Rivais e... Amigas?!
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Apenas dois amigos
Jean estava farto dos apelidos que ganhou dos seus colegas de colégio por conta de seu peso, ele chegou a reclamar com sua mãe, mas ela disse que era apenas que era uma fase que iria passar com seu crescimento, afinal, ele tinha apenas sete anos. Jean escutou que exercícios eram bons para emagrecer e tentou fazer atividades físicas em grupo, como jogos com outras crianças, mas elas eram cruéis e costumavam rir de seu peso e o desclassificar das brincadeiras.
Um dia em que Jean estava correndo sozinho, um grupo de garotos o cercou e começou a fazer piadas sobre seu físico, ele tentou ir contra os meninos, porém desistiu e começou a chorar. Foi então que um menino surgiu e interrompeu a cena, ele fez um discurso sobre como a abordagem a Jean era ruim. Os meninos se foram e o garoto se apresentou a Jean.
— Marco Bodt.
— Jean Kirstein.
Jean olhou para o menino sardento iluminado por uma luz solar e se perguntou se ele não era algum tipo de deus, aquela aura não era normal.
Jean e Marco logo se tornaram grandes amigos e à medida que cresciam, Jean emagreceu como tanto queria e parou de chorar tanto, além disso ganhou mais confiança e sua personalidade se tornou mais presente, já Marco continuou bonzinho como sempre. Apesar de algumas mudanças, a relação dos dois continuou como sempre. Marco sempre agiu como o irmão mais velho ou pai de Jean e o continha em suas explosões.
Unidos pela comida
Sasha sempre foi uma garota diferente de todas as outras, ela nasceu e cresceu em um vilarejo do interior e desde cedo aprendeu a caçar e viver na mata, isolada das grandes cidades. Seu pai anunciou que ia se desfazer da sua fazenda para montar um negócio em uma cidade maior, pois por causa dos poucos lucros eles estavam indo a falência. Sasha foi contra no início, no entanto, terminou por aceitar pela falta de alternativas.
O colégio foi um martírio para Sasha, seu sotaque do interior foi motivo de gozações e ela não conseguiu fazer amizade com outras garotas por não ser tão feminina. Amizade com garotos também foi um desastre, eles a consideravam uma louca por causa de seu comportamento em relação à comida. Tudo isso piorou no dia em que foi repreendida publicamente por comer uma batata fora do horário de refeições, desde então ganhou o apelido de garota batata.
Certo dia, uma guerra de comida foi iniciada no refeitório do colégio por alguns vândalos. Sasha pegou o pão que sobrou de sua refeição, depositou em sua boca e se agachou rastejando pelo chão usando as mesas como proteção para não ser atingida por nenhum alimento. Até que ela chegou perto de um dos vândalos que participava da guerra de comida, com raiva do desperdício, ela pulou em cima do menino como um gato e o derrubou no chão.
— O que? Sai de cima de mim!
— Você tem que ganhar uma lição, estava estragando comida.
— Eu não, só revidei, não estou participando disso.
Sasha soltou o menino, ainda desconfiada. Os dois rastejaram até a porta e finalmente deixaram o refeitório. Sasha mastigou seu pão tranquilamente.
— Você é aquela garota da batata.
Sasha se aborreceu interiormente, será que todos tinham que se lembrar disso? O menino provavelmente ia fazer chacota como todos os outros.
— Qual o seu nome?
O pão dela quase caiu da boca, tamanha a surpresa. Alguém realmente queria conhecer ela?
— Sasha Braus.
— Eu sou Connie Springer. Sobre essa bagunça da comida, foram alguns idiotas que estudaram comigo em outra escola, eu não concordei em fazer parte disso, mas eles me obrigaram jogando comida em mim.
Connie mostrou seu uniforme manchado e Sasha ainda estava abismada pelo menino estar conversando normalmente com ela.
— Eu posso te ajudar a conseguir outras roupas... Se quiser.
— Que legal Sasha, me ajude!
A batata, o careca, o sardento e o cavalo
— Minha mãe me encheu o saco por causa do uniforme sujo no dia da guerra de comida. Eu expliquei e ela ainda achou que eu participei, minha vida é uma porcaria.
— Não seja tão dramático Jean. – Marco reclamou enquanto depositava o seu material escolar sobre a mesa.
— Falou o cara que faz sucesso com as meninas e tem uma vida perfeita.
— Nós só temos quinze anos, não seja tão duro consigo mesmo.
— Oi pessoal.
Connie sentou no seu lugar atrás de Marco e Sasha sentou atrás de Jean um pouco sem jeito.
— Essa é a Sasha, e esses são Marco e Jean.
— Essa é a garota batata.
— Jean, não seja rude! – Marco reclamou. – Oi Sasha.
— Eu pensei que todos já tinham se esquecido disso.
— Sasha, sabe como chama o Jean aqui? Cara de cavalo.
Connie declarou e Sasha quase engasgou rindo. Uma veia saltou da testa de Jean.
— Pelo menos minha cabeça não parece uma bola de gude gigante.
Para surpresa deles, os quatro se tornaram bons amigos. Até mesmo a personalidade difícil de Jean serviu como fator para fortalecer sua amizade.
Jean flagrou um casal de alunos zombando da tentativa de Sasha de disfarçar seu sotaque e se aproximou.
— Sasha, fale logo do seu jeito e esqueça esses idiotas ou acerte uma flecha na cabeça deles. Ei, vocês, a Sasha é especialista em caçar animais grandes, cuidado.
Ele sorriu e Sasha sorriu de volta, quando se virou na direção do casal sorriu insanamente.
— Tem toda razão Jean, por qual eu começo?
O casal se entreolhou e depois que viu a menina ameaçar abrir sua mochila se desculpou e correu amedrontado.
— Obrigada.
Sasha declarou aparentemente sem graça, Jean arregalou os olhos, surpreso, mas logo voltou a sua expressão usual.
— Ei batatinha, eu não vou estar aqui sempre pra te defender, isso é papel do seu futuro namorado, o careca baixinho.
— Seu...
Sasha levantou os punhos ameaçadoramente enquanto um rubor cobriu sua face.
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