Rixa
1 ARREPENDA-SE DE SER QUEM VOCÊ É
Notas iniciais
O
Ralyse entrou na sala com pressa e tomou os comprimidos da minha mão.
- Você está ficando louco? – ela gritou e jogou-os no chão.
Eu havia abrido duas cartelas e espalhado os comprimidos em cima da mesa. Oito eram para dormir e os outros haviam sido feitos pelo irmão mais velho, um preparo de várias drogas misturadas.
- Você só pode estar querendo morrer! – ela voltou a gritar. – É isso?
- Eu vou morrer em breve, mesmo. Eles vão me matar, meus dias estão contados – olhei para ela e depois me abaixei no chão.
Gino entrou na cozinha e observou a cena por alguns segundos. Então olhou para Ralyse e começou a rir.
- O leãozinho tá a fim de morrer? – ele abriu a geladeira e tirou uma garrafa de whisky. – Deixe-o. Assim toma consciência de que a vida não é brincadeira. Se morrer morreu, se não, fica a lição.
Lucca entrou em cena logo em seguida, ele pareceu nem se importar com o que estava havendo na cozinha. Pegou uma enorme peixeira em cima da mesa e saiu do local. Seria mais uma briga lá fora. Ralyse puxou-me pelos cabelos.
- Pare! Eu nem me importo com sua morte, mas o pai ia sentir. Você é o preferido dele.
Virei-me e a empurrei. Ela caiu sobre uma cadeira, mas logo se levantou e veio até mim, que já havia me abaixado novamente para catar os comprimidos. Ralyse tentou puxar-me novamente, porém joguei-me para trás, caindo por cima dela, em seguida virando-me e socando-a no rosto. Gino terminou de lavar um copo e saiu da cozinha. Já estava acostumado com isso.
- Pare! Pirralho maldito – Ralyse gritou enquanto tentava me empurrar de cima de si.
Peguei um prato que estava ao meu alcance em cima da mesa e quebrei-o na cabeça da irmã. Depois sai de cima dela e pisei em sua barriga para garantir que ela demorasse mais a se levantar. Corri para dentro da despensa e tranquei-a para que ninguém me tirasse de lá e interrompesse minha morte. Só deu tempo de ouvir a vaca da minha irmã chamando os outros, e pelo visto ela estava muito nervosa.
Então peguei o montinho de comprimidos que havia juntado do chão e levei-os a boca, fazendo-os descer com um copo de vodca que havia trazido da cozinha.
- Dane-se o efeito que isso vai provocar em mim.
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H
- Como assim dane-se o efeito que isso vai provocar em mim? – gritei. – Eu não quero nada disso. Saia, Matthew.
- Deixa de ser besta, toma logo – ele continuava oferecendo o maço de cigarros. – Eu já experimentei, é o máximo.
Joguei um travesseiro nele.
- Deixe-me assistir meu filme que é melhor. Vai atazanar outro.
Ele pareceu pensar sobre o assunto. Depois saiu de cima do sofá.
- Quem?
- Peter.
Matthew saiu andando pela sala, foi até a porta da frente, depois voltou e subiu as escadas. Meneei a cabeça em sinal negativo. Se o pai soubesse aonde ele havia arranjado isso ele poderia até morrer. E por falar em morte, lá vinha Cony carregando Louis ferido. O dia já começava ruim.
- Ótimo! – o tio Paul entrou apressado na sala de estar. – Agora é que vai feder tudo mesmo. – ele evitava falar palavrões, diferente do resto da casa.
Everyn entrou logo atrás dele.
- O que houve? – perguntei, tirando os fones do ouvido.
- O pirralho – ele estava vermelho. – O maldito pirralho Oliviero.
Everyn jogou a pistola calibre 37 em cima do sofá, quase batendo em mim. Então abriu uma garrafa de whisky do armário de papai e a virou em sua boca.
- Agora é que vão mostrar as caras, você vai ver – o tio continuou. – Eu acho melhor Sheryl tomar cuidado, ela pode ser o próximo alvo.
- O que tem a mamãe? O que houve com o Oliviero mais novo?
Cony voltou da cozinha.
- Louis está melhor – ele comunicou. – O que aconteceu?
- O pirralho Oliviero – Everyn respondeu. – Se não tiver morrido, chegou perto.
- Quem? – Cony voltou a perguntar.
- Ele mesmo. Tava a fim de ter uma overdose e se trancou em algum lugar pra ninguém socorrer – tio Paul riu. – Deve estar enlouquecendo, o coitado.
- É, mas agora, por causa desse pivete, eles podem vir atrás da Tia Sher. Eles já a perseguem desde que exterminamos a mulher de Oliviero – Everyn voltou a pegar sua arma.
Eu apenas balançava a cabeça para os lados, para Cony, Eve e tio Paul. Como assim? O que eles estavam falando?
- Sabe o que acho? – Louis apareceu mancando na porta da cozinha. – Que devíamos tirar mamãe e July daqui. O filho mais novo deles tá ferrado, né? O tesouro de Hugh, seu bem mais precioso. E quem é a mais nova aqui? A joia mais preciosa de papai? July. Ela é o alvo, agora.
- Mas como falaremos com o pai sobre isso? Daqui que ele saia de lá – Cony perguntou, olhando pela janela.
- Leonardo Oliviero tentou se matar com drogas em excesso, ninguém sabe se deu certo ou não porque o cara se trancou. E Hugh Oliviero vai descontar a tensão em mim e mamãe...? – olhei para ele.
- Exato. – respondeu, ainda olhando pela janela.
— Eu não vou sair daqui pra lugar nenhum. A culpa não é minha se o pirralho tentou se matar, ok? Aí só por causa disso, eles vão querer me matar também?
Cony riu.
- Como você sabe, mana, os Oliviero são mais do que invejosos. E se eles perderem a joia deles, vão querer que percamos a nossa também.
- Eles nos invejam tanto – Louis continuou. – Que também têm gêmeos lá. E sua data de nascimento bate no mesmo ano, mês, dia e hora que a de Leonardo Oliviero. A única diferença é que você veio mais rápido e nasceu um minuto e quinze segundos antes. Por esse pouquinho só!
- Mas eles não vão nos tirar nossa única filha de Eva – tio Paul me olhou. – Eles têm Ralyse e Luce lá. E nós só temos você. Sua mãe já está passou do padrão mulher.
- O que quer dizer com isso? – perguntei.
- Que sua mãe age como um homem matando os inimigos lá fora.
- E em breve você será assim – Cony continuou. – Só que muito melhor que Ralyse. Será a nossa Hoth Women.
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