha cerveja.

Aquele tinha sido um longo dia e pelo visto, seria uma noite também.

Notas finais
E então, o que estão achando? Deixem seus comentários e críticas, assim ficaremos mais empenhados em escrever! Espero que estejam gostando e continuem a nos acompanhar. Mais para frente decidiremos um dia fixo para as postagens dos capítulos para melhor organização. Até o próximo capítulo!