Risk.

19 Diário de Bordo – Parte III


Disney World, Estados Unidos da América.

– Meus cumprimentos a todos que irão assistir a este vídeo. – Dohko fez uma leve reverência, falando antes terminar de arrumar a câmera, por isso a imagem estava trêmula e desfocada. – Bom, durante esse mês que se passou, continuamos nossas viagens pela Europa em busca do tal Pó de Diamante... – Olhou em volta, como se procurasse alguém, mas havia muita gente onde o libriano estava, então ele logo desistiu. – Enviamos os relatórios como costumávamos fazer, mas infelizmente, o Shion não me deixou gravar mais vídeos. – Retirou a câmera do tripé, falando enquanto caminhava. – Ei, Shion, apareça para o pessoal! – Gritou aleatoriamente, fazendo algumas pessoas olharem torto para ele.

– Não! Nunca mais aparecerei na frente de Athena! – Gritou o ariano, ainda sem aparecer.

O Cavaleiro de Libra aponta para um poste, rindo, como se estivesse falando com mais alguém – no caso, a câmera –, então caminha até Shion. Não sem antes, trombar com alguém fantasiado de Pato Donald. – Ah, foi mal, Donald... – Diz rindo, afastando-se deste. – Ah, quase me esqueci... – Deu um giro com a câmera, mostrando o local. – Estamos na Disney!

Shion puxa a câmera da mão do libriano, virando-a para si. – Athena, perdoe-me. – Disse, soando bastante arrependido. – O que você viu no último vídeo era algo que jamais deveria ter acontecido. Eu acabei me desviando dos meus objetivos, e fazendo coisas que um cavaleiro jamais deveria fazer. Eu sou uma vergonha... – Terminou, devolvendo a câmera para o menor, cobrindo o rosto com as mãos, como se fosse chorar.

– Quanta frescura! – O chinês fez uma careta, não havia nada de errado com o último vídeo, pelo menos era o que achava. – Fala sério, Shion! Aquilo foi uma fatalidade... – Passou o braço em volta do pescoço do maior, ficando meio desajeitado por causa da diferença de altura. – Vamos voltar a falar do que interessa, ou seja, os motivos para estarmos aqui. – Pigarreou antes de continuar. – Como eu já havia dito, essa é a Disney, e é um lugar lindo! Olhem só as roupas que eu comprei aqui! – Empurra o ariano, deixando a câmera de volta no tripé, afastou-se então, para mostrar a roupa que vestia. – Lindo, né? – Era uma fantasia de Tigrão. – Eu comprei uma pro Shion também! Do Ursinho Pooh! – Pegou uma sacola do chão, retirando uma fantasia desta, erguendo-a para mostrá-la para a câmera. – Só para ele me chamar de seu Tigrão, para eu dar melzinho para ele! Tchutchuca! – Deu um beijo estalado na bochecha do maior, deixando-o rubro, mas não de vergonha, e sim de raiva. – Enfim, nossos relatórios descrevem que um navio cheio de Pó de Diamante desembarcou aqui na Flórida. Como nos preocupamos com as crianças, viemos para cá, tentar descobrir para onde vai o carregamento.

– Isso não faz sentido... – Murmurou, ainda de cabeça baixa.

– Claro que faz! Eu que tive a genial idéia de procurar drogas na Disney, como não faria sentido?

– A segurança deste local é horrorosa, havia um casal transando no banheiro infantil. – Comentou aleatoriamente.

– E bem que você quis fazer igual, não é, Shion? – Dohko o puxa para perto de si novamente, segurando em sua camisa.

– Pare de falar besteiras, vamos continuar com o vídeo! – Retrucou irritado, empurrando-o para longe de si. Respirou fundo e voltou a falar. – Bom, eu ouvi boatos de que o carregamento vai para um galpão que fica aqui perto, durante a madrugada. – Continuava a falar, sem perceber que o outro cavaleiro havia sumido. – Mas o mandante com certeza está muito longe, lá só há trabalhadores braçais. – Fez uma pausa, olhando para os lados, ainda sem sinal do chinês. – Creio que estamos chegando perto do nosso alvo, que seria o distribuidor da América do Norte.

Dohko volta, interrompendo o monólogo do ariano, mostrando-lhe um bichinho de pelúcia do Pateta. – Peguei para você, amor! Olha como ele é fofo! – Disse, apertando o boneco na cara do tibetano.

– Verdade, parece com você... – Pegou o boneco, apertando-o para averiguar se era realmente macio.

De repente o libriano pega a câmera e sai correndo. Depois de trombar em várias pessoas – derrubando muitas delas –, chega à montanha russa, e furando a fila, senta-se num carrinho, com o fio da filmadora amarrado no pulso. Shion vai imediatamente atrás do parceiro, parando em frente do carrinho. Com certeza não iria entrar naquilo.

– O que pensa estar fazendo? – Tentou pegar a câmera do chinês, mas acabou sendo puxado para dentro do carrinho. – Dohko, solte-me!

Em desespero, tentou sair do carrinho. Mas um dos homens da segurança mandou-o sentar-se corretamente. Envergonhado, o ariano o fez. Até mesmo porque não iria voltar, as pessoas estavam furosas por eles terem furado a fila.

– Relaxa aí, vai ser divertido! – Disse, exageradamente animado. – Athena também merece ter a bela visão que temos daqui de cima!

Então abaixaram a trava de segurança, Dohko ajeitou-se, estava bastante ansioso, como sempre, agindo como uma criança. Logo o carrinho começou a subir vagarosamente, parou no alto, descendo rapidamente. Então movimentava-se numa velocidade incrível, fazendo curvas absurdas. Todos gritavam, mas era praticamente impossível ouvir.

UHUUUL! ATHENA, OLHA SÓ QUE MANEIRO! – Gritou o chinês, sem saber que não dava para ver nada, nem sentir a adrenalina pelo vídeo.

O carrinho deu uma daquelas paradas pré-loop; Dohko olhou para o parceiro que fazia uma careta bastante desagradável. Então o brinquedo girou trezentos e sessenta graus, parando de cabeça para baixo. E o ariano já estava verde, no mesmo tom de seus cabelos.

– Dohko, eu vou-

Não conseguira terminar a frase, acabando por vomitar tudo que poderia ter comido até aquela hora. O brinquedo voltou a se movimentar, espirrando vômito para todos os lados.

– PORRA, SHION! QUE NOJO! – O libriano praticamente gritou, quase deixando a câmera cair. – Você vomitou em mim!

– Vá à merda. – Retrucou, enchendo a boca de ar para tentar conter o vômito.

– Olha o que você fez! Vomitou na câmera! E agora?! – Ignorou o fato de estar todo vomitado, preocupando-se em tentar achar uma parte limpa de sua roupa para limpar o aparelho.

– Eu falei pra você não vir aqui. – O brinquedo parou, Shion ainda estava tonto, tentando se livrar do cinto de segurança. – Vamos embora. – Com dificuldade, levantou-se, saindo do carrinho. Ainda passando mal. – E desliga essa merda.

O moreno soltou um suspiro, odiava quando o parceiro ficava daquele jeito, mas era melhor obedecê-lo antes que a coisa ficasse feia para o seu lado. – Bom, Athena. Por hoje é só, eu vou ali cuidar do senhor enjoadinho! – Olhou para Shion com uma expressão bastante precoupada no rosto, este já estava um tanto distante de si. – Enviaremos o relatório sobre o que encontrarmos no galpão. Até mais!