Rivais e... Amigas?!
6 Capítulo 6
Notas iniciais
O encontro das deusas
Ymir sequer conhecia sua família ou sabia qual era seu nome, ou se teve um nome antes. Em sua opinião, sua vida foi simples.
Tudo começou quando ela era moradora de rua num gueto com alta criminalidade, ela era só mais uma criança maltrapilha que vivia com outras na mesma situação. Certo dia ela foi achada e levada por um homem estranho, ela recebeu um nome, ganhou comida, um lugar pra dormir, estudo e uma importância para sua existência, assim ela viveu até sua adolescência.
Um dia a polícia invadiu o local de cultos da estranha religião em que Ymir era venerada como deusa, todos foram presos e Ymir foi mandada para uma prisão de menores de idade. Foi considerado que Ymir foi usada, então ganhou liberdade, mas teria que ir para um abrigo, pois não tinha família. Ela fugiu e voltou a viver nas ruas, dessa vez se tornou uma delinquente. Ymir roubava e fazia trocas para viver, isso durou quase um ano, até ser encontrada por Historia e Frieda.
A vida de Historia foi tumultuada desde o começo, seu nascimento foi uma verdadeira desgraça e sua mãe a odiava. Ela era filha do milionário Rod Reiss com uma mulher que foi sua amante e empregada em sua casa, Alma. Alma desejava se tornar a esposa de Rod, mas não deu certo, consequentemente passou a trabalhar como prostituta. Ela exigiu seu direito na justiça de receber pensão após comprovar num teste de paternidade que Historia era filha de Rod.
Alma foi assassinada por um de seus clientes e Historia foi morar com seu pai. No início, as pessoas da família não se aproximavam dela, exceto, Frieda, sua meia irmã. Frieda deu todo o carinho que Historia sempre sonhou em receber de sua família e as duas se tornaram inseparáveis, logo os outros familiares Reiss também se aproximaram aos poucos de Historia.
Historia e Frieda criaram um abrigo para receber crianças e adolescentes que moravam nas ruas com ajuda de outras pessoas que também se voluntariaram. Em um dos dias em que Historia saiu para rua com os voluntários, encontrou uma garota da sua idade fugindo do padeiro com uma bisnaga de pão nos braços. O homem estava ofegante demais e desistiu de seguir a garota.
— Olá, me chamo Historia. Historia Reiss
Ymir se voltou para a menina surpresa. Ela já ouviu esse nome antes... Ah claro, era a filha bastarda do milionário, ela escutou em conversas privadas, a menina que antes queriam se livrar.
— Você tem um lugar para morar?
— Ah, você quer fazer uma boa ação? A troco de que?
— Eu e minha irmã somos fundadoras de uma organização que recolhe jovens desabrigados das ruas.
Ymir pensou. Essa poderia ser sua chance de ouro, seu passe para uma boa vida. Essa tal Historia era herdeira de um cara milionário, se ela se agarrasse a essa garota com certeza poderia sair da rua.
— Humm... Eu não sei. Vou para algum abrigo? Ficar sozinha? Sabe, eu fiquei muito tempo sozinha e eu tenho medo de ir morar num local estranho.
— Eu vou te ajudar, fique tranquila.
— Sim, me ajude. Sou Ymir.
Ymir passou a ajudar no projeto para se aproximar de Historia, e funcionou, sua amizade floresceu. Ymir passou a frequentar a mansão da família Reiss e até dormia na casa em alguns dias. Entretanto, algo que Ymir não esperava aconteceu, ela começou a experimentar sentimentos que não estava acostumada em torno de Historia. De repente, passou a se preocupar com a menina, mais do que consigo mesma e seguir a garota para procurar pessoas desabrigadas, apenas para proteger a menina de qualquer tipo de ambiente que ela pudesse encontrar, assim como em qualquer outro lugar que Historia fosse. Ela percebeu que estava se apaixonando por Historia, não que fosse estranho para ela sentir atração alguém do mesmo sexo, ela já sabia que era gay.
— Ymir, você deveria tentar fazer amizade com outras pessoas.
As duas estavam no quarto de Historia, um quarto pintado de rosa com móveis brancos e rosa. Ymir não entendia a obsessão da garota com a cor rosa e com objetos fofos espalhados pelo quarto.
— Humm. – Ymir apenas enfiou uma mão cheia de pipoca dentro da boca e manteve seus olhos na tela da televisão.
— Estou falando sério. – Historia fechou a porta do banheiro e entrou no seu quarto.
— Quer se livra de mim?
— Não seja idiota. Eu quero que você conheça novas pessoas, abra seu horizonte pra novas possibilidades.
— Tanto faz pra mim, preguiça de gente nova. – Ymir deu de ombros.
— Preguiça? Você não tem jeito. Me convidaram pra sair esse final de semana.
— Encontro? – Ymir ironizou – Outro idiota igual o último?
— É só um encontro amigável, ele prometeu.
— Amigável... Todos eles querem te foder.
— Ymir! Que vocabulário horrível. – Historia reclamou.
— Historia – Ela riu – Você é a mais popular do colégio e... Eu escutei comentários, digamos sobre como você é popular com meninos e como a grande maioria gostaria de te... Você sabe.
— Me poupe dos detalhes. – O rosto de Historia se avermelhou.
— Espero não ter que chutar a bunda desse. Seria melhor se a gente saísse pra algum lugar legal, ando tão entediada.
— Que tal a gente ir comer um McLanche Feliz? Agora mesmo? – Historia pegou sua bolsa em cima de uma cadeira. – Ainda podemos pegar as bonecas das meninas super poderosas.
— Sair pra comer fast food gorduroso? — Ymir desliga a televisão e levanta da cama. – Vamos lá.
— Depois podemos passar naquele museu que inauguraram semana passada.
— Depois que a gente terminar case comigo.
Ymir tentou abraçar Historia sem que ela percebesse, mas não encontrou o corpo dela, a menina saiu antes disso.
Ymir afastou todos os rapazes que tentaram sair com Historia. Sim, ela era egoísta, mas pelo menos era verdadeira. Ymir se perguntava quais os sentimentos de Historia por ela. Muitas vezes brincava dizendo que elas iam se casar para ver qual seria a reação dela, mas Historia não dava nenhum sinal.
Limpeza x Sujeira
Levi era um dos melhores alunos do colégio, o melhor se tratando de lutas corporais e esportes em gerais, seu desempenho físico era notável. Ele mantinha suas notas altas principalmente por sua mãe, ela o criou sozinha e merecia pelo menos que ele se esforçasse por ela. Ele também tinha um tio, que o ensinou, escondido de sua mãe, técnicas de defesa pessoal. Depois Kenny sumiu, mais tarde Levi soube que ele se tornou um criminoso conhecido em países latinos. Levi sentia falta de seu tio e gostaria de mostrar o tanto que aprendeu para que Kenny se orgulhasse dele. Ele também tinha uma família mais distante, que moravam em Shiganshina, mas os via somente nos natais.
Seu padrinho era Erwin Smith, um homem que estava prestes a atingir o posto de Comandante da polícia japonesa. Ele teve um breve romance com sua mãe, mas não durou muito tempo e graças a natureza pacífica dos dois, eles continuaram amigos. Erwin tinha um amigo investigador, um dos melhores do país, um homem chamado Mike Zacharias que tinha o estranho hábito de usar o nariz para farejar.
— Levizinho, como você cresc-... Deixa pra lá. – Erwin bagunçou o cabelo dele com as mãos.
— Que merda. – Ele pensou.
Levi foi influenciado por esses homens e fundou um clube com alunos mais adiantados que os demais, como ele. Apareceram alguns estudantes, Petra, Gunther, Eld e Oluo. Além da melhor aluna do colégio e responsável por boa parte das premiações acadêmicas da escola, Hange zoe e seu namorado Moblit, os dois faziam parte de um clube de biologia. Levi achava todos estranhos, em especial Oluo que passou a imitar seu jeito (o que era irritante para Levi) e Hange. Hange também era irritante e a mais irritante, parecia que ela gostava de provocá-lo na maior parte das vezes.
— Maldita, foi você que juntou essa nojeira aqui?
Levi apontou para uma caixa com alguns potes com fungos em forma de cultura sobre uma mesa.
— Você achou meus experimentos secretos Levi, eu procurei tanto essa semana. Obrigada.
Hange abraçou Levi e beijou a bochecha dele sem aviso. Ele arregalou os olhos, surpreso, uma leve fita de rubor coloriu suas bochechas.
— Não deixe essas porcarias espalhadas por ai.
Ele se distanciou rapidamente.
Levi não estava acostumado a manifestações de carinho, exceto as de sua família. E ninguém costumava se aproximar dele, por medo de sua expressão e aura intimidadora. Hange era diferente dos outros que conhecia, ela fazia o oposto de todos, ela o provocava e algumas vezes o atacava com abraços repentinos. Ela era louca e parecia não ter medo de nada, Levi pensou que se o namorado dela não estivesse junto com ela em suas aventuras, ela já teria morrido.
— Leviiiii, por favor.
— Não quatro olhos louca. Se você esqueceu o dinheiro do seu almoço, é problema seu.
— Levi, eu sei que você tem um coração ai dentro.
— Peça ao seu namorado.
— Não, ele vai reclamar.
— E eu também estou reclamando.
— Leviiiii.
Hange abaixou e abraçou Levi. Ele sentiu seu coração correr mais depressa e atribuiu isso a ter sido pego de surpresa, porém sabia que não era apenas isso.
Ela levantou o rosto na direção do seu com seus olhos suplicantes, para Levi ela parecia incrivelmente bonita tão próxima.
— Minha barriga está roncando, eu imploro.
— Tsc. Tudo bem, pare com esse drama ridículo. – Resmungou com sua expressão habitual.
No findo sentiu-se idiota, entretanto não poderia resistir aquele olhar. Quando se tornou assim? Pescou no bolso traseiro da sua calça o dinheiro e colocou na mão dela.
— Você é o melhooor. – Hange cantarolou antes de plantar um beijo na bochecha dele.
Hange saiu correndo e feliz. Levi colocou a mão na bochecha, agora ruborizada e respirou. Foi tudo muito rápido, a respiração dela perto do seu rosto e o calor do beijo. Ele saiu de sua posição paralisada para atender seu telefone.
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