Road To Nowhere
17 Parque Nacional Terra do Fogo
XVII — Patagônia Argentina, Parque Nacional da Terra do Fogo
Ninguém ali parecia servir ao racional – na verdade pareciam apreciar o caos envolto, aquele redemoinho que se instaurou num espaço que ninguém saberia dizer o que era, para quem ou o que esperar. Não havia espaço para racionalidade: apenas para flertar de mãos dadas com Vênus. Assim Korra se sentia.
Assim observava o ponteiro do relógio correr.
Dormir não lhe costumava ser uma tarefa difícil, em especial quando era obrigada a meditar no Dojo-Zen de Tenzin ou após um estressante dia de escritório. Num geral, Korra Anori fazia o tipo de pessoa que se sentava no sofá com a (falsa) intenção de colocar aquela série em dia ou ver o novo filme indicado ao Oscar, só para dormir em seguida. Isso era comum, recorrente. Mas essa madrugada não era sua aliada.
Asami havia enviado uma mensagem perto das seis horas da tarde. Korra, porém, a havia visualizado com quase três horas de atraso – afinal, não esperava um novo contato da mulher até esta chegar em Buenos Aires. Esse campo vazio que existiu entre a pergunta de Asami e a resposta de Korra, fez sua pressão cair por ligeiros instantes. Teve que sentar para ler e reler a mensagem que perguntava, de uma maneira muito Asami de ser, se Korra aceitaria encontrar com ela caso descesse até Ushuaia, pois estava com saudades.
Recuperou o fôlego ao passo que sua visão deixou de ser turva e escura. Sua cabeça pesou um pouco menos. Respondeu, mas sua mensagem não chegou até o celular de Asami, e Korra se viu obrigada a engolir um copo d’água para não entrar em um iminente desespero. Isso também falhou, e então ela ligou para Asami. Enquanto o telefone tocava, Korra sequer pensava no que falaria quando Asami atendesse do outro lado – ela sequer pensava se Asami de fato atenderia. Tudo que concebia naquele momento variava entre uma auto acusação de “você deveria ter olhado o celular mais cedo!” e “ela com certeza pensou que você não queria nada e já está a caminho de Buenos Aires há horas”. Dessa forma, quando Asami respondeu, Korra não sorriu. Korra paralisou: nenhuma piada ou mensagem de boa-fé mesmo. Asami perguntou se estava tudo bem e Korra respondeu que sim. Foi horrível, mas foi capaz de passar a informação que precisava passar:
— Se você estava falando sério, vem.
Eram nove horas da noite quando isso aconteceu. Desde então, apenas quatro vagarosas horas haviam deslizado – Cronos não tinha compaixão – e a alta madrugada ecoava os uivos dos ventos nórdicos contra o céu profundo. Dentro da pousada, Korra revirava, sem conseguir descansar ou desligar sua sintonia. Aquilo era algo além da ansiedade. Quanto mais olhava o celular em busca de contato, mensagens, ligações, sinais-de-vida, enfim, qualquer frase ou livro que levasse seu pensamento para longe de Asami, que a distraísse, que tornasse a pressão no estômago menos arrebatadora, mais afundava em coração-saudade.
Korra Anori não estaria bem até que Asami Sato abandonasse a estrada deserta, o assento do motorista e suas roupas, para então se encontrarem debaixo daqueles lençóis.
“Como pode o tempo demorar tanto? que vontade de morrer”.
“Mas você reclama, né, meu Deus”.
“E você é obrigada a escutar tanto quanto eu sou obrigada a te ouvir” – Korra resmungou contra os próprios pensamentos, desbloqueando outra vez o celular.
“Não tem nada mais ariano que reclamar dos próprios pensamentos, sabe?”
“Tem, e chama desbloquear o celular a cada trinta e cinco segundos.”
“Será que aconteceu alguma coisa na estrada?”
“Não, nem ouse me deixar mais ansiosa. Asami é uma excelente motorista.”
“É, você tem razão.”
“Eu só queria dormir um pouco, te custa assim?”
“Custa na verdade, acho que vamos dar uma caminhada.”
[deus, isso é patético].
Korra se levantou, tarde da noite, cedo do dia, como quem corre perigo de morte. Escorreu um tanto de água fria no rosto, despertando; vestiu duas jaquetas grossas, uma calça de moletom e sua bota de tecido. Com o fone-de-ouvido nos bolsos e muita destreza nos pés, saiu da pousada sem muito ruído. Ainda na porta, observou a forma com que as estrelas brilhavam na cidade mais ao sul do planeta Terra e aspirou frio: eram quase três e meia, e Asami havia dito que sua previsão de chegada era quatro, no mais tardar, às cinco da manhã. Korra havia lhe prometido um café expresso da mesma cafeteria que havia visitado.
Decidiu perambular – simples, um ato sem pretensão alguma. Conectou na playlist que tinha Asami como co-criadora e se entregou à cada verso que surgia enquanto seus passos se faziam tão lerdos quanto o tempo. Àquela hora não era possível averiguar as Cordilheiras, mas Korra se fez suficiente para caminhar até a baía Encerrada e encarar o canal de águas escuras e densas. O frio ali era mais rígido e Korra se sentiu nervosa. A ansiedade (ou seria desejo?) era tão robusta dentro de si, que era quase palpável – talvez fosse melhor mergulhar os pés no gelo para sentir agulhadas de dor ao invés daquilo. Korra sequer sabia o que pensar àquela altura, até seu telefone tocar. Então sim, vivenciou a música rasgar, seus dedos travarem e então suas pernas-boca-pálpebras. Enfim, era hora.
Se encontraram e se fizeram presentes na penumbra de um quarto.
Não havia mais angústias, apenas convicções sobre quem Korra seria naquele findar noturno – e sobre o quanto tiraria da boca, do batom e da sobriedade de Asami Sato: a encarava sem uma palavra verter. Um aspirar salgado e falho denunciou suas intenções e as cenas devassas que lhe cortavam os pensamentos com detalhes, ruídos e gozos. Korra grifaria na epiderme de Asami todos os idiomas que sua boca poderia instigar. Teria Asami de quatro, tão molhada que nem a noite seria capaz de resolver. E em razão disso, mais nada na vida de Korra faria sentido – nada mais na vida de Korra seria seguro após o toque úmido que a levaria para dentro de Asami e seu rebolar implícito de súplica.
Então sua língua encontrou a dela. Sem pressa, sem censura, escorregou, dando início àquele brincar de amor que instalava uma paz sufocante no peito, que matava o caráter e o carisma, dando espaço à uma loucura vulgar, um desatinar coberto de razões.
É o sabor da saliva que causa dependência.
Convocou ambas as mãos à cintura da mulher. Seu tato era meigo e até ponderado diante da fome que atraía a ânsia, a lascívia por ela. Então as subiu, consciente da dissociação que passava a ter com os objetos, pessoas, sons, cheiros e todo o resto do mundo; consciente daquela perda da noção subjetiva que fazia dela algo em conjunto do resto. Sua identidade agora era algo resumido ao corpo em suas mãos. Um instrumento deste.
Despir Asami e reconhecer sua pele tinha um quê de culto. Um quê de ato sagrado que demandava uma cerimônia vertiginosa. Nesses instantes, Korra compreendia quem fechava os olhos ao tocar um instrumento, porque ela também se perdia no ato e em sua consequência. Deslizou para longe as finas alças do sutiã que ousava distanciar as peles em brasa, e engoliu o risco que seria nunca mais voltar.
Se debruçou sobre a mulher que, obrigada, sentou no colchão atrás de si. Nenhuma das duas desviou o olhar enquanto Korra se ajoelhava entre suas pernas, encolhida num sorriso mudo de quem encontrou o próprio inferno-paraíso, mas sem fazer alarde – só engolindo, diluindo o conteúdo na própria seiva. Era certo enquanto suas mãos firmaram nas coxas de Asami, encaixando-as em seus ombros, encurtando a distância e marcando sua posse daquele corpo: a mulher não tinha escolha senão ficar ali, enquanto Korra se demorava no insano ofício que era beijar o tecido úmido da peça íntima.
Asami amava se fazer de séria, e mesmo com Anori ameaçando tirá-la da lucidez, permaneceu calma e dócil – até sua voz arder e seu corpo gemer 40 graus de febre. Naquele mesmo flagrante, Korra havia afastado o tecido para roçar sua boca no clitóris quente e inchado da mulher, salvando a textura íntima de Asami entre língua e garganta. Chupou Sato em goles resolutos de cumplicidade, a ponta da língua afundava entre os lábios tanto quanto Asami no colchão – e seus gemidos por toda uma vida de prazer, por mais perigoso que fosse se encontrar com mulheres que arfava feito [a dela].
Foder Asami embaralhava as moléculas de Korra.
Uma revolução bélica que começava na língua e terminava entre seus dedos.
Não estava cansada quando abandonou sua posição: apenas queimando de saudade por um vislumbre dos olhos verdes comprimidos, rogando. Korra tinha na língua o cheiro de mel quando lambeu os dentes de Asami. Tinha também um sorriso de atrito quando abafou um gemido causado pelo beijo que seus dedos deram debaixo da roupa.
Primeiro devagar, amante da dor, depois selvagem, filha do fogo.
Aquela transa foi só a primeira de uma manhã que durou muito (pouco).
O sol não haveria de nascer naquele dia frio.
Quando Korra retomou a consciência do próprio corpo, suspirou contra o peito nu de Asami, antes de novamente fechar os olhos. Não ousaria mexer um músculo, receosa que a mulher despertasse e desse fim àquele instante que, nas considerações de Korra, podia ser tão frágil quanto porcelana. Aliás, sobre utopias e fragilidades acerca do tema de Amor da noite anterior (e outras também): seu escudo de aço havia rachado. Morto num golpe que unia a beleza e perspicácia de várias circunstâncias, vários despertares, olhares de bom-dia e café. Não podia ser diferente àquela altura, e ansiava, com cada gota do seu sangue, que Asami sentisse igual. Que a amasse igual, afinal, não saberia o que fazer se não.
Não tinha nada de confusão mental.
Permaneceu ali por tempo suficiente para perder as contas. Independentemente do que viria a seguir, aquele momento era seu, onde podia viver o melhor e o pior de si – deslizou um beijo suave na clavícula de Asami, encarando o rosto ainda adormecido. Depois outro na base do pescoço, e então seus dedos iniciaram uma leve carícia no osso do quadril da mulher, que sorriu ainda em meio ao sono. Korra não esperava despertá-la com os gestos, apenas apreciar o quanto fazia ou não parte das realidades que a mulher vivia em seus sonhos. Amava a pele de Asami, tanto quanto amava tocá-la e observar sua reação involuntária.
Dizem que assim nasce desejo, e Korra era insaciável.
Dessa vez não se preocupou em acordá-la, aliás, era seu propósito. Se mexeu em compasso, ajustando seu corpo em paralelo com o de Asami, que enfim abriu os olhos – sorrindo. Talvez já conhecesse Korra o suficiente para saber de suas intenções. Talvez por isso tenha desejado bom-dia passando ambos os braços no pescoço de Korra, exigindo um abraço ou que me-faça-tua. Se beijaram, e a manhã já não era tão fria.
Tomaram banho juntas antes de sair almoçar, já na segunda metade do dia.
No restaurante, Korra contou sobre o desejo de conhecer o Parque Nacional da Terra do Fogo, mas que este exigia transporte privado ou que contratasse um pacote de turismo fechado com transfer e outros turistas ao encalço. Tinha decidido que não seria daquela vez, mas que agora, com Asami e o Grande Carro de Um Milhão de Dólares, talvez fosse possível. Asami sorriu, buscando no GPS a estrada que as levariam até a estação ferroviária. Teriam que embarcar no Trem do Fim do Mundo, e algo nos olhos verdes da mulher brilharam de forma que Korra soube: Asami iria, literalmente, até o fim do mundo com ela.
E isso lhe forneceu uma doce confiança por todo o resto.
Uma vez na estação ferrocarril fueguino, aguardaram em silêncio o embarque. Korra não entendia como era possível alguém estar tão elegante em roupas de trekking – costuradas para a aventura, para o suor, lama e climas adversos – quanto Asami ficava. Mas ali estava ela, em carne e osso e poesia solene que era a sua simples presença e existência. Mal era possível confiar nas últimas horas que havia vivido. Quem sabe não fosse um sonho bonito, daqueles que você reproduz depois de ler ou assistir algo que te inspire a viver grande. E como para se certificar da realidade, intensificou o aperto na mão enluvada de Asami, que retribuiu o gesto pousando a outra mão livre no braço de Korra.
Em pé ao lado de Asami, observando com curiosidade o formato de vapor que suas respectivas respirações formavam, Korra sentiu seu coração aquecido por certezas mudas. Quase era capaz de sentir o peito expandir, como se algo dentro de si – todos os lobos cinzentos de medo e ansiedade – tivesse decidido dar um instante de trégua. Um momento de paz, um descanso muito aguardado. Asami não era responsável por isso, mas tê-la ao lado definitivamente ajudava Korra a apreciar e olhar o momento com um olhar mais grato.
Tinha a impressão de que poderia ficar ali um longo tempo, quase tão grande quanto as horas que tinha dedicado à permanência na cama pouco antes: de mãos dadas e vivenciado o calor que o corpo de Asami emanava, mesmo que por sob tantas camadas de roupa. Apenas aguardando a locomotiva, sem grandes demandas ou romances. Aquele era o seu, e então, ela resolveu vivê-lo. Respirou fundo e lembrou de todo o resto.
O trem funcionava desde o final do século XIX. Naquela época, Ushuaia era uma colônia penal e aquela ferrovia – bem como o transporte que passava por ela – eram o caminho e o meio de locomoção tanto de presidiários quanto de matérias-primas para construções diversas. Anos mais tarde, a prisão se tornou uma base naval. Por fim, já na década de 90, depois de feitas algumas modificações ao longo da linha férrea, o local começou a ser utilizado por turistas e trabalhadores locais que, por lazer ou necessidade, queriam adentrar o Parque Nacional da Terra do Fogo.
Korra ansiava pelo passeio desde o dia em que chegara. Os trilhos que passavam ao longo do Vale do Pico na garganta do Toro até o final do destino, na Estação do Parque, proporcionavam paisagens deslumbrantes aos passageiros, de acordo com todas as pessoas com quem ela havia trocado ideia a respeito. Outros trajetos mais fáceis se interpuseram no caminho, o que parecia uma sorte agora: estava contente que essa fosse uma memória inédita para construir junto com Asami, como constatou na chegada da locomotiva.
Com uma imponência vitoriana, o trem de traços e de origem europeia surgiu na hora marcada. Sua estrutura tinha tons desbotados de preto e vermelho, quase como todas as roupas que Asami Sato usava. Korra pensou em fazer uma anedota a respeito, mas Sato foi mais rápida e fez uma referência ao expresso de Hogwarts antes, o que fez Korra rir e perder a linha de raciocínio inicial. Parecia tão inusitado o fato de que uma mulher de negócios como Asami Sato entendesse o suficiente sobre uma saga infantil inglesa – ainda que de enorme sucesso – que Korra fez questão de perturbá-la.
Asami não se deixou abalar. Justificou que era um “marco geracional”, enquanto subiam a bordo, e disse que Korra se comportava como qualquer grifinório. Korra riu do tom de desprezo que ela usou, e rebateu que essas só poderiam ser as palavras de uma serpente sonserina, mas Asami corrigiu: “a velha e sábia corvinal” que não convenceu nem um pouco a sua companheira, que revirou os olhos e a chamou de inocente.
Elas foram dividindo uma barra de chocolate mesmo assim.
Asami ficou com o assento próximo à janela, enquanto Korra parecia confortável em apenas experimentar o braço da mulher enlaçar sua cintura, como quem dissesse que a queria o mais próximo possível. Korra sorriu, inclinando parcialmente o corpo e se aninhando no dorso da outra apenas para inalar o perfume cítrico que aprendera a amar; a fragrância fazia com que ela repousasse o nariz na curva do pescoço de Asami sem nenhum traço visível de timidez. A mulher sorria em resposta, pousando, vez ou outra, os lábios em beijos castos no topo da cabeça de Korra. Assim o trem e o tempo seguiram, até o fim da linha.
Ela assistiu o modo como Asami assumiu uma postura desbravadora enquanto amarrava o cabelo e a amou – a palavra não a assustava mais: não desde aquela madrugada – pela disposição de fazer uma trilha de três horas de percurso, a pé, mesmo depois de metade de um dia de viagem de carro e uma janela muito curta de sono. Por outro lado, entendia de onde nascia o ânimo: o horizonte insuflava o desejo de desbravar o mundo. As cordilheiras de picos nevados que se estendiam além das vistas, a cortina arbórea de verde vívido, e a promessa de tantos vales, lagos, bosques e cursos d’água que poderiam encontrar ao seguir rumo pela Senda Costera. Ah, sim, ela bem entendia.
Caminharam diante de um barro constante, enfrentando ventos cada vez mais frios. O par de casacos que Asami insistira que Korra usasse veio a calhar. De algum modo, quanto mais cansadas ficavam, mais revigoradas por dentro se notavam. E, embora o percurso tenha sido atravessado em silêncio – principalmente quando diante de uma nova paisagem, ou uma das praias do canal de Beagle –, foi também costurado por conversas que variavam entre as novidades dos dias anteriores, e as expectativas para as próximas semanas.
Se sentaram em um tronco tombado, já na orla do fim da trilha. Dali, caminhariam apenas para o Centro de Visitantes, onde se alimentariam antes do percurso de retorno. O frio já havia roubado a sensibilidade da ponta do nariz de ambas as mulheres, que estavam coradas da caminhada e sentiam o coração rufar alto contra o peito. E mesmo que não estivessem cansadas do trajeto, era difícil respirar diante de todo aquele céu, mar e terra.
A vida é cruel, mas também irresistível.
— Aqui estamos. Enfim, no fim do mundo. – Asami declamou como quem crava uma bandeira num lugar inexplorado. Com as mãos protegidas no bolso do agasalho, lembrou do embrulho de Martina no bolso da calça: a prece em papel antigo, a foto da casa datada dos anos em que sua mãe ainda vivia lá e um bordado simples, feito à mão, ligando o Norte e o Sul da Terra do Fogo. Em silêncio, a chilena havia entendido antes mesmo de Asami que ela estava apaixonada e que as coisas funcionam melhor quando a gente opta pelo coração. Talvez por isso Asami agora portasse um sorriso todo orgulhoso de si, ao passo que estendia a mão para Korra em um gesto que significava mais do que qualquer declaração verbal.
— Um pequeno passo para uma mulher, um grande salto para duas – Korra brincou, alterando o discurso do astronauta Neil Armstrong ao pisar na lua.
— É isso – Asami gargalhou, contente pelas escolhas feitas nas últimas 24h – acho que nós vamos ficar bem, Korra. – Refletiu, pensando que, de muitas formas, aquele fim de trilha também era início de uma outra: com sorte, mais longa, e que não se limitava a Ushuaia, uma agenda demarcada e a necessidade de tanta roupa. Por culpa ou mistério da paixão, se estenderiam naquele infinito só delas. E tanto Asami quanto Korra estavam ansiosas.
— Acho que nós já estamos, Red. – Concluiu, antes de beijá-la em afirmação.
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