Road
10 Hiccup - Matei dois coelhos e ganhei uma cama
Notas iniciais
Trombei com a Tooth quando eu estava no hospital e ela parecia estranha. Mas minha perna me preocupava mais que o estado de algumas pessoas.
Eu tinha um encontro com um gigante loiro barrigudo que não tinha uma mão e uma perna. Esse era o meu médico, ah, não vamos esquecer do excêntrico bigode. Ele já sabia o que tinha ocorrido e entreguei a prótese para ele.
– Você consertou essa perna? Você não consegue nem consertar a sua postura. – Vocês devem estar falando “outro estranho gigante de mais de dois metros?”, pelo menos ele não tinha menos de 1,5m, isso sim seria estranho, sem ofender o Felix.
– O que há de errado com minha postura? – Como muitas conversas que eu tenho com Gobber, ela não faz sentido.
– O que eu quero dizer é que você não é bom em nada. – E não muito amigáveis.
– Obrigado, muito incentivador da sua parte.
– O baile deve ter sido violento ontem, você perdeu uma perna e um carinha ai quebrou o nariz, que figura. – Gobber gosta de rir da desgraça alheia, não é o melhor dos hábitos, mas não machuca ninguém.
– Você está falando do Dennis?
– Acho que o nome era esse mesmo. – Isso era a deixa para eu surtar.
– Eu acho que estou pirando, Gobber.
– Pensei que você tinha vindo aqui pela sua perna, não por que estava louco. – Eu aproveitei para matar dois coelhos com uma cajadada só e parecia que o primeiro coelho já estava quase morto.
– Eu dancei com uma garota ontem e ninguém me viu com ela, eu acho que ela pode ser um fantasma.
– Que tipo de drogas essas crianças de hoje em dia usam?
– Ela era loira, tinha olhos lindos e era bonita, ela se chama Astr- e essa não é a minha perna. – Isso era bem estranho, eu vim até o Gobber para ele consertar a perna, não para me dar uma nova, você sabe quanto custa uma prótese? Caro.
– Eu sei, feliz aniversário. – Ele falou sem jeito.
– Obrigado, Gobber. – Sempre fui de demonstrar afeto, então o abracei, mas ele não gostava muito destas coisas, não era coisa da tradição viking da família dele.
– Sem abraços, você sabe que eu não sou bom em lidar com todo esse contato. – depois de todo aquele contato meloso, Gobber pediu que eu o acompanhasse até o pátio do hospital. – Você precisa se exercitar, parece mais um pedaço de gelatina.
– Nós não podemos nos focar no meu problema, o problema do fantasma?
– E eu tenho a pessoa perfeita. Relaxa, ela está fazendo reabilitação, ela não vai pegar tão pesado com você. – Parecia que a única pessoa que estava me levando a sério era Fishleg e ele não estava muito confortável sobre o assunto, isso o assustava, na verdade, é mais fácil citar as coisas que não o assusta do que as que o assusta. – Astrid!
Eu ouvi direito? Pois alguém estava vindo em nossa direção.
– Gobber, o que houve? – Os mesmos cabelos, os mesmos olhos, roupas diferentes, mas era o mesmo fantasma. Segundo coelho, morto.
– O pedaço de sedentarismo aqui precisa se exercitar um pouco, eu estou preocupado e ele precisa se acostumar com a perna nova.
– Astrid? – Ela me retribui o olhar e eu sabia que era ela.
– Ok, vocês já se conhecem então podem conversar enquanto caminham, – Gobber empurrava a gente para fora do hospital com um sorriso estranho no rosto, ele estava tramando algo – Não se fazem mais crianças como antigamente.
– A gente vai fazer uma pequena corrida na praça aqui perto e depois vamos fazer musculação depois, está pronto? – Ah, aqueles olhos.
– Claro. – falei sem nem ouvir o que ela falou.
Como eu deveria ter ouvido o que ela falou.
– A gente não pode fazer uma pausa. – Estávamos correndo a mais de meia hora e eu estava exausto, o melhor método de se acostumar com a prótese era andar com ela, mas isso já era um exagero.
– Não estamos nem na metade do caminho. Gobber estava certo, você está totalmente fora de forma. – Ela entregou a garrafa de água para que eu pudesse ressuscitar, mas eu ainda estava muito cansado para correr e o ar era mais importante que a água.
– Existem muitas perguntas sobre você e eu quero respostas.
– Pensei que você já soubesse bastante sobre mim. – Arqueei uma sobrancelha e ela capitou. – Ok, qual a primeira pergunta? – Eu estava deitado na grama e ela foi sentando-se ao meu lado.
– Como você entrou no baile se você não estuda lá?
– Eu me formei ano passado e devido a alguns problemas eu meio que não pude participar do baile. Me deram uma segunda chance.
– Quer dizer que você é mais velha que eu?
– Tenho dezenove. – Sempre mais velha.
– A gente pode fazer de novo? – Falei segurando a sua mão, queria checar se eu não iria atravessá-la.
– Eu acho que nós começamos meio errado. Eu não sou de fazer aquilo com um cara que eu encontro pela primeira vez. – Ela não deu uma apertada na minha mão de leve e por algum motivo eu dei uma risada.
– Você diz, ser incrível? – Alguma coisa nela me atraia, e eu gostava de me sentir atraído. – Mas a gente pode sair algum dia?
– Quando você conseguir me acompanhar, talvez você tenha uma chance. – Nossas mão se soltaram e ela se levantou, a loira estendeu a mão para mim, igual no baile, e com um gole de água nós voltamos a correr. – Ainda tem mais 2km. – Ela falou pensando que isso iria me ajudar.
Não era somente 2km, era isso e mais a volta, Gobber queria que eu virasse um espartano, pois a musculação acabou com o resto que tinha sobrado.
– Que bom que aqui é um hospital – falei ofegante, eu suei tanto que eu nem sabia que alguns lugares podiam suar, mas a dor no próximo dia seria insuperável.
– Como você se sente? – Gobber falava com um sorriso de deboche no rosto.
– Morto.
– Ok, você pode correr com a Astrid a semana inteira a partir de agora e fará exercícios assim três vezes por semana. Não pegue muito pesado com o garoto, ele é meio delicado.
O ar que entrava em meus pulmões, mas não eram o suficiente para ir contra aquela ideia maluca. Sendo sincero, eu não iria contra, não se eu me encontrasse com uma certa loira todos os dias.
– Nos vemos amanhã?
– Claro. – Descobri o que Gobber quer, um pouco tarde. Eu vou virar um espartano.
Não demorei muito para recobrar o meu antigo eu e conseguir dar alguns passos até a minha casa, um apartamentozinho que alcançou a população máxima a alguns meses, mas algo estava errado.
A porta não estava trancada e nem encostada, ela estava aberta, todas as luzes estavam apagadas e isso me deu calafrios. Fui acendendo as luzes a medida que eu alcançava os botões, a luminosidade das lâmpadas mostrava que nada tinha sido roubado, mas tinha uma trilha de roupas jogadas pelo chão e eu as segui.
Jack estava sentado na minha cama olhando para o nada.
– Jack, por que você não fechou a porta, ah, mais isso não importa, eu achei ela! Ela não é um fantasma e você não parece muito bem. – Meu momento de felicidade tinha me cegado para o meu melhor amigo, Jack estava mal, muito mal.
– A Tooth terminou comigo.
– O que? Como isso... Não pode ser. – ele não estava brincando, ele estava na pior – Quer falar sobre isso? – Pois eu queria.
– Não, mas você sente saudades de um colchão?
– As vezes. – Dormir em um sofá não é muito confortável e eu posso dar alguns motivos, motivo número um: quando você se mexe quando dorme, o chão vira sua segunda cama. Motivo número dois: não é uma cama.
– Posso dormir aqui no sofá? Meu quarto é um lugar meio ruim para eu dormir, muitas lembranças.
Eu assenti com a cabeça, estava meio tarde e não parecia que falar com ele iria ajudar alguma coisa, além disso, a compilação de exercícios tinha drenado minhas forças. Entrei no meu quarto temporário e liguei para Fishleg, falei tudo que aconteceu e como Gobber queria me fazer virar o novo Hércules e sobre o meu fantasma não sendo tão fantasma.
Isso era estranho, estava feliz por achar o meu fantasma e também triste por Jack ter terminado com a Tooth, mas eu tinha esperança que eles iam voltar.
As vezes ser otimista é uma droga, minhas esperanças foram descarga a baixo em poucos minutos. Não pude sair do quarto, não por que eu queria, mas por que eu realmente não podia, Jack estava chorando e eu sabia que ele não queria um ombro e muito menos que alguém o visse, as vezes é bom ficar sozinho nessas horas.
Foi a noite mais fácil e também a mais difícil de eu dormir, o colchão ajudou.
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