Road to Hikari
3 Precisamos do poder Megazord agora!
Notas iniciais
Se Akihiko fosse definir o estado de Hikari no momento em que ela viu os Police Mecha entrando em ação, “surtar” seria eufemismo. Nenhum episódio de Power Rangers havia colocado a pequena para quicar tão rápido e tão alto na cadeira, fora que vez ou outra ela saltava de pé agitando os braços e gritando frases de ação. Shiori estava igualmente empolgada, mas seu estado de espírito transparecia mais pelo tique de balançar as pernas (que mais pareciam estar vibrando) e a atenção que dedicava aos monitores. Seus enormes olhos amarelos estavam ainda maiores e brilhantes diante da performance dos mechas policiais. Akihiko podia jurar que, se ele pedisse à Shiori para narrar a sequência dos movimentos do PMS-7, ela narraria pronta e fielmente ao que aconteceu.
Quando o Dekajailer fechou o Cárcere, as duas garotas grudaram o olho na tela esperando ansiosamente por Miyako. Entretanto, os minutos se arrastaram e nem sinal da Mecha Master ou de algum novo movimento por parte de sua equipe. Quando Akihiko começou a achar estranho, levantou-se e tentou acionar o comunicador, mas em vão. O comunicador de Miyako estava desativado. Sentindo o pânico crescendo dentro do peito, Akihiko sintonizou o comunicador para contatar algum dos pilotos dos Police Mecha, mas assim que tentou fazê-lo, um chiado interrompeu sua tentativa e a voz de Miyako soou nervosa do outro lado da linha:
—Akihiko, está me ouvindo, câmbio?
—Estou! – ele respondeu sem se lembrar de usar a linguagem técnica. – O que houve, Miyako? Tentei te contatar várias vezes! Está tudo bem? Tem algum defeito nos comunicadores?
—Calma Akihiko! – pediu Miyako num tom urgente, e ela parecia dizer aquilo mais para si mesma do que para o marido. – Não estão com defeito. Meu pai isolou o meu comunicador para passar uma transmissão confidencial. Ele vai fazer o mesmo com o seu hangar... agora.
No instante que Miyako pronunciou a última sílaba, o hangar mergulhou na escuridão. A única fonte de luz restante eram os cristais no peito de Akihiko e de Hikari. As duas garotas, ao invés de entrarem em pânico, saltaram alertas para o chão e Hikari já quis saber:
— O que está acontecendo, papai?
—O fornecimento de energia está instável, Hikari. Podem ficar tranquilas. Já, já ligaremos o gerador.
Foi possível ver Hikari e Shiori assentindo e voltando a se sentar em seus respectivos lugares. Hikari iniciou uma discussão animada sobre aquilo ser algum estratagema dos vilões para atrapalhar a ação do PMS-7. Akihiko voltou sua atenção para o comunicador, tomando o cuidado de ir para um ponto mais distante do hangar.
— O que significa isso tudo, Miyako? – exigiu saber Akihiko.
A heroína manteve-se em silêncio por um instante. Quando falou de novo, sua voz soou completamente diferente: estava firme, sem transparecer nenhum pingo de medo ou insegurança. Akihiko soube imediatamente. Não estava mais falando com sua esposa: estava falando com a heroína profissional Mecha Master.
— Isso não é um simples ataque de vilões aleatórios. Foi tudo uma distração. A unidade das Forças Especiais que está na cidade detectou a aproximação de um exército de coisas ou criaturas não identificadas. Ninguém viu nada, e os radares comuns também não acusaram nenhuma coisa anormal. Isso só pode ser obra de uma combinação de Peculiaridades muito refinadas de camuflagem. De qualquer forma, meu pai informou que nem mesmo o Police Mecha Squad completo daria conta da quantidade de alvos e da estimativa de suas forças. Isso está sendo tratado como um ataque de nível bélico, e não há tempo para evacuar a cidade. O que nos leva há uma única opção: intimidação. Precisamos provar que temos poder bélico suficiente para liquidar com o ataque surpresa deles sem de fato usá-lo.
Akihiko sentiu seu estômago se embrulhando quando as peças finalmente se encaixaram em sua cabeça.
— Seu pai... Te deu autorização para fazer isso?
— Não, ele não autorizou. – sentenciou Miyako em tom firme. – Ele ordenou.
As mãos de Akihiko começaram a ficar úmidas e seu coração bateu mais rápido.
—Miyako... – disse o engenheiro medindo o tom de suas palavras. – Eles não estão... Carregados.
— Eu sei que não. – Miyako fez uma pausa, na qual se certificou que as próximas palavras sairiam firmes e significativas o suficiente para que Akihiko entendesse. – E você não pode carregá-los sozinho.
Os olhos de Akihiko se arregalaram a ponto de quase saltarem das órbitas. O braço que mantinha erguido apoiando o comunicador por reflexo estremeceu.
—Miyako, não! Eu consigo muito bem fazer isso sozinho. Não envolva a Hikari nisso!
—Você sabe muito bem que não pode! – a voz de Miyako tinha subido alarmantemente de tom. – Se fizer isso, estará correndo um sério risco! E eu não vou permitir que isso aconteça sabendo que existe um meio de evita-lo!
— Ela só tem oito anos! – Akihiko quase berrou contra o fone do comunicador. Seu corpo todo tremia. – Tenha bom senso e olhe bem no que você está envolvendo a nossa filha! Você sempre tem essa atitude despreocupada em relação à nossa Peculiaridade, mas você melhor do que ninguém conhece o risco enorme que ela traz! E estimulá-la a usar... Só vai expô-la cada vez mais ao perigo!
Miyako se manteve em silêncio, e Akihiko sabia exatamente o que ela estava fazendo: cedendo ao seu tique de esfregar sua perna direita... A perna que detinha a prova viva da tragédia da qual ele queria que ela se lembrasse.
— Eu já disse isso mil vezes e vou repetir – retomou Akihiko numa voz cadenciada e inabalável – Hikari ficará segura se continuar construindo máquinas, equipamentos e até mechas... mas não usando-os!
O silêncio permaneceu do outro lado da linha por mais alguns instantes que pareceram durar uma eternidade. Por fim, Miyako tornou a falar, mas sua voz agora voltara ao volume normal, mas agora seu tom era quase sonhador, soando com um pouco sugestividade travessa.
— Acha mesmo... que vai impedir sua filha de se tornar uma Power Ranger?
Por algum motivo, a combinação do tom e das palavras de Miyako desarmaram Akihiko completamente. Ele abriu a boca para falar mas tornou a fechá-la. O engenheiro virou o rosto e fitou a silhueta da filha delineada pela luz laranja que emanava de seu peito.
— Não acha que está tarde demais de dissuadi-la, Akihiko? Olhe bem pra ela. Você acha mesmo que ela vai dizer “concordo com você, papai” quando você disser “Filha, você não pode se tornar uma heroína porque é perigoso”?
De novo, Akihiko não pôde responder. Vários flashes de cenas em que Hikari brincava com Shiori, gritando pra lá e pra cá “É hora de morfar”, e até se vestindo com fantasias de seus rangers favoritos inundaram sua visão. Em seguida, outras cenas se desenrolaram. Imaginou Hikari mais velha, em um traje de heroína inspirado nos seus heróis favoritos. Imaginou que ela mesma construiria o traje, e que embutira nele um morfador só para ter o prazer de gritar “É hora de morfar” ou até “Morfar em Turbo” bem na cara de um vilão. Ele tinha certeza que a filha seria uma heroína tão cafona e tão incrível quanto os heróis que ela tanto admirava.
A visão fez Akihiko soltar uma risadinha, mas ao fazê-lo, baixou a cabeça e viu o brilho do seu próprio cristal. O homem piscou e ele viu um vulto de pé diante dele. A mesma Hikari que morfaria para chutar os vilões que entrassem em seu caminho estava de pé à sua frente, se esforçando para permanecer erguida. Ela estava muito machucada, mas uma expressão determinada ainda teimava em seu rosto. Entretanto, o olhar de Akihiko estava fixo no ponto central de seu tórax. A luz de seu cristal... estava falhando.
— Eu só... – tentou dizer Akihiko com a voz permeada por um medo profundo. – Não quero perdê-la, Miyako.
— Você não vai. – rebateu a esposa antes mesmo que o marido terminasse a frase. – Se estivermos ao lado dela, nada de ruim vai acontecer. Sabemos os riscos, e por isso podemos instruí-la e protege-la.
— Miyako... Você sabe que eu...
— Ah, para de insistir, Akihiko. Você ainda não percebeu? Somos uma família de heróis já faz tempo. Sem vocês dois... não posso salvar a cidade.
O engenheiro baixou a cabeça enquanto um misto de esperança, alívio e medo borbulhava no fundo de seu estômago.
— Certo. – ele disse, por fim, resignado. – Quais são as instruções?
A voz de Miyako soou com ânimo renovado do outro lado da linha.
— Vocês vão se dirigir ao hangar que eu indicar. Vou enviar as coordenadas para o sistema e você pode programar a moto para fazer a rota. E fique tranquilo: o hangar ao qual vocês vão tem nível de segurança S. Chegando lá, você saberá o que fazer. Irei me juntar a vocês em alguns minutos.
— Qual o hangar?
Miyako deu uma risadinha antes de responder.
—Peça para Hikari e Shiori tirarem par ou ímpar. Me diga quem ganhou.
Akihiko ficou um pouco confuso com o comando, mas obedeceu. Adiantando-se para as garotas, o engenheiro explicou:
— Garotas, é o seguinte: a Miyako precisa da ajuda de vocês para uma coisa, mas vocês não podem pedir explicações por enquanto. Tirem par ou ímpar.
Hikari e Shiori se entreolharam, intrigadas. No fundo do coração das garotas, o pressentimento que estavam se envolvendo em algo grande crescia. Quase que em transe, as duas ergueram os punhos fechados e se encararam:
— Ímpar. – disse Shiori.
— Par. – devolveu Hikari.
Contaram até três balançando os punhos e esticaram os dedinhos. Hikari tinha colocado cinco e Shiori dois.
— Ganhei! – anunciou Shiori olhando curiosa para Akihiko. Hikari espelhou sua curiosidade.
O homem assentiu e voltou a chamar Miyako pelo comunicador.
— Escutou? A Shiori venceu.
— Excelente! – disse Miyako trêmula de expectativa. – Vão para o Hangar S-1. Estou enviando as coordenadas. A energia do hangar vai voltar em 10 segundos. Partam imediatamente.
“Hangar S-1...”, refletiu mentalmente Akihiko sentindo um arrepio correr sua espinha. “Então vai ser o Ancelotron...”.
— Entendido. – respondeu ele, prático.
— Akihiko. – chamou a heroína mais uma vez.
— Sim? – respondeu o engenheiro esperando mais uma instrução.
— Eu te amo. – disse a heroína numa voz carinhosa e um tanto acanhada. Depois, mudou para seu tom firme de heroína novamente – Câmbio, desligo.
Pego completamente de guarda baixa, Akihiko sentiu as bochechas fervendo e ele instintivamente cobriu o rosto com as mãos. Ia rebater dizendo que não era hora para aquilo, mas lembrou-se a tempo que ela já tinha desligado. Segundos depois a energia do hangar voltou, e o engenheiro tratou de seguir direto para uma das paredes do hangar.
— Venham meninas. A Mecha Master precisa urgentemente da nossa ajuda. Vamos mudar de hangar.
As garotas saltaram de onde estavam e correram no encalço de Akihiko.
— Quer dizer que a gente vai participar de uma missão super secreta para ajudar a mamãe a proteger a cidade? – perguntou Hikari dando pulinhos enquanto andava.
Akihiko hesitou por dois segundos antes de responder.
— Isso mesmo.
Hikari e Shiori trocaram olhares extasiados.
— Demais!
Shiori tornou a olhar para o homem ruivo a sua frente, mas antes que pudesse fazer o comentário que queria, viu que seu rosto estava anormalmente avermelhado. Intrigada, a menina franziu as sobrancelhas e quis saber:
— Tio, por que seu rosto está vermelho?
Tornando a enrubescer ainda mais, Akihiko virou o rosto para longe do alcance dos olhos de Shiori e mudou de assunto:
— Não é n-nada! Vamos! A moto já está nos esperando.
Akihiko imitou os movimentos que Miyako fizera mais cedo para abrir a passagem secreta para a rede de túneis. Uma moto esportiva prateada estava estacionada próxima à parede. Akihiko avançou até a superfície de metal e acionou alguns botões aparentemente invisíveis. Várias gavetas se projetaram para fora da parede, revelando três capacetes e um carrinho pequeno para ser acoplado à moto. Em menos de dois minutos estavam todos em seus respectivos lugares. Akihiko programou a moto, deu partida e o grupo avançou túnel adentro. Enquanto o ar silvava em seus ouvidos, o engenheiro refletia sobre a tarefa que tinha pela frente.
“O Ancelotron tem o gerador com a segunda maior capacidade de armazenagem. Não me lembro quando foi o último teste, mas presumo que a carga deva estar entre 60% e 75%. Ele já fica operável em 80%. Basta que eu carregue num fluxo maior que o de Hikari que vai ficar tudo bem. Só preciso conferir a carga total do cristal dela e posso fazer algumas contas...”
O Hangar S-1 ficava a uma boa distância do hangar da casa dos Watanabe. Muitas vezes o grupo passou por longas descidas, o que deixou Shiori um pouco inquieta. Agarrada à borda do compartimento do carrinho, a menina estava levemente encolhida e olhava ao redor com muita atenção. Por fim, as curvas e descidas chegaram ao fim e o grupo se viu diante de uma enorme porta metálica que possuía padrões complexos de engrenagens. Akihiko estacionou, esperou que as duas garotas descessem e então se dirigiu à um canto da porta no qual começou a inserir inúmeros códigos alternadamente com reconhecimento de voz, mãos e até amostra de DNA. A porta estalava a medida que Akihiko avançava no segredo que a mantinha trancada e, então, com último conjunto de estalidos e ranger de engrenagens, a porta cedeu criando uma despressurização no túnel, que ficou parcialmente tomado por uma nuvem de vapor por alguns instantes.
— Garotas. – chamou Akihiko fazendo um sinal para que elas o seguissem. – Esse hangar é de nível de segurança S pois coisas muito importantes estão guardadas aqui. Peço que vocês não contem a ninguém sobre a existência desse hangar, até mesmo para pessoas que vocês confiam piamente. Entendido?
— Sim! – disseram as duas em uníssono, os rostos infantis começando a ficar apreensivos demais.
O hangar estava quase que completamente mergulhado na escuridão. Não era possível ver muito além do que estava próximo à porta. Akihiko avançou até uma coluna que continha alguns monitores e digitou alguma coisa na tela. Uma cadeia de clicks altos denunciou o acendimento das luzes que começou do fundo do hangar vindo até a entrada. Shiori e Hikari fecharam os olhos diante da claridade repentina, mas aos poucos, piscaram e olharam ao redor. O queixo de ambas caiu, e podia-se dizer que os olhos de Hikari brilhavam mais que o cristal incrustrado em seu peito. O hangar era tão grande que era impossível visualizar o fundo. O teto era igualmente alto, sendo um tanto difícil discerni-lo. Deviam estar a muitos metros abaixo da superfície. Mas o mais fascinante era o que havia dentro do hangar. Dezenas de robôs adormecidos dos mais variados tipos e tamanhos estavam espalhados pelo hangar. Havia também diversas subdivisões do espaço que eram organizadas pelas tarefas que eram desempenhadas ali. Bancadas de construção, armários e prateleiras cheios de peças robóticas, aparelhos que mais pareciam saídos de um filme de ficção científica, carrinhos e macas para transporte, complexos de computadores de última geração... Tudo isso abarrotava o interior do hangar.
Entretanto, dentre todas essas coisas, era impossível não notar uma em específico, já que só de olhar podia-se ter certeza que aquela coisa tinha a mesma altura do que o próprio hangar. Acoplado a um complexo de colunas, plataformas e guindastes, com diversos robôs menores desligados ao redor estava o maior mecha que Hikari já vira na vida. Akihiko percebeu o olhar da filha sobre o mecha e sentiu um aperto no peito. Seria realmente muito difícil afastá-la de seu sonho de se tornar uma ranger.
Shiori olhava embasbacada para o enorme robô, e instintivamente avançou na direção da plataforma. Seus olhos subiam e desciam entender o que exatamente era aquele mecha gigantesco.
— O que é aquele mecha gigante? – perguntou com a voz permeada pela mais profunda curiosidade.
Akihiko abriu a boca para responder, mas Hikari foi mais rápida.
— Não é óbvio!? – sua voz denunciava uma animação tão genuína que Akihiko teve certeza que, se sua filha pudesse explodir de alegria, ela teria explodido naquele momento. – É um Megazord!!
Foi impossível não rir diante da resposta da filha e do olhar fascinado de Shiori depois da resposta. Akihiko se aproximou das meninas e bagunçou o cabelo de Hikari. Com uma voz solene para incitar ainda mais a imaginação das duas, o engenheiro explicou:
— Esse é o WRSP-567, mas o chamamos de Ancelotron. Ele é um modelo exclusivo de mecha que chamamos de Sentinela.
Akihiko fez uma pausa e se abaixou diante de sua filha. Segurando-a pelos ombros, mediu suas palavras para não soar inseguro.
— E é exatamente nisso que temos de ajudar sua mãe. Aquele ataque de vilões que vimos lá no outro hangar não é tão simples quanto imaginávamos. E é por isso que sua mãe precisa do Ancelotron. Só que ele não está completamente carregado, e eu não consigo fazer isso sozinho. Você pode me ajudar, Hikari?
Watanabe Akihiko e Watanabe Hikari.
Peculiaridade: Charging.
Os dois são capazes de carregar qualquer máquina usando a energia armazenada no cristal incrustado em seus corpos. O cristal carrega quando as mãos, os pés, as costas ou o próprio cristal são expostos a qualquer tipo de energia (mecânica, radiação, luminosa, térmica, etc). Tanto o carregamento do cristal (chamado de Autocharge) quanto o carregamento de máquinas (simplesmente Charge) é feito num fluxo gradual. As capacidades totais de armazenamento e a velocidade máxima de Autocharge e Charge podem ser expandidos se a Peculiaridade for exercitada, já que o cristal funciona como um órgão. Entretanto, qualquer extremo é perigoso demais para o usuário. Cargas muito altas ou muito baixas e alta velocidade de carregamento podem causar graves danos, levar ao coma ou à morte.
Os olhos da garota se arregalaram e, aos poucos ficaram brilhantes com as lágrimas que se acumulavam. Seu pai estava pedindo sua ajuda... E não era qualquer ajuda.
Ela iria ajudar a carregar um mecha gigantesco que seria operado por sua mãe para salvar a cidade.
— É claro que sim! – ela respondeu quase gritando, os punhos cerrados balançando na altura do peito.
Akihiko sorriu e apertou de leve os ombros da filha.
— Então, vamos lá! – Akihiko colocou-se de pé – Shiori! Você vai nos encobrir vigiando os monitores. Veja se a Miyako já não está vindo, e quando ela chegar, você vai abrir a porta para ela. Vou te ensinar como fazer...
O engenheiro encaminhou a garota para um conjunto de computadores e deu as instruções necessárias. Shiori ouviu tudo com uma extrema atenção, pois queria ser o mais útil possível para ajudar seus tios. Assim como Hikari, almejava ser uma heroína digna, e estar envolvida com os Watanabe a proporcionara experiências únicas. E ela sempre fazia questão de aproveitá-las ao máximo. Uma vez que Akihiko teve certeza que Shiori entendera tudo, deu tapinhas no topo deu sua cabeça e dirigiu-se para o Ancelotron, fazendo um sinal para que Hikari o seguisse.
— Existem diversos painéis de carregamento pelo corpo do Ancelotron. – explicou Akihiko assumindo um tom profissional, o que deixou Hikari ainda mais animada. – Para não precisarmos pegar o elevador, vamos usar os dos pés.
Os dois alcançaram o pé direito do enorme mecha, e a proximidade fez com que ele parecesse ainda maior. Dali, era impossível ver de seu tórax para cima. Akihiko passou a mão pela superfície metálica até que se deteve sobre um retângulo dourado de dois metros de comprimento por um de altura. Ele fez um sinal para que Hikari se aproximasse e apontou para uma região aparentemente aleatória do retângulo.
— Coloque a mão aqui. – ele instruiu.
Assim que o fez, a pequena sentiu que havia um “C” gravado ali em baixo relevo, mas de forma tão imperceptível que era quase impossível perceber a olho nu.
— Todas as peças que tiverem essa inscrição são painéis de carregamento. Isso vale para qualquer outro mecha, está bem?
— Hum! – Hikari assentiu com uma expressão concentrada.
Akihiko encaixou os dedos na parte inferior do retângulo e o puxou, revelando um painel com uma rede de linhas e círculos . No canto esquerdo havia um pequeno monitor e, embaixo, havia um orifício e, dentro, um aparelho que lembrava muito uma teaser. Akihiko o puxou e mostrou-o para a filha.
— Isso aqui é um aparelho que pode medir a carga dos nossos cristais. Sempre, sempre, meça a carga antes e depois que carregar qualquer coisa que exijam energia demais. Se não seguir essa regra, não vou permitir que carregue mechas novamente, entendeu?
A pequenina assentiu de novo.
— Agora, vamos medir a carga do seu cristal. – e dizendo isso, Akihiko puxou a gola já larga do pijama de Hikari até que a pedra laranja cristalina ficasse quase totalmente exposta. Em seguida, encostou a ponta do teaser na superfície brilhante. Hikari teve um leve sobressalto quando a ponta do aparelho se abriu como uma flor metálica e abocanhou a parte menor de seu cristal, formando um encaixe perfeito com a forma hexagonal. O aparelho soltou uma série de bipes, até que enfim, exibiu um valor numa pequena telinha embutida em seu cabo.
— 687/753 unidades Dan. – leu Hikari. – O que isso?
Akihiko tinha as sobrancelhas arqueadas, os olhos fixos no valor exibido no visor. Demorou alguns segundos para que ele percebesse que Hikari tinha se dirigido a ele.
— É uma unidade que eu e sua mãe desenvolvemos para medir a carga do cristal, já que a energia que armazenamos é de natureza diferente. Uma unidade Dan corresponde a energia necessária para carregar uma BPM, Bateria Primária Mecha. É o modelo mais antigo de bateria desenvolvido pelo seu avô para armazenar energia para o funcionamento dos mechas. O seu cristal tem um total de 753 unidades Dan, mas atualmente você está com 687. Esse valor já é considerado alto. Você se lembra que não pode ficar com a carga muito alta ou muito baixa, certo?
— Sim... – respondeu Hikari enquanto tentava assimilar o máximo de informação que sua mente infantil conseguia. Não tinha entendido muito bem a explicação do pai, mas sabia que era importante. – É perigoso...
Akihiko assentiu e recolheu a teaser para medir a carga de seu próprio cristal. Enquanto media, continuou:
— Você jamais pode se esquecer disso, Hikari. – ele suspirou. – Nossa Peculiaridade é muito perigosa para as pessoas ao nosso redor, e ainda mais para nós mesmos. Sempre tenha isso em mente.
Akihiko finalizou a medição, guardou a teaser e apertou um botão abaixo do monitor. Tanto a tela quanto o painel ganharam vida acendendo-se com uma luz laranja quase branca, e Akihiko dedicou-se a acionar uma série de comandos na tela touch. Seu cérebro fervia enquanto ele fazia cálculos de forma frenética.
“Felizmente a carga do meu cristal está relativamente alta”, pensou Akihiko com alívio. “E a carga do Ancelotron está em 75%, graças aos céus. Precisamos de mais 141.75 unidades Dan para deixa-lo no 100%. Ele é ativado em 80%... Vou manter o fluxo do Charge em 10 unidades Dan por minuto e vai ficar tudo bem para a Hikari. Talvez eu me desgaste pelo fluxo alto, mas é a única maneira de eu garantir que ela não vai se prejudicar...”.
Satisfeito com os resultados dos seus cálculos, ativou o modo de carregamento do painel e virou-se para a filha.
— Não é muito diferente do que você faz todo dia lá em casa, Hikari. – explicou ele estendendo as mãos e pousando-as sobre o painel. – Imagine que está carregando o gerador lá de casa. Lembra-se do que eu te expliquei sobre o fluxo de energia? É só forçá-lo conscientemente para fora do cristal, até o ponto que ele transborde. A partir daí, ele vai fluir naturalmente.
Hikari olhou para a palma de suas mãos, que brilhavam levemente por causa da luz do painel. Tremendo de expectativa, a garota estendeu as mãos e pousou-as sobre a placa metálica que zumbia baixinho enquanto luzes corriam pelas linhas e círculos.
— Pronta? – perguntou Akihiko fitando o rosto extasiado da filha.
— Pronta! – exclamou Hikari sem conseguir conter sua empolgação. Ela estava prestes à iniciar o seu primeiro ato heroico.
— Vou contar então. 3... 2... 1...
— Charge! – berrou Hikari fechando os olhos e imaginando a energia do seu cristal transbordando para fora e fluindo através de seus dedos.
Akihiko soltou uma risadinha enquanto observava o vinco na testa da filha. Realmente, Hikari amava tudo que desse mais efeito para qualquer coisa que fizesse.
Alguns minutos depois que o carregamento do Ancelotron havia sido iniciado, Akihiko ouviu uma das portas do hangar se abrindo, e o som de um motor denunciou que Miyako não estava pilotando a moto esportiva que costumava usar para se locomover pela rede de túneis. Ela entrou cantando pneu e freou a enorme viatura policial de choque a alguns metros da base da plataforma do Ancelotron. Miyako saltou para fora do PM-4 e correu até onde Shiori estava e agradeceu a garota, dando tapinhas em sua cabeça. Depois, avançou até onde seu marido e sua filha estavam. Para o deleite de Hikari, a mãe estava “morfada”.
— Está tudo bem? – perguntou ela retirando o capacete e colocando-o sob o braço. Hikari quase largou o painel para saltar sobre a mãe. Ela ficava tão legal no seu traje de heroína.
O traje de Miyako consistia num colã que cobria todo o seu corpo de uma tonalidade azul escura. O tecido do colã era espesso e tinha diversas texturas dependendo da região do corpo. Além disso, finas placas metálicas se organizavam sobre o tecido, conferindo proteção física. As placas ficavam mais espessas em seu busto e ombros. As placas do busto e dos ombros tinham a cor vermelha com base e possuíam vários detalhes feitos em azul escuro, preto, branco e prata. Sobre o coração, Miyako trazia o brasão da Força Policial, que ela poderia retirar para mostrar como identificação de sua autoridade. Alguns detalhes vermelhos também adornavam as placas metálicas que cobriam partes estratégicas do corpo como joelho, canelas, panturrilhas, costelas, costas, parte dos braços e das mãos. Nos pés, trazia botas de metal que se fundiam com o resto de seu traje. Mas o detalhe que Hikari mais adorava era o capacete. Ele não cobria todo o rosto de Miyako, deixando a mostra sua boca. Mais abaixo, o traje cobria seu pescoço e parte de sua mandíbula e queixo. O capacete era azul escuro e branco com detalhes em vermelho, e nas laterais era possível ver um símbolo formado por dois “M”s maísculos sobrepostos, sendo o debaixo, mais estreito que o de cima. Entretanto, haviam dois detalhes que tornavam o capacete de Miyako extremamente singular. Ao invés de ter um visor transparente, a parte que cobria os olhos de Miyako era tão opaca quanto o resto do capacete, com a exceção de uma fresta horizontal que brilhava em três cores diferentes possíveis: azul, vermelha ou branca. O outro detalhe era um plug relativamente grande que existia na parte de trás, que era disfarçado por uma pequena placa metálica que Miyako puxava por cima. Aquela entrada era o segredo que potencializava o uso de sua Peculiaridade.
— Estamos bem, Miyako. – respondeu Akihiko olhando para a esposa. – Você já pode subir. Em alguns minutos vamos terminar o carregamento.
Miyako assentiu, prática e dirigiu-se para a filha. Agachou-se diante dela e acariciou o topo de sua cabeça. Hikari a olhou com expectativa, mas cuidando para não tirar os braços do painel.
— Você está se saindo muito bem, Hikari. – disse Miyako com um sorriso. – Graças a você, agora posso salvar a cidade. Você está se tornando uma Ranger incrível! Continue se esforçando!
Com lágrimas de felicidade empoçando seus olhos novamente, Hikari assentiu e bradou:
—Sim!
— Certo! – disse Miyako colocando-se de pé e dando tapinhas na cabeça da filha mais uma vez. – Akihiko, já estou indo para o cockpit.
— Já pode ativar o Ancelotron quando estiver pronta. Estamos quase terminando.
Foi o tempo de Miyako pegar o elevador, saltar para o cockpit e ligar o Sentinela que o carregamento foi concluído. O monitor soltou dois bipes graves seguidos, indicando o carregamento total da bateria. Akihiko retirou as mãos do painel, sinalizando para que Hikari fizesse o mesmo. A exaustão baixou instantaneamente sobre Akihiko, e várias pontadas de dor assolaram seu tórax e sua cabeça. Será... que tinha forçado demais? O engenheiro balançou a cabeça, decidido a manter-se firme. Sua tarefa ainda não estava concluída. Sentindo os sintomas se intensificando, Akihiko entrou em pânico por um segundo ao se lembrar que Hikari poderia estar sentindo o mesmo. Abaixou-se diante da filha, que encarava o painel com os olhos levemente arregalados, e segurou seus ombros.
— Filha, você está bem !? Está sentindo alguma coisa ruim?
A garota piscou e finalmente pareceu perceber a presença do pai.
— Ah! Eu estou bem, papai.
Pelo tom da filha, teve certeza que ela estava bem. O estado de torpor era mais pelas palavras de Miyako e pelo que ela acabara de fazer do que por qualquer outro motivo. Sentindo-se aliviado, Akihiko segurou Hikari pela mão e guiou-a até onde Shiori aguardava, ainda vigiando o monitor. Um deles agora exibia a imagem de Miyako já de capacete, se organizando dentro do cockpit. No outro, exibia a imagem que Miyako via, que era gerada pelo visor horizontal de seu capacete. As interfaces do Sentinela corriam diante de seus olhos enquanto a heroína as checava uma por uma.
Akihiko assumiu o headset diante do painel de controle da plataforma em que o Ancelotron estava e contatou Miyako.
— Akihiko na escuta. Câmbio.
— Mecha Master na escuta. Câmbio.
— Estou enviando mensagens para o aeroporto e para a unidade das Forças Especiais. Estão conferindo se a área está limpa para abrirmos as comportas. E é na pista do aeroporto que você vai pousar. Lá é um ponto excelente em relação à rota dos alvos.
— A camuflagem do hangar já está ativada?
—Sim.
— Ótimo. Estou terminando o check-up. – Miyako mexeu em alguns botões e, de súbito, imobilizou-se. Lentamente, um sorriso curvou sua boca. – Ah, Akihiko. Que tal deixarmos a Hikari fazer as honras de abrir as comportas?
— O quê? – protestou o engenheiro se empertigando onde estava, mas assim que entendeu, baixou a voz e um sorriso tímido, mas um tanto triste curvou seus lábios. – Ah, sim. Podemos sim.
Hikari olhou confusa de seu pai para o monitor que exibia o rosto de sua mãe. Miyako terminou de organizar o que precisava e anunciou:
— Bom, vou ligar o Ancelotron agora. Ligando chave 1...
Um zumbido alto, seguido do som de turbinas sendo acionadas conjuntamente com várias engrenagens encheu o hangar. Nos monitores, várias câmeras foram acionadas mostrando o enorme Sentinela por vários ângulos. A que focalizava seu rosto mostrou seus olhos se acendendo no painel de seu visor. Os olhos do Ancelotron eram duas manchas amarelas nada amigáveis, mas em conjunto com o design de seu crânio robótico, criava um ar quase sagrado para o mecha gigante. Os braços do Sentinela ganharam vida, e o direito projetou-se para trás para agarrar algo preso às suas costas. Num movimento amplo, o Ancelotron empunhou sua lança, que tinha quase o seu tamanho.
— Sistemas estáveis. – anunciou Miyako sorrindo. Ela inclinou a cabeça para baixo, e Akihiko soube que ela estava olhando diretamente para o monitor em que o rosto dele aparecia. – Coloque o headset na Hikari.
Sentindo um leve incômodo, Akiiko obedeceu. Puxou a filha para o colo e colocou o headset em suas orelhas. A garota deu pulinhos de expectativa e grudou os olhos da tela em que sua mãe aparecia.
— Está me escutando, Hikari? Câmbio.
A menina se empertigou sentada no colo do pai, balançando os bracinhos de expectativa.
— Estou sim, mamãe. – ela hesitou por um segundo antes de completar com um sorriso maroto. – Câmbio.
Miyako riu, e Akihiko não conseguiu conter uma risadinha.
— Preciso de sua ajuda agora, Hikari. Vilões malvados e gigantes estão querendo invadir a nossa cidade, e eu preciso levar esse Sentinela até lá para detê-los. Se você precisasse chamar o Ancelotron, o que você diria?
Hikari olhou confusa para o monitor, depois cruzou os bracinhos e colocou uma mão no queixo. A garota ficou quase um minuto pensando e, então subitamente, seus olhos se arregalaram e ela se precipitou para apoiar as mãos na bancada do painel. Ficando de pé na cadeira, pisando sobre as coxas de Akihiko, Hikari jogou um punho para cima e gritou a plenos pulmões:
— Precisamos do poder Megazord agora!
A risada de Miyako foi abafada pelo barulho ensurdecedor das comportas se abrindo para revelar um céu muito azul. A plataforma na qual o Ancelotron estava pousado estalou e começou a subir, elevando o enorme mecha até que ele estivesse completamente fora do hangar. Os três ouviram as turbinas sendo acionadas e com um som que lembrava uma explosão, o Ancelotron lançou-se no ar, disparando na direção da cidade.
Akihiko colocou Hikari novamente em seu banco, tirou o headset e acionou o fechamento das comportas. Quando estavam completamente fechadas, o engenheiro suspirou de alívio.
— Fez um ótimo trabalho hoje, Hikari. E você também, Shiori. Obrigada por me ajudar a vigiar os monitores. Sei que você muito atenta.
A garotinha assentiu, sorrindo e corando de leve com o elogio.
— Podem ficar tranquilas. – disse Akihiko mais para si mesmo do que para qualquer uma das duas garotas. – Estão seguras aqui embaixo, e ninguém tem a menor ideia de que vocês ajudaram a Mecha Master. Suas identidades estão seguras.
Hikari permaneceu olhando para o topo do hangar, por onde o Ancelotron tinha saído. As lembranças do que tinha acabado de fazer piscavam diante de seus olhos, e ela pôde ouvir a voz de sua mãe novamente:
“Você está se tornando uma Ranger incrível!”
Uma Ranger... Identidades seguras...
Uma sensação estranha preencheu o peito de Hikari. A sensação de ter feito algo grande, de ter cumprido o seu dever... E isso trouxe uma onda de orgulho. E, juntamente com o orgulho, veio uma sensação de responsabilidade e pertencimento. Hikari poderia continuar a ajudar sua mãe a salvar às pessoas, e no futuro, poderia fazer isso por si mesma. E mesmo sendo uma heroína, poderia continuar vivendo normalmente, caminhando entre todas as outras pessoas, entre os seus semelhantes.
— Papai. – chamou a pequenina olhando de forma intensa para Akihiko. O engenheiro empurrou um dos lados do headset para poder ouvir a filha.
— Sim?
— É assim que um Power Ranger se sente?
Akihiko piscou diante da pergunta da filha.
— Desculpe, filha, mas não entendi. Do que você está falando.
— A mamãe disse que graças a mim, ela vai poder salvar à cidade, e que eu estou me tornando um ranger incrível. E você disse que nossas identidades estão seguras. Dá um orgulho, né? E também dá aquela sensação que não precisamos nos preocupar, que podemos continuar vivendo do mesmo jeito... Porque os Power Rangers nunca revelam suas identidades. Será que é isso... que eles sentem?
Akihiko fitou sua filha, perplexo. Jamais imaginou que ouviria algo tão sensato de uma criança de oito anos, e aquilo criou um misto de orgulho de tristeza em seu peito. Seria realmente impossível... convencer Hikari de desistir de ser uma Ranger. Porque já podia se dizer que, de alguma maneira, Hikari já estava se tornando a heroína que tanto queria ser.
Com um leve sorriso, Akihiko acariciou o topo da cabeça da filha e, finalmente, respondeu:
— Sim, Hikari. Acho que é. Isso mesmo.
***
[Acho que agora vai funcionar.]
[Tomara, porque já é a quinta vez que você tá tentando fazer essa quinquilharia de gravador funcionar, Hikari. Por que diabos você quer tanto gravar isso em fita cassete? Isso é da Idade da Pedra!]
[Exatamente! Se eu guardasse isso num computador, mesmo que criptografado, esses dados correriam um sério risco de serem roubados. Os hackers de hoje não são brincadeira. E essa minha pesquisa tem que ser mantida em sigilo total... Nem a minha mãe pode saber.]
[Então trata de guardas essas fitas direito. Da última vez, você inventou de colocar o Toru pra vigiar e deu muito errado!... Hã? Hikari! Merda! A fita já está gravando! Grava isso de uma vez antes que ela acabe. Já vai ser a bilionésima fita que você perde!]
[Tá, tá, tá bom, Shiori. Agora, ssh.]
[Pigarro.]
12 de maio de 2007:
Essa foi a data da primeira aparição do Ancelotron. A Mecha Master operou o Sentinela com maestria e forçou os alvos desconhecidos a desistirem de seu ataque. O Sentinela nunca mais foi visto até o incidente do Hangar P-4.
13 de setembro de 2010:
Data da segunda e última aparição do Ancelotron e início do incidente do Hangar P-4, que se estendeu por uma semana inteira. No incidente, graças ao uso do Sentinela pela Mecha Master e a intervenção do Símbolo da Paz, All Might, e do herói arcanjo, Paladium, o caos instaurado pelo roubo do Police Mecha Squad foi controlado. Nenhum outro mecha foi utilizado em batalha desde então. O PMS-7 foi declarado como destruído, e o Sentinela Mecha Ancelotron como desmontado. As Forças Especiais se encarregaram de apagar o maior número de informações sobre o caso, e, no fim, até mesmo o paradeiro da própria Mecha Master se perdeu do público.
Blogs e fóruns da Deep Web ainda teorizam sobre o verdadeiro poder bélico do Ancelotron, e outros mais corajosos arriscam dizer que existem outros além dele. Uma postagem em anônimo declarou a existência de dois outros Sentinelas, e que estes estariam escondidos em algum lugar do Japão sobre a proteção das Forças Especiais. A teoria foi reforçada pela descoberta de uma rede de hangares subterrâneos que continham peças que poderiam ser utilizadas na construção de mechas de batalha. É possível que os Sentinelas estejam sendo mantidos desativados em um desses hangares.
Aqui é Watanabe Hikari, e esse é a parte 4 do Projeto de Recuperação do Arquivo Mecha da Família Gandamu.
Câmbio desligo.
Fale com o autor