Rising Sun

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Notas iniciais
Então... mais uma história minha que chega ao fim. Abaixo citarei algumas músicas que gostaria que , quando puderem, ouçam . Acho que combina com a história, é uma pequena trilha sonora. Muito obrigada por acompanhar até o fim e pela paciência pelas minhas demorar kkkkk. Em breve mais novidades ! Obrigada mesmo ! Meu email : r.desirre@hotmail.com

Saí apressado do trabalho e liguei o carro. '' Ah meu Deus ela já deve ter começado o trabalho de parto '' -- Pensei. Porque justo hoje eu teria que convocar uma reunião de empresa ? Eu sei que não haveria como prever a hora exata em que o bebê fosse nascer , só sabíamos o dia. E justamente naquela hora quando eu estava prester a bater o martelo depois de ouvir algumas sugestões de melhorias para o meu departamento.

Dirigi de forma rápida , costurando os carros , ao mesmo tempo em que ouvia buzinadas e palavrões . Se não fosse uma situação de emergência eu já teria mostrado o dedo ou soltado um palavrão.

Ao chegar na maternidade , perguntei à recepcionista o local do parto em que ela estava e subi apressadamente as escadas, me esquecendo totalmente de que havia um elevador por ali . Ao encontrar a porta, eu esperava ouvir choros , gritos, respirações ofegantes e incentivos médicos. Mas nada daquilo aconteceu. Ao abrir a porta lá estava ela sozinha , suada e vermelha , pois sempre fora muito alva. Mas feliz . Segurava um mantinho azul claro embrulhado nos braços . Sorri e sentei-me ao seu lado, enquanto ela me plantava um longo beijo.

''-- Pensei que você não fosse chegar a tempo. Mas eu iria entender se você não conseguisse. Ainda bem que a enfermeira conseguiu ligar , nem eu mesma esperava que o nosso filho fosse nascer nesse minuto . '' -- Clara voltou a sorrir para o bebê adormecido , que herdara meus cabelos negros e rebeldes. A cor de seus olhos era um mistério , pois ainda não os abrira , mas provavelmente herdara o verde-oliva de Clara.

''-- E então, vai ser esse nome mesmo ? Tem certeza de que está disposta à fazer esse tipo de bullying com ele ? '' -- Sorri de lado, enquanto afrouxava minha gravata.

''-- Lógico que sim, bobo ! É perfeito ! Não conseguia imaginar outro nome para ele que não fosse o seu , Cam. '' -- Ela me deu uma cotovelada leve na costela . '' -- Pena que não vamos poder aproveitá-lo ainda, deve ir se juntar aos outros bebês por enquanto. Vou ter que dormir duas noites aqui . Os pontos ainda não cicatrizaram . ''

''-- Tudo bem, eu vou voltar para casa . É uma pena que eles não estão mais aqui ... iriam ficar muito felizes em ver o bisneto. Agora meu pai ... '' -- Murchei , mas ela segurou meu queixo.

''-- Eu sei como é, mas felizmente ele não será uma pessoa que vai fazer tanta falta assim na vida do nosso filho. O que importa , somente , é o pai e a mãe . Você vem me buscar daqui a dois dias ? '' -- Ela piscou para mim.

''-- Nenhum dia a mais desse . '' -- Beijei-lhe delicademante os lábios e sai, ao mesmo tempo em que uma enfermeira entrava no quarto de Clara para recolher Cam.

Cheguei em casa e depois de um banho quente e relaxante , fiquei sem saber o que fazer. A casa em que Clara e eu compramos logo depois do nosso casamento era bonita e grande , com móveis cor de grafite e suas cortinas alvíssimas. A empregada não fora trabalhar hoje porque estava de licença médica , mas como não havia limpeza à fazer me joguei no sofá. A minha vida pode ser considerada perfeita : Clara e eu largamos nosso antigo emprego, sou chefe de uma empresa de tecnologias em Nagoya e ela uma professora de Inglês que conseguira terminar seu Doutorado .

Eu sentia falta dos meus avós , mas só a lembrança de ver o quanto estavam felizes ao me verem na igreja, cujo casamento fora realizado pelo padre George , já me bastava para ter a certeza de que seus espíritos estavam orgulhosos e em paz.

Bateu-me, de repente , de dar uma volta pela cidade. Como me batera uma preguiça para pegar o carro , resolvi pegar o casaco e caminhar.

Estava acontecendo no Japão, naquele instante , o festival da primavera . Os japoneses andavam para lá e para cá com carrocinhas cheias de margaridas, tulipas e outras flores multicoloridas , outras pessoas preparavam doces e algumas crianças corriam com bandeirinhas e cartazes . Toda a cidade estava em clima de festa e era muito comum aquela gente fazer um evento grandioso sempre que uma estação do ano mudava. Uma senhora me ofereceu um algodão doce , e como fazia anos que eu não comia , comprei-o com prazer. Como era bom o sabor, e rapidamente senti-me com sete anos outra vez.

Sentei-me num banco de praça e enquanto comia, assistia alguns homens montando brinquedos para um enorme parque de diversões e outro grupo montando um palaque , onde bandas se apresentariam durante a noite. Outro pessoal levava para o que seria '' os bastidores '' , varias caixas de madeira que, pelo desenho estampado, deduzi que fossem os fogos de artifício para a queima no final do evento.

Ao olhar o parque , me peguei em lembranças. Lembranças que eu conhecia muito bem e que levava ao máximo para tentar esquecer . O acontecimento de onze anos atrás voltara a invadir minhas memórias . Apesar de minha amizade com Harry nunca ter morrido até hoje, não adiantava : sempre quando eu olhava seu rosto me lembrava dela, porém essa lembrança não me incomodava. Agora, olhar o parque .... isso sim me fez lembrar-me com mais intensidade ao ponto do meu coração começar a doer.

Me levantei e caminhei sem rumo , e nem senti quando alguém pisou sem querer no meu pé. Já que eu estava na rua , resolvi ir até um certo lugar . Ao chegar, empurrei com delicadeza o portão negro e enorme, com saliências pontudas em cima. Atravessei uma quantidade enorme de túmulos e covas, onde repousavam em cima incesos apagados recentemente , pois uma fumacinha ainda rodopiava fracamente da ponta, flores colocadas há algum tempo e outras colocadas recentemente, fora outros objetos que com certeza deveriam significar alguma coisa para a família ou para o alguém que alí descansava.

Quando finalmente avistei o que procurava, que estava ao lado de uma comprida estátua de um anjo , sentei-me diante do túmulo. Havia um buquê de rosas em cima que já começava a murchar e gravado na pedra , seu nome , data de nascimento , data de falecimento e sua foto , sorrindo como sempre. Aqueles olhos sempre ficarão guardados no meu coração e eu ainda podia sentir o sabor de seus lábios doces, a forma como era tão tímida quando ficava perto de mim e acima de tudo, o impacto que seu abraço me causava. Eu sentia a presença dela e aos meus ouvidos, o vento calmo que soprava parecia sua voz a sussurrar meu nome.

A vida continua , eu sei , mas , apesar de tudo ter acabado tão rápido e de uma forma tão ruim, ela teria um lugar reservado no meu coração . Inclinei-me lentamente e beijei a sua fotografia.

''-- Olá, minha Kristie. Como vai você ? ''

Notas finais
Christina Perri - Human James Blunt - 1973 Chris Daughtry - What about now Adam Lambert - Time for miracle
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!