Riscos

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Heya! Little Dratini aqui! Bem, para começar, como já disse no disclaimer, a fic é focada em COMÉDIA, portanto não esperem nada de "Uau" vindo dela. De qualquer maneira, espero que gostem e boa leitura a todos!

Na opinião do líder de ginásio da cidade de Pewter, Brock, o local era muito bom para se morar. 90% da população concordava com a opinião do moreno, e deixava ele feliz saber que os cidadãos realmente gostavam de morar em uma cidade pacata daquelas.

Mas por mais que para Brock a cidade seja boa, ele não achava o ginásio tão bom. Seus pais, os reais fundadores do ginásio, viajavam quase todo dia, e portanto largavam o cargo para o filho mais velho. No começo, era uma honra fazer isso, afinal de contas, o que o líder sempre sonhou quando criança era ser alguém forte e capaz de administrar a estrutura que nem seu pai era, mas após todos esses meses já virou algo cansativo para o rapaz. Talvez eles tenham achado que eles poderiam sempre contar com o filho para tomar conta do ginásio para assim eles poderem viajar toda a hora sem nenhum problema lhes pesando, mas o moreno achava totalmente errada essa atitude, porque parecia que eles não ligavam para seus irmãos e nem para ele mesmo. Eles ficavam lá abandonados e só restava Brock para tomar conta de todos eles, e o líder não queria mais viver assim. Ele não queria mais ter que tomar conta dos “preciosos da mamãe e do papai” sendo que já havia duas pessoas para fazerem isso; ele queria viajar, explorar Kanto – assim descobrindo novos lugares – e conhecer novas pessoas.

Mas como faria isso com seus pais sendo pessoas ausentes?

Essa questão tomou conta da mente dele até a hora de ir dormir, e quando deitou em sua cama já pronto para fechar os olhos ele resolveu refletir e ver se conseguia tirar alguma conclusão disso. Pensou, pensou, e pensou. Pensou tanto que quando foi o olhar o relógio, surpreendentemente duas horas depois, viu que já eram duas horas da manhã. Mas mesmo tendo refletido tanto assim, ele ainda não fora capaz de achar a resposta à sua pergunta. Foi então que, olhando um retrato de sua mãe e seu pai jovens se beijando diante a uma meia-lua, ele achou o que queria. A resposta.

— Uma mulher, é claro! — sussurrou, socando, com a mão esquerda, a palma de sua direita lentamente. Finalmente havia conseguido concluir algo, e com isso em mente, decidiu colocar seu plano “ir atrás da mulher perfeita” em ação amanhã. Olhando novamente o horário – agora, 2:30 -, ele bocejou e finalmente foi capaz de dormir em paz.

[…]

Os fortes raios de Sol penetravam pela janela do moreno sem dó, causando o esquentamento rápido de seu corpo e assim o calor. Foi assim que o mesmo acordou, suando, ofegante e então com a língua para fora, e – para ele – infelizmente mais tarde que o normal. Ele não entendia como meros raios da quente estrela eram capazes de fazê-lo ficar do jeito que ficara, mas ele passou a não ligar e já foi em direção ao banheiro para realizar sua higiene matinal. Escovou os dentes, passou o fio dental, enxaguou a boca e então olhou-se no espelho. “Perfeito”, ele pensou. “Estou finalmente pronto para colocar meu plano em ação”, terminou.

Porém, na hora em que o mesmo resolvera sair do banheiro, logo vieram seus três irmãos menores o importunar. Gritaram bem alto que queriam café da manhã imediatamente pois estavam morrendo de fome, e só com isso Brock já foi capaz de criar uma feição de irritação.

— Ora, seus pivetes! — por mais que ele amasse seus irmãos mais do que qualquer coisa nesse mundo, eles ainda conseguiam o irritar de maneira absurda sem nenhum tipo de esforço, fazendo-o soltar palavras que ele jamais diria se estivesse “consciente”. Mas os pequenos nem ligavam, ao invés disso só mostravam a língua ao mais velho e saíam correndo, rindo. E foi exatamente isso que eles fizeram, porém gritando que ainda queriam café da manhã, e o de cabelos espetados respondendo que já ia fazer. Agora sem mais ninguém para lhe perturbar, o homem finalmente foi capaz de ir até seu guarda-roupa e escolher suas roupas de sempre, mas especialmente para hoje com uma gravata. — Heh, isso vai ficar lindo.

Dizendo isso, o líder amarrou a gravata em seu pescoço e a ajustou, olhando-se no espelho logo em seguida. E não é que tinha realmente ficado bonito? O utensílio da cor “exército” combinava com seu casaco e até com a blusa preta que ele vestia por trás, e isso lhe dava um charme a mais. Achando-se perfeito, deu só mais algumas olhadas em si mesmo no objeto de vidro que refletia sua aparência e foi até à cozinha. Lá, todos eles já estavam sentados na mesa, anteriormente esperando seu irmão, e quando o mesmo chegou lá foi um alvoroço que só. Todos eles começaram a bater fortemente na mesa com seus talheres gritando em uníssono “Queremos comida!”, “Queremos comida!”, “Queremos comida!”, e revirando os olhos, ele não teve outra opção a não ser fazê-la.

Ele havia feito ovos com bacon no dia, e ao terminar, ele não demorou a colocar a comida nos pratos. Após isso, um grande silêncio pairou pela sala, mas logo após este mesmo silêncio virou sons animais de comida sendo mastigada. O moreno tentou pedir para eles comerem de boca fechada e “como gente”, mas eles nem deram atenção. E como fizera anteriormente, passou a ignorar, indo à sala. Ele sabia que tinha que sair logo de casa, mas não antes de contratar alguma babá para olhá-los – o que ele achava obrigatório, por receio de ele acabar ficando preocupado com eles no meio do caminho. Felizmente, 1 hora após ligar e com todos eles tendo terminado de tomar café da manhã e já ido brincar, a babá chegou. Abriu a porta e viu uma mulher loira, alta e de olhos castanhos. Esta cumprimentou Brock e disse que precisaria de 50 reais para começar seu trabalho, que foram instantaneamente concedidos pelo rapaz. Com isso, ela apenas fez uma reverência, guardou o dinheiro no bolso e disse:

— Não se preocupe, senhor, eles ficarão bem comigo.

E agradecendo e com um sorriso no rosto, o homem finalmente conseguiu sair de casa tranquilamente e sem nenhuma preocupação sequer.

— Bem — disse a si mesmo, sacando um grande papel branco enrolado e o abrindo, revelando um mapa da região de Kanto, mas cheio de marcações que indicavam os possíveis locais aonde ele poderia ter uma chance de encontrar a “mulher perfeita”. — , vamos começar. Primeiramente vou a Cerulean, quem saiba eu consiga algo lá.

Com um pensamento positivo e ainda um sorriso no rosto, o de cabelos espetados começou a andar em direção à cidade. Não demorou muito para chegar lá, só teve que passar por algumas rotas e enfrentar alguns treinadores que imediatamente o reconheceram e quiseram uma batalha – alguns até um autográfo -, mas que foram rapidamente derrotados por seu Onix. Assim que chegou, respirou fundo e foi ao Centro Pokémon. Sua primeira opção de mulher foi a enfermeira Joy, cujo o rapaz sempre teve uma tara por, mas que nunca conseguiu puxar um assunto com ela por sua timidez e falta de determinação. E hoje estava tudo invertido, ao invés de ele estar com isso que mencionei, ele estava é determinado e extrovertido, obviamente o oposto. Por isso, logo ao entrar na estrutura, o mesmo já foi piscando à mulher e ela, ao invés de corar como ele imaginava que aconteceria, simplesmente acenou ao líder de ginásio e o cumprimentou quando chegou ao balcão.

— Como vai a vida, Brock? — ela perguntou, soltando sua Chansey da Pokébola. Quando ela saiu, a enfermeira já foi a abraçando.

— Eh, boa, eu diria — começou, um sorriso confiante no rosto. — Principalmente agora, com você junto a mim.

— Eh? — confusa, murmurou. — O que você quer dizer com isso?

— Quero dizer que eu gosto de passar um bom tempo junto a você. Você é especial para mim. — dizendo isso, gargalhou fraco e baixinho e após piscou novamente.

— Oh, Brock, não seja tolo! — respondeu, também gargalhando e agora dando leves tapinhas nas costas do moreno. — Você sabe que eu já sou compromissada, né?

Ao ouvir isso, o “olhos fechados” sentiu seu rosto começar a ficar vermelho. Não, ele não fazia ideia de que ela já era compromissada!

— Uh… — falou, sem reação. — Joy, agora que eu vi que eu deixei a carne no fogão, tenho que ir, tchau! — e meteu o pé dali. A enfermeira simplesmente acenou lentamente ao mesmo, dizendo um baixo e confuso “Tchau...” no processo.

Já lá fora, Brock sentou-se em um banquinho que havia perto do Centro e abriu seu papel novamente, desta vez riscando todas as Joys da lista. Ele sentia que não iria dar certo com nenhuma delas e que provavelmente passaria pelo mesmo constrangimento que passou no momento, por isso foram todas. Assim, só lhe sobrara duas opções: Mulheres aleatórias que ele encontrasse e as Policiais Jenny. Ele só esperava que, quando fosse tentar paquerar a policial da cidade, não acabasse na mesma situação que antes.

— Socorro! Socorro! — gritava o de cabelos espetados, fingindo estar numa situação de vida ou morte. Foram diversos gritos até que a policial notasse e fosse verificar, mas valeu a pena pois quando ela chegou, ela já chegou mostrando toda a sua elegância e beleza, eventualmente fazendo-o babar.

— Hup! — exclamou enquanto pulava da moto, junto a seu parceiro Growlithe. — Qual o problema, cidad-- — ela mesma se interrompeu ao perceber que na verdade não era um cidadão qualquer, e sim um líder de ginásio. Ela obviamente ficou surpresa por isso, e então continuou, desta vez gritando: — ...Líder de ginásio Brock?!

— Pois é — respondeu com uma voz suave. Sem a mulher perceber, direcionou sua mão à dela e então a segurou fortemente. —, está surpresa por isso?

O modo intenso como Brock olhava para a policial só a fazia ficar mais tímida do que ela já estava por estar ao lado de um líder, e com isso envergonhada. Na cabeça do “olhos japoneses”, ela estava assim por na verdade ter uma paixão secreta pelo mesmo, mas essa teoria foi logo contrariada quando finalmente a mulher de cabelos verdes resolveu falar algo em meio àquele silêncio todo:

— Uh, me desculpe — ela balançou a cabeça rapidamente de um lado para o outro, numa tentativa de desaparecer com a vergonha. — Eu fico assim mesmo quando estou perto de alguém com um cargo importante, como um líder de ginásio por exemplo, por isso ignore por favor. De qualquer maneira, qual é o problema?

Ao ouvir a pergunta, o rapaz coçou o queixo sem saber o que explicar à ela. Um silêncio pairou no ar, porém desta vez fora interrompido o mais rápido possível com a explicação que o mesmo conseguira inventar, bem a tempo:

— Eh, eu estava sendo atacado por um ladrão e ele queria roubar minha gravata que é bem cara. Porém, ao ver você chegando, ele fugiu. É isso.

Após terminar de falar, o líder abriu um sorriso amarelo. E agora com tudo explicado, a mulher não hesitou em perguntar:

— Mas você está bem? Ele conseguiu te roubar? Você se feriu? Preciso anotar tudo isso então por favor responda.

— Bem, sobre a segunda e terceira pergunta, não e não. Mas sobre a primeira… — ele iniciou, agora apertando ainda mais a mão de Jenny. — Bem, eu não estava tão bem antes, mas agora com você ao meu lado, eu me sinto ótimo.

Ele, ao usar a mesma cantada, achou que não iria dar certo, mas surpreendentemente ela corou ao ouvir isso. E tentando esconder suas bochechas agora avermelhadas, ela posicionou seu bloquinho bem perto de seu rosto, anotando tudo bem rápido, rasgando a folha aonde marcou tudo e guardando-a no bolso de sua camiseta.

— Bem, é só isso por hoje. Eu tenho que ir. A-até. — gaguejou, correndo até sua moto. Brock tentou impedir, mas foi incapaz devido à velocidade da moça que nem deu “Tchau” ao mesmo e já pisou fundo, indo embora junto ao seu parceiro Pokémon.

— ...É sério isso? — se isso fosse um daqueles animes, o de cabelos amarronzados com certeza estaria com uma gota em sua cabeça. Mas como não era, ele só ficou com uma feição de indignação. — Engraçado, essa Jenny era bem diferente das outras. Eu até consegui a fazer corar. Mas levando em conta a personalidade das Jennies “originais”, eu com certeza não serei capaz de paquerá-las pois elas são duronas demais e focadas mais em seu trabalho do que em qualquer outra coisa como namoro. Então… — pela terceira vez pegou seu papel e o desenrolou, assim riscando todas as Jennies da lista. Pois é, agora ele só tinha uma opção restante. Esta era a das garotas aleatórias que ele encontrasse, então ele primeiramente iria tentar aqui na cidade de Cerulean e caso não desse certo, iria às outras cidades com o mesmo intuito. — “Bora” lá!

De início, ele simplesmente sentou-se no banquinho que havia lá e mexeu um pouco em seu celular, sempre dando uma olhada para ver se alguém passava, mas infelizmente isso não aconteceu. Então, levantou-se e ficou dando uma andada na cidade, e como antes, ninguém passou por perto. Entrou no Centro Pokémon mais uma vez e subiu as escadas, e lá estava! Seus primeiros “alvos”. Chegou perto das três garotas, cada uma com uma cor de cabelo diferente (da esquerda para a direita: branco – ruivo – roxo), e para começar piscou para elas. Elas repentinamente retribuíram.

— O que o senhor vai querer? — as três indagaram em uníssono.

— Nada, eu vim aqui exclusivamente para ver vocês. — respondeu sorrindo.

— Oh! Um líder de ginásio vir aqui exclusivamente para ver a gente?! Isso é muito, muito constrangedor mas é tão legaaaaal! — elas berraram, ainda em uníssono. Seus olhos pareciam estrelas cadentes de tão brilhantes que estavam. Além do mais, suas expressões eram de pura empolgação.

— …entretanto lamento informar, mas se o senhor não veio aqui para nada, então você não tem outra opção a não ser se retirar imediatamente. Não são aceitas pessoas que não vieram aqui para trocar Pokémon. — disse uma delas, agora séria.

Ele deu uma daquelas risadas com interrupções.

— Bem, Pokémon não, mas… — começou, parando para gargalhar um pouco mais. — Quem sabe trocar uns beijos com vocês?

No mesmo instante em que ele despejou a cantada, ele foi chutado do lugar, descendo sentado das escadas. Joy ao ver isso imediatamente saiu do balcão aonde estava e foi em direção ao líder, perguntando se ele estava bem, e ele, sem vergonha na cara, respondeu:

— Com você aqui, sim.

...o que eventualmente acabou terminando em outro chute, desta vez para fora do Centro Pokémon.

— Olha, eu tive muita paciência com você e suas cantadas, mas já disse que eu sou compromissada, por que você insiste? — e voltou para dentro do local.

“Por que você insiste?”

Aquela pergunta ficou ecoando pela cabeça do rapaz várias e várias vezes, e inclusive ele aproveitou aquela linda noite que se formava para sentar novamente no banco e refletir um pouco sobre isso.

Por que ele insiste, afinal de contas?

Ele sabe que é por um bem maior que é cuidar de seus irmãos, mas mesmo assim… Nenhuma mulher gosta dele. Nem com suas cantadas nem um pouco criativas elas são capazes de gostar dele. E mesmo se elas fossem criativas, ele tinha certeza de que não daria certo do mesmo jeito. “O que eu estou fazendo de errado, afinal de contas?”

Assim como sempre fez, fechou seus olhos e começou a refletir numa tentativa de achar uma resposta à sua pergunta. Nisso se passou 30 minutos, e após mais um tempinho ele realizou um movimento brusco e seus olhos ficaram arregalados, sinalizando que ele havia finalmente achado a resposta.

— É isso! — gritou. — Eu estou forçando elas a gostarem de mim! Por isso que eu não consigo o amor de nenhuma delas, porque o amor aparece e até se ganha naturalmente, o que eu estou fazendo é o completo oposto disso! — continuou, ainda gritando. — Por isso eu vou ser paciente. Eu vou esperar a pessoa certa para mim chegar, e quando esse dia chegar… Eu vou fazer o máximo para a dar o máximo de amor possível. É a melhor decisão a se tomar.

Um sorriso brotou no rosto de Brock após o mesmo terminar de dizer isso, e com isso ele se jogou no banco, olhando para o céu brilhante que aquela noite estava proporcionando.

E por fim, pegou pela quarta vez seu papel, o abriu e sem delongas…

riscou a última opção.

Notas finais
E aí? Gostaram? Sendo a resposta sim ou não, deixem o porquê nos comentários. Até!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!