Road

6 Jack - Eu sai com uma peruca


Notas iniciais
Foi mal, mas eu fiquei sem muitas ideias criativas para escrever sobre a Merida, então ficou meio ruim.

Ontem ficou oficial, eu e Tooth estamos namorando, nós já namorávamos, mas ficou oficial para a faculdade inteira, por isso eu terei que explicar para o time como isso aconteceu. Flynn não vai gostar nada.

O relógio do meu quarto marcava dez horas e eu como toda a pessoa normal que teve a maior noitada da vida, estava no quinto sono, estava. Meu corpo estava sendo balançado com força de um lado para o outro com a tentativa de me despertar, levei até tapas no rosto e isso não se faz, segurei a mão que estava me dando tapas e eu iria mata-lo.

– Jack, acorda, tem alguém na minha cama!

– Regra número um, Hiccup, regra número um. – Respondi mal-humorado, ninguém quer ser acordado pelo seu colega de quarto, muito menos levar tapas, só em casos extremos e alguém na cama do Hiccup não é extremo, seria extremo se fosse minha namorada, mas eu a levei para casa ontem, ou será hoje...

– Tem uma ruiva na minha cama. – Não era um caso extremo, mas conseguiu me tirar o sono, fiz um esforço para abrir os olhos e finalmente começamos a conversar.

– Primeiro você quase faz sexo com a Mavis e agora leva uma pessoa para sua cama, você não acha que está avançando muito rápido não? – Antes que vocês pensem, eu não sinto inveja, ok? Quem estaria com inveja de quase ter realizado um sonho?

Eu me arrastei para fora do meu conforto e fui ao quarto do Hiccup, mas antes, olhei uma última vez para a cama macia e quentinha, dava vontade de chorar. Depois de chutar essa ruiva daqui vou chutar a bunda do Hiccup, ninguém me afasta da minha cama, ninguém.

Entrei no quarto do perna de metal e fui em direção a cama dele, a única coisa que tinha em cima dele, além do travesseiro e do cobertor, era uma peruca ruiva, mas não era uma peruca qualquer, era a peruca mais embaraçada que eu já vi.

– Uma peruca ruiva, sério? – Peguei a peruca com uma das mãos e dei um puxão de leve, mas a peruca fez algo que uma peruca não faz.

A peruca gritou.

– Isso definitivamente não é uma peruca. – Eu larguei os cabelos vermelho fogo e a dona dele começou a sair debaixo das cobertas, ela estava muito bem escondida.

– O que vocês estão fazendo? – Ela disse irritada, mas não saiu da cama, ninguém sairia do conforto de uma cama quente.

– Uma peruca falante, você tem cada gosto, Hiccup.

– Quem é você? – Hiccup falou assustado, não é toda vez que ele leva uma ruiva para a cama dele.

– Sou Merida Dunbroch, a gente já se apresentou. A dona do apartamento deve ter falado que eu ficaria aqui por algum tempo.

– Não, ela não disse nada. – Hiccup parecia confuso, mas não posso culpa-lo, a culpa era minha.

– Na verdade, ela falou que alguém viria, eu esqueci de falar isso para você.

A dona do prédio é a mãe da Rapunzel, Gothel, quando ela falou que uma garota de dezoito anos iria se mudar para Berk e passaria um tempo no nosso apartamento até o dela estar completamente arrumado, eu não acreditei, eu achava que era uma piada! Gothel é tão contra o namoro adolescente, principalmente o da filha com o Flynn, e eu não tenho uma boa fama, uma mulher e um homem morando no mesmo apartamento só pode dar merda.

– E quando foi isso? – O moreno falou irritado.

– Há quase um mês atrás, eu achava que a Gothel estava zuando. – Gothel nunca mais tocou no assunto, isso só ajudou a achar que era uma piada.

– Bem, vocês me deixaram entrar – Merida saiu da cama e apontou para o Hiccup – e você me ofereceu o seu quarto, você falou que o sofá estava bom para você, Gothel sugeriu expulsar você do apartamento, mas você falou que o sofá era perfeito.

Bebida é uma coisa incrível, a sua memória a curto prazo desaparece, eu me lembro de ter falado com a Gothel quando cheguei da festa, mas não me recordo do assunto e nem nada e parece que Hiccup também se lembrou de algumas coisas.

– O sofá da sala sempre foi confortável. – ele disse, Hiccup não tem uma reputação muito boa com a Gothel, é difícil para ele pagar o aluguel no prazo, ela conhece as condições dele, mas são negócios. – A gente pode te mostrar a cidade, não tem nada melhor para fazer mesmo.

Estava perto da hora do almoço e eu não sou um expert em culinária, eu sairia para comer no shopping de todo jeito então não neguei e a Merida também não.

Nós nos trocamos e fomos para meu carro. Estávamos na rua principal, então decidi puxar papo, odeio silencio.

– Por que Berk? – Comecei com a pergunta mais clichê do mundo, mas ela era padrão! É como o “Oi, bom dia, como vai você?”.

– Eu só vim aqui para trabalhar como modelo. – Não pareceu impossível a ideia dela ser modelo, alta, jovem, ruiva, olhos azuis, o cabelo é um bom disfarce, mas precisa se esforçar para ser feia com os olhos azuis e ruiva, acredite, já fiquei com várias com essas características e nenhuma era feia. – Também vou fazer faculdade, mas isso só semestre que vem.

– Olha para frente! – Não sei quem gritou, mas eu realmente me perdi um pouco naqueles olhos azuis, ter esse tipo de olho deveria ser crime.

– Você tem certeza que é modelo? – Não é que eu não acredite em toda ruiva de olhos azuis que eu acabo de conhecer, mas eu não acredito, nada pessoal.

– A produção faz o meu cabelo, ok? Eu não tenho paciência para cuidar dele. – Resposta válida, nunca tive que me preocupar com meu cabelo, mas já penteei o cabelo da minha irmã mais nova, Emma, e digamos que eu não sou a pessoa mais delicada com nós.

– Acho que a sua juba já diz tudo. – Ela parece não gostar que mencionem o cabelo, mas qual é! Ele está quase berrando “fale sobre mim”.

– E você?

– Eu trabalho meio período em um café, vou acabar o ensino médio e vou começar a faculdade ano que vem também.

– Jack?

– Eu não trabalho, mas estou fazendo faculdade, sou atacante no time de futebol e tenho namorada, só para você saber. – Ninguém espera que eu esteja solteiro, mas melhor não alimentar esperanças.

– Bem, seria engraçado eu namorar alguém menor que eu, não que você seja pequeno, só não está na altura ideal. – Devo admitir, ela pelo menos sabe usar as palavras.

– Já vi que vão se dar super bem. – Hiccup disse dando uma risada baixa, e nós três começamos a rir, não sei o porquê, mas não conseguíamos parar, acho que temos problema.

Nossa primeira parada, Shopping Center, quando a cidade é pequena e a faculdade enorme, o Shopping Center costuma ser o lazer de todos os estudantes, logo, ele é gigante, pelo menos é assim aqui, todo tipo de loja para todo tipo de desejo, mas parecia não se encaixar a uma Dunbroch.

– Não tem nenhum lugar mais emocionante? – Ela disse enquanto passávamos por várias lojas de sapatos e roupas.

– A gente leva uma mulher ao shopping e ela quer mais emoção que isso?

– Você é tão machista! Não tem algum lugar que eu possa andar de skate ou sei la, me divertir.

Eu e Hiccup trocamos olhares e ele entendeu tudo, melhores amigos tem um sexto sentido para essas coisas.

– Essa é sua área, Hiccup.

– A gente pode ir na Wreck-it, ver se vai rolar algo, o Ralph deve saber. – Isso mesmo, vamos levar nossa companheira de quarto para assistir uma corrida ilegal de motos, devo admitir, isso é melhor que ir ao shopping.

Preciso dizer que a Wreck-it é a loja onde eu sou mais odiado, o Ralph mãos GG acha que eu sou má influência para a Vanellope, garoto pegador, pai super protetor, combinação horrível.

Entramos no carro e ficamos batendo papo, a conversa fluía bem, não esperava conversar assim com uma garota que acabei de conhecer, mas qual é, para mim ela é meia garota.

Chegamos a Wreck-it e Ralph me olhou nos olhos, dizem que um olhar fala muita coisa e esse dizia que se eu chegasse perto da filha dele, ele ia me quebrar todo.

– Eai, Ralph. – Disse levantando a mão a qual ficou sem receber nenhum contato, deixar alguém no vácuo não é legal.

– Jack. Estou de olho em você. – Não precisava do aviso, mas isso deixou as coisas bem claras.

Deixei Hiccup levar Merida para conhecer a loja de motos junto com o Ralph e ela realmente parecia se divertir mais ali, fiquei sentado na cadeira que tinha em uma parte mais isolada, mas ainda conseguia vê-los e ouvi-los, não queria encontrar Vanellope, gosto do meu rosto como ele é, bonito.

Não demorou muito até a Van encontrar os três.

– Meu nome é Vanellope futura corredora de fórmula um e você é?

– Eu sou Merida, você deve ter a idade dos meus irmãos, eles são trigêmeos, uns pestinhas. – Ralph odeia garotos, principalmente se eles forem trigêmeos de olhos azuis e ruivos, uma ameaça potencial para Vanellope.

– Ela adoraria conhecer seus irmãos, mas acho que não rola.

– Ela é uma gracinha.

– Vocês são um casal? – Adoro essa garota, ela vai crescer causando discórdia, mas Hiccup e Merida? É como ver um gigante junto de um anão perna de pau.

– Não, nós não somos um casal, ela é uma graça. – Se era possível uma cor mais vermelha que o cabelo da Merida, ela o tinha no rosto.

Os dois saíram da loja ainda constrangidos, serem consagrados namorados por uma criança abala qualquer um e eu não podia perder essa chance.

– Não sabia que vocês eram um casal agora.

– Não enche Jack. – Uma outra coisa legal do Hiccup é que ele fica vermelho fácil. – Daqui a uma hora vai rolar uma corrida.

– O lugar de sempre?

– O lugar de sempre.

Esse papo de “lugar de sempre” é simplesmente o melhor lugar para se assistir à corrida, ver a corrida através das câmeras não dá tanta emoção, têm um lugar que o Hiccup achou que você consegue ver as melhores partes da corrida, é em um morro, dá para ver a linha de chegada e boa parte do percurso.

Fomos dirigindo mantendo segredo para onde iriamos, não queríamos estragar a surpresa, não gosto do silencio, então comecei a puxar assunto, mas desta vez foi com o Hiccup, não conhecia Merida tão bem, não queria que isso soasse como um interrogatório.

– Hiccup, você não precisa comprar uma roupa para sua festa de formatura? – Depois das provas iria ter o baile de formatura, os bailes são famosos em Berk, é uma questão social como o Flynn diz.

– Eu vou comprar a roupa mais barata que eu achar, mesmo se ela for a mais feia, não é como se eu tivesse um par. – Isso pareceu chamar a atenção da Merida.

– Você não tem um par? – Ela disse como se isso fosse a pior coisa do mundo.

– Não, eu não tenho um par, não é como somente eu estivesse sem par. – Ele falou dando nos ombros.

Nós não comemos nada no shopping, então nós iriamos comer em algum lugar, tínhamos tempo, nós ficamos divido entre o McDonalds e o Burger King, mas foi dois a um para o rei, nós passamos em um Drive-thru do Burger King e pedimos um Whooper com batata frita e refrigerante para cada, menos Merida, ela pediu dois Whoopers, para uma modelo, ela come bastante.

Nós chegamos ao “lugar de sempre” e estacionamos longe da rua, cada um segurando o seu lanche e nos sentamos em cima do carro.

– Então, o que vocês querem me mostrar?

– Melhor você não piscar, vai ser rápido. – O barulho do ronco do motor estava longe, mas podia ouvir o barulho aumentando e um vento passou por nossas costas quase nos empurrando, deixando o som da moto, seguido de outro motor e o mesmo vento.

– O que foi isso?

– Corrida de motos. – Hiccup disse dando uma mordida em seu hambúrguer.

Essa corrida era um percurso diferente do que o Hiccup corre, são cinco voltas e quem acabar primeiro vence, o percurso é diferente, mas a emoção é igual. Para a nossa surpresa, Merida parecia ter gostado mais de assistir as corridas do que o shopping, mas cai entre nós, quem não gostaria?

A corrida deixou ela mais animada, o primeiro lanche dela já tinha sido devorado enquanto a gente ainda estava na metade do nosso. Ela começou a conversar comigo e com o Hiccup sem tirar os olhos da corrida e devorando seu segundo lanche.

– Sobre o terno, você precisa comprar um bonito, a garota que você vai dançar merece isso.

– Não adianta, ele não tem bom gosto. – Era verdade, mas Hiccup não aceitava isso.

– Vocês não se cansam desse assunto?

– Eu te ajudo com seu terno se você me levar de novo a Wreck-it, Ralph falou que o Felix vai conserta o meu skate, eu quero assistir uma próxima corrida também, viu?

– Você não tem algo melhor para fazer do que me ajudar com meu terno?

– A faculdade só começa ano que vem, acho que tenho bastante tempo livre.

– Já vou dizendo que não sou motorista de ninguém aqui.

– Eu tenho carteira, Jack, só preciso do carro.

– Ninguém toca no carro.

Nós conversamos sem tirar os olhos da corrida até ela acabar, o sol tingia tudo de vermelho, sinalizando o começo da noite, nossas barrigas estavam cheias de fast food. Eu me levantei do carro e olhei para Merida, seus cabelos pareciam chamas, estavam lindos como o sol, seus olhos eram uma mescla de azul com vermelho, por um momento meu coração parecia ter parado. Em pensar que algumas horas atrás ela era uma peruca.

Notas finais
já tenho três favoritos! UHUL!