RinHaru Project
17 Capítulo 16
Notas iniciais
O local de encontro era uma mistura de bar com restaurante. Aparentemente, aos fins de semana, costumavam-se realizar festas por ali, então havia muitas pessoas de pé, um balcão repleto de copos e garrafas que eram entregues e devolvidos, e música tocando alto o bastante para que jovens pudessem se jogar na dança.
Os olhos de Nitori se arregalaram quando ele adentrou o ambiente pouco iluminado.
— Não vale ficar hipnotizado. – Rin brincou, passando por ele e lhe deixando um tapinha nas costas. O mais novo balançou a cabeça e olhou para ele.
— Senpai—
— Estava brincando. – O ruivo respondeu com um sorriso, seguindo em frente.
— Sua primeira festa, Nitori-senpai? – Momotaru também se aproximou dele. Nitori assentiu, meio sem jeito. Momo riu. – Isso é ótimo! Pensei que ia ser o único!
— Tem poucas coisas que dá pra fazer numa festa dessas sendo menor de idade, não é?
— Do que está falando? Tem música, comida, e estamos com nossos amigos.
Nitori olhou para ele. Momotaru abriu o mais radiante dos sorrisos.
— Hm. – Ele concordou, com um aceno de cabeça.
Sousuke passou ao lado dos dois garotos, seguindo direto atrás de Rin. A visão periférica captava pequenos detalhes da cena, mas ele não conseguia manter-se concentrado em nada.
A alguns passos, ele ouviu as vozes do pessoal de Iwatobi. Rin virou-se para ver se ele o seguia e fez um sinal para ele se aproximar quando viu que sim. Sousuke continuou impassível conforme se juntava ao pequeno círculo de amigos. Seus olhos deslizaram involuntariamente para a mão direita de Rin, entrelaçada na de Nanase Haruka, ao seu lado.
O ruivo percebeu o olhar e corou. Na sequência, Haruka também percebeu e, como que para confirmar, puxou delicadamente o rosto de Rin e o beijou.
— Eu não disse que podia fazer isso... – Rin murmurou junto ao namorado.
— Você disse, quando concordou em sairmos como um casal.
Rin estalou a língua.
— Mesmo assim, contato físico em público...
— Numa festa, num bar lotado. Sério?
Ele bufou, dando-se por vencido e apertou a mão de Haru.
— Você é muito persuasivo. – Brincou.
— Então, pessoal? – A voz de Nagisa passou por cima das dos outros. – Comida ou dança?
O loiro agarrava-se ao braço de Rei, que tentava aparentar estar tranquilo, e assentiu firmemente quando decidiram por comer primeiro. Quando confirmou que não faltava ninguém, Gou, até então quieta entre os rapazes, falou com um dos garçons e ele os conduziu até o andar de cima, onde várias saletas com pisos de tatame eram reservadas para grupos. Eles entraram em uma e se acomodaram ao redor da mesa, sentados no chão.
Os primeiros instantes foram esquisitos. Então alguém fez algum comentário idiota. Os outros riram. Outra pessoa puxou um assunto e, aos poucos, todos já tinham se engajado mais ou menos na conversa.
Sousuke estava no menos. Ele se limitava a forçar uns sorrisos e comentar coisas superficiais em determinados momentos, mas a aura do lugar... Não parecia querer ajudá-lo a se encaixar.
Seijuurou tentava umas aproximações com Gou, mas só conseguia que ela risse sem graça e corada e o afastasse novamente. Nagisa e Momo se alternavam na animação da conversa enquanto Rei, Nitori e Mako tentavam acompanhar o fluxo das ideias.
Haru deitou a cabeça no ombro de Rin. O ruivo corou primeiro, mas então passou seu braço ao redor dele. Haruka parecia bastante satisfeito.
Sousuke desviou o olhar.
De repente, Nagisa se levantou. Muito a contragosto do namorado, ele e Rei desceram de volta para a pista de dança, seguidos de Gou e, portanto, de Seijuurou.
Fantástico. Sousuke não se sentia nem um pouco mais à vontade com a diminuição de pessoas no cômodo. Ele se levantou.
— Aonde vai? – Rin perguntou.
— Tomar um ar. – Ele respondeu, com um aceno, ainda de costas.
Quando fechou a portinha de correr, ele se escorou na parede ao lado.
O que ele estava fazendo ali?
Seu ombro doía.
Um segundo movimento da porta o assustou. Então Makoto saiu de lá, fechando a porta em seguida. Eles se olharam.
— Tomar um ar, é? – Mako comentou com um sorriso sem graça.
Sousuke suspirou.
— Momo e Nitori não são exatamente o que posso chamar de amigos, eu nem sou o capitão... E eu dispenso a troca de carícias do casalzinho...
— É, eu também.
Ele se surpreendeu. Mako ainda sorria de leve, mas havia alguma coisa por trás disso.
— Ah, é...?
— Hm. Enfim, você vai descer?
— É... É. Quer dizer, sei lá, acho que não tem muito o que se fazer no corredor.
Os olhos claros de Makoto cruzaram com os dele. Mako sorriu.
— É, realmente. – E passou por ele, indo para as escadas.
— ... É mesmo uma pena que não possamos nem beber... – Murmurou para si mesmo.
— O que disse?
— Eh? Ah, só algo que um dos garotos disse... Poucas coisas pra se fazer numa festa quando se é menor de idade...
Mako levantou uma sobrancelha.
— Ué, em geral uma festa só precisa de música boa, não? Além do mais, você é um cara bonito, pode até arranjar alguém com quem se divertir.
Ele travou por um momento.
— Err... É que eu...
— Já gosta de alguém. Rin, certo? – Quando a expressão dele o denunciou, Mako deu um risinho. – Linguagem corporal é tudo, não acha? Mas foi só um bom chute, na verdade.
Sousuke ficou em silêncio, depois virou o rosto, meio envergonhado.
— Eu sei quando é a hora de sair do jogo...
Makoto deu apenas um levíssimo sorriso, antes de voltar-se para as escadas.
— Acho que às vezes... Pode ser que tenha outro jogo para ser começado, né? – Ele disse, mais para si mesmo do que para Sousuke. Este olhou para ele por um instante e logo seguiu atrás dele.
— Ei. Makoto.
O rapaz parou ao ser chamado e virou-se. Eles se olharam, cada um procurando no olhar do outro algo que pudesse ser dito. A impressão de um entendimento mútuo pesava entre ambos, mas mesmo assim Sousuke perguntou:
— Onde você entra na história?
O sorriso de Mako era triste. Ele podia ver. Como se ele já estivesse cansado de manter uma fachada de felicidade e finalmente estivesse deixando ela cair um pouco. Porque, afinal, não importava se Sousuke visse a verdade. Eles mal se conheciam. Ele não era aquele para quem Mako voltava os seus sorrisos.
— Espelhado com você.
— O quê?
— Eu estou na sua posição. – Mako disse. – Só que do outro lado.
Eles continuaram se encarando. Eles compreendiam. E por isso sabiam que não havia nada a ser dito. Então Mako limpou um projeto de lágrima que brotava no olho esquerdo e abriu um sorriso radiante.
— Mas estamos aqui nos divertindo, certo? – Ele disse. – Entre amigos.
E assim, ele seguiu. Makoto foi para a pista de dança, logo encontrando com Nagisa e Sousuke observou, da parede, eles se divertirem. Mako não levava jeito para a dança, mas ele parecia realmente estar se esforçando para ficar bem.
Os olhos dele eventualmente levantaram-se até encontrarem os de Sousuke. Mako sorriu e Sousuke por meio minuto se perdeu em seus pensamentos. Eles... Mal se conheciam, né? Makoto era um estranho e foi apenas uma eventualidade que os deixou no mesmo ambiente, certo?
Ele ia subir novamente para o andar de cima, quando viu Nitori conversando com Momotaru em uns bancos iluminados de led. Ah, ótimo. Então o casalzinho estava às sós lá na saleta que reservaram, hã... Ele franziu o cenho, mas, antes que resmungasse qualquer coisa, uma mão tocou seu ombro.
— Ei. – Era Mako outra vez. – Você tem estado sozinho o tempo todo.
Sousuke olhou para ele. Os olhinhos caídos como os de um cachorrinho adorável fixos nos seus.
— Estou bem. – Respondeu. – Não sou muito de festa...
Silêncio.
Mako pegou o celular, parecendo ter recebido uma mensagem.
— É o Haru. – Ele comentou. Então apertou os lábios, nada satisfeito, mas tentando não aparentar isso. – Parece que perdi minha carona para casa.
Mako engoliu em seco e desviou o olhar para um ponto qualquer do cenário. Ele não tinha por que estar surpreso. Tinha sido trocado de novo, mas isso já era esperado, não é? Haru iria voltar junto com seu namorado e Makoto... Bem, eles se veriam depois, né? “Makoto pode se arranjar sozinho”, né?
Sousuke observou o rapaz. Apesar da altura, Mako parecia muito jovem e a expressão em seu rosto... Bem, ele não estava tendo tanto sucesso assim em esconder a desolação e isso fazia com que qualquer um tivesse vontade de lhe dar um abraço e cuidar dele...
“Quê...? ” Sousuke se viu pensando. Ele piscou duas vezes, organizando a mente.
— ... Eles vão voltar juntos daqui...? – Sousuke soltou, meio em solidariedade.
Makoto assentiu, depois sorriu para ele.
— Hm. Nada demais. – Mentiu.
Sousuke fez que sim com a cabeça discretamente. Ele se perguntou se deveria dizer alguma coisa, até que Makoto fez isso primeiro:
— Ei. – Ele segurou a mão de Sousuke. – Vem dançar também.
Sousuke ficou com uma expressão perturbada e seu rosto ficou um pouco vermelho de vergonha.
— Eu não danço.
Makoto riu.
— Eu também não. Mas é divertido mesmo assim.
Ele puxou o mais alto pelo braço até perto de onde Nagisa e Rei estavam. Sousuke soltou um suspiro e tentou não pensar muito a respeito. Era só mexer o corpo e ouvir a música... Metade das pessoas ali também não pareciam saber o que estavam fazendo, então ele só desligou a mente. Seus olhos se voltaram para Mako.
Makoto parecia até despreocupado. Havia algo interessante em vê-lo daquele jeito, o sorriso mais tranquilo, não se importando se o que fazia era certo ou errado, só que era o que ele sentia vontade de fazer.
Sousuke teve vontade de ver mais daquele lado dele.
Franzindo as sobrancelhas de leve ao perceber o pensamento intruso, ele quase se censurou, mas distraiu-se novamente quando Mako aproximou-se mais dele por causa de alguém que esbarrara nele. A mão dele apoiou-se no peito de Sousuke e este levou a própria mão à cintura do outro por instinto.
Logo em seguida, eles se afastaram, corados. Ninguém mais percebeu o que aconteceu, só os dois, mas mesmo assim... Pares de olhos verdes se encararam. Sousuke estava sem reação. Makoto tentava buscar uma para si.
Então, ainda numa tentativa de quebrar o clima estranho, Sousuke disse:
— Eu vou ali fora um pouco...
Por causa do som, Makoto só pode realmente ver os lábios dele se movendo, mas entendeu o que ele quis dizer e assentiu.
Sousuke se afastou da pista de dança, atravessou o corredor de entrada e saiu do lugar. O vento lhe atingiu o rosto assim que pisou do lado de fora, com o coração a mil. Okay, ele claramente estava abalado por causa de Rin, mas daí a se sentir atraído por qualquer rostinho bonito que fosse simpático com ele...
Ele olhou as horas no celular. Mais tarde do que ele pensava, mas não tinha pais lhe cobrando o horário da volta, então ele não se preocupava em chegar um pouquinho tarde.
Então ele ouviu sons de passos. Ele nem precisou se virar.
— Você está me seguindo.
— Eu também precisava de ar. – Makoto disse.
Sousuke abafou um riso.
— Conseguiu a sua carona? – Ele desconversou.
— Minha mãe pode vir... – Mako respondeu, com um pouco de vergonha. Então parou e olhou diretamente para Sousuke. – Sabe, o clima não precisa ficar ruim assim entre a gente...
— Tanto faz. Não é como se fôssemos nos ver com uma frequência grande o bastante para isso ser um problema.
Mako continuou olhando para ele. Sousuke finalmente levantou o olhar para ele.
— .... É mesmo, não é...
— ...
Os dois rapazes se encararam por uns instantes mais até que Makoto soltasse um suspiro e, segurando a gola da camisa do outro, puxasse o rosto de Sousuke para o seu.
Sousuke quase poderia mentir dizendo que resistiu, mas o único momento de dúvida que ele teve foi pela surpresa do gesto. A boca dele colidiu contra a de Mako quase dolorosamente, mas no instante seguinte era a sua própria língua que invadia a boca do outro. Makoto resfolegou e consentiu, agarrando-se a Sousuke meio ansioso. Sousuke segurou a cabeça dele e aproveitou o beijo tanto quanto fosse possível.
Eles não precisavam de mais. Não ali, não agora. Suas mãos não passaram da altura dos cotovelos, pois era no beijo que estavam concentrados. Sousuke mordiscou o lábio de Mako e este soltou um gemido baixinho antes de lamber os lábios dele de volta. Os dois precisavam daquilo. Do contato físico. De alguém que fosse estar com eles. Não tinha problema se era uma trapaça ou se eles realmente não se vissem mais quase nunca.
Era só um teste. Uma experimentação em que ambos estavam cientes e satisfeitos de serem cobaias. Então nem lhes passou pela cabeça interromper o ato pelos deliciosos e ansiados minutos que se passaram.
Eventualmente, os pais de Makoto chegaram. Eles já tinham se separado na hora, mas ainda estavam ofegantes e havia como que essa eletricidade estática que parecia querer juntá-los de novo. Mas no fim, Mako entrou no carro e só deu ao outro um breve aceno. Sousuke murmurou uma despedida, sem um mínimo de arrependimento na voz.
Eles riram consigo mesmos.
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