Rise of Lorien
12 Capítulo Doze
Notas iniciais
Acordo com uma mão em minha boca, tudo está escuro então percebo que já passou do toque de recolher e ninguém deveria estar acordado. Penso em me defender, mas então percebo os cabelos loiros e molhados quase lhe cobrindo os olhos cinzentos. A mão é retirada de minha boca lentamente.
– O que diabos, Drake! — exclamo, me sentando.
– Shh. — ele sinaliza.
– O que aconteceu? — sussurro.
Ele me joga um cardigan e se vira para encarar a janela. Noto as luzes e um barulho ensurdecedor. Parece com a primeira vez em que os mogs fizeram contato com os humanos, eu estava ouvindo e me lembro do discurso de Setrakus palavra por palavra.
– Eles estão procurando por alguém. — agarra meu braço. — Precisamos sair daqui.
– Por que? Você não acha que...
Mal tenho tempo de colocar as pantufas no chão e mesmo assim consigo pega-las e acompanhar o loiro.
Ele para de repente no corredor, me jogando contra a parede, um braço em cima de meu pescoço.
– O que você... — tento falar, mas a força de seu braço em minha garganta me impede de continuar sem engasgar.
– Escute bem, Quatro. — ele rosna — Se de alguma maneira você estiver trabalhando para eles e tenha dado nossa localização eu juro...
Agarro seu braço tentando puxá-lo para baixo, mas ele o força e eu engasgo, sentindo a pressão em minha garganta e dentro de minha mente algo me diz para lutar contra isso, Drake está louco.
– Me solte. — tusso.
Mas nada acontece, ele apenas continua a encarar dentro dos meus olhos, sinto o tom tempestuoso dos seus e percebo o quão sério ele está sendo nesse momento.
– Drake, por favor. — a voz sai fraca e quase sem fôlego, começo a sentir uma grande dificuldade em respirar. — DRAKE!
A porta da frente explode no momento em que jogo Drake para o lado. Caio em cima dele e nossos narizes quase se batem, sinto meu rosto queimar e me sento rapidamente, os cabelos girando quando viro para ver o invasor.
Apenas consigo enxergar silhuetas na poeira e, ao sentir a mão de Drake em meu pulso, percebo que ele está tão preocupado quanto eu.
Ambos levantamos e começamos a correr, subindo as escadas até o apartamento no último andar que mais parecia, obviamente, um sótão. O loiro me puxa para o quarto e fecha a porta, trancando-a. Eu pego uma cadeira velha e a coloco embaixo da maçaneta.
Ouço os passos misteriosos nas escadas de madeira, mas algo me diz que os passos não são tão misteriosos.
– Precisamos ir. — sussurro secando o suor da testa.
Drake está apoiado na parede. Ele levanta a cabeça e percebo que está tão cansado quanto eu, finalmente percebo os pequenos cortes em seu rosto.
– O que houve com o seu rosto? — pergunto com uma voz suave.
– Deve ter sido a explosão, nada demais. — dispensa.
Poderia ser uma maravilhosa conversa se as batidas não tivessem interrompido.
Meus olhos procuram por uma saída, mas nada me vem a mente a não ser a janela. Uma ideia maluca me ocorre e sorrindo me dirijo até a janela abrindo-a.
– Vamos. — chamo Drake.
Ele se vira confuso,
– Você ficou louca?
Penso por um instante antes de responder.
– Eu sou louca. — sorrio.
Surpreendente ele sorri de volta.
– Ok, agora me ajude a subir aqui. — peço.
Com um impulso de Drake, pulo na pequena janela e quase não consigo atravessa-la, ficando poucos centímetros de sobra. Estendo minhas mãos para cima, tentando alcançar a telha e, por sorte, tenho sucesso nessa missão, mas por outro lado eu não tenho força o bastante para me levantar.
– Drake, pula! — exclamo, tentando me puxar para cima e falhando miseravelmente.
Em instantes o loiro está na mesma situação que eu e, coincidentemente, a porta de madeira cede.
– Vamos! — Drake grita para ser ouvido mesmo com o barulho.
Continuamos a nos pendurar na telha, porém nós movemos para o lado, para não ficarmos expostos aos mogs.
– O que vamos fazer agora? — grito.
Ele não responde, avaliando sua situação.
– Droga, droga, droga! — berra.
Sinto meus dedos começarem a escorregar e me viro de olhos arregalados para Drake.
– Eu não vou aguentar por muito tempo. — aviso.
Tento me esforçar para me manter ali, porém os tiros que passam raspando por minha barriga me chamam atenção e eu me viro para a janela onde um mog apoia uma arma e tenta nos matar.
– Drake, eu estou escorregando. — grito quando uma das mãos cai.
– Aguente só um pouco, por favor. — ele implora ao se aproximar mais de mim, tentando desviar dos tiros.
– Eu não consigo. — choramingo, as lágrimas começando a cair.
Nunca fui de chorar muito, mas eu estou em uma posição critica e isso me deixa frágil, droga! Não quero que Drake me veja assim.
Sinto meus dedos escorregando cada vez mais e mais até que é impossível aguentar e solto.
Naquele momento eu fecho os olhos, respirando fundo e esperando a morte certa, espero que a Garde consiga resolver esse problema, que eles vençam a guerra sem mim. Talvez eu não devesse fazer parte dessa guerra, afinal qual seria o objetivo de uma garota sem legados. Só espero que se lembrem de mim.
Sou trazida de volta de meus pensamentos pela pressão. Minha mão se envolve em algo e abro os olhos bruscamente percebendo que Drake está me segurando. Estou na altura da janela de meu quarto e consigo ver perfeitamente minha cama e seus lençóis bagunçados, um plano se forma em minha cabeça.
– DRAKE! — berro.
Ele olha para baixo.
– Me dê impulso.
Com sua ajuda, consigo me balançar mais próxima da janela e, quando percebo seus dedos escorregando, dou um impulso maior e chuto o vidro, me jogando dentro do quarto.
Drake escorrega naquele exato momento, mas sou rápida e, como fez comigo, agarro seu pulso.
– Obrigado. — murmura ele, mas consigo ser seus lábios.
– De nada. — sorrio o puxando para dentro.
Não há muito tempo até que os mogs processem o que fizemos, preciso achar apenas a arma que guardo comigo.
– Drake, tem uma arma na primeira gaveta da cabeceira, me ajude a pegá-la, vou achar outras coisas.
Ele assente começando a vasculhar a gaveta.
Eu me aproximo da cômoda, tirando de lá o caderno na qual anotara todas as minhas dúvidas e o celular que recebera de Alice no dia anterior.
– Vamos. — sussurro.
O loiro estende sua mão e eu a pego. Juntos saímos correndo, descendo as escadas e fugindo dos mogs que estão a nossa cola.
No primeiro beco escuro que achamos, nós nos escondemos, esperando que eles passem. O braço de Drake fica o tempo todo em volta de mim, sinto sua respiração lenta e silenciosa em meu cabelo e ouço seu coração bater acelerado em seu peito.
Quando os mogs se afastam e estamos novamente sozinhos me viro para ele sorrindo.
– Conseguimos. — sussurro.
Ele ri.
– Conseguimos. — assente.
Nos abraçamos ali mesmo e embora estivéssemos nojentos, suados, sem uma casa ou suprimentos, naquele momento nada importava.
– Me desculpe. — ele sussurra em meu ouvido — Por duvidar de você.
Balanço a cabeça o abraçando com mais força.
– Tudo bem. — sorrio em seu pescoço.
Quando nos separamos, Drake se levanta olhando em volta.
– Aonde vamos agora? — pergunta.
– Não faço ideia, vamos torcer que achemos um lugar.
– Melhor começarmos a... — ele começa a dizer, porém é cortado por um barulho e cai no chão, inconsciente.
– DRAKE! — grito me aproximando dele.
Algo agarra meus braços e fecha minha boca, mesmo que tente gritar não consigo.
Esperneio tentando fugir ou me libertar, porém meu captor é mais forte e consegue me imobilizar contra a parede.
– Bom sonhos, princesa. — uma voz masculina sussurra em meu ouvido, logo em seguida sinto uma picada em meu pescoço, como uma agulha.
Começo a me sentir fraca e estranha. Minha cabeça dói horrores e estou me sentindo sucumbir à escuridão. Ainda tento me debater, mas estou ficando mais fraca a cada minuto.
Um último pensamento me ocorre antes que fique inconsciente.
Drake.
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