River Flows In You
1 Capítulo Único
– Você tem que ir lá e impedir, Jess... – Frank segurou-me pelos ombros – O Mikey vai cometer o maior erro da vida dele e você sabe disso!
– Sei? – eu disse, com a voz arrastada e a garganta presa num nó. Eu me perguntava se aquela dor nunca ia ter fim – Só o que eu sei é que ele vai se casar com a Alicia...E a minha irmãzinha é bem melhor que eu.. – eu voltei a me cobrir com o edredom. Mas aquele anão o puxou de uma vez e o largou no chão do quarto.
– Nunca mais ouse dizer tamanha asneira! Você foi uma das melhores coisas que aconteceu na história do MCR...Sem você, não estaríamos mais juntos, e eu já teria matado o Gerard...Todos nós gostamos de você.
– É, gostam, sei disso. Mas o Mikey ama a Alicia e não a mim...Eu não posso lidar com isso – eu sequei algumas falsas lágrimas e olhei para o pequeno de braços cruzados – Não adianta, Frankie...E, além do mais, o que eu posso fazer? Arrombar a Igreja e me declarar?
Frank deu um meio sorriso. Senti medo.
– O que você acha Gee? – ele voltou-se para Gerard, que também sorria. Mas de um jeito bem mais sarcástico.
– É a pior idéia que você já tece, pequenininho. O projeto inicial era resolver as coisas entre os dois antes da cerimônia. E a Alicia já tece ter colocado duzentos seguranças em qualquer mísera entrada da Igreja. A Jess não vai conseguir entrar.
– Mas Gee, eu não sei mais o que eu faço. Essa aí está completamente desmotivada – Frank fez um bico enorme e olhou para os sapatos sociais.
Fofo.
– Desiste, amor. É melhor irmos se não vamos nos atrasar – Gerard estendeu a mão para ele. Frank ficou indeciso mas acabou segurando. Que bom, eles iriam finalmente embora.
– Gee... – Frank ainda tentou argumentar, para meu desespero, mas Gerard fingiu não ouvir e o calou com um beijo.
Ótimo, gays se pegando no meu quarto.
Adoráveis.
– Até qualquer dia Jess. Só tome cuidado e pense bem. Depois de casados, a Alicia vai fazer de tudo para prender o Mikes, até um filho...
Eu coloquei a cabeça apoiada nos joelhos e finalmente senti algumas lágrimas prestes a rolar. A dor no meu peito tinha tomado conta do meu corpo.
Mil coisas passavam na minha cabeça.
Inclusive o Mikey.
[...]
A imprensa ainda estava na frente da Igreja. E os mil seguranças. Como pode a minha irmã gêmea ser tão mais fresca que eu?
Eu voltei o caminho, mais uma maldita vez. E fui de novo.
Como naquela noite.
[flashback]
Mikey estava no banco mais afastado do Hard Rock Café.
Michael Way, ah é.
Eu vivi um dilema interno: ir ou não ir lá. Talvez a Alicia iria se jogar nele se estivesse aqui.Mas ainda bem que ela foi no banheiro antes dele se sentar lá, o que me dava apenas alguns minutos.
Mas, outra vez, na metade do cominho eu decidi voltar. Eu era uma desmiolada e ele, meu maior ídolo.
– Hey... – alguma voz masculina disse logo atrás de mim. Por instinto, eu me virei. Ele me fitava e sorria. O sorriso perfeitamente encaixado nos lábios.
Eu tremi.
– Ahn...oi – eu acenei. Ele indicou o lugar vago, bem do ledo dele.
Oh. Deus.
Eu tentei não ir correndo. Mas saiu um andar tão estranho que eu acho que ele se segurou muito paranão rir.
– Sim? – eu perguntei para ele, com um sorriso bobo. Ele me olhou, bem no fundo dos olhos.
– Bom, agora que eu consegui que você finalmente chegasse até mim, o que você quer fazer?
[fim do flashback]
Eu passei despercebida pelos fotógrafos e jornalistas. Ninguém conhecia a irmã da noiva, nem deveriam. Eu nunca quis aparecer para a mídia.
Falei para um dos guardas grandalhões que eu era irmã dela e por sermos parecidas, ele me deixou passar.
Senti meu coração pular dentro do peito e a respiração falhar. Tudo o que eu estava prestes a fazer era completamente insano.
Mas eu amava o Mikey. Demais até.
[flashback]
– O que faz aqui sozinha, Jess? – era ele. Eu já estava tão envolvida que podia ouvir sua respiração ao falar e saberia que era ele.
Eu estava sentada em um banco velho, no Central Park. A neve caía lentamente sobre minhas mãos desnudas. Mas eu não sentia frio.
– Só queria pensar um pouco – eu respondi, mas não o encarei. Tinha medo de que meus sentimentos fossem denunciados pelo meu olhar. A minha tristeza.
Naquela noite, ele anunciou oficialmente a data do casamento com a Alicia.
– Ah...Eu fiquei assustado quando não te vi lá na festa. Sabe, eu queria conversar com a minha melhor amiga sobre minha decisão.
[...]
Miserável.
Maldito miserável.
O pior é que ele não sabe o tanto que aquelas palavras me magoaram, como ardeu no meu peito ouvir o “melhor amiga”.
[...]
– Desculpa aí, Mikes...Tive um dia ruim – eu dei um meio sorriso.
Ele colocou a mão atrás da minha cabeça e ficou fazendo um carinho leve.
– Quer desabafar sobre isso? – ele sussurrou e depois segurou a minha mão. A dele estava tão quente que queimava sobre a minha.
– Esquece, coisa de mulher – eu disse, e tentei parecer melhor. Ele acreditou e afastou as mãos de mim.
Eu não sabia bem porque, ou sabia e não queria admitir, mas aquele gesto fez com que mais lágrimas caíssem dos meus olhos. E eu tentei tanto não chorar na frente dele.
Ele não percebeu. Estava com os olhos fechados e uma pose extremamente relaxada no banco. Eu só precisava não fazer nenhum barulho e virar o rosto.
– Jess...A Alicia quer que você seja a madrinha. Eu realmente gostei da idéia.
Senti tudo pesar e girar.
Levantei de uma vez do banco e saí correndo.
Nunca mais eu vi o Mikey.
[fim do flashback]
Até aquela manhã.
O Mikey estava lindo. O smoking era preto e encaixava perfeitamente no seu corpo. Eu queria tanto ver seu rosto, mas o meu lugar não me dava uma visão privilegiada do altar.
Ele parecia segurar as mãos da Alicia. Eu não conseguia escutar o que eles falavam, os sons se misturavam na minha cabeça. Eu não consegui falar, gritar.
Eu não conseguia...
Mais uma vez, eu fiz o caminho de volta para casa. Correndo. Fugindo. Derrubando as coisas pelo caminho.
Mesmo assim, parecia que eu nunca iria chegar.
Morte.
Morrer, eu só queria morrer.
Caí várias vezes no chão escorregadio por causa do gelo derretido. Na última vez, eu decidi não levantar mais. Somente abracei os joelhos e comecei a ofegar. Eu o tinha perdido.
– Jessica, Não! Saí daí! – alguém gritava, mas eu não respondi.
De repente, fui empurrada e bati a cabeça em uma superfície dura. Naquele momento, eu percebi porque gritaram comigo.
Eu estava no meio de uma rua estreita. Um caminhão me atropelaria.
Se o Mikey não tivesse me empurrado.
Eu fui me arrastando até ele, que estava deitado em uma pose estranho no chão.
Sangue escorria da cabeça dele e cobria o chão à sua volta.
– Não...Não, por favor, Mikey, não – um desespero mudo. Eu não pude mais reagir, chorar. Estava em choque.
– Jess – ele abriu os olhos, mas não conseguia focá-los – Eu consegui te salvar, não é?
– Por que? Por que fez isso...?Eu não merecia, eu não mereço.
– As pessoas fazem loucuras, quando amam...Eu vi isso em algum filme, no seu preferido se me lembro bem... – ele sorriu – ...Ah, isso dói.
– Ssh... – eu coloquei os dedos nos lábios frios dele.
Depois, eu o beijei.
– Jess...Não sai correndo de mim de novo, okay? Nunca mais... – ele esboçou uma expressão de dor intensa antes de ficar inconsciente.
– Tá bem...Eu te amo.
[...]
Mikey girou na cama, colocando o braço na cintura dela. A respiração no pescoço, cada linha de seu corpo encostada na do outro.
– Hm, Mikey...A Nick acordou – ela murmurou, muito sonolenta. Mikey fingiu estar dormindo. Não foi convincente – Anda...É o seu papel de pai...
– Mas eu já cuidei do Jake ontem... E ele continuou chorando – ele disse. Apertou ainda mais o abraço, mas ela conseguiu girar nos braços dele.
– Você já passa tantos dias fora, Mikey...Além disso, a Nick gosta você e sente muito sua falta... – ela tocou a ponta do nariz dele, como se insistisse na história de que a pequena bebê tinha o nariz do pai.
– Eu também sinto a sua falta – Mikey deslizou a mão nas costas dela, por dentro da camisola – Você não pode imaginar o tanto – ele deslizou as alça pelos ombros dela, enquanto beijava seu pescoço.
Ela gemeu baixinho, mas lentamente o afastou.
– Amor, ela ainda está chorando.
Mikay suspirou alto.
– Okay, okay – ele se levantou e foi até o quarto dos bebês. Nick estava com o rostinho vermelho, chorando alto. Mikay a tirou do berço e afagou seu corpinho no peito desnudo. Voltou para o quarto e Jessica já esperava sentada para receber Nick.
– Viu, ela se acalmou um pouquinho – ela comentou, pegando o bebê nos braços – Tudo bem amor, mamãe e papai estão aqui... – Jessica fez alguns carinhos na cabeça dela.
– Acho que ela está com fome... – Mikey murmurou, ainda incerto sobre o que disse.
– Não, é só a fralda...Cadê os padrinhos nessas horas, hein? – sorriu, e foi até o banheiro para trocar o bebê.
– Gerard sequestrou o Frank da família dele e o levou para a Disney. Criançinhas... – Mikey respondeu rindo, ao entrar no banheiro.
– Hm. Sortudos. Eu não viajo desde que...Ah, nem lembro – Jess terminou de trocar o bebê e o levou de volta para a cama do casal – Quer tentar colocar ela para dormir?
– Hm, pode ser... – Mikey se sentou na beirada da cama e pegou sua filha no colo – Como se faz isso?
Jess riu beixinho.
– Descubra. Eu já fiz o trabalho mais difícil, que foi parir – ela se jogou na cama e tentou voltar a dormir.
A pequena Nick esticava os bracinhos e sorria. Mikey também.
Talvez devesse mesmo pedir algumas férias do MCR, depois de meses na turnê do quinto álbum.
E tentar fazer alguma irmã para ser companhia de Nick.
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