Rivais
3 Cap.2 -Preparação
Notas iniciais
–Lucas. -chamei.
–E então? De acordo? -se levantou.
–Seu idiota! -gritei e me virei, pronta para sair dali.
–Catarine. -me segurou.
–O que? -o encarei.
–Vamos lá. Sem minha ajuda você NUNCA conseguirá entrar para o time. Então... aceite logo para acabarmos com isso, sim?
–Não aceitarei nada. Solte-me que eu quero ir para casa. -falei em uma tentativa quase falha de controlar minha raiva.
–Conversamos depois então. -me soltou e saiu.
Idiota. Mil vezes idiota. Como ousa falar aquilo para mim? Estaria ele tentando acabar com o meu sonho? Zombar de mim? Ele está muito enganado se pensa que irei aceitar essa proposta ridícula.
Fui me arrastando para casa, estava cansada e aquele meu encontro com o Lucas só serviu para me deixar estressada. Agora minha cabeça está para explodir de dor e eu, sinceramente, fiquei bastante magoada com o que ele falou: “Você nunca conseguirá entrar para o time”. Quem esse idiota pensa que é?
Depois de um longo banho quente e um jantar nada saudável, vesti meu pijama do Pikachu -é, aquele de Pokémon mesmo- que consistia em um short curto preto e uma camiseta enorme e amarela com o Pikachu na frente, depois fui para o quarto assistir Inazuma Eleven. Podem até achar que é besteira e simplesmente rir, mas a verdade é que eu fico calma assistindo esse anime, ele é uma das razões de eu não desistir de meu sonho, ele é meu incentivo e meu braço direito.
–Argh. Garoto maldito. -suspirei.
Assisti uns três episódios e depois caí de cara nos livros -literalmente-. Química. Ai como eu odeio essa matéria, apenas uma hora de estudos e parece que se passaram dias. Chatice. Depois de dez minutos reclamando para o nada, finalmente consegui me concentrar: química orgânica. Muito fácil.
Uma preciosa hora perdida com éter, éster, álcool, aminas, amidas, nomenclaturas, cadeias, pesquisas e tudo mais. Parti pra outra. Química 2, que era cinética química e termoquímica. Só sei que depois dessa não quero ver gráficos, tabelas e setas nunca mais na minha vida. quer dizer... não até a próxima semana.
–Ai que sono. -fechei o caderno e os livros e me joguei na cama.
Olhei as horas no celular. 23:30.
–Hora de relaxar. -apaguei a luz e me joguei na cama novamente.
Fiquei um tempinho vegetando, olhando para o nada. Depois disso só lembro que tive um sonho estranho: pingüins espaciais (coloridos e brilhantes) estavam invadindo a terra e transformando as pessoas em bolas de futebol quadradas. Hum... interessante... haviam bolas de todos os tamanhos. Depois os pingüins começaram a chutar as bolas quadradas em uma garotinha que estava sentada em um canto. Tadinha. Começaram a chamar meu nome, meu deus, os pingüins estavam me chamando. Corre negada!
O despertador do celular tocava incessantemente. Me lembre de mudar esse toque maldito depois! Estiquei o braço até uma espécie de mesinha e peguei o celular. Abri os olhos lentamente, me levantei e fui para o banheiro, me espreguiçando no caminho.
Fiz minha higiene matinal, prendi meu cabelo em um coque desarrumado, vesti a farda ridícula do colégio, coloquei os óculos e saí. Não, eu não ia tomar café, estava com muita preguiça pra fazer alguma coisa. Fui andando até o colégio, que não era tão longe de casa, apenas uns trinta minutos de caminhada, além disso, eu precisava fazer a minha “caminhada” matinal, para o bem do meu corpo e mente enquanto jogo futebol.
–Bom dia, flor do dia. -Beto chegou saltitante ao meu lado.
–Bom dia. -sorri para ele.
–Aqui. -a rosada me entregou uma tupperware vermelha.
–O que é isso? -perguntei.
–Bolo de chocolate. Você provavelmente não tomou café da manhã, não é mesmo? -respondeu.
–O que seria de mim sem vocês, hein? -os abracei.
–Nada que preste. Acredite. -o loiro fez uma careta.
–Besta. Vamos entrar logo. -os puxei até a sala de aula.
–Come logo. -Vale apontou para a tupperware.
–OK. Agradeça à tia Mel por mim. -comecei a comer o generoso pedaço de bolo, que estava ótimo, por sinal.
–Como sabe que não fui eu quem fiz? -ela me encarou.
–Simples. Você é péssima na cozinha -o loiro riu- Aliás... vocês dois.
Ambos fecharam a cara e cruzaram os braços.
–É a mais pura verdade. -dei de ombros, rindo.
–Ah! Come logo isso aí. -a rosada me deu um tapa nas costas e eu quase engasguei.
–Obrigada. -entreguei a tupperware vazia a ela.
–Timing perfeito. -o loiro se sentou e o professor entrou.
As malditas aulas que pareciam não ter fim, finalmente haviam acabado, bom... pelo menos deu pra aprender algo. Traduzindo: tenho que explicar o conteúdo todo para os dois bocós que chamo de amigos.
(...)
–Catarine. -me chamaram.
–O que? -perguntei.
–Para de fazer anotações nessa coisa aí e vem fofocar com a gente!
–Vocês são persistentes... até demais. -falei.
–Deixa de ser chata, Catarine. -o loiro me deu um peteleco na testa.
–Não sou chata. -cruzei os braços.
Eles me encararam por algum tempo, depois ficaram de frente um para o outro e começaram a falar mal de mim. Na minha frente. Em alto e bom som.
–Caras de pau.
(...)
–Parece que está perto de terminar. -apoiei meu rosto em uma mão enquanto apoiava o cotovelo na coxa.
–Catarine. -chamaram.
–Oi? -me virei e dei de cara com o Lucas- Que susto. -respirei pesadamente.
–Pensou melhor? -falou.
–Não aceitarei nada, Lucas. -me levantei.
–Mas você sabe que sem a ajuda de uma pessoa que tem grande influencia no time...
–Conseguirei! Sem sua ajuda. -o encarei.
–Você sabe que não.
–Provarei que posso. Pra você e para todos. -joguei minha mochila sob o ombro.
–Ok. Prove então.
–Você verá do que sou capaz. Amanhã, no campo do colégio. -me virei e saí.
Eu não sabia para onde a Valentina e o Beto haviam ido e aquilo pouco me importava no momento, a única coisa que prendia meu pensamento era o fato de existirem, ainda hoje, homens tolos que se acham superiores às mulheres em determinados assuntos. Mostrarei para todos que esse conceito inútil pode ser mudado.
Chegando em casa, comi alguma porcaria que tinha no armário, toquei a farda por uma roupa que me deixasse mais à vontade e fui treinar. Nada de banho. Afinal, quem precisa tomar banho diante de uma situação desta?
Fui treinar no quintal, que era razoavelmente espaçoso. Primeiramente fui treinar o drible, coloquei latinhas enfileiradas uma em frente a outra, com um pequeno espaço entre elas para que eu pudesse passar sem problemas, e comecei o treino. Nada mal, consegui driblar as 20 latinhas em 13 segundos. Passei mais um tempinho treinando os ‘dribles de lata’ e parti para os chutes no gol. Posicionei-me a uns 10 metros do gol e peguei velocidade com a bola (para que a mesma entrasse com mais força na rede) e chutei.
Sei que é difícil manter a posse de bola, sei que o caminho até lá é longo e árduo (principalmente estando sozinha), sei como é triste e decepcionante perder uma partida e como é boa a sensação de vitória... sei de muitas coisas, mas ainda não sei se estou emocionalmente preparada para enfrentar tudo e todos amanhã.
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