Rockstory - O Cabeludo
3 Capítulo III
A manhã ainda continua sob o céu nublado. Os tons de cinza têm feito parte da paisagem matinal, mesmo sem previsão de chuva e sinal de núvens carregadas. O ambiente deixou os alunos a vontade durante a hora do intervalo, também conhecida como a hora do recreio.
O pátio, área interna da construção, tem o mesmo tamanho do gramado da entrada da escola. Antes da reforma, o espaço não tinha muita cara de espaço de lazer escolar, mas, após a reforma do prédio, o terreno ganhou cobertura, bancos e um refeitório modesto.
No cardápio dessa manhã, sem a presença de soja nos ingredientes, tem bebida quente e alguns biscoitos ou um prato de arroz doce — um cardápio típico pra consumir num dia invernal. E pelo tamanho da fila no interior do refeitório, o rango tá bom!
Os outros alunos, chegando pouco a pouco pra hora do recreio, estão reunidos sob a cobertura do pátio novo. Alguns sentados no chão, enquanto outros preferem ficar lado a lado nos bancos ao redor do novo espaço de lazer, reformado pelo sistema pra doutriná-los.
Num destes bancos, os trevosos e os simpatizantes aos poucos, vindo de diversas salas, estão se reunindo pra matar as saudades e contar algumas histórias vividas e vivenciadas durante o período de férias — como tem feito os demais alunos no pátio.
— Vocês não estão se falando, não? — observou um deles, assim que todos se reuniram ao redor do banco.
— Uma parada aí ... — balbuciou um deles, enquanto folheava uma edição da revista Extreme Brutal Death.
— E você — disse olhando pra último a chegar, ainda de pé na frente deles. — Não tem nada a declarar?
— Depois a gente conversa. Não esquenta, é uma parada boba! Coisa que acontece nas férias.
Os três, sentados lado a lado no banco do pátio novo, ladeados pelos simpatizantes da turma do rock — os roqueiros ecléticos, conseguem quebrar o silencio, ao conversar sobre a revista Extreme Brutal Death, ganha no evangelismo dos crentes.
Após alguns minutos, indiretamente os dois amigos, distanciado por alguma parada boba de férias, estavam trocando olhares e impressões sobre o som feito pela galera da igreja dos roqueiros. O que foi reaproximando os na área extrema do novo pátio.
Quando tudo parecia estar ganhando o rumo certo, a presença de uma nova aluna mudou a expressão no rosto dos dois amigos, deixando nítida a parada boba que deve ter acontecido durante as férias deles. Quem sabe o motivo da distância, do silêncio.
Uma garota, usando jeans gasto pelo tempo, casaco de capuz preto aberto por cima da camisa da escola e botas canos longo, acaba de entrar no pátio. Pelo visual dela, parece ser gótica. Quando ela virou pro lado deles, o shocker confirmou a suspeita.
— Peguei pouco. — disse o amigo sentado entre os dois. Vendo a expressão deles, graceja: — Tô zuando!
O clima foi gradualmente melhorando entre os dois, pois aparentemente o motivo da parada boba, como disseram a pouco, acalmou os ânimos deles através da graciosa presente. Assim, boa parte do tempo restante, eles passaram admirando a gótica de botas.
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