Rock Bottom

8 Confrontos


Notas iniciais
Vamos começar a esquentar.

Alicia

"TRRIIM!"
— Estão dispensados.

Saí daquela aula, fui ao meu armário depositar o material dessa última aula e em seguida comecei a andar pelos corredores a procura de algum amigo meu. Depois de uns 2 minutos rondando, finalmente encontrei Jenny, ela estava conversando com Jason sobre alguma coisa e ambos pareciam bem interessados na conversa. Resolvi não atrapalhar e fiquei no canto, encostada na parede os observando. O papo parecia sério, algumas coisas eu conseguia escutar.

— Ela ainda tá no hospital, tiveram muitas complicações, mas agora estão bem. — deve estar falando de sua mãe que teve um parto ontem

— Que bom, é menino ou menina? — é isso mesmo

— Menina...

— O que foi, parece até que não gostou de ter uma irmãzinha?!

— Ela nem nasceu direito, e eu já estou vendo que vai dar trabalho.

— Kkkk Jay, como assim? Ela é só uma garotinha, mais uma nesse mundo.

— Esse é o problema. Garotinha! Mais uma. O que significa garotos, nunca tive uma irmã antes, e eu já to me preparando pelo que vai vir.

— Kkkkkkkk não acredito! Sabe quanto tempo isso vai demorar pra chegar?! Anos e muitos anos cara! Você já vai estar tendo sua família quando isso for acontecer, Jason! Kkkkkkkk.

— Beleza pode até ser, mas não deixa de me deixar preocupado.

— Bobo. Kkkkkk. — Jenny deu uma batidinha com seu braço nele e Jason a abraçou de lado

— Oownt quanto amooor!! — falei me aproximando deles de vez, eles riram desfazendo o abraço — Até que vocês ficam fofos juntos. A ruiva de olhos verdes e o moreno de, olha!, também olhos verdes.

— Ali, não boia.

— E não tô.

— Hm. Hmm... — ela fez uma cara sinistra no segundo "hm"

— O que foi, criatura?? — perguntei à ela fazendo cara confusa

— John está atrás de você.

— Tá, deixa ele lá. — fui me virar e ele estava literalmente atrás de mim, estava quase encostado em mim, tanto que consegui sentir sua respiração quente em minha testa, tive que espremer meus olhos para me acalmar

— Olá, Alicia. — acenei com a cabeça dando um longo passo para trás enquanto reabria os olhos

— Por que estava tão perto de mim?

— Eu ia tampar seus olhos. — ahn?

— Tampar meus olhos..?

— Sim.

— Okay então.

— Estou indo para casa, pessoas. Nos vemos amanhã. — Jason disse se despedindo

— Espera aí, cara! Quero conversar com você! Tchau, meninas. — John saiu atrás dele

— Boa sorte com sua irmãzinha! — gritou Jenny com sarcasmo

— Vai ver se eu tô na esquina, Jenny! — ela riu alto

— Tchau! — disse à eles

— Vou indo também, Ali. Nos vemos mais tarde. Tenho alguns assuntos pendentes com você.

— Não enche!

— Hahaahaha! Beijos!!

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— Oii, cheguei. — disse entrando em casa e meu pai não respondeu como sempre responde, achei estranho — Oi? Pai? — nada...ué, ele nunca sai essa hora, deve ter tido algum imprevisto

Subi, peguei o material para fazer um trabalho da escola que foi passado hoje e já é pra amanhã e o espalhei na cama junto com o notebook. 1 hora depois, ele já estava quase pronto quando meu estômago decide pedir comida e ao mesmo tempo ouço a porta sendo aberta seguida de vozes. Companhia?

— Ali?

— Mãe?! Você voltou! — desci correndo a escada pra abraçar ela logo — O que aconteceu?

— Nada. Decidi que os 9 meses longe da minha pequena já estavam de bom tamanho, aí depois de implorar a transferência pro meu chefe, ele deixou eu voltar. — não disse nada, só sorri e murmurei um "hmmm"

— Fome? — perguntou meu pai pra mim

— Sempre. — respondi rindo e eles me acompanharam

— Então querida como andam as coisas, a escola, os amigos? ....Garotos? — revirei os olhos enquanto mordia um pedaço de meu misto quente, estávamos todos comendo isso

— Ela tem passado muito tempo com um povo aí que não fala os nomes. — meu pai responde por mim colocando lenha na fogueira

— Aaé é?

— É, todo dia!

— Quanto drama! São uns amigos da escola. Nada de mais. — dei de ombros

— Nada de mais nada! Você não é de sair tanto de casa! Depois vamos ter um booom papo, mocinha.

— Viu o que você fez, pai?! — eles riram de mim e terminamos nosso lanche conversando sobre como estava em Nova York e o quanto lá faz frio, muito diferente daqui de Los Angeles, estava tudo muito bom, até minha mãe me chamar em particular para aquela conversa em meu quarto

— Ai...o que quer saber?

— Quantos amigos conheceu depois que fui pra lá?

— Nossa, você é bem direta hein. Ah muita gente! Até me nomearam pra rainha do baile, mãe! — disse alegre e ela arregalou os olhos

— Uau! E quem são esses que você sai todo dia?

— Ah, meus amigos mais próximos, você conhece a Jenny e Giu. — disse simplesmente

— Seu pai disse povo, as duas não são povo, e além do mais você saía bem pouco com elas.

— Ah, é que sabe, tá chegando o baile e o fim do ano letivo, então temos que ir atrás do vestido e essas coisas.

— Sim, claro, certo. Mas ainda existe o povo.

— Ah, são umas pessoas que eu conheci, não se preocupe. Agora eu tenho que ir fazer umas coisas importantes. — disse me levantando e saindo de lá

— Alicia, senta aqui, você não foge assim não! — fechei meus olhos com força, abri, virei e me sentei novamente

— O quê?

— Do que tem medo?

— O quê?

— Vai. — disse com aquela cara de "você não tem jeito"

Eu sei do que ela está falando e exatamente onde isso vai dar, só que quanto mais eu puder adiar esse momento eu irei.

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— Vamos sair, Ali?

— Eu adoraria. — respondi à Jason quando estávamos saindo da escola

— Para onde vamos?

— Pera, você quis dizer agora? Kkkk.

— Tudo bem por você? — perguntou me examinando com o olhar a procura de algum sentido de desculpa

— Uhum. — respondi meio tímida, aquilo estava me matando!

— Vamos ao Switched?

— Óbvio!! — sinto toda minha timidez indo embora neste momento, sempre a magia da minha lanchonete preferida...OBRIGADA!

— Como você pode gostar tanto de um lugar tão normal?

— Ele não é normal, é um lugar diferente.

— Está com seu copo aí?

— Sempre.

— Posso fazer uma pergunta?

— Aham.

— Você é sempre um pé atrás assim e eu nunca percebi?

— Como assim?

— Sempre sendo monossilábica e tals..?

— Ah, certo. Olha, não me leve a mal não, mas é que umas coisas do passado que eu não consigo superar que me levam a ficar assim, como você diz, um pé atrás. Então me desculpe se fiz mal.

— Tudo bem, entendo. Foi uma coisa muito ruim?

— Mais ou menos. Você não conseguiria imaginar. Mas não vamos falar disso não, por favor.

— Quer falar do que? — até esse momento estávamos no carro indo, assim que chegamos, somente fomos sentar nos pufes da lanchonete

— Como está sua irmã? É irmã não é?

— Olha, vejo alguém espiã! — disse brincando e rimos — Está bem, aliás as duas, minha mãe e minha irmã.

— Legal.

— Legal. — ficamos quietos durante um instante e Jason resolveu dar um fim nisso — Am...a gente nunca saiu sozinhos assim juntos pelo que eu me lembre. Mas não precisa ficar estranho, ainda somos amigos comuns e normais, certo?

— Certo. Tem razão.

— E sabe o que amigos fazem? — perguntou e eu pensei — Eles contam um pro outro os acontecimentos de sua vida para se conhecerem melhor.

— Ah sim.

— E eu tenho um outro amigo, aliás melhor amigo mesmo, que eu acho que você conhece, o nome dele é John. Ele me contou umas coisas que eram uma espécie de segredo de todo mundo, você deve saber qual é, não é? — perguntou irônico e eu revirei os olhos — Claro que sabe! Vocês na-mo-ra-ram! Então é óbvio porquê ele gosta de você, é desde antes e também é óbvio o porquê ele sempre falava coisas sobre você sem querer e depois falava que era porque estudaram muito juntos!!

— Espera, John falava de mim?

— Mais ou menos. Falava "Ali fazia isso, Ali gostava daquilo", mas eu nunca tinha reparado no que isso podia significar até ele me contar a história de vocês. — parei um pouco pra raciocinar — Então. E o que? Vai me contar o que se passa nessa cabecinha?

— É só que eu não sabia dessa informação. Pra mim eu era só mais uma pessoa pra ele e isso me pegou de surpresa.

— Mas Ali!! É tão difícil aceitar que ele não esqueceu de você??!

— Não, você não entende! John, foi um babaca, um idiota, completamente idiota, comigo! E lembra daquele acontecimento ruim que te disse antes de virmos pra cá? Foi justamente esse. Ele me machucou muito e dói demais ainda pra cicatrizar. Acho que é por isso que eu tento me afastar dele cada vez que se aproxima.

— Ele não é mais a mesma pessoa de quando vocês namoraram. Estão amadurecidos e ainda amadurecendo agora.

— Por que está me falando essas coisas?

— Porque eu me importo com você, quero que veja o real, não o quer ver. — disse sério e o abracei sentada ainda, foi nosso primeiro abraço e ficamos longos segundos assim, depois nos separei

— Nos conhecemos há pouco tempo, mas obrigada por se importar e me ajudar. — ele só assentiu e continuou observando a lanchonete, o analisei e depois falei — Olha, se você está incomodado com tudo que aconteceu, só quero que --

— Está dizendo isso por causa de eu gostar de você. — falou de uma vez e diretamente, me interrompendo

— Isso... — falei soltando a tensão que segurava sem nem mesmo perceber

— Relaxa, isso acontece o tempo todo. Não precisa mais me dar aquela chance. — falou e continuou a observar a lanchonete, é claro que ele está incomodado! Isso é bem visível

— Você tá incomodado! Jason! Você está incomodado!! Por que você tem sempre que passar o John na sua frente??! Vocês são amigos eu sei, mas tem que pensar em você! Não precisa me ajudar com ele se se sente incomodado! Na verdade nem tem que me ajudar com ele! O que eu tive com ele está acabado há muito tempo e não tenho planos em voltar!! Longe disso!

— Você está --

— Não, também não estou te dando esperanças, sinto muito. Só tenho que te lembrar que você existe!

— Sei muito bem da minha existência! Só que ele nunca parou de gostar de você, ele gostou primeiro, é desde sempre!! Eu, sei lá, muuuito pouco tempo, quem sabe se dura.

— Tá, mas eu não. Já parei de gostar há muito tempo!

— Será Ali? Será?

— Como assim será? Isso é óbvio.

— Vamos ver até quando isso vai ser óbvio. Eu quero muito ver sua cara no dia que descobrir que também ainda gosta dele tanto quanto.

— Esse dia não vai chegar!!

— Táaa bom. — disse levantando as mãos em rendição — Vamos, tenho que te deixar na escola pra pegar seu carro.

— Aé! Claro! Meu carro! Como eu sempre me esqueço dele? Pelo menos minha chave tá aqui.

— É, pelo menos hoje. — entendi a referência, foi por causa do dia (domingo) que tiraram a minha foto com o John no shopping, ele deve ter contado a história toda

— Ha ha! — ri irônica

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Acordei com meu celular apitando. POR QUE EU NUNCA DEIXO ESSE TRECO NO SILENCIOSO???! Olhei a mensagem de Jenny que na verdade era um print. Fui ler sonolenta, mas assim que bati o olho no que estava escrito dei um pulo da cama murmurando "o quê" e depois "mas que droga!". Era mais uma daquelas notícias de fofoca, parece que certos repórteres têm vigiado eu e John depois da foto. Era só essa que me faltava! Olhei as horas que marcavam 7:33pm e percebi que estava atrasada para a escola. Coloquei uma roupa qualquer que considerava bonita e adequada para o ambiente escolar, passei um lápis na parte superior dos olhos, desci e correndo tomei meu cereal. Só tinha 5 minutos pra chegar na escola. Aiaiai.
Estacionei meu carro e pude ouvir o sinal tocar. Saí correndo em direção ao armário para pegar meu material. Teria que entregar meu trabalho que fiz ontem à noite, me agradeci mentalmente por ter colocado na bolsa ontem e não esquecido em casa. Entrei na sala pedindo licença a professora de Literatura e me sentei na cadeira sobrando ao lado de Jason. Prestei atenção nos meus colegas de classe e todos, ou a grande maioria, me encaravam, até a professora que não parece professora já que só beira os 30 anos e parece ter 25. Os outros que não me olhavam, sussurravam alguma coisa com os amigos.

— Amm. Fiz alguma coisa? — perguntei mais olhando e perguntando para Jason, ninguém me respondeu — Miss Garlin?

— Okay, galera parem de olhar para Alicia como se ela fosse um ET e passem seus trabalhos para frente. Esse é o último trabalho de vocês que equivale a metade da nota da prova. Então quem não fez...que pena.

— O que eu fiz? — sussurrei à Jay enquanto entregava meu trabalho a menina a minha frente

— O certo seria "o que nós fizemos?!".

— Espera, isso tudo é por causa daquela notícia?

— É sim.

— Ufa, pensei que tivesse feito alguma coisa errada.

— Mas-- — começou a falar, porém foi interrompido pela professora

— Chega de conversa Mr. McJeam. — ele assentiu, eu assenti também e a aula fluiu normalmente, ou quase isso

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Assim que bateu o sinal, peguei minhas coisas e fui andando para fora da sala, era intervalo. Mas para minha falta de sorte, John apareceu do meu lado ao sair da porta também, tínhamos matemática juntos e a aula tinha acabado agora. Ou seja, eu e ele plantados no meio da porta olhando um ao outro enquanto dezenas de alunos nos olhavam e cochichavam. Droga!

— Ai, deixa eu passar! — escutei a voz de Giulia me empurrando para frente para passar na porta e quebrar nossos olhares — Por que raios vocês dois estão parados na porta e -- ooh. — ela olhou para todos em silêncio e depois pegou minha mão me guiando e dando tchau para John.

— Você não respondeu a Jenny, ela estava pirando querendo respostas.

— Por que essas coisas tem sempre que acontecer comigo??

— Porque você namorou um cantor famoso. — fingi um choro e ela riu

— Antes de chegar à Jenny, fala direito o que estava naquela notícia, estava atrasada hoje cedo e não deu pra ler muito.

— Lá está falando que você e um amigo estavam numa lanchonete, que cá entre nós sabemos muito bem qual, e falavam sobre coisas um tanto especiais e suspeitas. Eles pegaram a parte da história de você e John, e disseram que os Js vivem em um triângulo amoroso com você, Alicia. Aí também juntaram com conversa de John com ele que só comprovou ser verdade. Então boa sorte.

— Af. — pegar minha parte de falando de John e a dele contando faz sentido, agora juntar o Jason nisso tudo já é demais! Pelo menos não citaram nomes, mas não é difícil juntar alguns pauzinhos e perceber

Após conversar com Jenny, tive que enfrentar uma Laura fu e curiosa. Não tínhamos contado à ela ainda. Ela me bateu algumas vezes, mas acabou relaxando. No final do dia de escola, pude ir finalmente pra casa e descansar. Ou não, vai saber de eles leram a notícia.

— Oi. — disse cumprimentando minha mãe que estava mexendo no celular na sala

— Oi. — me olhou, respondeu, olhou o celular, arregalou os olhos e me olhou de novo

— O que foi?

— Isso. — girou o celular em minha direção enquanto se levantava, me aproximei e vi a notícia de ontem — E olha, tem outra, essa aqui é um pouco quente, não acha? — mostrou aquela maldita foto

— Eu posso explicar. — respondi me desesperando

— Não precisa. Falam tudo aqui.

— Não falam não! É fofoca, não é verdade.

— Ah, então vamos ver. Primeira notícia. Esse — apontou com o dedo — é o mesmo John de antes? — assenti cabisbaixa — A outra notícia. Vocês namoraram certo? — assenti de novo me sentando no sofá, ela se levantou — Então Alicia o que tem de errado aqui? Claro que eles viajam as vezes, mas não dá pra negar! É sua história.

— Tem razão, algumas não posso negar, são verdade. Mas olha, eu ainda moro aqui, viajaram legal naquela notícia.

— Não está negando nem incluindo a foto. Essa aqui — apontou com o dedo na foto de novo — é você?

— Sou eu.

— Você está namorando, filha? Com ele de novo.

— Não, mãe!! Isso nunca vai acontecer! — respondi me levantando e andando em direção a escada

— O que essa foto quer dizer?

— Quer dizer que ele é um ridículo que brinca comigo!!

— E você fica mexida! — parei no meio da escada — Eu sou sua mãe, te conheço e já passei por isso também. Não foi mostrado pro mundo já que nunca namorei um astro. Mas sei como se sente. — me sentei na escada e deixe de ser forte ali, naquele momento — Ai querida. — se aproximou de mim, se sentou e me abraçou de lado

— Por que não passa?

— Porque você ainda gosta dele, dá pra ver.

— Por que todos dizem isso?

— Como disse, dá pra ver. — ficamos quietas por uns instantes e algumas lágrimas caíam — Quer que eu chame Giulia? — assenti e ela levantou — Vá ao seu quarto, peço pra que ela suba lá. — o fiz e não demorou 10 minutos e lá estava Giu ao meu lado me consolando

— Nunca tive uma conversa tão emocional com minha mãe antes.

— Por que está chorando exatamente?

— Ela tocou bem aquele meu ponto.

— Me conte, vai te fazer bem.

— Primeiro foi todo mundo me olhando e descobrindo meu segredo e falando sobre mim... Depois aquela cena na porta da sala e agora essa conversa com minha mãe. Tudo me fez perceber que estão certos. Eu ainda gosto do John.

Notas finais
Vim aqui dizer que uma amiga minha que nem tem conta nenhuma em lugar nenhum, me ajuda a escrever. Outra coisa: ela admitiu!