RinHaru Project
29 Epílogo
Notas iniciais
Primavera. O caminho para a escola era emoldurado pelas cerejeiras com flores a desabrochar, marcando o início do período letivo. O garoto olhou para o alto enquanto caminhava e respirou fundo, encolhendo os ombros.
Fazia pouco tempo que havia se mudado para aquela cidade, então era a primeira vez percorrendo aquele caminho. Ele não via problema com a vida na cidade grande, mesmo que muitas vezes tivesse que ficar com sua tia devido às viagens dos pais.... Mas eles tinham feito questão. Disseram-lhe que tinham a impressão de que ele poderia encontrar o seu destino ali e que uma desacelerada no ritmo contemporâneo da capital poderia lhe fazer bem.
Bem, ele sabia que podia mesmo ser bem competitivo, então entendia o que queriam dizer, provavelmente.... Mas aquele lugar parecia ser um fim de mundo, e ele não era muito bom com “novos começos”.
Ele deu um suspiro, atravessando a entrada murada do primário de Iwatobi. Várias outras crianças passaram por ele no meio do percurso e ele mais de uma vez pensou se deveria erguer os olhos para alguma delas. Deveria ser uma aproximação fácil.
Mas, em vez disso, ele encolheu os ombros, desviando os olhos desconsertadamente. Pelo menos ele não era de ficar corado com facilidade, então não tinha problema ficar com vergonha só do quanto podia ser desajeitado socialmente às vezes.
De novo, era como se houvesse algo fora do lugar. Ou algo esperando para ser ajustado.
Ele moveu desinteressadamente os olhos para uma velha cerejeira, num canto junto ao muro. Ocupando não mais do que um meio metro de altura, um murinho, provavelmente feito por crianças de muitas, muitas turmas atrás, se erguia circundando a árvore.
…Free…
…For The Team…
Ele se ajoelhou para observar e tocou um dos tijolinhos com as pontas dos dedos. Um sorrisinho se estendeu brevemente por seu rosto. Erguendo os olhos, as flores cor-de-rosa soltando suas pétalas encheram sua vista. Era uma excelente vista. Uma que faria sentido alguém dizer que não gostaria de esquecer.
Uma outra pessoinha ajoelhou-se do lado dele, no entanto admirando o canteiro que era delimitado pelo muro. Era uma garota, de cabelos castanhos com franja curta presos e sorriso sonhador. Os olhos dela pareciam bem abertos, como se ela quisesse observar tudo o que pudesse.
De súbito, ela olhou para ele.
— Olá! Você tem cara que é novo aqui.
— Eu... sou. Nos mudamos para cá no final do inverno.
Ela ergueu uma sobrancelha de um jeito meio engraçado, meio caçoador.
— Seus pais devem ser esquisitos. É uma escola pequena, normalmente só os locais estudam aqui. E a gente é da mesma turma desde o prezinho...
Ele pigarreou.
— Eles não são esquisitos, eles eram daqui também. Só que nós morávamos da capital por causa do trabalho deles.
Ela pareceu gostar da atitude dele.
— Eu sou Serizawa Aoi. – Ela sorriu.
Ele virou-se para ela e começou a estender sua mão.
— Eu sou—
Um sino tocou, chamando todos os jovens para dentro de sala. A garota, Aoi, fez um sinal de “não importa” com um sorriso para ele e levantou-se. Ele olhou para ela por uns instantes, então levantou-se também para irem para a sala. Tudo bem. Eles estariam na mesma turma, então logo estariam devidamente apresentados.
...
Plec.
Ele pousou o giz na mesa após escrever os ideogramas de seu nome e sobrenome no quadro, para que todos da sala lessem.
— Meu nome é Sakura. – Disse, enfim. Com uma expressão meio incerta, como se já estivesse cansado pelas perguntas que se seguiriam, completou. – Meu nome pode parecer de garota, mas eu definitivamente sou um garoto. Prazer em conhece-los.
— Prazer! – A turma respondeu.
A professora assumiu enquanto ele voltava para seu canto. Não havia mapa de sala, então Aoi o puxara para sentar-se perto dela.
— Sakura. – Ela sussurrou.
Ele virou o rosto para ela e viu que ela o chamava com uma mão, então o garoto inclinou-se para perto dela.
— Hm?
— Vem com a gente para a ponte depois da aula. Eu vou te apresentar o resto do pessoal.
— Hã. – Ele olhou nos olhos dela. Aoi tinha heterocromia. Um de seus olhos tinha a íris mais clara do que a do outro, num tom esverdeado. – Ah, tá bom.
— Você fala de um jeito legal. – Ela afirmou, seja lá o que aquilo significava. – Ei, gostei do seu nome. É bonito de dizer. Sakura.
Ele rapidamente voltou para o seu canto, quase se encolhendo na cadeira. Mas olhou de volta breve e lentamente para ela, apenas para ver que Aoi ainda sorria.
Sakura deu um suspirinho, mas sorriu.
...
— Olha, ollha! – Um dos garotos chamou a atenção dos demais enquanto subia na borda da ponte e sentava-se lá, de costas para os outros.
— Ryuu idiota~ – Aoi choramingou – você pode cair na água!
O garoto mais alto, Ryuuji, apenas riu para ela.
— Não tem problema, não tem problema! – Ele abriu um sorriso largo. – Eu estou fazendo natação agora, então eu sei me virar mesmo que eu caia.
Sakura se aproximou dele. Estavam em cinco, contando com ele próprio. Aparentemente, eles eram amigos desde sempre, mas não eram todos da mesma sala, de forma que Aoi teve que cuidar das apresentações. Ela tinha convidado Sakura para andar com eles até o centro de natação, onde Ryuuji e outra menina ficariam para ter aula.
— É perigoso, mesmo assim. – Sakura falou com um tom gentil, apoiando os antebraços na mureta da ponte, ao lado do outro garoto. – A queda poderia lhe machucar, e você não é profissional.
— Tá bem, tá bem... – Ryuuji desceu de onde estava e virou-se de volta para o grupo. Então ele inclinou o corpo na direção de Sakura, com um sorriso gabola. – Mas um dia eu vou ser! Eu vou ser a próxima geração de nadadores a nível mundial que saíram de Iwatobi! Vou ser tão grande quanto Nanase Haruka!
Sakura arregalou os olhos. Então sorriu também para ele, inclinando de leve a cabeça com um ar de desafio.
— Posso ver o quão bom você é, então?
— É claro! – Ryuuji respondeu de imediato.
— Vamos correndo até lá, então! – Mei, a outra menina do grupo sugeriu para eles e os cinco desataram a correr a distância que faltava até o clube.
O centro de natação de Iwatobi era aberto ao público. Como Ryuuji e Mei estavam bem habituados a andar por ali, eles apenas entraram e os outros os seguiram, Sakura na retaguarda do grupo. No caminho, ele viu diversas fotos penduradas na parede.
Aoi percebeu a parada e ficou para trás junto dele.
— São todas as equipes que venceram o campeonato mirim de natação. Parece que tem várias pessoas daí que viraram nadadores profissionais.
Sakura deu um curto sorriso de lado.
— É, eu sei. É incrível, não acha? – Ele olhou para ela. – Todos eles já estiveram aqui, que nem a gente está agora.
Ela adorou o brilho nos olhos dele enquanto falava. Parecia cheio de orgulho. Ela imaginou que haviam muitos sonhos dentro dele a serem realizados.
— Uhum. – Ela assentiu sorrindo.
...
— Preparar... Apontar... Já!
Ryuuji disparou pela piscina. Sakura estava sentado na borda da piscina, com as calças enroladas para poder pôr as pernas na água. Ele deixou que seus lábios se entreabrissem numa agradável surpresa. Ryuuji era bom. Ele estava nadando crawl, livre, de uma forma bastante boa para alguém da idade deles. Tinha uma boa técnica e era veloz, apesar de ainda não saber fazer a virada.
Quando terminou o percurso, Ryuuji içou-se para fora da piscina e caminhou até ele. Sakura ergueu os olhos, sentado de onde estava.
— Você é muito bom. Está treinando para competir?
— Hum. – Ryuuji sentou ao lado dele, com um sorrisinho. – Obrigado, mas eu ainda tenho que treinar muito para chegar aonde quero.
— Imagino que sim.
Ryuuji apoiou uma mão no chão, meio inclinado na direção de Sakura. Seus cabelos estavam todos bagunçados agora que ele tirara a touca de natação.
— Você fala como alguém que entende. Você nada também?
— Um pouco.
— Imagino se isso não é só modéstia... – Ele brincou. – Gostaria de ver você nadando. Ou melhor, de nadar contra você.
Sakura encolheu os ombros e entortou as sobrancelhas.
— Infelizmente, eu não estou com calção. – Ele olhou para o outro. – Quem sabe amanhã?
Ryuuji abriu um sorriso cheio de dentes outra vez.
— Claro. Vou estar esperando.
Brrr brr
Sakura pôs a mão no bolso e tirou o celular.
— São meus pais. Eu avisei que estava aqui e eles chegaram para me buscar...
Ryuuji levantou-se e ofereceu uma mão para ajudá-lo a levantar-se também.
— Okay. Eu te acompanho até lá fora.
Sakura pareceu ficar nervoso.
— N-Não precis—
— Está tudo bem, eu insisto.
Eles se olharam. Ryuuji riu. Sakura deu de ombros.
— Ei, pessoal! Sakura-kun está indo embora.
— Ahhhn?! – Mei arqueou uma sobrancelha. – Mas nem vimos você nadar ainda!
— Outro dia... – Sakura esquivou-se, sem graça.
— Amanhã! – Ryuuji respondeu por ele, e olhou na direção de Sakura. – Ele vai nadar com a gente amanhã.
Os outros dois, como não treinavam, já tinham ido embora, então apenas Ryuuji acompanhou Sakura até a saída.
— Sakura. – Um homem na entrada o chamou assim que ele apareceu.
O homem tinha cabelos ruivos presos num rabo de cavalo curtinho. A aliança prateada em seu dedo anelar era idêntica à de outro homem, ao lado dele, de cabelos negros.
— Pai! Papai!*
Sakura correu até os pais para abraça-los.
O de cabelos negros afagou os cabelos do menino.
— Divertiu-se hoje?
Sakura assentiu.
— Sim. Fiz novos amigos.
Ele olhou na direção de Ryuuji e seus pais fizeram o mesmo. Mas o outro garoto estava boquiaberto e não tinha se aproximado.
— V-Vocês são..!!!
Nanase Haruka e Matsuoka Rin se entreolharam, deram sorrisos cúmplices vendo que tinham sido reconhecidos e cumprimentaram o garoto.
— Até amanhã, Ryuu-kun! – Sakura acenou para Ryuuji, para então segurar nas mãos dos pais e ir para casa.
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