Rochas Negras
12 Gêmeas de Arendelle - Parte 2
Notas iniciais
Era uma vez, uma criança diferente das outras. Ela conseguia, intermitentemente, enxergar os vetores mágicos no ambiente. Durante sua infância, a criança não conseguia controlar esse dom. Ela não sabia que, nos momentos em que estava contemplando as pequenas esferas luminosas, a íris em cada um de seus olhos se tornava vermelha. Os amigos da criança se assustavam quando viam os olhos vermelhos. Todas as vezes que um adulto foi verificar os olhos da criança, eles estavam com colorações normais. Até uma parte de sua adolescência, a criança, agora adolescente, pensou que fosse louca, pois enxergava coisas que os outros não conseguiam.
Um dia, o adolescente viu seus olhos vermelhos enquanto lavava seu rosto num rio e tomou um susto. Ele ficou desesperado e correu. Após correr muito, o adolescente escorregou num penhasco fora da floresta mágica, ele morreria se uma adolescente, com uma camada de luz ao redor do próprio corpo, não o tivesse salvo. Os dois se tornaram amigos. A adolescente explicou a ele sobre suas habilidades sobre-humanas e pediu segredo. Ela também conseguiu entender e explicar o que se passava com o adolescente, ele finalmente entendeu que não era louco e voltou para casa. Graças a adolescente, o adolescente estudou suas habilidades e aprendeu a controlá-las. O nome desses adolescentes eram Ragen e Yolanda.
Muitos anos depois, Ragen estava em algum lugar da floresta mágica olhando para as princesas Willow e Arianna, que estavam sentadas como se estivessem meditando.
— Princesas, vocês têm que relaxarem para sentirem o fluxo passando por seus membros. – disse Ragen olhando para Willow e Arianna.
— Ele diz isso, mas não sinto nada. – pensou Willow.
Após um momento, Willow começou a sentir algo passando por seus pés e mãos, como se estivesse deixando seu corpo. Ela sentiu que podia parar aquele fluxo.
— Estou sentindo. Então, é essa a sensação? – perguntou-se Willow em pensamento.
Naquele momento, Ragen ativou suas habilidades e suas íris ficaram vermelhas. Ragen agora estava enxergando os vetores mágicos. Pequenas esferas de luz estavam deixando o corpo das princesas, porém, de repente, o fluxo de poder mágico cessou nas mãos e pés delas e passou a ficar na pele de cada uma.
— Arianna, Willow! Vocês conseguiram! Estão retendo o poder mágico que deixaria seus corpos! – disse Ragen enquanto mantinha os olhos vermelhos.
As princesas continuaram meditando.
— Levantem-se e tentem manter a concentração na Retention[1]! – disse Ragen antes de seus olhos voltarem ao normal.
As duas garotas levantaram devagar. Após as princesas ficarem de pé, Ragen disse:
— O poder mágico acumulado fica na pele de vocês. Após um tempo usando a Retention, misteriosamente, é possível enxergar este poder mágico como uma camada de luz que engrossa com o tempo, indicando o quanto de poder mágico acumulado vocês têm. – explicou Ragen.
— E quanto ao que nós conseguimos fazer? – perguntou Arianna.
— A habilidade de cada uma de vocês se divide em quatro outras habilidades: blindagem corporal, velocidade, força e regeneração com restauração. A blindagem deixa seus corpos muito resistentes. A velocidade permite que vocês se movam muito rápido, como a Willow há três semanas atrás. A força permite que vocês destruam rochas, empurrem o ar, entre outras coisas. Por último, a regeneração com restauração. Esta habilidade permite que vocês curem feridas, além de restaurarem ao estado padrão coisas como temperatura corporal e potencial elétrico. – Explicou Ragen.
Uma camada de luz fina surgiu na pele de cada princesa. Willow e Arianna começaram a olhar para seus corpos.
— Incrível. – disse Arianna.
1 – Do alemão, “retenção”.
— Senhor Ragen. Tem mais alguma coisa que precisamos saber? – perguntou Willow olhando para Ragen.
— Sim. A Retention só pode ser usada uma vez por dia. Em se tratando das outras quatro habilidades, a blindagem está sempre ativa, vocês não têm controle sobre ela. Quanto à velocidade, podem ativar e desativar quando bem desejarem, assim como a força e a regeneração. Além disso, só três habilidades podem ser usadas ao mesmo tempo e vocês não são obrigadas a usarem toda a velocidade, força ou regeneração que conseguirem. – explicou Ragen.
— Então, podemos controlar o quanto de força e velocidade usamos, além da regeneração. – pensou Willow enquanto olhava para seu corpo.
— Um livro, que a Yolanda me emprestou e que não a devolvi por causa de seu falecimento, explica que a blindagem corporal consome por padrão vinte e cinco por cento de seus poderes mágicos. As outras três consomem um percentual que varia de pessoa para pessoa. – disse Ragen.
— Se consomem, por que o nosso poder mágico permanece aumentando? – perguntou Arianna.
— É simples. O cérebro de vocês, após a ativação da Retention, gera vetor mágico de forma que, sempre que vocês gastam uma quantidade “x” de poder mágico, o dobro, isto é, duas vezes “x”, de poder mágico é somado ao acumulado. – Explicou Ragen.
— A quantidade de poder mágico adicionado é proporcional ao quanto usamos nossas habilidades. Incrível. – disse Willow enquanto sorria.
— Há um limite para a quantidade de poder mágico acumulado? – perguntou Arianna olhando para Ragen.
— Não. – respondeu Ragen.
Ragen observou as princesas por um momento e disse:
— Acredito que já sabem o bastante por enquanto. Vamos para a prática.
— Vamos! – disseram as princesas muito empolgadas.
Naquele momento, as camadas de luz desapareceram do corpo de cada uma.
— O quê?! – disseram Arianna e Willow ao mesmo tempo.
— Vocês se desconcentraram. – disse Ragen sorrindo.
— Por um momento eu esqueci dos meus poderes e… – pensou Arianna.
— É o bastante por hoje. Pratiquem a Retention no castelo. De preferência, em seus quartos. Espero que já consigam manter a concentração na próxima semana para praticarmos suas habilidades. Infelizmente, oportunidades para eu ensiná-las, como aconteceu hoje, são difíceis de aparecerem, sempre tem alguém querendo ficar perto de vocês. – disse Ragen antes de começar a andar.
— Senhor Ragen, pode me emprestar aquele livro que explica sobre a Retention? – perguntou Arianna enquanto seguia Ragen.
— É claro. Aliás, acho que a mãe de vocês gostaria que vocês ficassem com ele. – disse Ragen levando uma mão ao queixo.
Quando chegaram a tenda de Ragen, ele abriu um baú e retirou dois livros. Um deles tinha o título de “Humanos Mágicos” e o outro não tinha título, somente “Plus Est En Vous[1]” na capa. Ragen entregou o livro “Humanos Mágicos” a Arianna e o outro a Willow. Quando Willow abriu o livro, ele estava totalmente em branco.
— Senhor Ragen, este livro está em branco. – disse Willow um pouco irritada.
— Hahahahaha! Eu sei. Era um diário da sua mãe, mas ela detestava escrever, então deixou ele em branco. Ela riu muito da minha cara quando eu abri o diário e não tinha nada. – disse Ragen olhando para Willow.
Willow fitou Ragen com os olhos por um momento, então ofereceu o livro a Arianna.
— Pode ficar. Também detesto escrever. – disse Willow enquanto mantinha uma mão com o livro estendida.
— Mas… Willow… É… Eu também detesto escrever. – disse Arianna olhando para o diário com receio.
Ragen começou a rir e Arianna pegou o diário.
— Princesas, vocês sabem sobre a tal surpresa que o pai de vocês falou? – perguntou Ragen enquanto saía da tenda com as princesas.
— Sim, mas não vamos contar. – disse Willow em tom de deboche.
Ragen arregalou os olhos.
1 – Do francês, “mais em você”.
— Sinto muito, mas tenho certeza de que vai agradar a vocês, povo Northuldra. – disse Arianna olhando para Ragen.
— O príncipe Agnarr foi com o rei, acho que vou perguntar a ele. – disse Ragen olhando para Willow.
— Não adianta. Nosso irmão não é estúpido. – disse Willow antes de dar um sorriso de leve.
Willow e Arianna subiram num vagão medieval para esperar o rei e o príncipe, além dos soldados que os acompanhavam. Logo depois, Yelana se aproximou de Ragen.
— Ragen, não acha melhor mandar alguém vigiar o que o rei está fazendo? – perguntou Yelana mantendo um baixo tom de voz.
— Não se preocupe, eu já fiz isso. – disse Ragen enquanto sorria.
— Sério? – perguntou Yelana um pouco surpresa.
— Sim e não precisamos nos preocupar. O rei e alguns soldados só ficaram estudando um rio. Provavelmente, farão uma represa. – disse Ragen ainda com um sorriso.
— Entendi. Então, posso ficar despreocupada. – disse Yelana em tom de alívio.
— Acredito que uma represa pode ser útil para nós. – disse Ragen enquanto voltava para sua tenda.
O “rei”, o príncipe e alguns soldados retornaram e partiram logo em seguida.
Durante e noite, Arianna leu o livro “Humanos Mágicos”. Ele continha muitas informações sobre a Retention. Numa das páginas, havia um tipo de especiação dos usuários baseada na porcentagem das habilidades(força, velocidade e regeneração). Tinham quatro tipos: balanceado, forte, velocista e restaurador. Todos os tipos tinham em comum o fato de que a blindagem consumia vinte e cinco por cento do atual poder mágico. O tipo balanceado consistia em, aproximadamente, um consumo de cerca de vinte e cinco por cento do poder mágico para cada habilidade. No tipo forte, o usuário da Retention usava mais do que vinte e cinco por cento em força e descontava em uma ou duas das outras habilidades. Os tipos velocista e restaurador seguiam a mesma lógica do tipo forte, mas a porcentagem pendia para a velocidade e regeneração, respectivamente. Além dessas informações, Arianna encontrou referências sobre magias supremas. De acordo com o livro, eram magias muito poderosas que tinham algo em comum: precisavam que o usuário dissesse “magia suprema” antes de ativá-las. Os usuários de Retention só conseguem ativar suas magias supremas com uma condição que varia de acordo com o tipo dele. Se os usuários do tipo forte estiverem feridos, conseguem usar o poder mágico no ambiente ao seu redor para criarem uma esfera de poder mágico proporcional ao quão machucados estão. Esta esfera libera uma quantidade de energia proporcional ao seu tamanho quando acionada com o comando Explosion[1]. Caso um usuário do tipo velocista toque numa mesma pessoa utilizando três combinações diferentes de duas habilidades ativas simultaneamente(força/blindagem, regeneração/blindagem e velocidade/blindagem), ele consegue se mover na velocidade da luz durante um minuto, tendo ele como refencial de tempo. No tipo dos restauradores, a ativação da magia suprema só é permitida se o usuário passar, pelo menos, cinco minutos sem ser ferido(blindagem vencida). Caso esta condição seja atendida, o usuário da Retention permanece, por cinco minutos ou mais, de acordo com o tempo que permaneceu sem ser ferido, sem sofrer qualquer dano. Por último, no caso dos balanceados, eles só conseguem ativar a magia suprema quando cumprem as condições dos outros três tipos. A magia suprema deles permite que eles desmaterializem qualquer pessoa que eles tocaram na atual ativação da Retention. O tipo balanceado é o mais raro.
Após passar horas lendo e refletindo sobre a Retention, Arianna se deparou com uma página que afirmava que a família real de Arendelle não era a única entre humanos a usar magia naturalmente. A família real de um lugar conhecido como reino sombrio também utilizava magia de forma natural. Porém, o livro não explicava o motivo deles terem magia, nem como as suas habilidades funcionavam.
— Tem outras pessoas? – pensou Arianna muito impressionada.
Enquanto isso, no quarto do rei, o monstro do espelho conversava com Vhan Tiri.
— Os materiais já foram comprados. Acredito que a represa estará completa em uns três meses. – disse o “rei” com um sorriso maligno.
— Ótimo. Eu ordenarei que coloque o drenador quando eu achar conveniente. – disse Vhan Tiri enquanto segurava um espelho de mão.
1 – Do alemão, “explosão”.
Durante os três meses de construção da represa, Willow e Arianna permaneceram treinando sozinhas, pois não tinham muitas oportunidades de permanecerem sozinhas com Ragen. As princesas ficavam meditando em seus quartos para melhorarem suas concentrações. Nas raras oportunidades que tiveram com Ragen, testaram seus poderes e chegaram a conclusão de que Willow era do tipo forte e Arianna, velocista. Elas, também, praticaram suas magias supremas. Willow ativou a sua magia suprema, porém não utilizou o comando Explosion, visto que ela poderia dizimar a ilha.
Durante o andamento das obras, o “rei Runeard” conseguiu colocar o drenador de poder mágico, de cerca de dois metros de altura, no meio da represa durante uma madrugada.
Os três meses se passaram e o dia da entrega chegou. “Runeard” e Agnarr estavam, assim como muitos soldados de Arendelle, perto da represa com vários Northuldras. “Runeard” cobrou postura do filho ao levantar o queixo do príncipe com a mão esquerda.
— Onde estão as princesas? – perguntou o “rei” ao filho.
— Elas foram brincar por aí. Ficaram empolgadas quando o senhor Ragen disse que mostraria a magia que os Northuldras usam no cajado. – respondeu Agnarr olhando à represa muito empolgado.
Naquele momento, Ragen tomou a frente e apertou a mão de “Runeard”.
— Surpresa não surpreendente. – disse Ragen em tom de deboche.
— Imaginei que não teria como esconder uma surpresa desse tamanho. – disse o “rei” enquanto sorria.
Após isso, os espíritos apareceram e brincaram com os Arendellianos. Ragen não acreditava no que estava vendo. Muitos soldados estavam encantados com as habilidades dos espíritos.
— Eu pretendia falar sobre nossos cajados, mas, já que os espíritos apareceram, vou desistir do plano original. – pensou Ragen com um leve sorriso no rosto.
Willow e Arianna estavam procurando Ragen entre as pessoas, mas não o avistaram.
Em algum lugar perto da represa, Ragen ativou seus olhos para observar como os vetores mágicos se comportavam com o espírito do fogo. Como já sabia, os vetores estavam entrando pelos membros do espírito de fogo. Ragen estava afastado das outras pessoas. Além dos vetores no espírito do fogo, o líder dos Northuldra notou que havia uma grande quantidade de vetores mágicos convergindo para a represa.
— O que é isso? – pensou Ragen enquanto seguia os vetores que convergiam para a represa.
Alguém se aproximou e Ragen desativou os olhos rapidamente.
— Está tudo bem, amigo? – perguntou o “rei”.
— Sim… Vou para a minha tenda. – disse Ragen antes de começar a andar.
— Ele estava olhando para a represa. Além disso, o que eram aqueles olhos? – pensou o “rei” enquanto observava Ragen se afastar.
Momentos depois, Willow e Arianna estavam acompanhadas de uma guarda em algum lugar da floresta mágica. Ela era branca, de cabelos castanhos escuros.
— Vem logo, Agnete. Precisamos encontrar o senhor Ragen, ele disse que vai falar sobre os cajados. – disse Willow muito empolgada.
— Ele poderia ter nos explicado durante os treinos. – pensou Arianna um pouco irritada.
— Princesas, vocês têm certeza de que esse negócio de cajado é mais interessante do que aquela pequena criatura de fogo? – perguntou Agnete.
— Ele não estava na tenda e não o encontramos perto da represa depois da inauguração. Era melhor termos ficado com o papai para o momento da inauguração. – disse Willow olhando para Arianna.
— Eu te disse, mas você é teimosa. – disse Arianna enquanto olhava para frente.
— Vamos para a tenda, talvez ele esteja lá agora. – disse Agnete olhando para Willow.
— É melhor do que ficarmos procurando por uma agulha num palheiro. – disse Arianna em tom deboche.
Willow fitou Arianna com os olhos e as três prosseguiram para a área do acampamento.
Na tenda de Ragen, ele estava pensativo.
— Aqueles vetores convergindo para a represa… Será que o rei sabe disso? – perguntou-se Ragen mentalmente.
Ragen começou a andar pela tenda.
— Impossível. Runeard não entende de magia. Mas aquela represa sugando vetores mágicos… Por quê? – perguntou-se Ragen mentalmente.
O estômago de Ragen começou a roncar, então ele serviu uma sopa para si e sentou diante da mesa para tomar a sopa.
Após alguns segundos, o monstro do espelho entrou na tenda empunhando sua espada. Vhan Tiri estava falando na cabeça do monstro.
— Se o que você disse for verdade, ele é um engenheiro mágico. É um perigo para os planos do Sindicato. Mate-o e saia daí rapidamente. – disse Vhan Tiri enquanto o monstro do espelho desapareceu e surgiu atrás de Ragen.
Antes que Ragen pudesse tomar a sopa, teve sua cabeça arrancada.
— Pai? – disse Willow enquanto via a cabeça de Ragen rolando no chão.
— Majestade… – disse Agnete muito chocada com a cena.
Arianna estava muito assustada.
— Parece que fui descoberto. O que devo fazer? – perguntou o monstro do espelho enquanto olhava para as princesas e a soldado na entrada da tenda de Ragen.
A espada estava melada de sangue.
— Mate-as. – disse Vhan Tiri.
Os olhos do monstro ficaram totalmente vermelhos e ele partiu, rapidamente, para cima das três testemunhas do assassinato que ele acabara de cometer. Naquele momento, Willow, Arianna e Agnete desapareceram.
— O quê? – disse o monstro do espelho.
— Cadê elas? – perguntou Vhan Tiri.
— Sumiram. – disse o monstro do espelho, parado na entrada da tenda de Ragen, segurando sua espada.
Dois Northuldras viram o “rei” segurando uma espada repleta de sangue na entrada da tenda do líder deles.
— Ei! Cadê o Ragen?! – perguntou um dos Northuldras.
— Droga. – pensou “Runeard” enquanto olhava para os Northuldras.
— Invente uma desculpa e não use seus poderes de forma alguma. Não quero que haja testemunha de seus poderes enquanto você mata esses dois aí fora. – disse Vhan Tiri.
O monstro andou em direção aos Northuldras.
— Eu entrei na tenda e encontrei o Ragen morto. Essa espada eu encontrei lá também. – disse “Runeard” mostrando a espada.
— Sério? E cadê a sua espada? – perguntou um dos Nortuldras enquanto apontava para a bainha vazia do “rei”.
— Assassino! – gritou um dos Northuldras.
Naquele momento, alguns soldados de Arendelle apareceram.
— Guardas, socorro! Esses homens acham que matei o Ragen e tentaram me matar! – gritou o “rei” enquanto se afastava dos Northuldras.
— Mentira! – disse um dos Northuldras.
Os soldados partiram para cima dos dois Northuldras e uma briga começou. Em poucos minutos, a floresta mágica virou palco de guerra. Os Northuldras conseguiam lutar contra os soldados armados com espadas com seus cajados de madeira. Durante a luta, o rei encurralou um Northuldra num precipício.
— Caia com ele. – disse Vhan Tiri segurando um espelho de mão.
O monstro do espelho caiu do precipício junto a um Northuldra.
Destin estava perto do príncipe Agnarr e, durante um confronto com um Northuldra, afastou-se um pouco do príncipe. Naquele momento, por causa de uma grande pedra jogada pelo espírito da terra, o príncipe foi arremessado até cair e bater a cabeça numa pedra. Por causa da briga, os espíritos se enfureceram e estavam atacando as pessoas que estavam lutando. Logo em seguida, a floresta foi encoberta por uma névoa mágica que não permitia a passagem de ninguém. Antes que a floresta fosse trancada, a garota flutuante levou o príncipe para fora da floresta. Agnarr sabia que alguém o salvou, mas não lembrava do rosto desta pessoa porque estava confuso por causa da batida na pedra. A garota não estava com o príncipe quando ele acordou.
Momentos antes, quando Willow, Arianna e Agnete desapareceram, elas reapareceram nos arredores de Arendelle. Willow estava segurando a mão de Agnete.
— O que aconteceu? – perguntou Agnete enquanto revirava o ambiente com os olhos.
— Droga. Corri por instinto. – disse Willow muito irritada.
— Você não foi a única. – disse Arianna olhando para Willow.
— Ainda está usando? – perguntou Willow olhando para a irmã.
— Não. Ativei e desativei no susto. – disse Arianna olhando para Willow.
— Eu também. – disse Willow olhando para Arianna.
— Princesas, o que está acontecendo? O rei matou… Nós aparecemos aqui de repente… – disse Agnete muito surpresa.
— Nós duas conseguimos usar magia. Tiramos você de lá utilizando nossa velocidade. – disse Arianna olhando para Agnete.
— O quê?! – gritou Agnete muito surpresa.
— Nosso pai matou o senhor Ragen… – disse Willow enquanto caia de joelhos.
Enquanto isso, após cair com um Nortuldra, o monstro do espelho foi atacado pela água do mar. O espírito da água criou um tipo de membro d’água e acerto um “tapa” no monstro. Logo em seguida, o espírito arrastou o monstro do espelho para dentro d’água.
— Droga. Terei que me desfazer dele. – disse Vhan Tiri um pouco irritada.
Perto do reino de Arendelle, as princesas e Agnete estavam conversando.
— Temos que avisar as pessoas sobre o que nosso pai fez. – disse Arianna olhando para a irmã, que estava de joelhos chorando.
— Sim. Vamos fazer isso. – disse Willow enquanto levantava.
— Esperem um pouco. Vai ser nossa palavra contra a do rei. – disse Agnete olhando para o reino.
Willow e Arianna olharam para Agnete.
— Em quem vocês acham que vão acreditar? – disse Agnete enquanto olhava para as princesas.
— Mas temos que tentar, alguém tem de acreditar em nós. – disse Arianna olhando para Agnete.
— Mesmo sendo princesas, vocês provavelmente seriam presas e talvez até executadas a mando do rei. Vocês sabem usar magia, mas duvido que usariam contra os guardas ou até mesmo contra o pai de vocês. – disse Agnete olhando para as princesas.
Willow e Arianna cerraram as mãos.
Na cabana, Vhan Tiri disse:
— Freisetzen[1].
Logo em seguida, as imagens que apareciam no espelho desapareceram.
— Querido, temos um problema. – disse Vhan Tiri com uma mão no queixo.
O Barão apareceu no cômodo.
— O monstro do espelho estava inútil e tive que liberá-lo. Além disso, as princesas sabem que o rei matou o chefe dos Nortuldras. Se elas abrirem a boca, é provável que os Arendellianos derrubem a represa como retaliação. – disse Vhan Tiri olhando para o Barão.
O Barão saiu do cômodo. Vhan Tiri estranhou a atitude do marido.
— O que deu nele? – perguntou-se Vhan Tiri mentalmente.
O Barão voltou segurando uma pequena pedra amarela.
— Lembra-se disso? – disse o Barão enquanto sorria.
— Uma pedra da mente. Você consegue controlar os movimentos dela se conectar sua mente a ela. Porém, ela nunca mais pode se conectar a outra pessoa até que a atual pessoa conectada morra. – disse Vhan Tiri olhando para a pedra.
— Não lembra o que acontece quando uma pedra da mente é destruída? – perguntou o Barão ainda sorrindo.
— Memórias podem ser manipuladas. – disse Vhan Tiri com os olhos arregalados.
— Mais precisamente, você pode apagar determinadas pessoas das memórias de todas as pessoas que forem atingidas pelo pulso que a joia libera ao ser destruída. O lado ruim é que também seremos atingidos, não lembraremos das princesas. – disse o Barão antes de entregar a joia da mente para sua esposa.
— Por que você carrega uma dessas com você? – perguntou Vhan Tiri olhando para o marido.
— Você não lembra? – perguntou o Barão olhando para Vhan Tiri.
— Memória de mil anos, querido. – respondeu Vhan Tiri enquanto fitava o marido com os olhos.
1 – Do alemão, “liberar”.
— Faz sentido. Eu também esqueço muitas coisas. Bom, eu carrego uma pedra da mente para lidar com pontas soltas. Como seus planos geralmente não deixam pontas soltas, é provável que faz muito tempo desde que usamos uma dessas. – disse o Barão enquanto olhava para a pedra da mente na mão de Vhan Tiri.
— Entendo. – disse Vhan Tiri enquanto olhava para a pedra em sua mão.
— Quem queremos apagar? – perguntou o Barão.
— As princesas e uma guarda. – respondeu Vhan Tiri.
— Você as viu? – perguntou o Barão.
— Sim. Através dos olhos do monstro do espelho. – disse Vhan Tiri.
— Ótimo. Basta pensar nessas três enquanto destrói a joia. Somente as três pessoas alvo não serão afetadas. – disse o Barão enquanto sorria.
— As pessoas podem lembrar delas através de alguma moldura ou quadro, como os das princesas no castelo? – perguntou Vhan Tiri.
— Não. Energia mágica se fixa em objetos que podem expor o apagamento realizado pela joia da mente, mostrando uma imagem falsa para as pessoas que tiveram suas memórias alteradas. – disse o Barão enquanto levava uma mão ao queixo.
— Ótimo. Vou destruí-la agora. – disse Vhan Tiri antes de colocar a pedra da mente numa mesa.
— Havia uma forma de reverter o apagamento, mas faz tanto tempo que li ou ouvi sobre que nem lembro mais. – pensou o Barão.
Vhan Tiri pegou um martelo, pensou no rosto das três, Agnete, Willow e Arianna e acertou a pedra da mente com o martelo, destruindo-a. Um pulso, com a pedra no centro, afetou toda a ilha.
Enquanto isso, as princesas e Agnete foram ao castelo. Quando chegaram na entrada, o pulso passou por elas. As três não notaram. Quando Willow e Arianna estavam entrando no castelo, um dos guardas perguntou:
— Aonde pensam que vão?
— Você é imbecil? São as princesas. – disse Agnete encarando o guarda.
— Arendelle não tem princesas. Somente o príncipe Agnar. – disse o guarda encarando Agnete.
— É uma piada? – perguntou Willow olhando para outro guarda.
Neste momento, Halimah apareceu saindo do castelo.
— Halimah, pode nos ajudar? – perguntou Arianna.
— Que criança mais linda. De onde você me conhece? – perguntou Halimah enquanto fazia um cafuné em Arianna.
— Halimah, são as princesas. – disse Agnete um pouco surpresa.
— Princesas? Do que está falando? – perguntou Halimah um pouco confusa.
— O que está acontecendo aqui? – perguntou Agnete um pouco irritada.
— Halimah, quem vai ser o sucessor do rei? – perguntou Arianna.
— O príncipe Agnarr. – respondeu Halimah, sorrindo para Arianna.
— Muito estranho. Queremos fazer uma acusação contra o rei e, agora, ninguém lembra mais de nós? Parece até que tudo está sendo manipulado por alguém… Provavelmente está. – pensou Agnete enquanto observava Halimah fazer um cafuné em Willow.
— Eu sou uma guarda real, tenho autoridade para levar pessoas ao castelo. Vamos entrar. – disse Agnete olhando para o guarda.
— Nunca te vi por aqui. Aliás, qualquer um pode encomendar uma réplica de nossas vestimentas ou de nossas armas. – disse o guarda.
— Eu também nunca vi vocês por aqui no castelo. Na verdade, nunca as vi em lugar nenhum do reino e vale ressaltar que vejo muitas pessoas na minha loja. – disse Halimah sorrindo para Willow.
— É melhor sumirmos antes do rei voltar. Seremos caçadas no reino inteiro e os Northuldras devem estar todos mortos, não temos a quem recorrer. – pensou Agnete enquanto encarava o guarda.
— Crianças, vamos embora. – disse Agnete enquanto andava em direção contrária à entrada do castelo.
— Mas… – disse Willow antes de Arianna a interromper colocando uma mão em um de seus ombros.
Willow e Arianna seguiram Agnete.
Na cabana, Vhan Tiri se viu segurando um martelo como se tivesse acertado alguma coisa.
— O que eu estou fazendo? – perguntou-se Vhan Tiri.
— Boa pergunta. – respondeu o Barão.
Vhan Tiri deixou o martelo na mesa.
— Perdemos o nosso monstro do espelho, mas o drenador está plantado e ninguém desconfia. Voltamos daqui uns cinquenta anos e pegamos os espíritos. Então, poderemos invadir a Germânia. – disse Vhan Tiri com um sorriso maléfico.
Na área comercial do reino, Willow, Arianna e Agnete estavam caminhando.
— Para onde estamos indo? – perguntou Willow.
— Minha casa. Se ela ainda for minha. – respondeu Agnete.
Quando chegaram na casa de Agenete, as três mudaram de roupa. Agnete arrumou uma mala com muitas roupas.
— Espera aí! Vamos fugir?! – perguntou Willow muito irritada.
— Não temos escolha. De alguma forma, acho que com magia, o rei deu um jeito de nos apagar das memórias das pessoas. Além disso, seremos caçadas assim que ele voltar. Então, temos que ir embora. – disse Agnete enquanto se ajoelhava diante de Willow.
— Você tem razão. Desculpe ter gritado. – disse Willow em um tom mais calmo.
— Voltaremos algum dia. Mas, por enquanto, temos que permanecer vivas para expor o que o rei fez. – disse Agnete antes de abraçar Willow.
— E o Agnarr? – perguntou Arianna preocupada.
— Ele provavelmente nem lembra de nós. Além disso, não sei como os Northuldras reagiram a morte de Ragen. Eles podem ter atacado o príncipe e… – disse Agnete enquanto abraçava Willow.
Logo em seguida, Arianna e Willow choraram muito.
Algumas horas depois, enquanto anoitecia, era possível ver Willow, Arianna e Agnete indo embora num navio. Arianna estava segurando o “diário” de sua mãe.
Um dia depois, Vhan Tiri estava comprando frutas na área comercial do reino quando ouviu algumas pessoas falando sobre o príncipe Agnarr ter sido o único que retornou da inauguração da represa.
— Ele disse que o pai morreu e a floresta se fechou. – disse uma mulher que estava por perto.
— A floresta o quê?! – pensou Vhan Tiri enquanto cerrava as mãos.
Quanto ao príncipe, a garota, que brincava com o espírito do ar e o salvou, chamava-se Iduna. Ela era Northuldra e percebeu que ficou presa do lado de fora da floresta mágica logo após salvar o príncipe de Arendelle. A garota foi esperta e pediu trabalho no castelo em troca de moradia. Enquanto vivia no castelo, fez amizade com Agnarr e logo os dois se apaixonaram. Alguns anos depois, Agnarr casou com Iduna sem saber que ela o salvou no dia em que ele perdeu seu “pai”. Eles tiveram duas filhas: Elsa, que, misteriosamente, conseguia usar magia de gelo, e Anna, uma humana comum.
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