Notas iniciais
Gente, gente. Eu resolvi ir postando essa fanfic da seguinte maneira, colocando o passado e o presente. Eu achei que seria interessante dessa maneira. Esse capítulo mostra o passado de alguns personagens, logo eu vou mostrar o passado dos outros. O próximo capítulo vai ser no presente.

O trio de Shiganshina

O pequeno garoto de madeixas loiras repousava sentado sobre a cama macia com seus orbes azuis voltados para o soalho. Armin tinha apenas dez anos e se mudou para Trost após a morte repentina de seus pais em uma viagem de férias. Seu avô achou que se mudar de Shiganshina afastaria o menino de uma possível depressão, pois morar na casa de seus pais estava fora de cogitação.

Ele ainda se lembrava da última vez que os viu. Sua mãe passou a mão pelas madeixas ruivas observando sua imagem refletida no pequeno espelho, e seu pai estava ajustando os fechos das malas. O casal ia fazer sua primeira viagem sem a presença de seu único filho pela primeira vez.

Armin ainda sentia falta do sorriso caloroso da sua mãe e da risada alegre de seu pai e de todos os planos que eles fizeram para viajar juntos no próximo ano com o filho. Sentia saudades das tardes de domingo no parque, das noites de leitura, dos dias em que cantavam em casa e no carro. Quanto mais lembrava, mais a saudade vinha acompanhada da certeza de que nada disso ia voltar a se repetir.

Armin suspirou e resolveu tomar um ar fora de seu novo quarto cheio de caixas e malas para desfazer. Após passar pelo corredor e descer as escadas, o menino escutou um falatório, com certeza seu avô e o casal Yeager, Carla e Grisha. O último era amigo de longa data de seu pai, os dois compartilhavam a profissão de médico.

— Armin-chan, precisa de alguma coisa? – Carla passou a mão pelo cabelo dele gentilmente.

Armin moveu sua cabeça em negação. Eles já tinham ajudado demais, conseguiram arranjar uma casa na vizinhança deles e ainda estavam ajudando na mudança. Se pedisse mais alguma coisa ia sentir que estava abusando da boa vontade deles.

— Hey Eren, venha fazer companhia ao Armin. – Grisha gritou subindo a escada com uma mala.

Armin observou um menino da sua idade entrou na sala de estar.

— Tudo bem não preci...

— Eu soube de tudo, sinto muito. – O menino interrompeu o outro – Meu nome é Eren e você deve ser Armin.

O loirinho confirmou acenando com a cabeça. Em alguns minutos os dois estavam sentados num sofá da varanda da casa observando a rua movimentada e conversando. Em pouco tempo conseguiram se abrir e se entender de um modo que quem visse ia pensar que eram amigos de anos. Eren conseguiu fazer o menino sorrir após semanas sem nenhuma expressão de alegria em sua face. Nenhum dos dois possuía um amigo e desde que descobriram que iam frequentar a escola Rose, combinaram de enfrentar a nova situação juntos.

— Eu também nasci em Shiganshina, mas mudei pra cá por causa do trabalho do meu pai. – Eren disse jogando uma pedrinha no quintal.

— É bom conhecer alguém antes de ir a escola nova. – O loirinho abraçou as próprias pernas com um meio sorriso.

— Não que eu goste muito de estudar, mas concordo que vai ser legal ter uma companhia esse ano.

Em alguns dias a nova casa de Armin estava totalmente arrumada e limpa. Eren passou a frequentar a casa de Armin, assim como Armin passou a frequentar a do amigo, assim os dois se tornaram melhores amigos em pouco tempo. Os Yeager se alegraram por seu filho finalmente fazer amizade com alguém, principalmente um menino bom como Armin. O avô do menino loiro também ficou feliz, seu neto estava seguindo em frente graças a uma boa amizade.

Finalmente as aulas da escola Rose voltaram. Os dois meninos ficaram juntos, como prometeram um ao outro. Armin gostava de estudar, ao contrário de Eren, e logo se destacou entre os alunos da sua turma na primeira semana de aula.

No final da primeira semana de aula Eren e Armin não seguiram juntos para casa, como habitualmente, Armin tinha saído mais cedo do colégio para casa e Eren seguiu sozinho no horário normal. O menino de olhos verdes topou com uma garota sendo roubada por dois garotos maiores no caminho da saída do colégio. Ele partiu em disparada com o punho na direção de um deles e acertou em cheio. O garoto caiu no chão e o menor acertou seu punho sem parar nele até ele desmaiar. O garoto mais velho olhou para Eren com ira e se jogou contra ele, quando pegou em seu pescoço ergueu Eren. A menina de cabelo escuro que foi salva por Eren fitou-o, assustada e paralisada, sem saber o que fazer.

— Lute!

O grito dele chamou a atenção dela, que ainda estava encolhida e com medo. Eren podia sentir o ar fugindo dele.

— Lute e sobreviva... Ou perca... – Eren gritou com dificuldade para a menina.

— O que está falando seu pedaço de merda!

A menina de feições asiáticas olhou para um pedaço de madeira jogado perto dela, incerta e seguiu seu olhar para o menino que a salvou e precisava de ajuda.

— Lute! Lute!

Os berros contínuos de Eren acordaram algo dentro dela que se espalhou como um raio pelo seu corpo, uma vontade de vencer que ela nunca teve antes. A menina pegou o pedaço de madeira e correu com ele erguido na sua mão, ela acertou o objeto na cabeça do garoto maior. Ela viu as mãos do garoto afrouxar e em seguida seu corpo bater no chão.

Eren sorveu o ar com vontade e verificou se o garoto não morreu pelo seu pulso, para Eren infelizmente o garoto estava vivo.

— Você está bem? – Perguntou à menina assustada. – Eu sou Eren.

— Mikasa.

Eren ajudou Mikasa a recolher o material escolar dela no chão e os dois seguiram até um parque para se sentar em um banco da praça. O vento gelado arrastou os fios de cabelo dos dois e Mikasa tremeu. Eren percebeu o frio da menina e retirou o cachecol vermelho de seu próprio pescoço e enrolou no pescoço de Mikasa sem falar nada. Ela arregalou os olhos e agradeceu fracamente.

— Qual seu endereço? Eu te levo pra casa. – Eren disse depois de levantar do banco.

Mikasa arregalou os olhos e sentiu lacrimejar. Eren foi a primeira pessoa estranha que a acolheu depois que chegou de Shiganshina. Ela era vista como uma garota estranha no colégio e era constantemente excluída do convívio com os outros, pois não fazia o tipo extrovertida, pelo contrário, era quieta demais. Ela não poderia ser a mesma garota animada e falante de antes, não depois de ter visto seus pais serem assassinados na sua frente por bandidos quando ainda morava em Shiganshina. Após essa tragédia ela passou a morar em Trost com seu tio Levi, um delegado. Levi procurou ser o mais amável possível com ela, dentro dos seus limites.

No outro dia Mikasa conheceu o melhor amigo de Eren, Armin, e se sentiu acolhida por ele do mesmo modo que com Eren. Em pouco tempo os três se tornaram melhores amigos inseparáveis. Mikasa se descobriu apaixonada por Eren, mas nunca revelou nada, apenas se contentou em proteger o garoto que um dia a protegeu.

O trio titã

Bertolt tinha apenas seis anos, porém, era mais alto que a maioria das crianças da sua turma, ou da sua escolinha. E por isso recebia os mais variados apelidos e era tímido demais para revidar, ao invés disso, se fechava e se recolhia nos cantos, não interagia ou brincava com outras por vergonha de sua altura.

Certo dia, no recreio, ele estava lanchando num canto escondido de outras crianças, quando uma bola de futebol rolou até bater em sua perna. Para seu pavor um menino loiro surgiu poucos segundos depois atrás da bola e o viu.

— Oi, não quer jogar?

O menino convidou e Bertolt estranhou o fato de que ele o chamou de qualquer apelido, apenas pareceu sem graça. E mais, ele o convidou para brincar, ninguém nunca tinha o chamado para qualquer atividade antes, pois ele não tinha amigos.

— Desculpa você está comendo. – O loiro riu – Sou Reiner, nunca te vi por aqui.

— Eu sou Bertolt. – Ele corou, o menino estava sendo gentil ou ele estava sonhando?

Reiner se despediu de Bertolt e voltou para seu jogo com os outros meninos. No dia seguinte Reiner procurou Bertolt no mesmo lugar do dia seguinte, lanchando sozinho. Bertolt arregalou os olhos quando viu Reiner estender seu lanche no chão e sentar ao lado dele e se perguntou se seria alguma brincadeira de mau gosto, no entanto, descartou essa possibilidade após olhar para o rosto de Reiner. Reiner ficou curioso com o menino, ele conhecia o colégio inteiro, no entanto, nunca viu esse garoto.

— Bertolt, você não se cansa de se esconder? – Reiner questionou sorvendo um suco de caixinha através do canudinho. – Eu não entendo porque você fica aqui no recreio.

— Aqui é mais tranquilo e...

— E?

— E as crianças não me apelidam por causa da minha altura.

— Então é isso. Bertolt, você está perdendo tempo. – O menino fala antes de enfiar um pedaço de comida na sua boca. – Você é bem legal e não pode deixar isso te atrapalhar de fazer amizade, qualquer coisa é só usar seu tamanho pra intimidar quem te por apelido.

O introvertido Bertolt passou a conversar normalmente em pouco tempo, e os dois passaram a se encontrar nos dias de aula durante o intervalo e estenderam esse contato para fora da escola. Os dois frequentavam a casa um do outro, saiam para passear juntos e Reiner ensinou Bertolt a jogar futebol. Logo Bertolt passou a interagir mais com outras crianças e ganhou confiança, embora ainda fosse de sua natureza ser tímido.

No próximo colégio, os dois conheceram Annie num trabalho em grupo durante boa parte do ano letivo. Annie sempre foi uma menina solitária e prezava pelo seu espaço e mesmo com esse, porém, eles se tornaram amigos da garota. Ela não parecia uma menina comum, não era feminina e gostava de treinar no clube de luta. Reiner os batizou de trio titã após assistir um filme de ficção cientifica.

— Que tal a gente sair pra pegar um cineminha amanhã? – Reiner perguntou com olhos de cachorrinho para convencer Annie e Bertolt.

— A Annie não vai sair com as amigas dela? – Bertolt olhou para a menina loira.

— Felizmente aquelas malucas não irão me levar a lugar nenhum amanhã. – Annie bebericou seu suco. – Tudo bem, de manhã eu vou treinar um pouco.

— Você nunca apresentou essas suas amigas pra gente Annie, são bonitas?

Reiner brincou e Bertolt se sentiu incomodado por algum motivo, no entanto, não sabia explicar o motivo, ou não queria.

— Sorte a sua. – Annie respondeu simplesmente.

Bertolt começou a se dar conta com o tempo que sentia algo a mais por Reiner, mas buscou negar com todas as suas forças e procurou arrumar namoradas como os garotos da sua idade. Reiner já tinha consciência de que estava apaixonado pelo amigo e aceitava isso, mas achou que Bertolt não sentia o mesmo e quis preservar sua amizade.

Os trios se encontram

Durante a escola secundária, Eren passou a frequentar o clube de luta e Mikasa também, para proteger o garoto. Já fazia algum tempo que Mikasa descobriu sua força, e passou a usar sempre que Eren acabava brigando com valentões depois de tentar proteger Armin.

— Está perdido? Sou Reiner.

Eren se virou para o garoto musculoso. Ele arregalou os olhos, todos no clube tinham esse tipo físico?

— Eren. É meu primeiro dia.

Os dois estabeleceram uma breve conversa e Reiner mostrou as instalações do clube para Eren se familiarizar. Reiner era o presidente do clube e costumava receber os integrantes. Os dois param perto de uma garota loira golpeando com força um saco de pancadas.

— Hey Annie, vem dar uma demonstração.

— Não precisa Reiner, acho que é muito cedo.

A expressão no rosto de Annie era completamente assustadora, seu semblante franziu de modo que surgiu uma escuridão entre as marcas. Ela se aproximou de um Eren temeroso e Reiner jogou uma arma falsa para ele. Ela ia desarmá-lo.

Eren armou sua guarda com os braços e partiu na direção dela, mas Annie simplesmente chutou sua canela. Eren caiu passando as mãos no local dolorido.

— Posso voltar? – Annie perguntou entediada.

— Você tem que terminar de desarmar ele.

Reiner disse e a garota suspirou aborrecida. Eren colocou as mãos na frente do corpo e pediu para esperar, o que foi totalmente ignorado por ela. Segurou o braço armado dele e afastou seu rosto para impedir a aproximação do outro braço e chutou atrás de suas pernas. Em poucos segundos Eren estava com as costas no chão e a cabeça entre as pernas, ele nem sabia como foi parar naquela posição.

— Agora eu tenho que te desarmar. – Annie falou para Reiner.

Reiner exibiu uma expressão assustada e ia retrucar, quando Eren o incentivou ainda no chão.

— Esse é um dos momentos em que um lutador não pode voltar atrás.

Em alguns segundos Reiner vai parar na mesma posição anterior que Eren.

— Reiner deve ter o dobro do seu tamanho. – Eren ficou surpreendido com a demonstração dela — Que técnica incrível, como aprendeu?

— Com meu pai. – Ela responde retirando uma franja de seus olhos.

— Ele criou essa técnica? – Eren pergunta visivelmente interessado.

— Isso não importa. — Annie declarou se afastando da dupla.

Annie saiu do local irritada em direção ao vestiário para pegar sua bolsa e tomar banho. Ele entendeu que Reiner provavelmente queria empurrá-la para aquele garoto de cabelo castanho e ela estava cansada dessas tentativas de arrumar um namorado para ela. Pelo menos conseguiu dar o troco em Reiner e ele teria dor nas costas.

No momento de virar o corredor, Annie trombou com alguém e a pessoa caiu para trás com o choque e quase a derrubou. O garoto loiro no chão olhou para cima, ainda tonto e levantou-se com a ajuda da mão que Annie estendeu.

— D-desculpe.

Armin gaguejou e seu rosto se avermelhou. Annie estava vestindo uma calça larga e um top que deixava seu abdômen a mostra.

— Tudo bem. – Ela disse e seguiu seu caminho.

Armin permaneceu no local ainda perturbado com a garota, porém, logo lembrou-se de Eren e saiu do lugar.