Notas iniciais
~> Obrigado a quem comentou e obrigada também a Kethy pelos MPs ~> Sugestão de música: Radioactive - Imagine Dragons

POV Elsa

Comparo o medo com a água; é essencial para a vida, mas se não soubermos controla-lo ele pode ser fatal. Desde criança quando atingi a minha irmã com gelo, fiquei isolada do mundo. Trancafiei-me no quarto como se fosse radioativa, as únicas pessoas a quem mantinha contato era com os meus pais. Eu não queria falar com mais ninguém, tinha medo de perder o controle dos meus poderes e ferir mais pessoas.

Durante muito tempo me mantive isolada, mas um dia eu tive que enfrentar meus medos e sair da proteção do meu quarto, afinal nunca se deve entregar-se ao desespero; se o fizer, nunca conseguir conversar com seu coração. O dia da coroação, apesar de tudo, não o considero o pior dia da minha vida, pois se não fosse por ele eu não teria encontrado harmonia entre mim e os meus poderes.

Posso ter conseguido controlar os meus poderes e ganhar autoconfiança, mas ganhei também um inimigo. O Príncipe Hans, após ser preso em Arendelle jurou vingança e alguns anos depois ele retornou ao meu reino e tentou matar a Anna, mas eu consegui salvar a vida da minha irmã porem não a minha.

Depois deste dia tudo mudou; as pessoas não podiam mais me ver ou me ouvir, era como se eu não existisse. Fiquei bastante perturbada com isso, eu queria ter a minha vida de volta, mas às vezes precisamos deixar para trás a vida que planejamos para aceitar o que está esperando por nós. Como se não bastase todo o drama, quase sempre uma vós ecoava na minha mente:

“Se as coisas que procuramos fossem tão fáceis de encontrar, não valeria apena encontra-las.”

Várias vezes perguntava de onde vinha essa voz, quem era a tal pessoa que sempre falava comigo? Porém nunca obtive respostas e ainda não compreendo o porquê de termos que esperar tanto pra finalmente entender sobre nós mesmos. Se não fosse pelo Breu, eu estaria vagando por este mundo. A procura de respostas e sem encontra-las. Se formos escolhidos para ser Guardiões, deveríamos saber isso logo.

Eu ainda não tinha dado a minha resposta sobre a proposta do Breu, ainda estava confusa sobre tudo. Mesmo assim aceitei o convite de ir até a Fortaleza dele. Percorremos algumas ruas escuras da grande Londres até chegarmos há uma caverna na floresta. Entramos e logo estávamos em um castelo subterrâneo. Era um pavilhão do tamanho de um clube de futebol. As paredes eram de rochas, as tochas emitiam um fogo de coloração esverdeada deixando o lugar ainda mais sombrio. No meio do pátio havia um grade globo terrestre marcado por pontos luminosos. Então percebi que o castelo era marcado por vários corredores.

– Essas luzes representam quantidade de crianças que acreditam nos guardiões – Disse o Breu.

– Interessante – Falei – Mas, para que servem esses corredores?

– São tuneis, eles levam para qualquer lugar do mundo – Ele disse.

Descemos uma escadaria até um novo pátio, este seguia o mesmo modelo do anterior. Haviam tochas com fogo verde presas as paredes de pedra e com vários tuneis, parecia idêntico ao antigo, mas no teto haviam várias gaiolas, grandes o suficiente para prender um humano. Tentei não demonstrar como estava assustada, porém foi inútil, uma espécie de vulto negro começou a me rodear, eu atirei uma rajada de gelo e o ser se caiu petrificado aos meus pés.

– Oh você congelou um Pitch’s Minions – Breu disse se agachando juntou a criatura congelada e com um estralar dos dedos o gelo se desfez e a criatura desapareceu nas sombras – Eles farejam o medo, fique calma e eles não apareceram mais.

– Pitch’s Minions? – Perguntei.

– Sim, são criaturas feitas a partir de pesadelos. Eles podem ter qualquer forma geralmente preferem esta forma humanoide ou de cavalos – O Breu respondeu.

– Pra que servem estas gaiolas? – Perguntei.

– Foram usadas no passado, mas prometi a mim mesmo nunca mais usa-las – Ele as olhou e em seguida falou – Lembranças desagradáveis, bem vamos continuar nosso percurso.

Continuamos andando e jurei para mim mesma nunca mais perguntar sobre isso. Entramos por um corredor estreito e escuro, em quanto eu andava eu tinha a sensação de que todos os meus pesadelos iam se realizar, fora que o escuro parecia querer me sugar. Literalmente, enquanto caminhamos uma espécie de tentáculo negro se enroscou no meu tornozelo.

– Ah – Gritei enquanto tentava congelar a coisa. O que foi inútil já que o gelo simplesmente o atravessou.

O Breu estalou os dedos e a coisa me soltou, e voltei a me sentir normal. Sem medos ou preocupações.

– Perdão, é o meu sistema de segurança. É uma forma de impedir a entrada de humanos ou- Ele parou de falar – invasores desagradáveis. Bem, continuemos o caminho. O tempo aqui corre mais rápido do que aparenta.

A principio não entendi muito bem o que ele quis falar. Mas bastou eu siar do túnel para entender. Saímos em uma nova floresta, e por incrível que pareça estava de manhã. O clima e a vegetação era completamente diferente da floresta pela qual entramos antes.

– Onde estamos? — Perguntei

– Escócia — Ele respondeu e continuou andando.

– Nossa, estávamos em Londres um segundo atrás como...

– Sem querer ser rude, mas você faz perguntas de mais — Ele disse e olhou ao redor como se estivesse procurando algo — Você está sentindo a energia da floresta?

– Não! — Respondi.

– Poucos conseguem senti-la. Mas eu nunca me engano, sei que ela esta aqui, em algum lugar.

Decidi não perguntar sobre quem era ela, então apenas continuei andando. O vento frio soprava o meu rosto e balançava a minha trança. Pássaros cantarolavam dos galhos tranquilamente como se não se importassem com o frio. A floresta era composta de arvores de troncos grossos, altas com longos galhos secos devido ao inverno. Era possível perceber as belas colinas que se estendiam ao longo do horizonte. Seria um passeio bem relaxante se você estivesse acompanhado de sua família e um guia não tão assustador e sombrio quanto o Breu.

– Sei que não gosta de perguntas, mas, porque estamos aqui? — Perguntei.

– Sabe Elsa, há muito tempo surgiu uma profecia sobre quatro Guardiões que ao contrario de proteger as crianças, protegia a natureza. Eles seriam capazes de derrotar ela. Mas ela não precisa ser derrotada, apenas salva. Um dos guardiões dessa tal profecia está por aqui e – a voz dele falhou – aqui foi onde tive a última pista sobre ela.

– Ela quem? — Não controlei a curiosidade e perguntei.

– Emily Pitchiner, minha filha — Ele disse com um ar melancólico.