Rock Bottom
16 Quase estraguei tudo...de novo
Notas iniciais
Alicia
Hoje foi o velório e enterro do meu avô. Uma coisa que teve muito foi com certeza lágrimas. Eu, mesmo que amasse ele, tentei segurar o máximo já que não gosto de chorar na frente das pessoas, mas depois do discurso da minha avó e da minha mãe, foi bem difícil. É tipo bocejar, você vê alguém bocejando e boceja também. Isso que aconteceu, mas agora, bom...acabou e a única coisa que podemos fazer é seguir em frente. Como disse, morte é a coisa mais normal do mundo e a única certeza que você tem.
Falando em seguir em frente, agora estava em frente da minha casa. Depois de tudo ter acabado, cada um foi pra sua casa e assim fizemos, menos John, ele foi ao enterro e ficou lá comigo o tempo todo. É tão clichê que me dá vontade de vomitar, mas não posso negar que foi fofo e eu gostei.
— É sério, você não precisava ter vindo...nem ido!
— Mas é claro que eu precisava! Inclusive preciso te falar uma coisa. Vou fazer um show em Atlanta e outro em San Francisco, vou precisar viajar.
— Mas como assim? Segunda é nossa graduação.
— Sim, eu sei. Mas é que eu não faço shows há um bom tempo justamente pra conseguir passar e Romeu me quer fazer alguns. Viajo hoje à noite e volto segunda bem cedo. Não se preocupe.
— Hm. Okay. — concordei ainda com um pouco de receio — Então, ainda são — olhei no meu celular — 4 da tarde. Vai fazer o quê? Já arrumou suas malas?
— Uma parte, mas então, se importaria se eu entrasse e ficasse aqui até as 6? Meu vôo é só as 9.
— Ah, não, sem problemas. Então vamos entrar. — se ele tivesse falado antes não estaríamos na rua há 10 minutos, coloquei a mão na maçaneta, mas me lembrei de uma coisa, parei e me virei pra ele — Só uma coisa. Meu pai está aqui, então ele vai encher seu saco, mas eu te disse que ele ficaria assim.
— Pior que disse mesmo. — ri — Então eu vou alí, e volto segunda. Tchaaau. — fez sinal para a rua, decidi me divertir com isso
— Ah, okay. Tchau. — me virei para a porta, mas ele me impediu
— Ei ei. Bom saber que me despacha tão bem, ou fácil... — disse ironicamente e me virei pra ele novamente
— Ué, não fiz nada. — falei e John me mostrou a língua — Quanta maturidade.
— Ha ha. Vamos entrar agora?
— Se insiste. — falei e finalmente abri a porta, fechei depois que entramos enquanto ele ria ironicamente de mim mais uma vez, depois que parou de fazer isso, suspirou e eu o encarei confusa, mas depois saquei — Aah entendi. — suspirei em demonstração e ele semicerrou os olhos para mim, ri fraco — Vamos para o quintal. — comecei a andar, mas não quero ficar com roupa de cemitério, então falei — Ah, mas antes eu vou subir rapidinho e trocar isso aqui. — apontei pra roupa e ele assentiu — Fica lá e se meu pai aparecer... Boa sorte. — ri dele e subi
Entrei no quarto e tirei a roupa preta que foi trocada por um vestido amarelo que ía até o joelho, depois desci e fui pro quintal, encontrando John sentado no banco. Sentei na rede em frente à ele e fiquei mexendo no celular, o loiro seguiu meus movimentos e depois ficou olhando para os lados, mas às vezes me olhava de novo. Eu intercalava meu olhar do celular pra ele tentando o entender. O que raios ele estava fazendo ou pensando?
— O quê?
— Estava só olhando aqui e você.
— Eu sei eu vi.
— E só quero admirar a beleza.
— Ah e do que? Do quintal ou de mim?
— Dos dois.
— Aww que fofo. — disse sarcasticamente, mas pelo jeito ele não percebeu porque sorriu, mas logo ficou com cara de mané — Agora já terminou? — assentiu com cara de dúvida — Obrigada. De nada. — voltei a minha atenção à tela do celular, mas como ele continuava com me olhando, decidi desistir disso — Hm...quer me falar alguma coisa?
— Só queria passar uma tarde boa com você antes de ir.
— Ah, vão ser só três dias, vai sobreviver. — disse dando de ombros e ele ergueu as sobrancelhas — Tudo bem... — me rendi — Vou desfazer meu lado duro por alguns instantes. Senta aqui. — bati ao meu lado na rede, sorriu
— Bem melhor. — disse se sentando e como é mais pesado que eu, caí em cima dele
— Gordo. — disse me ajeitando, mas ele me puxou pelo ombro me forçando a ficar deitada no seu, revirei os olhos, senti meu celular vibrando recebendo uma ligação — Sabe o que seria legal? Se Giulia me ligasse agora. E olha, ela tá. — atendi me sentando na rede e ele revirou os olhos
Ligação On (Giulia — Ali)
— Fala.
— Como vão as coisas por aí?
— Bem. E lá deu tudo certo também, muito choro, mas nada desesperador.
— Entendo. Ei. Soube que John vai viajar? — olhei pra ele e respondi:
— Sim, eu sei.
— "Sim, eu sei" é só o que vai dizer?
— E esperava mais o quê?
— Ah, não sei. Sei lá. Algo mais sentimental já que estão juntos!
— Não estamos juntos! Bom, não exatamente. — disse isso e pude observar o olhar decepcionado do loiro ao meu lado, levantou, droga, fiz besteira — E-eu tenho que desligar depois falo com você.
— Ah, tudo be--
Ligação Off
— John...não foi isso que eu quis dizer. — disse tentando o impedir de ir embora, mas estava com passos firmes até a porta principal — Me escuta.
— Já escutei demais.
— Não. Não o necessário. Está entendendo errado. — colocou a mão na maçaneta, mas entrei em sua frente
— Me deixe passar.
— Não quero que vá assim.
— Culpa sua.
— Deixa eu falar. ... Por favor. — pedi com serenidade, até demais pra mim, mas que serviu porque afirmou uma única vez com a cabeça e cruzou os braços, suspirei — Juntos pra mim é ser oficial. Mesmo sendo eu, assim... ainda tenho um pingo de romantismo. Não digo que é tudo aquilo que tem que ser perfeito. Mas precisa ser oficial. Por isso, não estamos tecnicamente juntos. E como já passou um tempo, acho que... — deixei a frase morrer
— Ali...-- — o interrompi
— Shh! Só diga que somos oficial.
— Somos oficial. — confirmou serenamente e o dei um selinho demorado — Acho que agora não vou mais embora, afinal. — ri — Me desculpa. Não sabia disso. Da próxima vez vou procurar não tomar pensamentos precipitados.
— Pensei que já tivesse aprendido da primeira vez. — disse enquanto o puxava pela mão para o sofá da sala dessa vez
— Nunca aprendo uma coisa logo na primeira vez.
— Hm. — me sentei e ele também — Eu também acho que tenho que ser mais carinhosa com você. Sou bem fria às vezes.
— Nisso eu tenho que concordar. ... Ei eu tenho uma pergunta pra você.
— Uhum, fala.
— Já que agora somos namorado e namorada oficialmente, — sorrimos — podemos andar como um casal normal na rua, perto de pessoas?
— Por mim sim. Agora isso é uma coisa que você, o famoso, que tem que me responder.
— Então, beleza. Estamos prontos para mostrar ao mundo.
— Ai credo, falando assim parece muito clichê. Bleh. — riu de mim
— Você é louca. — ficamos conversando por mais um tempo e quando olhamos pro relógio era mais de 6pm
— Ai, nossa. Você tem que ir. — disse me levantando
— É mesmo. — fomos até a porta — Então nos vemos segunda. Tchau.
— Tchau. — acenei de longe e o observei ir embora, mordi o lábio e fechei a porta
— Pensei que ele não fosse mais embora.
— AH!! — dei um grito histérico e pulei no lugar — Ai que susto, pai! — ele riu alto. Escutei passos apressados na escada, olhei e vi minha mãe com cara de preocupada
— Escutei um grito!
— Não foi nada de mais. Só o papai me assustando e depois RINDO DA MINHA CARA! — disse o que só o fez rir mais um pouco
— Mark, quantos anos você tem?
— A mesma idade. Só que a cara dela foi hilária. — comentou e eu e minha mãe nos encaramos incrédulas, não é normal um pai a beira dos 45 anos falar isso
— Relaxa, filha. Deve ser a crise da meia-idade. — minha mãe sussurrou pra mim e eu ri concordando
— Agora falando sério. O que aquele garoto fazia aqui até agora?
— Estávamos conversando.
— Sei bem que tipo de conversa.
— Pai. Você não pode dizer isso. Somos amigos acima de tudo. — ele me olhou confuso — Ele está bem legal. Dê mais uma chance. — disse e subi, isso tem que ter dado certo, espera "legal"? O quê? Okay né...
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John
E como sempre eu quase destruí tudo mais uma vez. Tenho que parar com isso e passar a escutar as pessoas, talvez as coisas sejam mais fácil caso eu fizer.
Bom, neste momento estou no avião em direção à Atlanta. É uma viagem de dois dias e a cada dia um show em cada cidade. Podemos chamar isso de "mini tour". Vai ser cansativo, ainda mais voltar pra cidade para a formatura logo cedo. Foi pensando nisso que adormeci e só acordei quando aterrissamos.
Como já era esperado, muitos fãs e seguranças estavam presentes, mesmo que fosse de madrugada. Normalmente eu pararia para conversar, dar autógrafos e tirar fotos, mas não faço isso no aeroporto, na verdade acho que ninguém faz. Enfim, assim que passei por todos, entrei no carro e seguimos para o hotel que eu só ficaria cerca de 10 horas. O show era 7pm e na manhã do dia seguinte já embarcava para San Francisco, então significa que só tenho 5 horas de descanso, porque depois do almoço é ensaio e ensaio. Assim foi feito, dormi até quase 9am e depois que trouxeram o café da manhã pra mim, o comi e fui até o teatro. Teria que fazer umas coisas lá, já que estava um pouco na boa, aproveitei e publiquei uma foto em minhas redes sociais.
— John, meio dia e meia esteja no restaurante do hotel para o almoço e às duas e meia pronto para ensaiar as coreografias.
— Tudo bem. Obrigada, Karla. — agradeci minha secretária e subi para meu quarto, tinha meia hora até tudo começar então decidi ligar para a pessoa que mais me importo, minha namorada
Ligação On (John— Alicia)
— Joohn! Que surpresa!
— Kkkkk por quê?
— Achei que ficaria fora do ar completamente.
— Tenho umas horinhas de folga enquanto o cansaço não começa.
— Viish, então boa sorte. — rimos — Tem certeza que vai conseguir chegar a tempo pra formatura?
— Eu vou chegar.
— Não vai estar muito cansado?
— Eu consigo tudo bem?
— Tudo bem.... Ah, tenho uma coisa pra contar, espera. — escutei uma porta fechando e depois passou a falar um pouco mais baixo — Meu pai inventou uma regra ridícula de eu ter que avisar obrigatoriamente ele quando for sair.
— E por que ele fez isso?
— Por sua culpa!
— Minha culpa?
— É sim! Fica tempo demais comigo e meu pai fica imaginando coisas. — ri disso
— Coisas? A gente mais conversa do que tudo.
— É, eu sei! Mas de acordo com o mundo hoje em dia, um garoto e uma garota não podem ser amigos, pelo menos não sem se beijar.
— Mas nós não somos isso.
— Tá, mas ele não sabe.
— Essa conversa não está mais fazendo sentido pra mim, Alicia.
— Hm...pra mim também não. — rimos — Mas, o ponto é que ele não vai me deixar até ver que você está confiável.
— A gente não pode vacilar uma vez que já fica marcado!
— Aprenda isso.
— Anotado. Ei, ahn, agora vou ter que ir e não sei quando vamos nos falar novamente.
— Só concentre-se. Beijo.
— Beijo.
Ligação Off
Desliguei, e depois fui pro almoço e como dito, em seguida para o ensaio. Loongo dia.
Alicia
Fiquei o dia todo em casa sem fazer nada. Giulia disse que estaria off o dia todo fazendo sei lá o que que não me importei muito, afinal estaria ocupada. E Laura e Jenny só ficaram conversando comigo pelo celular. Quando escutei duas vozes de mulheres decidi ver quem era, fui até a escada, olhei e vi que era a mãe de John, franzi o cenho e me escondi num lugar com ângulo perfeito para vê-las.
— Eu não sei. — minha mãe iniciou — Eles têm saído muito e Alicia não me fala nada.
— O mesmo. Mas o fato é que se gostam.
— Isso já saiu pela boca dela, não diretamente pra mim, mas eu a ouvi dizer à Giulia uma vez. — riram e eu: ela ouviu??! Aaargh!
— John já nunca me disse, mas é claro como água.
— Sim. Mas isso a gente vai descobrir logo. — okay, chega de falarem de nós né
— Olá. Sra. Morrow! Que surpresa. — disse enquanto descia as escadas
— Oii! — acenou — Bom, muito obrigada pela conversa, Natasha. — agradeceu enquanto a abraçava
— Obrigada você, Katherine! — minha mãe disse no meio do abraço e depois Sra. Morrow veio até mim fazer o mesmo, observei minha mãe e vi que ela estava com um olhar diferente pra mim, parecia rancor
— Tchau. — eu disse ignorando o olhar, quando ela se afastava até a porta com minha mãe, me olhou de novo e piscou um olho, em seguida passou pela porta indo embora. O QUE AQUILO SIGNIFICOU???!
— Alicia, temos que conversar sério agora. — disse com aquele olhar novamente e eu sorri sem graça me sentindo numa jaula, o que aconteceu agora?
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