Road
4 Toothiana - A coelhinha e sua má influência
Notas iniciais
– Rapunzel, você pode passar o telefone para o Flynn? – A corrida de ontem acabou em um empate, mas a sensação era que eu tinha perdido, então eu fiz uma estupidez. Esperei até ouvir a respiração do Flynn e falei. – Nossa aposta acabou empatada então eu quero metade dela!
Eu cuspi as palavras tão rápido da minha boca que nem eu mesma entendi o que falei, tinha ensaiado várias vezes, mas na hora eu me atrapalhei toda, entretanto, a frase foi tão curta que ele entendeu a mensagem.
– Meia vitória, metade da aposta? Estou ouvindo. – Isso, eu joguei a isca e ele a pegou, foi mais fácil que eu esperava.
– Eu me fantasio de coelho, metade da festa e você admite para a professora que você roubou meu trabalho! – Jack não entende que o trabalho sobre lendas urbanas foi o trabalho da minha vida! E ele o transformou em uma piada! Mas não acaba por aqui, não, não mesmo, quando eu tentei convencer a professora, Flynn me acusou de mentirosa e os amigos dele... bem, eles riram de mim e do meu trabalho como se tudo aquilo fosse uma piada. Foi ai que eu perdi a calma, soquei o amigo do Flynn que estava mais perto de mim e o mandei direto pro hospital. Eu fui suspensa por dois dias, a diretora gostava de mim, mas não apareci durante uma semana, eu morria de vergonha de ir na faculdade, Jack teve que me arrastar para a aula. Mas eu queria isso por outros motivos.
– E a parte da galinha? – A galinha, por que ele se importa tanto com a parte da galinha?! Ele perguntou como se esperasse que eu falasse: “Óbvio que você vai se fantasiar, você vai ser uma ótima galinha, todo mundo vai querer uma foto junto com você”, mas eu não queria a galinha, queria justiça.
– Sem galinha.
Eu ouvi uma risadinha pelo telefone e várias outras risadas mais altas, isso me tirou do sério.
– Eu te entrego a roupa na festa, mas fala ai, preto ou vermelho? – Eu estava tão focada na ideia de matar o Flynn da maneira mais dolorosa possível que nem reparei que o telefone passou para outra pessoa.
Era o Jack e ele estava nervoso.
– Você está maluca?! Nunca aposte com o Flynn, ele armou tudo! –Jack deveria ter se separado do grupo, por que estava gritando alto, muito alto. – Ele já admitiu para a professora a dois dias atrás e ele vai ter que participar de aulas suplementares durante o semestre que vem inteiro. Por que você não me escuta?!
Não era Flynn que foi fisgado, eu fui fisgada, ele jogou a isca perfeita e fui pega, pega de maneira ridícula e o pior de tudo, fui avisada pelo meu namorado e só conseguir ficar nervosa com ele.
– É, foi mal, me desculpa, eu deveria ter te escutado.
– Preto.
– O quê?
– Sempre quis te ver de preto, combina com você, é sexy. Desculpa, eu vou ter que passar para o Flynn.
Jack conseguia me animar de uma maneira incrível, eu me sentia mais confiante com ele, ele é uma influência sim, só não sei se é má. Esperei a vermelhidão do meu rosto diminuir e não esperei que Flynn falasse, somente ouvi ele tomar folego e o cortei na hora.
– Eu quero a preta. – Desliguei o telefone na cara dele e fui tomar banho.
A festa ia ser na casa da Mavis, uma casa que mais parecia uma mansão, ela convidou todos os trinta mil alunos para a festa, a casa tinha três andares e um jardim do tamanho do campo de futebol, espaço não iria faltar para as pessoas caírem. Só tinha hora para começar a festa, 20h00m, e só terminaria no dia seguinte.
O relógio já estava marcando 19h30m, 30 minutos e a maior festa desse ano iria começar.
Todos estavam loucos por essa festa, menos eu. Eu estava em casa, querendo me afundar no colchão e pensando que me fantasiar de coelhinha não iria ser tão ruim, mas ai eu me lembrava das risadas e era melhor eu afundar meu corpo no colchão do que abrir um buraco na parede.
E quando já estava me entregando a ideia do buraco na parede meu celular tocou, olhei para ver quem estava me ligando, era o Jack.
Quando eu atendi ele nem me deixou falar, estava ofegante, parecia ter corrido uma maratona, mas falava rápido demais.
– Eu tenho um plano, ouça-o 1º eu vou embebedar todos os garotos do time de futebol, 2º separá-los de toda a festa em uma sala e 3º embebeda-los ainda mais! E é aí, que você entra vestida de coelhinha, eles te zoam um pouco e fim, eles nem vão se lembrar do que aconteceu! Vão estar tão chapados que não vão nem saber quem são.
– Você não teria um plano B? – Eu confio no plano do Jack, mas um plano reserva sempre é bem-vindo.
– Esse é o plano B, o plano A era impossível de mais. – Abram alas que o desespero está chegando.
Eu preciso de sorte ou algo que beira ao milagre.
– Ah, O Hiccup vai com a gente, ele está meio estressado, com a cabeça cheia... eu acho que ele precisa se distrair um pouco, sabe como é? Beber um pouco, daqui a pouco ele já está na faculdade e precisa se acostumar com isso. – Quando ele disse com “a gente” ele quis dizer com ele, pois o nosso namoro é um segredo, então não vamos juntos para as festas, as vezes eu odeio não ser tratada como namorada, é deprimente.
Não gosto de bancar a namorada chata e insegura, mas eu não gosto quando ele sai para as festas, eu confio no Jack, só não confio nos amigos do Jack e em nenhuma garota, pois ela não conseguem ver a placa escrita na testa dele dizendo “Beije ele e te arranco os dentes!”.
– Eu vou levar o Hiccup agora, te vejo na festa. – E com isso a linha ficou muda. Ele não era de dar beijos de despedida ou de dizer "eu te amo", ele ficava todo envergonhado e eu amava esse lado dele.
Voltando para a festa.
Pensamentos positivos, pensamentos positivos, talvez essa festa seja diferente, talvez ele me dê mais atenção e não me deixe sozinha... como sempre, talvez ele me trate como namorada, mas não vou alimentar esperanças, o time sempre vem em primeiro lugar, regra de fraternidade.
Uma hora e meia depois era o momento perfeito para ir para a festa, uma hora e meia de bebida, festa, drogas, eles já deveriam estar em coma se eu fosse sortuda.
Eu peguei o carro dos meus pais e dirigi até a festa, seria um sacrifício achar uma vaga, mas era a Mavis, ela tinha um estacionamento no subsolo da casa ou mansão, ela era rica.
E eu acertei, tinha mesmo um estacionamento, eu estacionei o carro e fui em direção a festa.
Quando eu entrei pela porta a primeira coisa que fiz foi procurar o Flynn, eu pegaria a roupa e terminaria com isso, vai ser igual tirar sangue, uma picadinha só e pronto, feito e tchau.
A medida que eu ia entrando na casa o cheiro de vômito e de bebida alimentavam minhas esperanças sobre o plano B.
Mas essa agulha parecia ter trinta centímetros e minha esperança ruía. Eu achei o time de futebol, mas era melhor não ter encontrado com eles, olhei para aquela cena e minha voz escapou, mas não foi ouvida por ninguém, a música estava tão alta e as conversas tão caóticas que escutar aquelas palavras seria um milagre, e era o que eu estava precisando, um milagre.
– Eles bebem como esponja, vai ser impossível eles caírem bêbados. – Parecia que um pré-requisito para todos os jogadores é beberem, beberem muito e ter um poder de regeneração no fígado para poderem beber ainda mais.
Para o meu azar, Flynn e eu fizemos contato visual, a hora da guilhotina chegou e eu estou condenada a execução pública, não tão pública, pois minha única plateia era o time de futebol.
– Tooth! Olha só a nossa estrela da noite! Pensei que não viria!
– Eu cumpro minhas promessas!
– Sei, sei, sei, tô ligado, aqui está sua fantasia. – Ele me entregou uma sacola de compras marrom e dentro estava aquela amaldiçoada fantasia.
– Eu vou me vestir mais tarde, tá bom? Quero curtir a festa. – No momento, essa foi a melhor desculpa que consegui inventar.
– Só não se esqueça da fantasia! – Flynn tinha um lado sensível, afinal, Rapunzel namorava ele. Me virei e olhei de relance, queria saber se alimentar esperanças era ruim, uma pilha de cervejas e garrafas na mesa, todas vazias, eles tinham bebido muito.
O alfabeto inteiro de planos do Jack não iria funcionar, não teriam a menor chance contra aquilo.
A parte do meu cérebro que é responsável pela tomada de decisões sensatas entraram em tiuti, ai mandaram o problema para a parte que era responsável pelo medo que depois mandou para a idiotice, que veio com um plano simples, fácil e infalível, ele consistia em ingerir tudo que viesse pela frente. Se eu não lembrar-me, nada de ruim poderia acontecer, certo? Errado!
Definir meu estado era fácil, louca, eu era um trem desgovernado movido a álcool, eu podia até entrar para o time pela quantidade de álcool que eu consegui ingeri, mas provavelmente falharia no outro pré-requisito, saber jogar.
Eu bebi uns quinze copos de algumas bebidas que apareciam na minha frente, quando o Jack apareceu com uma bebida na mão e um limão na outra, eu já estava mostrando os sinais de uma bêbada quase controlada.
– Ok, eles estão lá no segundo andar, só tem o time de futebol e acho que o plano B pode funcionar, eles estão muito loucos e você também. – Eu tomei a bebida da mão do Jack e a virei, foi gostoso, mas quando subiu, eu senti queimar.
– Oh! Acho que eu preciso de mais disso aí. – falei enquanto massageava a garganta.
– Tooth! Isso é tequila, você não aguentaria mais um copo disso! – Primeiro erro, nunca desafie alguém que mostra os primeiros sintomas de estar bêbado. Eu me virei e peguei um copo em cima da mesa que tinha um liquido parecido com o que eu tinha tomado, só que com o dobro da quantidade e virei.
– Eu aguento!
– O plano B não era para você ficar bêbada e sim os outros! Vamos logo subir e acabar com isso antes que você não consiga mais andar.
Tudo parecia passar em Flashs, uma hora eu estava na frente da escada e na outra no segundo andar. Jack me guiou para dentro da sala e me levou até o banheiro, eu ouvia as vozes dos outros jogadores e do Flynn e isso vazia a minha cabeça doer, mas só conseguia entender a voz do Jack.
– Vai acabar rápido, ok? Eu prometo. – Acho que um bom jeito de tratar uma bêbada é com carinho, pelo menos comigo funciona.
Eu entrei no banheiro e demorei o triplo do tempo que levaria para me trocar. A fantasia era apertada em todos os lugares, ela era de látex e qualquer luz reluzia naquela roupa negra, era como se eu brilhasse.
Para deixar bem claro, eu não sou gorda, Jack sempre diz que eu tenho um corpo sarado, eu pratiquei dança a minha vida inteira, então não tenho muita gordura, que nesse momento, eu agradeço profundamente, sério, por que seria humilhante não caber na roupa!
Quando coloquei o acessório final, as orelhas de coelho, minha dignidade já era inexistente. Saí do banheiro totalmente envergonhada, eu tinha vontade de chorar, mas segurei, sou uma pessoa de palavra, era humilhante, mas eu dei minha palavra.
Eu ouvia as vaias e me aproximei delas, tentei olhar para o Jack, mas ele parecia hipnotizado, eu devo admitir, a fantasia tinha me deixado bastante atraente, fechei os olhos e continuei andando, estava disposta a sofrer aquilo com dignidade, mas alguém agarrou o meu braço e me puxou.
– Desculpe Flynn, mas essa coelhinha aqui é minha!
– Jack, o que você tá fazendo?
Nós saímos correndo dali, ele me puxava com força e só parou quando entramos em um quarto vazio, ele fechou a porta e a adrenalina que corria pelo meu sangue tinha acabado, não conseguia mais ficar de pé, e nos encostamos na porta.
– Por que você fez isso? – falei ofegante.
– Eu não queria que eles ficassem te olhando daquele jeito, ok? Eu sou ciumento, tem alguma coisa errada em achar sua namorada a coisa mais fofa do mundo e tentar monopolizar ela para você? – Foi a primeira vez que Jack falou que me amava, do jeitinho dele.
Não sei se era a bebida, mas eu me senti quente e contente por ser desejada, não pelos outros e sim pelo meu namorado.
– Eu falei que preto te deixava sexy. – Ele me olhou com aqueles incríveis olhos azuis e deu um sorriso por entre aquela face rosada.
Simplesmente não aguentei e ataquei meu namorado, nós ficamos lá nos beijando de maneira rápida, meu cérebro não estava raciocinando, estava mandando as informações direto para a idiotice que só falava “mais rápido, mais rápido, mais rápido”, começamos freneticamente, mas fomos diminuindo, trocando beijos longos e calmos durante muito tempo. Nós ficamos lá, tentando apagar o nosso fogo, mas só conseguíamos aumentá-lo, meu corpo estava gelado, mas minha chama insaciável. Jack estava na mesma situação, ele parou de me beijar e tentou recuperar o folego.
– Quer que eu apague a luz?
– Não, definitivamente não, quero me lembrar desse dia. – Vestir essa roupa de coelhinha e mostrar para o time de futebol inteiro era humilhante, mas fazer sexo com ela não era, era bom.
Suas mãos percorriam pelo meu corpo e me agarrava com força, a bebida tinha me deixado desorientada, as vezes eu usava força de mais e as vezes nem força eu usava para agarrá-lo, deixei Jack me conduzir e ele me levou a uma montanha russa de emoções.
Eu acordei no dia seguinte com um hálito horrível, parecia que tinha morrido algo lá dentro, somente o amor verdadeiro aguentaria beijar isso durante horas e ele tinha nome.
Não conseguia me lembrar direito de como acabou a festa e de como eu vim parar em casa, mas eu me lembro quando o Jack pegou no meu braço e me levou para o quarto. Foi a primeira vez que fizemos sexo com a possibilidade de sermos pego e isso foi excitante.
Jack Frost é definitivamente má influência... e eu também.
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