Roda Gigante
2 Última parte
Sentamo-nos ao primeiro banco que avistamos, em frente ao carrossel. Ikuto segurou a minha mão todo o tempo, porém, desfez o contato para colocá-las no bolso. Senti frio.
- Então? — Quebrei o silêncio, pedindo para que o meu nervosismo não fosse notado no meu tom de voz. Ikuto apenas me encarou e levantou uma sobrancelha questionadora. — O quê veio fazer no Japão?Ele relaxou o olhar e, sorrindo pervertidamente, disse encarando o céu. — Huuum... eu me pergunto o quê... — Após dizer isso, ele voltou suas esferas azuis safira a mim.Senti meu rosto corar e desviei o olhar para o chão.- E o seu pai? — Perguntei.- Eu o encontrei. — Me surpreendi e imediatamente voltei meu rosto em sua direção. Ele, percebendo a surpresa, complementou: — Na verdade, faz uns três meses. Eu o encontrei na França. Quando soube que havia uma banda que se apresentava em alguns pontos turísticos, eu rapidamente deduzi, principalmente porque soube que um dos integrantes tocava violino. — Sorriu, encarando as nuvens.Pude sentir a felicidade no olhar do Ikuto... Imagino como ele deve ter se sentido quando o reencontrou.- Amu... — Ele virou-se para mim e disse: — Eu não vim para ficar.Algo dentro de mim se despedaçou. Não veio para ficar? O que significava isso? Ele ia embora novamente? Senti meus olhos começarem a se encherem d\'água e minha garganta soluçar. Tentei me conter e perguntei, encarando o chão novamente, com a minha franja cobrindo os meus olhos: — Como assim?Acredito que Ikuto percebeu o meu desconforto, pois ele demorou a responder.- Acho que você sabe a razão da minha vinda ao Japão. — Eu ainda não o olhava. — Eu queria te ver. Durante todo esse tempo, a cada dia que passava, esse desejo crescia mais. Porém, eu não podia ainda. Eu tinha algo para fazer; e eu precisava me segurar um pouco mais.- Por que nunca me deu notícias? — Senti um pouco de minha mágoa transparecer no tom de voz.- Não havia como eu entrar em contato com vocês. — Ikuto suspirou e continuou. — Principalmente com você, Amu. Uma vez, eu tentei lhe escrever uma carta. Mas, o vazio que eu sentia só de pensar em você... Me impedia.- Eu entendo perfeitamente — Sentia as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, porém, Ikuto pegou a minha mão e continuou:- Eu não sei se vou conseguir ficar longe de você de novo. — Oh, ele diz isso e pretende ir embora?! Ele pensa que meus sentimentos sã... — É por isso que eu propus ao meu pai para nos mudarmos para o Japão. — O QUÊ?- Como? — Não pude esconder a surpresa.- Além dos meus desejos, meu pai já está velho também, precisa descansar. E não há lugar melhor do que o Japão para isso.A tristeza de repente foi embora do meu coração, dando lugar à felicidade. O Ikuto vai voltar! ele vai voltar ao Japão! Ele vai morar aqui de novo!- É muito bom saber disso. — Disse sorrindo. Ele deu seu típico sorrisinho de lado.- Eu me pergunto se você ainda se lembra do que eu disse no aeroporto. Você se lembra, Amu? — Ele olhou em minha direção, com seu sorriso pervertido.- Pare de dizer essas coisas constrangedoras! — Ele riu. Não! Não era isso o que eu queria dizer! Enquanto eu fiquei me advertindo mentalmente, Ikuto encarou a Roda gigante do parque.- Nós nunca fomos à roda gigante, não é mesmo?- Hãn? é, é verdade! — Disse nervosa e ainda corada.Ikuto se levantou e me guiou pela mão. Enquanto andávamos, eu pensava em como eu o amava... em como dizer isso a ele. Desde que ele chegou, eu não tentei. Não posso desperdiçar essa chance...Quando dei por mim, já estávamos dentro da Roda gigante. O espaço era pequeno, possuía dois assentos, um de frente para o outro e uma enorme janela.Ikuto se sentou de frente para mim e apreciou a vista. Seu cabelo azulado em seu rosto, seus olhos azuis safira refletindo a luminosidade da cidade. Era incrível como esse garoto possuía a facilidade de me fazer corar, de fazer com que eu me sinta confusa. Ele mexe com as minhas emoções, com a minha cabeça... às vezes me pergunto como consegui ficar tanto tempo longe dele... Ikuto...- S-Sabe Ikuto, érr... quando você vai voltar ao Japão? — Mas que diabos! por que eu não consigo dizer?- Provavelmente, um mês é tempo o suficiente para resolvermos as coisas por lá. — Ele parecia meio... triste.- E quando você vai voltar à França? — Senti os olhos estupidamente azuis sobre mim.- Amanhã à tarde. — Ele disse com seu habitual tom de voz.O quê? amanhã à tarde? só verei o Ikuto novamente daqui a um mês? mas é tanto tempo...Se eu pelo menos tivesse coragem para lhe dizer... eu não sei o que está acontecendo comigo! não era eu quem ficava todas as noites pedindo para que esse dia chegasse? eu não prometi a mim mesma que engoliria o meu orgulho e falaria? mas... por quê? por que eu não consigo? eu sou uma fraca... uma medrosa... Não! eu não sou assim! se a Ran, Miki, Su e Dia estivessem aqui, eu tenho certeza de que elas estariam me apoiando e confiando em mim! Eu tenho que ser forte! pelas meninas, pelos meus amigos , pelo Ikuto e por mim mesma! eu tenho que conseguir!- Ikuto... — Comecei, desviando o olhar para algum ponto que fosse mais interessante do que o belo rosto do garoto a minha frente. — D-Durante os últimos cinco meses, eu me perguntava porque me sentia t-tão sozinha... — Olhei rapidamente para o seu rosto e o vi com uma sobrancelha levantada, questionadora.
- As meninas haviam ido, e nesse momento eu ganhei total apoio dos meus amigos. Eu estava feliz... eu havia feito recordações incríveis com elas, e eu também tinha plena consciência de que foi por causa delas que eu te conheci. — A coragem estava vindo e eu consegui encará-lo, minhas bochechas em brasas.- Eu consegui superar a perda e nunca as esqueci. — Não percebi um sorriso sincero se formando em meu rosto. — Porém, havia algo que eu não conseguia superar. Algo que sempre existiu, que sempre esteve aqui — Levei minhas mãos ao meu peito, indicando o meu coração e fechei os olhos.- Algo que somente uma pessoa conseguia despertar dentro de mim. Mas, essa pessoa havia ido também, e o vazio que eu sentia era algo inexplicável. Infelizmente, eu fui burra o suficiente para entender o significado desse sentimento somente depois da ida desse alguém.Ikuto ainda me encarava, a ansiedade estampada em seu rosto.- Era amor... pela primeira vez, eu pude sentir o que era amar alguém de verdade, pude entender. Essa pessoa era a única que fazia com que eu me sentisse feliz, que conseguia arrancar dentro de mim todas as emoções existentes, que me completava.Olhei profundamente em seus olhos, me sentindo hipnotizada pelo azul.- Essa pessoa é você, Ikuto. Eu te amo. Desculpe por demorar tanto tempo para perceber. Ikuto sorriu. Era um sorriso sincero, brilhante, um dos poucos que eu via em seu rosto, sempre destinados a mim; e eu sorri também.- Eu também te amo, Amu. — Senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto e um sentimento explodir dentro do meu peito. Então, isso é o que chamam de amor correspondido... Ikuto deve estar se sentindo da mesma forma.Ele se levantou do seu assento e me abraçou. Eu correspondi. Não havia felicidade maior do que esse momento. Eu, ali, nos braços de Ikuto, me sentindo segura e protegida.- Mesmo que eu já tenha lhe dito isso duas vezes. — Eu pude sentir a felicidade em sua voz.- Então, eu também lhe direi pela segunda vez: eu te amo. — Abracei-o com mais força.Quando desfizemos o contato, nos viramos para a vista e a admiramos com as mãos dadas. Parecia que a partir daquele momento, algo novo se iniciaria, uma nova história. A minha história com Ikuto.Meus olhos localizaram uma estrela cadente e, sem perceber, eu apontei.- Olha! uma estrela cadente! rápido, Ikuto! faça um pedido!- Não há nada mais que eu possa querer do que estar aqui, junto com você.Eu sorri para ele e voltei a minha atenção novamente à estrela. Fechei os meus olhos e pedi com toda a minha alma: \" Só quero que estar junto ao Ikuto para sempre. \"De alguma forma, eu sabia que esse pedido já era destinado a ser realizado desde o início.
Notas finais
N/A: Escrever essa fic foi uma experiência ótima! Se há um casal que eu amo de paixão, este é Amuto. Acho tão linda a relação da Amu com o Ikuto, e mesmo não gostando muito dela, quando ela está com ele, eu passo a gostar. É uma pena que não tenha acontecido nada demais no mangá ( até agora. ), mas acho que a frase final do Ikuto já deu para aliviar os nossos corações, não é?
Enfim, espero que tenham gostado e peço que deixem as suas opiniões! elas me deixam mais confiante e me incentivam a escrever. Obrigada a quem ler. Um beijo e, quem sabe, até a próxima!
Enfim, espero que tenham gostado e peço que deixem as suas opiniões! elas me deixam mais confiante e me incentivam a escrever. Obrigada a quem ler. Um beijo e, quem sabe, até a próxima!
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