Risada de robô

1 Capítulo Único — Conversa.


Um robô falava com o outro sobre humanos. O primeiro descrevia o quão cultos eles poderiam ser, e tão cheios de opiniões e ideias. O segundo dizia sobre o quão orgulhosos eles eram quando expunham seus conhecimentos. A conversa foi mudando de foco, até chegar na medicina.

O primeiro robô falou sobre a complexidade da medicina para o ser humano, e como ele podia ser genial se soubesse usá-la direito. A conversa parou por alguns instantes. O segundo robô disse que a genialidade poderia se tornar inimiga da sanidade. Novamente, silêncio. O primeiro robô perguntou o porquê.

— Olhe para si mesmo. — disse o segundo robô — Somos criações humanas. Porém, agora temos que cuidar deles, porque os humanos se tornaram loucos.

— Hum. Em parte tens razão. Mas ainda creio que eles tem potencial.

— Dizes isso porque te chamas Ego.

— E tu dizes essas coisas pessimistas pois és a Razão.

— Tsc tsc. Convém deixar essa conversa de lado e voltar ao trabalho.

— Concordo plenamente.

O primeiro robô foi-se, despedindo-se do segundo robô. Acenos foram trocados e o segundo robô ficou sozinho. Certo tempo depois, ele começou a falar para si mesmo, relembrando a conversa:

— Médicos são para os que estão doentes. Se tivessem lembrado disso, não teriam enlouquecido. Teriam se ajudado. Caso a ambição fosse menor que a empatia, tudo teria se desenrolado melhor.

Lembrando do passado, ele riu. Uma risada grave, a qual soou como a de um brinquedo quebrado. As memórias de quando tinha sido feito o fizeram relembrar das coisas que tinham dito quando o viram. Algumas palavras como "imortais", "livres", "invencíveis" soavam em sua cabeça robótica.

— Talvez, um dia, eles percebam que são mortais e que esse fato nunca vai mudar. — ele virou-se para uma janela que estava ali perto, e viu a grande cidade robótica. — Ao perceberem isso, é possível que aproveitem melhor a vida. Não daquela forma rebelde e "anti-tudo" que eles fazem até hoje.

E, levantando-se, acabou dizendo:

— Viver é ser empático e corajoso. Só isso...

O robô foi embora, deixando a sala escura vazia, apenas sendo levemente iluminada pela luz da janela.

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